{"id":103,"date":"2010-11-11T21:59:53","date_gmt":"2010-11-11T23:59:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2010\/11\/11\/cadeira-no-6\/"},"modified":"2024-02-20T19:16:44","modified_gmt":"2024-02-20T22:16:44","slug":"cadeira-no-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/cadeira-no-6\/","title":{"rendered":"Cadeira n\u00ba 6 &#8211; M\u00e1rcia L\u00edgia Guidin"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"responsive-tabs\">\n<h2 class=\"tabtitle\">TITULAR<\/h2>\n<div class=\"tabcontent\">\n<br \/>\n<img decoding=\"async\" style=\"margin-right: 12px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/06.titular_MARCIA_LIGIA_GUIDIN.jpg\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong> M\u00c1RCIA L\u00cdGIA GUIDIN <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Cadeira 6<br \/>\nTitular<\/p>\n<p>M\u00e1rcia L\u00edgia Dias Di Roberto Guidin nasceu em S\u00e3o Paulo, no bairro do Tatuap\u00e9, em 22\/6\/1950. Cursou desde o Jardim da Inf\u00e2ncia at\u00e9 o Ensino M\u00e9dio (Curso Cl\u00e1ssico) no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Padre Anchieta no Br\u00e1s, uma das escolas estaduais- padr\u00e3o, at\u00e9 aos anos 1970. \u00c9 graduada tamb\u00e9m em M\u00fasica (piano) pelo Conservat\u00f3rio Dram\u00e1tico e Musical de S\u00e3o Paulo (1969).&nbsp; Cursou um ano de Direito no Largo de S. Francisco, da USP, mas decidiu prestar outro vestibular para Letras na FFLCH da USP, onde cursou a gradua\u00e7\u00e3o em Letras Anglo-Germ\u00e2nicas at\u00e9 1971. Licenciou-se pela Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP.&nbsp; Formada, foi dar aulas em Ensino M\u00e9dio regular, nas escolas do Estado, mas logo passou a lecionar em cursos de Madureza e Supletivo. No curso Santa In\u00eas, trabalhou 8 anos&nbsp;&nbsp; como&nbsp; professora de l\u00edngua portuguesa e literatura, e foi coordenadora de unidade.<\/p>\n<p>Em 1985, iniciou o mestrado em Literatura Brasileira na FFLCH da USP, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Miguel Wisnik, tendo produzido uma tese sobre as rela\u00e7\u00f5es entre feminino e morte em obras de Clarice Lispector, com destaque para a \u00faltima obra da escritora, A hora da estrela. Em 1990, inicia o doutorado na mesma faculdade, e sob a mesma orienta\u00e7\u00e3o, tendo ent\u00e3o estudado a velhice na obra de Machado de Assis, numa tese chamada Arm\u00e1rio de vidro, depois transformada em livro em 2000.<\/p>\n<p>Construiu sua carreira acad\u00eamica como professora de Teoria Liter\u00e1ria e Literatura Brasileira, na UNIP, onde se aposentou em 2006, como Professora Titular. Foi professora de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade s\u00e3o Marcos e Docente Convidada do Departamento de Jornalismo e Editora\u00e7\u00e3o da ECA-USP, onde lecionou Edi\u00e7\u00e3o de Texto e Literatura Brasileira (at\u00e9 2002). Trabalhou tamb\u00e9m na Folha de S. Paulo (2000), onde foi professora Consultora da Reda\u00e7\u00e3o. Exerceu simultaneamente a atividade de editora externa para algumas casas editorias paulistas, como \u00c1tica e Martins Fontes. Editou, traduziu e v\u00e1rias obras,&nbsp; e coordena algumas cole\u00e7\u00f5es de obras paradid\u00e1ticas no mercado editorial paulistano.<\/p>\n<p>Atualmente \u00e9 palestrante e editora&nbsp; executiva da Mir\u00f3 Editorial, faz&nbsp; coach para&nbsp; escritores e integra a Comiss\u00e3o Organizadora do Pr\u00eamio Jabuti, da C\u00e2mara Brasileira do Livro, da qual faz parte sua empresa. Tem um programa da Radio USP-FM \u201cQue tal seu portugu\u00eas?\u201d,&nbsp; onde&nbsp; comenta quest\u00f5es de l\u00edngua&nbsp; portuguesa e literatura brasileira. \u00c9 cr\u00edtica liter\u00e1ria do Jornal Rascunho. Dentre suas v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es, de obras e ensaios e tradu\u00e7\u00f5es, destacam-se:<\/p>\n<p>A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. S\u00e3o Paulo: Editora \u00c1tica, 1996<\/p>\n<p>Poesia Indianista de Gon\u00e7alves Dias S\u00e3o Paulo, Martins Fontes, 2000<\/p>\n<p>Arm\u00e1rio de Vidro &#8211; Velhice em Machado de Assis. S\u00e3o Paulo, 2000. Nova Alexandria 2000.<\/p>\n<p>Eram cinco. (trad.) S\u00e3o Paulo, 2005. Cosacnaify. (Pr\u00eamio Altamente Recomend\u00e1vel FNLIJ).<\/p>\n<p>Verbos sob Medida, Editora Nova Alexandria, 2006<\/p>\n<p>Machado de Assis &#8211; Ensaios da Cr\u00edtica Contempor\u00e2nea 2006 (org), Edit. Unesp.<\/p>\n<p>Eva Furnari e seus encantamentos. S\u00e3o Paulo, Moderna, 2010 (Edi\u00e7\u00e3o especial).<\/p>\n<p>M\u00e1rcia L\u00edgia Guidin desenvolve h\u00e1 anos um trabalho de prepara\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o do professora do portugu\u00eas para v\u00e1rias entidades. Acredita que sem professores bem formandos n\u00e3o haver\u00e1 escolas de alta qualidade em qualquer n\u00edvel.<\/p>\n<p>\n<\/div><h2 class=\"tabtitle\">PATRONO<\/h2>\n<div class=\"tabcontent\">\n<br \/>\n<img decoding=\"async\" style=\"margin-right: 12px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/06.patrono_ROLDAO_LOPES_DE_BARROS.jpg\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong> ROLD\u00c3O LOPES DE BARROS <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Cadeira 6<br \/>\nPatrono<\/p>\n<p>Filho de Jos\u00e9 Lopes de Barros e de D. Gertrudes Ferreira de Souza Barros, Rold\u00e3o Lopes de Barros nasceu em S\u00e3o Paulo, em 30 de janeiro de 1884 e faleceu em 1951 Ingressou no jornalismo, trabalhando na &#8220;Tribuna&#8221; de Santos. Bacharel em Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Sociais. Foi um dos professores do antigo Instituto de Educa\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a,&nbsp; que foi transferido para o Departamento de Educa\u00e7\u00e3o (curso de Pedagogia), da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras (criada em 1938) da Universidade de S\u00e3o Paulo (criada em 1934).Depois, este departamento tornou-se a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP.Em 1935, ainda no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o,&nbsp; e convidado para reorganizar v\u00e1rias escolas do Estado, inaugurou os estudos de Administra\u00e7\u00e3o Escolar.No curso de Pedagogia da USP, exerceu os seguintes cargos: Catedr\u00e1tico de Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o (1938-1941);Catedr\u00e1tico de Hist\u00f3ria e Filosofia da Educa\u00e7\u00e3o (1942-1953); professor interino da cadeira de Administra\u00e7\u00e3o Escolar e Educa\u00e7\u00e3o Comparada (1947-1953).<br \/>\nSegundo sua bi\u00f3grafa, a pesquisadora Hebe Boa-Viagem Costa, o professor viria a destacar-se em sua vida escolar precocemente. Seus professores o admiravam tanto, no Col\u00e9gio Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, onde estudava, que pensaram encaminh\u00e1-lo ao sacerd\u00f3cio. Para tristeza do estudante, mas sorte de seus futuros alunos, o jovem teve de interromper&nbsp; os estudos formais para trabalhar. Com esp\u00edrito autodidata, por\u00e9m, estudou v\u00e1rias l\u00ednguas, sobretudo o franc\u00eas, que falava e escrevia perfeitamente.<br \/>\n\u201cEra&nbsp; funcion\u00e1rio da Estrada de Ferro Santos-Jundia\u00ed, mas, gra\u00e7as \u00e0 sua cultura geral, p\u00f4de tamb\u00e9m dedicar-se ao jornalismo, e passou a escrever para o jornal A Tribuna de Santos, onde morava, e para o Jornal O Correio Paulistano, que, como se sabe, foi o primeiro jornal di\u00e1rio da cidade de S\u00e3o Paulo.<br \/>\n\u201cMesmo trabalhando em Santos, cursou com esfor\u00e7o o Ensino M\u00e9dio na Capital, na \u201cEscola Normal da Pra\u00e7a\u201d, que hoje conhecemos como Escola Estadual Caetano de Campos. Rold\u00e3o, destacado-se novamente aos olhos de seus professores, recebeu um convite para ser docente da cadeira de Pedagogia. Estava l\u00e1 o come\u00e7o da nova profiss\u00e3o.\u201d<br \/>\nEm 1919, ingressou na Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo e casou-se. Do casamento teve v\u00e1rios filhos, mas foi advogado apenas por alguns meses, pois a voca\u00e7\u00e3o era mesmo o magist\u00e9rio, ao qual passou a se dedicar integralmente. Gra\u00e7as \u00e0 facilidade com l\u00ednguas, passou a corresponder-se com especialistas em educa\u00e7\u00e3o, europeus e norte-americanos. As ideias renovadoras que surgiram desse interc\u00e2mbio viriam a ser discutidas tamb\u00e9m aqui com outros intelectuais brasileiros, os quais desejavam fazer profundas mudan\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o vigente: era esse o come\u00e7o das reflex\u00f5es e estudos para a Escola Nova. Rold\u00e3o reunia-se com Fernando de Azevedo, Antonio Sampaio D\u00f3ria, Oscar Freire de Carvalho, Louren\u00e7o Filho e outros apurados pesquisadores.<br \/>\nEm 1920, foi convidado pelo Presidente do Estado, Washington Luiz para reorganizar e ampliar a Escola Normal do Br\u00e1s, ou seja, o Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Padre Anchieta, que, existente desde 1913, veio a se tornar, gra\u00e7as \u00e0 sua orienta\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas modernas de ensino, uma das grandes \u201cEscolas- Padr\u00e3o\u201d da cidade e do estado.&nbsp; Foi a interven\u00e7\u00e3o certeira de Rold\u00e3o que criou a possibilidade de muitas gera\u00e7\u00f5es terem, nessa escola, uma educa\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e rigorosa.<br \/>\nRold\u00e3o Lopes de Barros lecionava na Caetano de Campos e treinou um grupo de intelectuais a intensificar a luta pela forma\u00e7\u00e3o do aluno e, especialmente, do professor de crian\u00e7as, bem formado pelas escolas normais. A escola tinha por objetivo, al\u00e9m do aperfei\u00e7oamento de professores e da divulga\u00e7\u00e3o da cultura em geral, tamb\u00e9m a prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para inspetores, delegados e diretores de ensino; ou seja para a cadeia pedag\u00f3gica inteira.<br \/>\nEm 1932, veio \u00e0 luz, como se sabe, o c\u00e9lebre manifesto, elaborado por Fernando de Azevedo, A Reestrutura\u00e7\u00e3o Educacional no Brasil. Nesse documento estavam as bases filos\u00f3ficas doutrin\u00e1rias da Escola Nova, que j\u00e1 vinham orientando a reestrutura\u00e7\u00e3o educacional no estado. Entre os signat\u00e1rios desse documento, estava Rold\u00e3o Lopes de Barros.<br \/>\nO Instituto de Forma\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o&nbsp; da Pra\u00e7a, acabou, na d\u00e9cada de 40, incorporado \u00e0 USP, e veio a se transformar na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o que hoje conhecemos. Rold\u00e3o Lopes de Barros foi o primeiro Titular da Cadeira de Hist\u00f3ria e Filosofia da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 cargo que ocupou at\u00e9 sua aposentadoria. E, nessa faculdade eu tamb\u00e9m tive o privil\u00e9gio de estudar. Ap\u00f3s o bacharelado, foi a Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP que me licenciou para o magist\u00e9rio. Rold\u00e3o lutava pela educa\u00e7\u00e3o completa e sobretudo pela educa\u00e7\u00e3o de professores: seu lema era ensinar a ensinar.<\/p>\n<p>\n<\/div><h2 class=\"tabtitle\">ANTECESSOR<\/h2>\n<div class=\"tabcontent\">\n<br \/>\n<img decoding=\"async\" style=\"margin-right: 12px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/06.antecessor_LAURA_DE_SOUZA_CHAUI.jpg\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong> LAURA DE SOUZA CHAUI <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Cadeira 6<br \/>\nAntecessor<\/p>\n<p>Em maio de 2010, a biografia de Laura de Souza Chaui&nbsp; foi enviada por e-mail, por Marilena Chaui, sua filha, que a redigiu,&nbsp; \u00e0 professora&nbsp; M\u00e1rcia L\u00edgia Guidin, atual titular da Cadeira 6, oferecida&nbsp; para&nbsp;&nbsp; ajudar no discurso de posse da nova titular . Sua publica\u00e7\u00e3o integral foi autorizada pela professora Marilena Chau\u00ed, e&nbsp; segue ipsis litteris .<br \/>\n\u201cMinha m\u00e3e nasceu a 9 de julho de 1914 no Engenho de&nbsp; A\u00e7\u00facar Souza Mattos, de propriedade de sua fam\u00edlia, no munic\u00edpio de Montes Claros, no Estado da Bahia. Com a idade de 5 anos, veio para o Estado de S\u00e3o Paulo com a fam\u00edlia, passando a residir no interior, em Pindorama, onde seu av\u00f4, Rogaciano, adquiriu um s\u00edtio e seu pai, Sebasti\u00e3o, na qualidade de Juiz de Paz, recebeu o Cart\u00f3rio de Paz da regi\u00e3o. Veio, portanto, de fam\u00edlia abastada e ligada \u00e0s letras. A m\u00e3e morreu muito cedo e foi criada pelos av\u00f3s, Rogaciano e Maria Flor\u00eancia (em casa, conhecidos como Padrinho e Dindinha, que a apelidaram de Pombinha).<\/p>\n<p>Dos 7 aos 10 anos, freq\u00fcentou o Grupo Escolar de Pindorama, tendo sido a primeira aluna de sua turma do primeiro ao quarto ano escolar. Preparou-se para o exame admiss\u00e3o ao gin\u00e1sio, passando tamb\u00e9m em primeiro lugar no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Bar\u00e3o do Rio Branco, na cidade vizinha a Pindorama, Catanduva. Iniciou o curso ginasial em 1925, aos 11 anos, e foi, como sempre, a primeira aluna de sua turma durante os quatro anos ginasiais, vencendo, assim, um preconceito difuso que identificava os baianos com ignor\u00e2ncia. Em seguida, cursou, no mesmo Instituto, a Escola Normal, conclu\u00edda em 1931, aos 17 anos, tamb\u00e9m como primeira aluna da turma. Formou-se normalista ou professora prim\u00e1ria no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Bar\u00e3o do Rio Branco, Catanduva.<\/p>\n<p>Por ter sido a primeira aluna da turma durante o gin\u00e1sio e a Normal, recebeu como pr\u00eamio de formatura um lugar como professora no que, na \u00e9poca, se chamava \u201cescola isolada mista\u201d: tratava-se de uma escola prim\u00e1ria na Fazenda Santa Olga, no munic\u00edpio de Pindorama. A \u201cescola isolada mista\u201d possu\u00eda uma \u00fanica professora, que lecionava para os quatro anos do curso prim\u00e1rio. Minha m\u00e3e dava aulas para todas as s\u00e9ries, alfabetizou crian\u00e7as e preparou algumas delas para o exame de admiss\u00e3o ao gin\u00e1sio (todos os alunos que prestaram o exame foram aprovados). Por esses m\u00e9ritos, minha m\u00e3e recebeu, em 1936, sua primeira cadeira numa escola p\u00fablica estadual, o Grupo Escolar de Pindorama.<\/p>\n<p>Em 1940, minha m\u00e3e se casou com meu pai, Alberto Chau\u00ed. Este, que havia morado em Pindorama, agora morava na capital e minha m\u00e3e solicitou uma licen\u00e7a sem vencimentos, mudando-se com o marido para S\u00e3o Paulo, onde, em 1941, eu nasci. Com a morte de meus av\u00f3s paternos, meu pai decidiu retornar ao interior do Estado. A fam\u00edlia se mudou para Catanduva onde, em 1942, nasceu meu irm\u00e3o, Alberto Francisco.<\/p>\n<p>Em 1943, regressamos a Pindorama, onde minha reassumiu sua cadeira no Grupo Escolar e, por suas qualidades pedag\u00f3gicas e did\u00e1ticas, foi sempre colocada como professora do quarto ano, considerado, na \u00e9poca, o ano escolar mais importante. Dividia suas atividades com o Grupo Escolar, a prepara\u00e7\u00e3o de alunos para o exame de admiss\u00e3o ao gin\u00e1sio e os cuidados com a fam\u00edlia (al\u00e9m dos dois filhos, cuidava de minha bisav\u00f3 e de uma irm\u00e3 ca\u00e7ula). Era muito ativa: recebia a Revista da Educa\u00e7\u00e3o, iniciada por Sud Mennucci, mantendo-se sempre atualizada nas quest\u00f5es de ensino; era a dirigente do Orfe\u00e3o Escolar e encarregada das festas c\u00edvicas e de diploma\u00e7\u00e3o de final do curso prim\u00e1rio. Era participante entusiasta das atividades da Igreja local, organizando quermesses e festividades sacras. Foi s\u00f3cia-fundadora (juntamente com meu pai) do Pindorama Club (ela e meu pai eram chamados de \u201cp\u00e9 de valsa\u201d porque gostavam muito de dan\u00e7ar e dan\u00e7avam muito bem), no qual organizou uma biblioteca voltada para obras de fic\u00e7\u00e3o e poesia \u2013 foi a primeira (e \u00fanica) biblioteca de Pindorama.<\/p>\n<p>Em 1952, preparou-se para o concurso para Diretoria de Escola, tendo sido aprovada (foi a d\u00e9cima colocada num concurso com 210 candidatos). Escolheu, ent\u00e3o, sua primeira diretoria, na pequena cidade de Para\u00edso, pr\u00f3xima de Pindorama. Em seguida, pela contagem de pontos, conseguiu escolher um Grupo Escolar de maior porte, no vilarejo de Pedran\u00f3polis, pr\u00f3ximo de Votuporanga e Fernand\u00f3polis. Pedran\u00f3polis era distante: aos domingos, \u00e0s 17h, minha m\u00e3e tomava um trem que, 12 horas depois, a deixava em Votuporanga; dali, durante a madrugada, tomava um \u00f4nibus que a levava, durante 3 horas, a Fernand\u00f3polis e, depois, durante 1 hora, por uma prec\u00e1ria estrada de terra, chegava a Pedran\u00f3polis. Pedran\u00f3polis possu\u00eda tr\u00eas ruas de terra, uma Prefeitura e o Grupo Escolar. O Grupo Escolar n\u00e3o possu\u00eda \u00e1gua encanada nem eletricidade, assim como n\u00e3o possu\u00eda o que, na \u00e9poca, se chamava Caixa Escolar, isto \u00e9, o atendimento dos alunos mais pobres, que recebiam do governo o material escolar. Em um ano, batalhando junto \u00e0s prefeituras de Fernand\u00f3polis e Votuporanga, minha m\u00e3e conseguiu verbas para instalar a \u00e1gua encanada, a eletricidade e a Caixa Escolar e uma pequena biblioteca escolar! Em suma, batalhou seriamente por sua escola junto \u00e0s prefeituras e \u00e0 Delegacia de Ensino de Fernand\u00f3polis para conseguir benfeitorias que sempre julgou um direito de professores e alunos. Por essas a\u00e7\u00f5es, recebeu o t\u00edtulo de Cidad\u00e3 Honor\u00e1ria de Pedran\u00f3polis e quando, dois anos depois, deixou o lugar, a cerim\u00f4nia de despedida teve tantas l\u00e1grimas que daria para fazer um lago! Pela contagem de pontos, minha m\u00e3e conseguiu escolher uma escola pr\u00f3xima de Pindorama, na cidade de Elis\u00e1rio, onde foi diretora do Grupo Escolar durante tr\u00eas anos e ali tamb\u00e9m n\u00e3o queriam de jeito nenhum que ela fosse embora. Mas nos mudamos para S\u00e3o Paulo, em 1956.<\/p>\n<p>Com o casamento de sua irm\u00e3, a morte de sua bisav\u00f3 e o convite recebido por meu pai (que era editor-chefe do jornal A Cidade, de Catanduva) para um jornal na capital, minha m\u00e3e concordou em que nos mud\u00e1ssemos para S\u00e3o Paulo.&nbsp; Minha m\u00e3e escolheu a diretoria do Grupo Escolar de Vila Jacu\u00ed, no zona leste da cidade, na regi\u00e3o de S\u00e3o Miguel Paulista. Naquele tempo, a Vila Jacu\u00ed era o \u201cfim do mundo\u201d. Mor\u00e1vamos no bairro da Liberdade e minha m\u00e3e sa\u00eda de casa, todos os dias, \u00e0s 5 h. da manh\u00e3, tomava um \u00f4nibus at\u00e9 a Pra\u00e7a Cl\u00f3vis Bevil\u00e1cqua, que a deixava, 2 horas depois, numa encosta de terra por onde subia a p\u00e9 para chegar ao Grupo Escolar (em dias de chuva, a encosta era pr\u00f3pria para esquiar!). O Grupo era parte de uma s\u00e9rie de grupos escolares erguidos pelo prefeito J\u00e3nio Quadros: eram barrac\u00f5es cobertos de telhas de lata, t\u00f3rridos no ver\u00e3o e gelados no inverno, as vozes dos professores ecoando pelas salas dos outros. Voc\u00ea j\u00e1 pode avaliar o que Dona Laura \u201caprontou\u201d! Na Vila Jacu\u00ed estava uma das ind\u00fastrias da Votorantim, dos irm\u00e3os Erm\u00edrio de Morais. Minha m\u00e3e conseguiu que fizessem doa\u00e7\u00f5es de tijolos, telhas, areia e cimento e reconstruiu o Grupo Escolar, com a ajuda de pais de alunos, que eram pedreiros, carpinteiros, eletricistas, encanadores! Criou uma pequena biblioteca e conseguiu a Caixa Escolar, evidentemente. Mas o feito mais importante foi o seguinte: regi\u00e3o oper\u00e1ria muito pobre, na Vila Jacu\u00ed viviam fam\u00edlias com filhos com defici\u00eancia mental. Essas crian\u00e7as ou perambulavam pelas ruas enquanto os pais trabalhavam ou iam para o Grupo Escolar, onde permaneciam anos sem nada aprender. Minha m\u00e3e, adepta dos princ\u00edpios da Escola Nova, conseguiu, com a Delegacia de Ensino, que fosse institu\u00edda uma classe especial para essas crian\u00e7as, com uma professora especializada. N\u00e3o posso descrever a emo\u00e7\u00e3o dos pais quando, um ano depois, num fim de semana, foram convidados a vir \u00e0 escola para ver os filhos alfabetizados e realizando uma pequena gincana sobre os conhecimentos adquiridos&#8230;<\/p>\n<p>Em 1958, minha m\u00e3e foi aprovada nos exames para o Curso de Administra\u00e7\u00e3o Escolar, do Instituto Caetano de Campos (entrou em primeiro lugar e, no final do curso, tamb\u00e9m obteve o primeiro lugar). Durante dois anos ficou licenciada. Em 1961, escolheu o Grupo Escolar Maria Z\u00e9lia, no Bel\u00e9m, e, dois anos depois, um Grupo Escolar na Vila Prudente que, na sua gest\u00e3o, recebeu o nome de Grupo Escolar Zuleika da Costa Aguiar. Finalmente, uma bela escola, com jardim e pomar, salas de aula amplas e arejadas, setor administrativo completo! Merecido.<\/p>\n<p>Era inten\u00e7\u00e3o de minha, antes da aposentadoria, prestar concurso para Delegada de Ensino, concluindo a carreira. Mas, ent\u00e3o, minha vida atrapalhou a dela. Depois de minha tese de mestrado, fui escolhida como professora do Departamento de Filosofia da USP. Essa escolha implicava em fazer curso de aperfei\u00e7oamento na Fran\u00e7a (uma tradi\u00e7\u00e3o de meu Departamento). E eu tinha duas crian\u00e7as pequenas. Fui para a Fran\u00e7a com as crian\u00e7as, mas n\u00e3o era poss\u00edvel seguir cursos, ir a bibliotecas e iniciar a reda\u00e7\u00e3o de minha tese de doutoramento tendo que cuidar dos filhos pequenos (minha filha ainda usava fraldas!). Minha m\u00e3e decidiu aposentar-se e cuidar de meus filhos. Foi \u00e0 Fran\u00e7a e trouxe a crian\u00e7as de volta para o Brasil, cuidando delas durante quase dois anos. Sem minha m\u00e3e, eu n\u00e3o teria feito o doutorado, n\u00e3o teria feito minhas outras teses (pois durante a reda\u00e7\u00e3o de cada uma delas, ela ficou com meus filhos), n\u00e3o teria uma carreira. Ela n\u00e3o concluiu a dela para que eu pudesse ter a minha&#8230; Meu irm\u00e3o e eu sabemos que n\u00e3o ter\u00edamos sido nada nem feito coisa alguma se n\u00e3o fosse pela dedica\u00e7\u00e3o absoluta de minha m\u00e3e. Ela esteve presente em todos os momentos de nossas vidas, nas alegrias e&nbsp; nas tristezas, dificuldades e desesperos. Nada do que, um dia, fizemos por ela (quando adoeceu) se aproxima do que ela fez por n\u00f3s. Exigente com nossos estudos e nossos costumes, severa quando necess\u00e1rio, desprendida, respons\u00e1vel at\u00e9 o exagero (nunca&nbsp; faltou absolutamente nada para mim e meu irm\u00e3o, mesmo que fosse \u00e0s custas de priva\u00e7\u00f5es para ela e meu pai, priva\u00e7\u00f5es que desconhec\u00edamos e de que viemos a saber somente quase trinta anos depois), companheira fiel de todas as horas, guia e conselheira, generosa, inteligente, vivaz, cultivada: eis minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Depois da sua aposentadoria e de minha volta da Fran\u00e7a para o Brasil, minha m\u00e3e decidiu ocupar-se novamente fora das atividades dom\u00e9sticas. Em companhia de meu pai, passou a trabalhar no jornal Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, onde possu\u00eda uma coluna di\u00e1ria de aconselhamento, chamada Cantinho do Cora\u00e7\u00e3o. Foi um sucesso. Choviam cartas de toda parte. O jornal queria lhe dar mais espa\u00e7o, mas ela recusou porque come\u00e7ara uma outra atividade que, aos poucos, iria tomar todo seu tempo e a fez deixar o jornalismo: tornou-se membro do Cursilho da Cristandade e diretora do Encontro de Casais com Cristo, na Igreja de Santa Teresa, organizando, dirigindo e supervisionando os numerosos encontros de casais. Um dos pontos importantes da atividade era a prepara\u00e7\u00e3o de textos para serem lidos para os participantes; eram textos em que se combinavam quest\u00f5es religiosas e afetivas, para o aconselhamento dos casais \u2013 para isso, minha m\u00e3e dedicou-se ao estudo da B\u00edblia e da Hist\u00f3ria Sagrada, bem como de psicologia e filosofia. Minha m\u00e3e escreveu in\u00fameros textos e fez in\u00fameras confer\u00eancias (n\u00e3o tenho os pap\u00e9is porque penso que ela os entregava \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Cursilho). Como participante do Cursilho, integrou- se a um grupo de senhoras que, semanalmente, realizava trabalhos na AACD. Essas atividades se combinaram com uma outra, quando se tornou membro da Liga das Professoras Cat\u00f3licas de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e sempre foi s\u00f3cia do Centro do Professorado Paulista, recebendo todo o material produzido ali, e sempre teve grande estima por S\u00f3lon Borges dos Reis, mas nunca teve uma atividade no interior do Centro. Ao contr\u00e1rio, quando se tornou membro da Liga das Professoras Cat\u00f3licas, logo passou a participar ativamente da vida da associa\u00e7\u00e3o, vindo a se tornar sua presidente durante tr\u00eas gest\u00f5es (e n\u00e3o foi reeleita para uma quarta porque impediu que apresentassem seu nome). Uma das primeiras atividades que realizou foi, em companhia de meu pai, a transforma\u00e7\u00e3o do Boletim de Not\u00edcias da Liga num jornal, O Anchieta. Jornal mensal, trazia um editorial escrito por minha m\u00e3e (em geral sobre assuntos de educa\u00e7\u00e3o), continha artigos e poemas das associadas e de convidados, not\u00edcias sobre educa\u00e7\u00e3o, agenda da programa\u00e7\u00e3o mensal da associa\u00e7\u00e3o. Tornou-se uma refer\u00eancia importante para os associados. Em seguida, conseguiu que as anuidades e mensalidades dos s\u00f3cios pudessem ser usadas para uma reforma e revitaliza\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio da col\u00f4nia de f\u00e9rias, em S\u00e3o Vicente, que voltou a operar a pleno vapor. Reorganizou ou ampliou a biblioteca da Liga. E instituiu uma forte agenda cultural, com palestras de associados e convidados, mesas-redondas sobre assuntos educacionais pol\u00eamicos, saraus musicais e liter\u00e1rios, comemora\u00e7\u00e3o das datas c\u00edvicas. O n\u00famero de associados aumentou (triplicou) e antigos associados voltaram \u00e0 Liga, que se tornou um pequeno centro cultural.<\/p>\n<p>Em todas essas atividades, minha m\u00e3e sempre foi uma ferrenha defensora da Escola Normal e sempre julgou que a queda da qualidade do ensino prim\u00e1rio decorria do fim das normalistas, que, como se sabe, recebiam forma\u00e7\u00e3o esmerada em l\u00edngua e literatura brasileira e portuguesa, ingl\u00eas, franc\u00eas, sociologia, hist\u00f3ria universal e do Brasil, geografia geral e do Brasil, psicologia, pedagogia e did\u00e1tica. Minha m\u00e3e tamb\u00e9m foi forte defensora da Escola Nova, cujos princ\u00edpios procurou aplicar n\u00e3o s\u00f3 como professora, mas tamb\u00e9m nas escolas em que foi diretora. Eu me lembro de muitos dos discursos que ela fez em festas c\u00edvicas e de diploma\u00e7\u00e3o de fim de curso em que apresentava reflex\u00f5es sobre a educa\u00e7\u00e3o (n\u00e3o tenho os textos e ela n\u00e3o os publicou porque naquele tempo n\u00e3o se publicava quase nada, sobretudo de professoras prim\u00e1rias!).<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Centro do Professorado Paulista, do Cursilho da Cristandade e da Liga das Professoras Cat\u00f3licas, minha m\u00e3e tamb\u00e9m foi convidada pelos Cavaleiros e Damas de S\u00e3o Paulo a fazer parte de sua associa\u00e7\u00e3o, tornando-se uma Dama de S\u00e3o Paulo e usando a longa capa branca nas festividades de 9 de julho (dia de seu anivers\u00e1rio tamb\u00e9m). (n\u00e3o sei quais eram as atividades da associa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>E, finalmente, tornou-se acad\u00eamica. Para ela, foi a culmin\u00e2ncia de uma vida dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s, uma honra merecida. Voc\u00ea n\u00e3o pode imaginar a empolga\u00e7\u00e3o que ela sentia com as sess\u00f5es da Academia e como voltava entusiasmada com os novos amigos e cheia de novas ideias.\u201d<\/p>\n<p>Laura de Souza&nbsp; Chau\u00ed faleceu em 2008.<\/p>\n<p>\n<\/div><h2 class=\"tabtitle\">FUNDADOR<\/h2>\n<div class=\"tabcontent\">\n<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-33\" style=\"margin-right: 12px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/Cadeiras_pixel.gif\" width=\"1\" height=\"1\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong> MARIA DO CARMO DE GODOY RAMOS <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Cadeira 6<br \/>\nFundadora<\/p>\n<p>A professora fundadora da cadeira de n\u00famero 6 da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o nasceu em 5 de julho de 1903, em Serra Negra, S\u00e3o Paulo. Foi presidente do Movimento de Arregimenta\u00e7\u00e3o Feminina (MAF) e da Liga do Professorado Cat\u00f3lico. Participou de in\u00fameros congressos e eventos de educa\u00e7\u00e3o, ressaltado o Congresso Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura e o Congresso Estadual de Educa\u00e7\u00e3o. Faleceu no dia 22 de dezembro de 1988, em S\u00e3o Paulo, capital.<\/p>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00c1RCIA L\u00cdGIA GUIDIN Cadeira 6 Titular M\u00e1rcia L\u00edgia Dias Di Roberto Guidin nasceu em S\u00e3o Paulo, no bairro do Tatuap\u00e9, em 22\/6\/1950. Cursou desde o Jardim da Inf\u00e2ncia at\u00e9 o Ensino M\u00e9dio (Curso Cl\u00e1ssico) no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Padre Anchieta no Br\u00e1s, uma das escolas estaduais- padr\u00e3o, at\u00e9 aos anos 1970. \u00c9 graduada tamb\u00e9m em M\u00fasica (piano) pelo Conservat\u00f3rio Dram\u00e1tico e Musical de S\u00e3o Paulo (1969).&nbsp; Cursou um ano de Direito no Largo de S. Francisco, da USP, mas decidiu prestar outro vestibular para Letras na FFLCH da USP, onde cursou a gradua\u00e7\u00e3o em Letras Anglo-Germ\u00e2nicas at\u00e9 1971. 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