{"id":131,"date":"2011-02-10T14:45:16","date_gmt":"2011-02-10T16:45:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2011\/02\/10\/discurso-de-posse-da-academica-esther-figueiredo-ferraz\/"},"modified":"2011-02-10T14:45:16","modified_gmt":"2011-02-10T16:45:16","slug":"discurso-de-posse-da-academica-esther-figueiredo-ferraz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/discurso-de-posse-da-academica-esther-figueiredo-ferraz\/","title":{"rendered":"Discurso de Posse da  Acad\u00eamica Esther de Figueiredo Ferraz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Discurso de Posse da Acad\u00eamica Titular<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">ESTHER DE FIGUEIREDO FERRAZ<br \/><\/span> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><br \/>Senhor Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Senhores Acad\u00eamicos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Senhoras e Senhores<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">De h\u00e1 muito, desde que vim ao mundo (faz isso tantos dec\u00eanios&#8230;), venho navegando pelos mares da educa\u00e7\u00e3o, inicialmente como sujeito passivo, como dir\u00edamos utilizando a terminologia do Direito Penal, e ao depois como sujeito ativo, tomando parte na grande batalha que travam as gera\u00e7\u00f5es mais velhas, tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o, o preparo adequado daquelas que venham a suced\u00ea-las. Uma batalha que a mim, assim o desejo, me ocupar\u00e1 at\u00e9 que cerre os olhos \u00e0 luz deste mundo de Deus. Que com Ele, o Senhor, firmei um contrato comprometendo-me a trabalhar nessa aben\u00e7oada seara at\u00e9 o \u00faltimo dia de minha vida, esperando de Sua clem\u00eancia que me conceda a gra\u00e7a de faz\u00ea-lo de forma condigna, poupando-me, se o merecer, da decad\u00eancia espiritual, da depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a terceiros, que costumam caracterizar esse poente da exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Naquele primeiro per\u00edodo, correspondente \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0 pr\u00e9-adolesc\u00eancia, brilhou, soberana, no meu mundo familiar, a figura de minha m\u00e3e, prestigiada em suas decis\u00f5es pela s\u00e1bia e santa figura de meu pai. Era ela, embora diplomada em curso superior j\u00e1 na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo, uma educadora nata que timbrava em transmitir, a quantos lhe atravessassem o caminho, aquilo que sabia, fosse qual fosse a mat\u00e9ria de que se tratasse, desde a cultura do esp\u00edrito at\u00e9 as atividades mais modestas da costura ou da culin\u00e1ria. Rigorosa em termos de princ\u00edpios (rigorosa, sobretudo com ela pr\u00f3pria), sempre tinha preparada entre os l\u00e1bios uma frase correspondente a um convite para que procur\u00e1ssemos o melhor, sem nos satisfazer com o \u201c<em>mais ou menos<\/em>\u201d. \u201c<em>S\u00f3 h\u00e1\u201d<\/em> \u2013 dizia \u2013 \u201c<em>uma forma de fazer as coisas da maneira certa, embora existam muitas para realiz\u00e1-las erradamente. Mas vale a pena perseguir o certo, ainda que com algum sacrif\u00edcio, pois o errado precisar\u00e1, via de regra, ser refeito, e com sacrif\u00edcios bem mais vultosos\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Ensinou as primeiras letras (a\u00ed compreendidas a leitura e a escrita) a todos os seis filhos, e a todos os netos, que eram quinze. E jamais permitiu que seus servi\u00e7ais, jovens ou n\u00e3o, lhe deixassem a casa sem estarem convenientemente alfabetizados. Fazia tudo isso se valendo apenas da velha cartilha de <strong>Thomaz Galhardo,<\/strong> que sabia manejar com engenho e arte admir\u00e1veis, melhor do que se houvesse recebido li\u00e7\u00f5es de did\u00e1tica, daquelas oferecidas pelas Escolas Normais Prim\u00e1rias, como se chamavam nos idos de vinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A mim, a mais velha dos irm\u00e3os, me alfabetizou em um m\u00eas, o que se explica talvez pelo fato de eu j\u00e1 manusear, com intensa curiosidade, o \u201cEstad\u00e3o\u201d, destacando as vogais e algumas consoantes contidas nos t\u00edtulos principais do peri\u00f3dico que nos chegava a Mococa pelo trenzinho da Mogiana. Mas quando terminou a cartilha teve minha m\u00e3e relativa dificuldade em substitu\u00ed-la por um texto que desse sequ\u00eancia aos estudos iniciados. \u00c0 falta de outro, comprou os <strong>Versos<\/strong> de <strong>Jo\u00e3o de Deus<\/strong>, defendendo-se das obje\u00e7\u00f5es formuladas por meu pai com a seguinte argumenta\u00e7\u00e3o: <em>se a compreens\u00e3o de um texto escrito em versos pode apresentar dificuldades iniciais, \u00e9 certo que o leitor, com um pouco de esfor\u00e7o, poder\u00e1 logo ingressar no mundo da an\u00e1lise l\u00f3gica, instrumento indispens\u00e1vel para quem deva conhecer a l\u00edngua materna<\/em>. E para prov\u00e1-lo colocava-me na m\u00e3o direita um alfinete com o qual prend\u00edamos, ap\u00f3s algumas investiga\u00e7\u00f5es quase policiais, o sujeito (devia ser um mau sujeito) e sa\u00edamos em persegui\u00e7\u00e3o ao predicado: primeiro o verbo, depois o objeto direto, o indireto, os adjuntos (quase sempre os adverbiais), e assim por diante, at\u00e9 que se esgotassem os termos da ora\u00e7\u00e3o e pud\u00e9ssemos, gloriosamente, liberar o sujeito antes que ele impetrasse um \u201c<em>habeas corpus<\/em>\u201d&#8230; Quanto ao m\u00e9todo utilizado para alfabetizar rapidamente, era qualquer um, desde que adequado \u00e0 pessoa do aluno, mesmo porque, afirmava ela, n\u00e3o h\u00e1 dois alunos iguais, mesmo que sejam irm\u00e3os e ainda que g\u00eameos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Se des\u00e7o a tais detalhes, senhor Presidente e senhores acad\u00eamicos, fazendo um esfor\u00e7o para conter a emo\u00e7\u00e3o de que me vejo possu\u00edda ao evocar cenas familiares como essas que acabo de descrever, isso se deve ao fato de que pretendo hoje reverenciar as figuras de meus pais, salientar sua influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de minha personalidade e na condu\u00e7\u00e3o de meu destino. Se aqui me encontro, cercada de tantas aten\u00e7\u00f5es e tantas honrarias; se sou guindada a uma emin\u00eancia a que talvez n\u00e3o fa\u00e7a jus, t\u00e3o generosos se revelaram meus hoje confrades quando se decidiram a me fazer um de seus pares, isso se deve substancialmente ao homem e \u00e0 mulher que me deram a vida e, com ela, me transmitiram uma aptid\u00e3o para seguir-lhes as diretrizes, para apoiar-me nas mesmas bases em que se apoiaram eles ao estruturar as pr\u00f3prias exist\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A meus pais, assim, transfiro as gl\u00f3rias desta tarde. Tarde sol em pleno inverno, como aquelas vividas pelo jovem <strong>Castro Alves<\/strong>, quando, referindo-se a S\u00e3o Paulo que ele tanto amou e onde t\u00e3o bem foi amado, assim a definiu: \u2013 \u201c<em>rosa de Espanha no hibernal friul<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00c9 claro que, respirando em nosso lar uma atmosfera de grande interesse pelas coisas ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, alimentasse eu, desde muito cedo, a ambi\u00e7\u00e3o de me dedicar ao ensino, fazendo-me professora. Professora at\u00e9 mesmo de alguns dos irm\u00e3os, entre eles, meu inesquec\u00edvel Jos\u00e9 Carlos, que num discurso pronunciado \u00e0s v\u00e9speras de sua morte, lembrava, saudoso, as li\u00e7\u00f5es de matem\u00e1tica (evidentemente de matem\u00e1tica elementar) que eu lhe ministrava nas f\u00e9rias gozadas em nossa fazenda, repassando o programa por ele cumprido no Gin\u00e1sio de S\u00e3o Bento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Aquela ambi\u00e7\u00e3o a vida me permitiu realizar plenamente, e foi assim que percorri, degrau por degrau, toda a \u00e1spera carreira do magist\u00e9rio, p\u00fablico e particular, do prim\u00e1rio ao superior, inclusive no chamado ensino t\u00e9cnico onde aprendi, com velho e s\u00e1bio professor <strong>Roberto Mange,<\/strong> criador do <strong>SENAI<\/strong>, a montar e aplicar \u201c<em>tests<\/em>\u201d aos que se candidatavam ao aprendizado de certas e determinadas fun\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Posso assegurar aos que ouvem que, no percurso dessa carreira at\u00e9 certo ponto acidentada, colhi muitas das grandes alegrias de minha vida. Vida modesta de uma mulher tamb\u00e9m modesta, que se orgulha de haver iniciado (e reproduzo aqui o que disse h\u00e1 um ano atr\u00e1s, ao ser introduzida na <strong>Academia Paulista de Letras<\/strong>) \u201c<em>numa pequena classe do Grupo Escolar de Santo Amaro, onde meninos descal\u00e7os, de roupas remendadas e umedecidas pela garoa do Planalto, tiritando de frio e cheirando a suor, disputavam o privil\u00e9gio de enfeitar com uma flor, provavelmente arrancada ao jardim da pracinha fronteira, a minha tosca mesa de trabalho\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Veio depois a experi\u00eancia colhida na Escola Normal do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Caetano de Campos, ent\u00e3o dirigida pela jamais assaz louvada Profa. <strong>Carolina Ribeiro<\/strong> (a primeira Secret\u00e1ria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo). A duas turmas de alunas, pouco mais mo\u00e7as do que eu, lecionei sucessivamente Psicologia Educacional e Sociologia Educacional. E, fato extraordin\u00e1rio: a melhor de minhas disc\u00edpulas, a que se diplomou com distin\u00e7\u00e3o, foi exatamente aquela que, em rigor, menos condi\u00e7\u00f5es teria para brilhar entre as companheiras: <strong>Dorina Gouv\u00eaa<\/strong>, hoje <strong>Dorina Gouv\u00eaa Nowill<\/strong>, uma das figuras mais representativas do ensino de cegos, nos planos nacional e internacional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Mais tarde ainda, e havendo j\u00e1 cumprido quatro anos de Filosofia na Faculdade de Filosofia de S\u00e3o Bento, dois de Pedagogia no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Caetano de Campos, e encontrando-me em meio a meus estudos de Direito nas velhas Arcadas do Largo de S\u00e3o Francisco, fui convidada para lecionar Moral e Moral Social no Centro de Estudos e A\u00e7\u00e3o Social fundado por duas grandes mulheres: <strong>Odila Cintra Ferreira <\/strong>e <strong>Eug\u00eania Gama Cerqueira<\/strong>. L\u00e1, na sede da rua Sabar\u00e1, encontrei v\u00e1rias companheiras de estudos anteriores, criaturas com uma vis\u00e3o de \u201c<em>social<\/em>\u201d que me impressionou e me fez alterar algumas de minhas coloca\u00e7\u00f5es anteriores. Entre essas alunas, sobressa\u00edram-se <strong>Nadyr Gouveia Kfouri<\/strong>, futura Reitora Magn\u00edfica da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo; <strong>Lucy Pestana Silva<\/strong>, posteriormente <strong>Lucy Montoro<\/strong>, dado seu casamento com o deputado, senador, governador <strong>Andr\u00e9 Franco Montoro<\/strong>; <strong>Marina Cintra<\/strong><strong> <\/strong>e <strong>Nazar\u00e9 de Moura<\/strong>, criadoras da <strong>COLMEIA<\/strong>, j\u00e1 falecidas, mas ainda vivas em meu cora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">At\u00e9 que um dia entendi que deveria prestar concurso para a Faculdade de Direito em que me diplomara, disputando a livre-doc\u00eancia de Direito Penal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">At\u00e9 ent\u00e3o nenhuma mulher tentara enfrentar a travessia desse suposto \u201c<em>cabo das tormentas<\/em>\u201d. E se digo \u201c<em>suposto<\/em>\u201d \u00e9 porque, a esta altura, j\u00e1 come\u00e7ava a tomar corpo, afastando-se todavia do sufragismo, o movimento visando \u00e0 plena equipara\u00e7\u00e3o dos direitos de homens e mulheres. E os Mestres da \u201c<em>velha e sempre nova Academia<\/em>\u201d (salvo algumas exce\u00e7\u00f5es, apesar de tudo honrosas), j\u00e1 via com bons olhos o ingresso das bachar\u00e9is na tradicional institui\u00e7\u00e3o, desde que, naturalmente, se submetessem e fossem aprovadas nos concursos de t\u00edtulos e provas, como os bachar\u00e9is, ali\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Assim sendo, n\u00e3o apenas meus colegas de turma quanto os professores que me haviam tido como aluna, incentivaram-me a tentar a grande aventura, e mais do que qualquer outro o saudoso prof. <strong>Basileu Garcia<\/strong>, o qual, pelas suas s\u00e1bias e inspiradas li\u00e7\u00f5es, me levou insensivelmente a optar pelo Direito Penal, disciplina ent\u00e3o objeto de uma total renova\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 edi\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Penal de 1940. O certo \u00e9 que sucumbi \u00e0 sugest\u00e3o do grande Mestre, tanto mais que j\u00e1 me apaixonara perdidamente pela mat\u00e9ria tanto pela sua beleza intr\u00ednseca, como ci\u00eancia dogm\u00e1tico-penal que \u00e9, quanto pelo fato de que ela desce, na an\u00e1lise do fato criminoso, \u00e0 mais \u00edntima intimidade do ser humano, atingindo-lhe, na pesquisa do chamado \u201c<em>elemento subjetivo<\/em>\u201d, o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, e acompanhando-o na humilde e genuflexa posi\u00e7\u00e3o de \u201c<em>delinquente<\/em>\u201d, de autor de um il\u00edcito penal. E assim, aprovada, passei a lecionar. Devo dizer que de tudo isso n\u00e3o me envaide\u00e7o, pois o pouco que sou e porventura haja feito se deve, sempre o proclamei, \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o e ao apoio de muitas m\u00e3os solid\u00e1rias, algumas j\u00e1 desaparecidas, outras ainda cheias de vida e calor, apertando as minhas quando devo atravessar um trecho mais \u00e1spero ou mais perigoso da caminhada, que j\u00e1 se torna longa, jamais fastidiosa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">E passo, agora, obedecendo aos dispositivos regimentais da Casa, a falar sobre meus antecessores, os educadores que desde a instala\u00e7\u00e3o desta Academia, em outubro de 1970, at\u00e9 a data de hoje, ocuparam a cadeira n\u00ba 33, cujo Patrono \u00e9 <strong>Manoel Bergstrom Louren\u00e7o Filho<\/strong>. E come\u00e7o por esta, um dos pontos mais altos da orografia educacional paulista e brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">N\u00e3o conheci pessoalmente <strong>Louren\u00e7o Filho<\/strong>, embora houvesse cursado o gin\u00e1sio no Lyceu Nacional Rio Branco, estabelecimento de ensino modelar do qual ela fora um dos fundadores e diretores. Pois o jovem professor, orgulho de Porto Ferreira, sua terra natal, j\u00e1 partira para outras plagas (o Estado do Cear\u00e1 e a cidade do Rio de Janeiro, ent\u00e3o Capital Federal), convocado pelo Governo para difundir alhures a experi\u00eancia aqui colhida em mat\u00e9ria de organiza\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o escolar. Mas cheguei a sentir constantemente sua presen\u00e7a no pr\u00e9dio da rua Dr. Vila Nova, a respirar a atmosfera sadia de que se achavam impregnadas as pr\u00f3prias paredes da escola \u2013 uma escola \u201c<em>diferente<\/em>\u201d, onde professores e alunos se deixavam contagiar por um clima de vibra\u00e7\u00e3o, de entusiasmo, de renova\u00e7\u00e3o, de criatividade, de liberdade aliada \u00e0 responsabilidade, tudo isso preparando \u201c<em>para a vida real pela pr\u00f3pria vinda a\u00ed vivida<\/em>\u201d, como ent\u00e3o pontificavam os adeptos da ent\u00e3o chamada \u201c<em>Escola Nova<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>Louren\u00e7o Filho<\/strong>, nascido em 1897 e falecido em 1970, teve uma vida \u2013 longa de 73 anos, exclusivamente dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u2013 que poder\u00edamos dizer \u201c<em>gloriosa<\/em>\u201d, tantos e tantos postos de destaque ocupou (na doc\u00eancia, na administra\u00e7\u00e3o, na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e mesmo liter\u00e1ria); tantas as obras que escreveu; tantas as confer\u00eancias em que tomou parte; tantas as homenagens que lhe foram tributadas, entre elas a publica\u00e7\u00e3o do Livro Jubilar \u2013 \u201c<em>Um educador brasileiro: Louren\u00e7o Filho<\/em>\u201d \u2013 editado pela Melhoramentos, com artigos escritos por 20 grandes especialistas. Isso, al\u00e9m de um \u201c<em>sum\u00e1rio cronol\u00f3gico<\/em>\u201d por si s\u00f3 consagrador.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Ainda agora, realiza-se na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da nossa USP um ciclo de confer\u00eancias iniciado em mar\u00e7o do corrente ano e a ser encerrado em novembro pr\u00f3ximo futuro, onde falaram (e falar\u00e3o) educadores paulistas e n\u00e3o paulistas, entre eles o pr\u00f3prio filho de <strong>Louren\u00e7o Filho<\/strong>, o professor <strong>Ruy Louren\u00e7o Filho<\/strong>, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que o encerrar\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Lendo o programa do evento que est\u00e1 tendo lugar na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, a\u00ed encontrei estes dados que julgo \u00fatil transportar para o presente pronunciamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u201cLouren\u00e7o Filho<\/span><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Cargos que exerceu<\/span><\/h1>\n<ol>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Professor prim\u00e1rio em Porto Ferreira (1915)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Professor de Escola Normal em Piracicaba (1921 a 1924) e S\u00e3o Paulo (1925-1930)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Professor no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro (1932-1938)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Professor de Psicologia Educacional na Universidade do Distrito Federal (1935-1938) e na Universidade do Brasil (1939-1957)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Diretor Geral da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica no Cear\u00e1 (1922-1923)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Diretor Geral da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica no Estado de S\u00e3o Paulo (1930-1931)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Diretor do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro (1932-1937)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o (1934-1935)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Diretor da Escola de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Distrito Federal (1935-1937)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedag\u00f3gicos (1938-1945)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Membro do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (1937-1961)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Diretor Geral do Departamento Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (1937 e 1947-1950)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Principais Obras:<\/span><\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Juazeiro do Padre C\u00edcero (1926)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Cartilha do Povo (1929)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Escola Nova (1930)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Testes ABC (1933)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Tend\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o Brasileira (1940)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">S\u00e9rie de Leitura Pedrinho (1953-57)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A Pedagogia de Rui Barbosa (1954)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Educa\u00e7\u00e3o Comparada (1961)<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<li>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Organiza\u00e7\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o Escolar (1963\u201d.<\/span><\/em><\/div>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A meu ver, suas duas melhores obras s\u00e3o a \u201c<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Escola Nova\u201d <\/em>e<em> \u201cOrganiza\u00e7\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o Escolar\u201d, <\/em>a primeira, fruto de uma experi\u00eancia ainda incompleta dada a idade do autor (apenas 33 primaveras); a segunda, escrita em plena maturidade, no outono da exist\u00eancia (66 anos), quando o homem atinge o ponto culminante da sua curva de vida. Sobre essas duas obras muito se escreveu e muito se continuar\u00e1 a escrever, t\u00e3o certo \u00e9 que ambas cont\u00eam um certo \u201c<em>quid<\/em>\u201d de perman\u00eancia, para n\u00e3o dizer de eternidade, que satisfaz o leitor mais exigente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Assim se manifestam sobre a \u201c<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da Escola Nova<\/em>,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>Paul Fauconnet<\/strong>:: \u201c<em>esta Introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos melhores livros que, seja em que l\u00edngua for, j\u00e1 se escreveram sobre Escola Nova\u201d<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>Edmond Clapar\u00e8de<\/strong>: <em>\u201cformoso livro, que exp\u00f5e de maneira admiravelmente clara os princ\u00edpios da escola ativa, dando uma vis\u00e3o de conjunto, preciosa a todos os educadores\u201d<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>L\u00e9on Walther<\/strong>: \u201c<em>nem em franc\u00eas, nem em alem\u00e3o, possu\u00edmos livro semelhante sobre a educa\u00e7\u00e3o renovada. Deve ser traduzido<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>Fernando de Azevedo<\/strong>: \u201c<em>livro de mestre. N\u00e3o h\u00e1 obra que o substitua na literatura pedag\u00f3gica. Lede-o, se quiserdes ter uma vis\u00e3o, larga e profunda, da escola nova<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>An\u00edsio Teixeira<\/strong>: <em>Louren\u00e7o Filho fez mais do que expor: coordena, interpreta e sintetiza o que educadores do velho e do novo mundo t\u00eam pregado e realizado sobre a chamada Escola Nova, apresentando em seu livro um corpo de doutrina unificado e claro<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Quanto ao segundo, ao ver na Melhoramentos o primeiro a \u201c<em>expor em l\u00edngua portuguesa<\/em>\u201d, sob forma sistem\u00e1tica, as novas bases dos estudos de Organiza\u00e7\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o Escolar, assim se manifestam os comentadores:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>Fernando de Azevedo<\/strong>: \u201c<em>desde os seus vinte e cinco anos de idade, em que fez com sucesso no Cear\u00e1 a sua grande experi\u00eancia na esfera administrativa, Louren\u00e7o Filho ficou marcado como um de seus eleitos<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>Clemente Mariani<\/strong>: \u201c<em>Louren\u00e7o Filho, opinando sobre os assuntos administrativos do setor educacional, era deste estilo: a simplicidade de seus pareceres muitas vezes pedidos e emitidos oralmente ou por escrito, assemelhava-se \u00e0 dos sucintos coment\u00e1rios de Cl\u00f3vis Bevilacqua em Direito Civil<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><strong>An\u00edsio Teixeira<\/strong>: \u201c<em>poucas vidas ter\u00e3o sido mais cont\u00ednuas em suas preocupa\u00e7\u00f5es fundamentais do que a de Louren\u00e7o Filho, toda ela transcorrida entre o magist\u00e9rio e a administra\u00e7\u00e3o escolar<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Mas quem quiser conhecer por inteiro e em sua profunda significa\u00e7\u00e3o a vida e obra de <strong>Louren\u00e7o Filho<\/strong>, leia o trabalho escrito por seu amigo e companheiro de lutas, <strong>Antonio Ferreira<\/strong><strong> de Almeida J\u00fanior<\/strong> \u2013 \u201c<em>A forma\u00e7\u00e3o do educador<\/em>\u201d, inserta na colet\u00e2nea intitulada \u201c<em>E a Escola Prim\u00e1ria?<\/em>\u201d \u2013 vinda \u00e0 luz pela Companhia Editora Nacional. A\u00ed, meu velho Mestre do Liceu Nacional Rio Branco, do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Caetano de Campos e da Faculdade de Direito do Largo de S\u00e3o Francisco, num estilo ao mesmo tempo singelo e saboroso, nos ensina quem foi e o que fez <strong>Louren\u00e7o Filho<\/strong>, e em que medida ele contribuiu para inovar, melhorando-a, a realidade educacional do Pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Por mais perfeito que seja esse relato, para mim pode ele ainda ser complementado e enriquecido. Da\u00ed porque estarei presente, se Deus quiser, aos 10 de novembro pr\u00f3ximo futuro, ao Audit\u00f3rio da Escola de Aplica\u00e7\u00e3o da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, para ouvir o depoimento de <strong>Ruy Louren\u00e7o Filho<\/strong>, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sobre seu pai. A data j\u00e1 se acha espetada com um alfinete em meu calend\u00e1rio de eventos nobres. E essa por ser muito especial para mim, n\u00e3o ser\u00e1 olvidada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o tive oportunidade de travar conhecimento pessoal com o prof. <strong>Jo\u00e3o de Souza Ferraz<\/strong>, nascido na cidade de Itu, em 1903, e falecido em Limeira, onde se achava radicado, em 1988. Deixou uma imagem respeit\u00e1vel pela atua\u00e7\u00e3o que teve em dois setores que lhe absorveram a vida longa (85 anos) e prof\u00edcua: a educa\u00e7\u00e3o e a imprensa. Embora tenha realizado os estudos prim\u00e1rios em sua cidade natal, o certo \u00e9 que em Campinas conseguiu o seu diploma de professor normalista. E como houvesse obtido, em concurso p\u00fablico, a cadeira de Psicologia na Escola Normal de Limeira, afei\u00e7oou-se profundamente a essa cidade, recusando-se a abandon\u00e1-la ainda que convidado, v\u00e1rias vezes, para exercer alhures cargos bastante importantes. Escreveu v\u00e1rias obras, entre elas a conhecido \u201c<em>No\u00e7\u00f5es de Psicologia Infantil<\/em>\u201d, vertida para o espanhol, e figurou como colaborador da Enciclop\u00e9dia Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o, editada pela Livraria Globo, de Porto Alegre. Exerceu o magist\u00e9rio como professor de Psicologia nas escolas normais de Ja\u00fa, S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, Limeira, e ainda como Diretor de v\u00e1rias Escolas Reunidas \u2013 em Iporanga, Avanhandava, Santa L\u00facia \u2013 assim como Diretor do Grupo de Mat\u00e3o. Fundou em 1943 o Suplemento da \u201cGazeta Liter\u00e1ria de Limeira\u201d, e foi Redator-Chefe dessa mesma Gazeta, j\u00e1 agora elevada \u00e0 categoria de Di\u00e1rio. Foi ainda redator-secret\u00e1rio da \u201cGazeta de Campinas\u201d, e colaborou nos jornais paulistanos \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo\u201d, \u201cFolha da \u201cManh\u00e3\u201d e \u201cDi\u00e1rio de S\u00e3o Paulo\u201d. Amava as duas profiss\u00f5es que exercia, e por isso praticou-as igualmente bem, e com paix\u00e3o, que s\u00f3 com paix\u00e3o se pode lavrar esses dois terrenos igualmente acidentados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Gozava, em Limeira, de um prest\u00edgio invulgar, e pelo seu temperamento comunicativo e pelo seu amor \u00e0 criatura humana, em si mesma considerada e nas v\u00e1rias formas de seu relacionamento com o \u201c<em>outro<\/em>\u201d. O consult\u00f3rio que mantinha aberto na cidade (sendo, como era, al\u00e9m de licenciado em Psicologia, Psic\u00f3logo Cl\u00ednico), constitu\u00eda o centro onde se revolviam, pela educa\u00e7\u00e3o e reeduca\u00e7\u00e3o dos pacientes, os v\u00e1rios problemas que afligiam os membros da popula\u00e7\u00e3o local. E tudo isso feito, na maior parte das vezes, gratuitamente, com o intuito exclusivo de ser \u00fatil ao consulente, ajudando-o a atravessar uma situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil da vida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">De um de seus filhos, ouvi que, numa tarde em que o professor tentava atravessar uma das mais movimentadas ruas de Limeira, exatamente na hora do \u201cpico\u201d, todos o reconhecem imediatamente e, imediatamente tamb\u00e9m, se imobilizara, reverentes, para que ele atingisse tranquilamente o outro lado da rua. S\u00f3 faltaram bater-lhe palmas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">E agora devo falar sobre algu\u00e9m que n\u00e3o chegou a tomar posse da cadeira n\u00ba 33 para a qual havia sido eleito, isso por haver sido levado pela morte quando se preparava, com aquele entusiasmo efervescente que todos lhe conheciam, para receber desta Academia a l\u00e1urea a que, por tantos e acumulados t\u00edtulos, fazia jus: <strong>Carlos Corr\u00eaa Mascaro<\/strong>, o casa-branquense nascido em janeiro de 1911 e falecido em janeiro de 1990. Ao todo 79 anos de uma vida consagrada exclusivamente a tr\u00eas amores: a fam\u00edlia, os amigos, a educa\u00e7\u00e3o. Nesse culto tridimensional revelou-se sacerdote exemplar, jamais pensando em si e em seus interesses, mas inteiramente devotado ao bem estar e \u00e0 felicidade do outro. Ultrapassava, assim, de muito, os limites impostos pela regra segundo a qual deve o homem amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo. Ele o amou mais do que a si pr\u00f3prio. E por hav\u00ea-lo feito durante anos a fio, de todo o cora\u00e7\u00e3o, seria pelo cora\u00e7\u00e3o que lhe haveria de escapar a vida, suavemente, discretamente, sem despedidas emocionantes, dando aos que se achavam a seu lado a impress\u00e3o de que simplesmente se pusera a dormitar&#8230; Estaria apenas cansado&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Tive a honra de conhecer de perto <strong>Carlos Corr\u00eaa Mascaro<\/strong>, pois trabalhamos juntos em v\u00e1rias oportunidades \u2013 no Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura, durante o Governo do Marechal <strong>Castelo Branco<\/strong>, ele como Diretor do <strong>INEP<\/strong> (Instituto Nacional de Estudos Pedag\u00f3gicos), criado por <strong>An\u00edsio Teixeira<\/strong>, eu na Secretaria do Ensino Superior, sucedendo o professor <strong>Raymundo Muniz de Arag\u00e3o<\/strong>. \u00c9ramos dois paulistas operando no cen\u00e1rio do Rio de Janeiro, e por isso mesmo nos aproximamos, empenhados ambos em aproveitar aquele curto espa\u00e7o de tempo compreendido entre meados de 1966 e in\u00edcio de 1967 para terminar de forma condigna as tarefas de que hav\u00edamos sido incumbidos pelo titular da Pasta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Pude, assim, conhec\u00ea-lo bastante bem, inclusive sob um aspecto que at\u00e9 a\u00ed n\u00e3o me chamara a aten\u00e7\u00e3o: sua coragem c\u00edvica e moral, revelada na oportunidade em que se elaboravam os ante-projetos da futura Carta Constitucional e nos coube encargo de opinar junto ao Ministro sobre a forma como estaria sendo tratada a mat\u00e9ria pertinente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura. Os dois documentos que juntos elaboramos, de uma franqueza at\u00e9 mesmo rude, documentos que pretendo, com a anu\u00eancia do Ministro <strong>Muniz de Arag\u00e3o,<\/strong> tornar p\u00fablicos um dia para fazer justi\u00e7a \u00e0quela nobre autoridade apresentando a hist\u00f3ria completa dos artigos n\u00bas 168 e 172 da Constitui\u00e7\u00e3o de 1967, chegaram eles, os documentos, a chamar a aten\u00e7\u00e3o de <strong>An\u00edsio Teixeira<\/strong>, ent\u00e3o membro do Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o, o qual, encontrando-se com <strong>Mascaro<\/strong>, a quem conhecia de h\u00e1 muito, assim o saudou com aquele sorriso acolhedor que fazia o seu encanto: \u201c<em>voc\u00ea \u00e9 um homem de coragem<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Se fa\u00e7o este relato, \u00e9 porque a isso fui convidada por <strong>Jos\u00e9 Augusto Dias<\/strong>, num trecho do referido artigo de sua lavra publicado no jornal \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo\u201d. Essa pe\u00e7a liter\u00e1ria vazada em termos que evidenciam a grande amizade que unia os dois educadores, termina por estas palavras:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u201c<em>Este ligeiro esbo\u00e7o de sua vida, tra\u00e7ado ainda sob o impacto de seu desaparecimento, est\u00e1 longe de ser completo. Aqueles que o conheceram de perto certamente saber\u00e3o acrescentar muitos outros dados para a composi\u00e7\u00e3o de um perfil mais abrangente deste educador em\u00e9rito<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Eu, que tive o privil\u00e9gio de gozar de sua amizade durante quase trinta anos, cumpri a minha parte. Outros, que tamb\u00e9m o conheceram de perto trar\u00e3o oportunamente os seus depoimentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Senhor Presidente e Senhores Acad\u00eamicos,<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Dignas autoridades aqui presentes,<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Senhoras e Senhores<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">N\u00e3o quero terminar sem tecer algumas breves considera\u00e7\u00f5es sobre uma quest\u00e3o que me vem preocupando desde que, revogada toda a anterior legisla\u00e7\u00e3o Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional e entrada em vigor a Lei n\u00ba 9394, de 20 de dezembro de 1996, teremos, acaso, caminhado em dire\u00e7\u00e3o ao melhor ou retroagimos sob certos e determinados aspectos, deixando de incorporar ao novo sistema as grandes conquistas e experi\u00eancias pedag\u00f3gicas que nos fizeram saudar a Lei de 1961 como a Lei \u00c1urea da Educa\u00e7\u00e3o Nacional?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Confesso que a leitura atenta do texto da nova lei, assim como de in\u00fameros pronunciamentos feitos por educadores de grande porte, um tanto reticentes e mesmo pessimistas quanto ao \u00eaxito da reforma ali delineada, tem-me levado a uma desconfort\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a, temerosa que me sinto de que estejamos, aqui e ali, caminhando \u00e0 marcha-r\u00e9. Tanto mais que a reda\u00e7\u00e3o do texto legislativo \u00e9, em grande n\u00famero de casos, bastante vaga, algumas vezes mesmo incorreta do ponto de vista t\u00e9cnico, haja vista, por exemplo, o que consta do \u00a7 4\u00ba do artigo 5\u00ba, que prev\u00ea a san\u00e7\u00e3o cominada para a autoridade que, por neglig\u00eancia, deixar de oferecer o ensino obrigat\u00f3rio: \u201c<em>comprovada a neglig\u00eancia da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigat\u00f3rio, poder\u00e1 ela ser imputada por crime de responsabilidade\u201d<\/em> (!). Ainda um exemplo: o art. 13, inciso V, segundo o qual os docentes incumbir-se-\u00e3o de \u201c<em>ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos<\/em>\u201d&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Deixando de lado, por\u00e9m, enganos desse estilo, que deveriam ter sido corrigidos na passagem do projeto pelo Congresso Nacional, e de se concluir tamb\u00e9m que a descentraliza\u00e7\u00e3o, que foi a virtude principal da velha L.D.B., sofreu v\u00e1rios golpes da parte da Lei ora em vigor, entre eles o haver suprimido os Conselhos Estaduais de Educa\u00e7\u00e3o, \u00f3rg\u00e3os normativos dos sistemas locais de ensino, os estaduais e do Distrito Federal, que tantos e t\u00e3o excelentes servi\u00e7os prestaram \u00e0s unidades da federa\u00e7\u00e3o, de 1962 e 1997 (trinta e sete anos). Dir-se-\u00e1 que tais unidades poder\u00e3o, se quiserem, manter ou criar esses \u00f3rg\u00e3os dentro dos respectivos sistemas de ensino. Mas se algumas o far\u00e3o, porque mais desenvolvidas, outras, as menos desenvolvidas, sentir-se-\u00e3o felizes se deles se livrarem, se puderem entregar ao jogo da pol\u00edtica partid\u00e1ria o destino da educa\u00e7\u00e3o em seus territ\u00f3rios, o que ser\u00e1 um desastre para a administra\u00e7\u00e3o do ensino no Pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Por outro lado, a forma pela qual est\u00e3o redigidos os artigos pertinentes \u00e0 \u201c<em>Organiza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Nacional<\/em>\u201d, especialmente os que enumeram os sistemas de ensino e lhes fixam as compet\u00eancias, pode levar a muitas confus\u00f5es. Mesmo porque o legislador n\u00e3o se deu ao trabalho de, j\u00e1 n\u00e3o digo definir (\u201c<em>omnis definitio periculosa est<\/em>\u201d) sistema de ensino, mas enumerar seus componentes, o que seria fac\u00edlimo fazer dados os numerosos pronunciamentos feitos a respeito, tanto pelos Conselhos de Educa\u00e7\u00e3o, quanto pelas Faculdades de Educa\u00e7\u00e3o de todo o Pa\u00eds. Assim, fugiria \u00e0 situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel de confundir (ao que parece), sistema de ensino \u2013 a organiza\u00e7\u00e3o dada pelo Poder P\u00fablico (federal, estadual, municipal) \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, atuando cada qual na \u00f3rbita da respectiva compet\u00eancia \u2013 com o pr\u00f3prio Poder P\u00fablico, confus\u00e3o j\u00e1 antevista pelo Mestre <strong>Miguel Reale<\/strong>, quando criticou com toda a proced\u00eancia o par\u00e1grafo 2\u00ba do artigo 8\u00ba, assim concebido: \u201c<em>os sistemas de ensino ter\u00e3o liberdade de organiza\u00e7\u00e3o nos termos desta lei<\/em>\u201d. <em>Se os sistemas s\u00e3o, eles pr\u00f3prios, organiza\u00e7\u00f5es, como afirmar que elas se organizam, e livremente? Quem possui tal liberdade \u00e9 o Poder P\u00fablico, em cada uma de suas esferas, n\u00e3o o sistema, seja ele qual for. E vou adiante para observar que o par\u00e1grafo primeiro do mesmo dispositivo \u00e9 ainda mais perigoso, na parte em que afirma que a Uni\u00e3o exercer\u00e1 fun\u00e7\u00e3o normativa, re-distributiva e supletiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais inst\u00e2ncias educacionais<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Isso levar\u00e1 o leitor a concluir (por empregada erroneamente a express\u00e3o \u201ci<em>nst\u00e2ncia<\/em>\u201d, roubada ao Direito processual), que haveria uma hierarquia entre os v\u00e1rios sistemas, o que n\u00e3o \u00e9 exato. Mesmo porque as decis\u00f5es dos sistemas locais (estaduais e municipais) n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de recurso para o sistema federal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">A par desses v\u00edcios, n\u00e3o se pode negar que a nova lei apresenta solu\u00e7\u00f5es felizes para alguns problemas desde sempre discutidos porque desde h\u00e1 muito tempo colocadas, entre eles o da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Tomo, assim, a iniciativa de indicar \u00e0 nossa Academia de Educa\u00e7\u00e3o um estudo sistem\u00e1tico da mat\u00e9ria assim importante, promovendo ciclos de confer\u00eancias, simp\u00f3sios e outras atividades que permitam ao nosso sistema de ensino comportar-se diante da \u201c<em>vaguedad<\/em>\u201d, como dir\u00edamos, da nova L.D.B., suprindo-lhe as omiss\u00f5es, captando-lhe as inten\u00e7\u00f5es e interpretando-lhe com exatid\u00e3o o sentido das normas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">Agrade\u00e7o a esta Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, particularmente a sua Presid\u00eancia, neste momento em m\u00e3os do grande educador que \u00e9 o acad\u00eamico <strong>S\u00f3lon Borges dos Reis<\/strong>, representante m\u00e1ximo e tradicional do Professorado Paulista, a linda festa que me foi preparada. Possa eu, com a ajuda de Deus, corresponder \u00e0s expectativas dos que me trouxeram para a sua corpora\u00e7\u00e3o, j\u00e1 um tanto cansada pelas asperezas de uma luta de tantos anos, mas ainda disposta a trabalhar, como disse, \u201c<em>at\u00e9 o fim de minha vida<\/em>\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">\u00c0 Escola de Com\u00e9rcio \u00c1lvares Penteado, de cuja mantenedora, a Funda\u00e7\u00e3o que porta o mesmo nome, participo desde h\u00e1 alguns anos, e cuja lisura no proceder posso atestar com absoluta convic\u00e7\u00e3o, a ela, tamb\u00e9m, o meu muito obrigada por concordar em que, na sua sede, se realizasse esta cerim\u00f4nia t\u00e3o comovedora para mim. E solicito ao meu amigo <strong>Oliver Gomes da Cunha<\/strong> ser o portador de minhas palavras junto aos demais membros da Funda\u00e7\u00e3o que aqui n\u00e3o puderam comparecer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\">E que direi a meu amigo e colega <strong>Moacyr Expedito Vaz Guimar\u00e3es<\/strong>? Que fielmente retrate o meu estado de alma, ao ouvi-lo proferir sua ora\u00e7\u00e3o? \u201c<em>Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, assim falham os pensamentos quando querem exprimir a realidade<\/em>\u201d, afirma o inimit\u00e1vel <strong>Fernando Pessoa<\/strong> ao versejar sobre a incapacidade do ser humano em externar o que lhe v\u00e1 pela alma adentro, m\u00e1xime quando agitada pelas emo\u00e7\u00f5es. Nada lhe direi a n\u00e3o ser \u201c<em>obrigada<\/em>\u201d. Obrigada, <strong>Moacyr<\/strong>, por ser t\u00e3o meu amigo, quase irm\u00e3o.<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso de Posse da Acad\u00eamica Titular ESTHER DE FIGUEIREDO FERRAZ Senhor Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o Senhores Acad\u00eamicos Senhoras e Senhores De h\u00e1 muito, desde que vim ao mundo (faz isso tantos dec\u00eanios&#8230;), venho navegando pelos mares da educa\u00e7\u00e3o, inicialmente como sujeito passivo, como dir\u00edamos utilizando a terminologia do Direito Penal, e ao depois como sujeito ativo, tomando parte na grande batalha que travam as gera\u00e7\u00f5es mais velhas, tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o, o preparo adequado daquelas que venham a suced\u00ea-las. 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