{"id":134,"date":"2011-02-14T19:21:15","date_gmt":"2011-02-14T21:21:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2011\/02\/14\/dircurso-de-posse-do-academico-joao-gualberto-de-carvalho-meneses\/"},"modified":"2017-10-15T22:00:13","modified_gmt":"2017-10-16T00:00:13","slug":"dircurso-de-posse-do-academico-joao-gualberto-de-carvalho-meneses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/dircurso-de-posse-do-academico-joao-gualberto-de-carvalho-meneses\/","title":{"rendered":"Discurso de Posse do  Acad\u00eamico Jo\u00e3o Gualberto de Carvalho Meneses."},"content":{"rendered":"<p style=\"TEXT-ALIGN: center; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">ACADEMIA PAULISTA DE EDUCA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Discurso de Posse do Acad\u00eamico Titular<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">JO\u00c3O GUALBERTO DE CARVALHO MENESES<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn1\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[1]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: right; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">21\/10\/1980<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Senhor Vice-presidente em exerc\u00edcio da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Autoridades, senhoras e senhores.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Senhores Acad\u00eamicos.<br \/><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Dediquei a minha vida profissional \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Sou professor normalista diplomado pela insigne Escola Normal \u201cTorquato Caleiro\u201d de Franca, na inesquec\u00edvel turma do Ano Santo de 1950. Ser professor prim\u00e1rio e ter exercido fun\u00e7\u00f5es docentes no ensino prim\u00e1rio constituem minhas vangl\u00f3rias. Ter feito carreira no Magist\u00e9rio paulista deve ter sido fator fundamental para que eu viesse ser guindado \u00e0s honras magnas de ter sido eleito para esta sodal\u00edcio, pelo benfazejo ato dos Senhores Acad\u00eamicos. Sem d\u00favida, querem premiar a minha persist\u00eancia em suportar as agruras do Magist\u00e9rio, ou querem, com este galard\u00e3o, laurear um professor. Como se v\u00ea, n\u00e3o se h\u00e1 de alegar m\u00e9ritos singulares &#8211; inexistentes. Antes, \u00e9 rever\u00eancia ao Magist\u00e9rio paulista \u2013 assim o vejo \u2013 para ser eu hoje acad\u00eamico.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Conviver com Vossas Excel\u00eancias, Senhores Acad\u00eamicos, \u00e9, para mim, motivo de alegria e envaidecimento. Aprendi a lhes admirar h\u00e1 muito. Cursava a Escola Normal e j\u00e1 estudava no livro <strong>Pr\u00e1ticas Escolares<\/strong> de Ant\u00f4nio D\u2019\u00c1vila, manual te\u00f3rico pr\u00e1tico que oferecia todas e as mais completas orienta\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es ao estudante, ao ne\u00f3fito e ao experimentado professor.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Logo em seguida \u00e0 minha formatura conheci o incans\u00e1vel <strong>Archero <\/strong>na Escola Universit\u00e1ria de S\u00e3o Paulo, nos cursos preparat\u00f3rios para Orientador Educacional; a ele devo a minha primeira indica\u00e7\u00e3o para ocupar esta Cadeira. Sou-lhe muito grato.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O Professor Bueno de Azevedo \u2013 a quem remercio emocionado o discurso gentil de recep\u00e7\u00e3o e a sua coindica\u00e7\u00e3o para a vaga ocorrida \u2013 conhe\u00e7o desde quando, nos anos 50, juntos serv\u00edamos no Departamento de Educa\u00e7\u00e3o ao tempo da Ant\u00f4nio de God\u00f3i. J\u00e1 era not\u00f3rio professor de Hist\u00f3ria Geral e do Brasil. Pelos inestim\u00e1veis servi\u00e7os que tem prestado \u00e0 vida p\u00fablica \u00e9, hoje, uma das personalidades paulistas que maior n\u00famero de condecora\u00e7\u00f5es possui. \u00c9 presidente da prestigiosa Sociedade Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o e Integra\u00e7\u00e3o. Como Sua Ex\u00aa muito bem lembrou, fomos colegas de Magist\u00e9rio, na tradicional Academia de Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Prazenteira amizade \u00e9 a do nosso Presidente, Professor Michel Pedro Sawaya, de mais de vinte anos. Quando aluno da Faculdade de Filosofia da USP j\u00e1 o conhecia. Mas nosso relacionamento teve in\u00edcio, propriamente, quando ele era Diretor Geral do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o do Governo Carvalho Pinto e eu, Diretor de Grupo Escolar e exercia, em comiss\u00e3o, as fun\u00e7\u00f5es de Inspetor do Ensino Rural.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o encontrei valiosos acad\u00eamicos como Rovai e Laurindo; nas lutas de classe do Magist\u00e9rio, ombreei com companheiros como Rosalvo e Val\u00e9rio. Trabalhando pela educa\u00e7\u00e3o e ensino, conheci os Senhores Acad\u00eamicos que me trazem para seu conv\u00edvio, &#8211; companheiros de trabalho do nobre Magist\u00e9rio bandeirante a que tanto me orgulho de pertencer. Agrade\u00e7o-lhes essa distin\u00e7\u00e3o e espero poder corresponder \u00e0s expectativas de Vossas Excel\u00eancias. Creiam-me, o compromisso assumido de pugnar pela prosperidade da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, em todos os aspectos de sua vida, n\u00e3o \u00e9, para mim, mero formalismo e sim um programa de a\u00e7\u00e3o a ser cumprido diuturnamente.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Walther Barioni<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sucedo a Walther Barioni, como titular da Cadeira n\u00ba 5, desta Academia. Barioni dedicou toda sua vida exclusivamente ao Magist\u00e9rio. Iniciou sua longa carreira em 1922, como professor nas escolas reunidas de Osasco. Em 1925, passou para a Escola de Aprendizes e Art\u00edfices. Em 1931, prestou concurso para o cargo de Professor-Fiscal de Escola Normal Livre, cujas fun\u00e7\u00f5es compreendiam, tamb\u00e9m, as de lecionar Psicologia, Pedagogia e Did\u00e1tica. Aprovado, foi nomeado para a Escola Normal Livre do Col\u00e9gio S\u00e3o Jos\u00e9, de Jaboticabal, onde permaneceu at\u00e9 abril de 1932, quando foi transferido para Santa Rita do Passa Quatro; no mesmo cargo foi transferido para Rio Claro e, posteriormente, para S\u00e3o Paulo. Desde cedo revelou sua tenacidade empreendedora. Na Escola Normal Livre de Jaboticabal organizou uma biblioteca pedag\u00f3gica. As obras eram catalogadas e resenhadas pelos normalistas. Em Santa Rita, aplicou o Teste ABC de Louren\u00e7o Filho, com aux\u00edlio das professorandas e elaborou minucioso relat\u00f3rio sobre os resultados obtidos e os encaminhou ao autor que muito o elogiou. Criou a primeira Escola Prim\u00e1ria Experimental anexa \u00e0 Escola Normal no Interior de S\u00e3o Paulo. De professor de psicologia, passou a interessar-se pela orienta\u00e7\u00e3o vocacional. Prestou concurso para t\u00e9cnico de administra\u00e7\u00e3o na Secretaria da Fazenda e, pouco tempo depois, quando se instalou em S\u00e3o Paulo o Departamento Regional do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial \u2013 SENAI \u2013, convidado pelo Dr. Roberto Mange, assumiu a chefia da Divis\u00e3o de Sele\u00e7\u00e3o e Orienta\u00e7\u00e3o Profissional. Desenvolveu a\u00ed trabalhos pioneiros, entre n\u00f3s, de elabora\u00e7\u00e3o e de aplica\u00e7\u00e3o de testes. S\u00e3o de sua autoria trabalhos de pesquisas sobre o TWI, para adaptar \u00e0 realidade brasileira a t\u00e9cnica de treinamento em servi\u00e7o. Foi, posteriormente, para o SENAC, onde exerceu a Chefia da Divis\u00e3o de Ensino, no Departamento Regional de S\u00e3o Paulo. A\u00ed aposentou-se, em 1962, no cargo de Assessor T\u00e9cnico.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Walther Barioni foi, tamb\u00e9m, cr\u00edtico de arte de \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo\u201d quando l\u00e1 trabalhavam Sud Menucci e Louren\u00e7o Filho, com os quais gozou de amizade. Foi cronista. Escrevia cr\u00f4nicas sob o pseud\u00f4nimo de Jo\u00e3o da Rua Direita. Foi poeta.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">CAN\u00c7\u00c3O ING\u00caNUA \u00e9 modelo de seu estilo. Melanc\u00f3lica, suave, ondulosa, est\u00e9tica, como descreveu Menotti Del Picchia. Cheia de retic\u00eancias. CAN\u00c7\u00c3O ING\u00caNUA&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cIngenuidade de ser bom e ingenuamente acreditar na bondade dos outros&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingenuidade de pensar que o Bem vence na Vida, na Justi\u00e7a na Hist\u00f3ria, a Verdade no C\u00e9u&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingenuidade de supor, iludido, que a Vit\u00f3ria pertence ao Bom, ao Justo, ao Verdadeiro&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingenuidade de lembrar o bem que me fizeram e de esquecer e de perdoar o mal que me proporcionaram&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingenuidade de sacrificar no holocausto do ideal a mocidade&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingenuidade de dizer o que me vai no cora\u00e7\u00e3o, singelamente, com sinceridade&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingenuidade que ningu\u00e9m, ah, ningu\u00e9m me perdoa.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Walther Barioni morreu em 2 de outubro de 1978. Na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, o deputado S\u00f3lon Borges dos Reis, ao propor a homenagem ao saudoso professor, descreve a figura humana que, acima de tudo, foi Walther Barioni. Diz:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201c\u00c9 dif\u00edcil analisar a personalidade de Walther Barioni: \u00e9 como condensar dois s\u00e9culos, dois mundos diferentes em uma \u00fanica pessoa. Era o poeta do s\u00e9culo XIX, o rom\u00e2ntico, o sonhador. Mas nele condensava-se toda a for\u00e7a do s\u00e9culo XX, com sua tecnologia, com seus m\u00e9todos avan\u00e7ados. Era um sonhador, mas era um homem que realizava os seus sonhos. T\u00edmido no comportamento, mas era arrojado nas realiza\u00e7\u00f5es. Era o c\u00e9rebro brilhante escondido pelo comportamento humilde dos s\u00e1bios, que sentem que quanto mais conhecem, mais coisas t\u00eam a conhecer&#8230; No entanto, quem olhasse aquela figura meiga, de sorriso bondoso, de gestos calmos, n\u00e3o poderia supor o potencial criativo que ali se escondia. Era o s\u00e9culo XIX, guardando dentro de si toda a potencialidade do s\u00e9culo XX. E a gente, sempre que o via, ficava pensando como o mundo poderia ser muito melhor agora se todos os que alcan\u00e7aram essa transi\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos tivessem conseguido realizar desta maneira: conservando o que havia de melhor no anterior e absorvendo as grandes qualidades do posterior. Uma figura gentil, bondosa, tranquila, conservando em si o romantismo, os sonhos, a poesia, a necessidade de saber, mas inovando, aplicando os novos descobrimentos, formando novas gera\u00e7\u00f5es. As neuroses do homem do s\u00e9culo XX, estas ele deixou de lado. O egocentrismo, o competivismo absurdo, a necessidade de sobressair, estas ele ignorou. N\u00e3o precisava delas. Suas obras falavam por si mesmas. A timidez impedia que ele come\u00e7asse di\u00e1logos, mas sua intelig\u00eancia agia de modo que, come\u00e7ando a falar, todos calassem, admirados, para ouvi-lo. Vers\u00e1til, n\u00e3o havia assunto que ele n\u00e3o discutisse a fundo, que n\u00e3o conhecesse em pormenores.\u201d <\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn2\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[2]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Eis alguns de seus tra\u00e7os descritos por S\u00f3lon, que bem o conheceu.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 * * *<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1970, Walther Barioni foi um dos criadores desta Academia. \u00c9 fundador e primeiro membro da Cadeira n\u00ba 5, para cujo patrono escolheu uma das mais fulgurantes figuras do Magist\u00e9rio paulista, JO\u00c3O K\u00d6PKE.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Jo\u00e3o K\u00f6pke<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1871, Jo\u00e3o K\u00f6pke chega a S\u00e3o Paulo, transferido da Faculdade de Direito de Recife para continuar seus estudos na tradicional escola do Largo S\u00e3o Francisco. Encontra uma prov\u00edncia em ebuli\u00e7\u00e3o. Os cafezais se expandiam pelas f\u00e9rteis terras do oeste paulista, produzindo enormes riquezas. Criava-se um sistema de transporte ferrovi\u00e1rio ligando as \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o aos postos exportadores e surgiam n\u00facleos urbanos com oportunidades de trabalhos bastante diversificados. O fazendeiro tornara-se capitalista. Desequilibraram-se as institui\u00e7\u00f5es da monarquia em virtude da nova distribui\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f4mico. Reclamava-se maior autonomia pol\u00edtica para S\u00e3o Paulo sanar os males de que padecia. A ideia da Rep\u00fablica Federativa como solu\u00e7\u00e3o dos problemas acabava por convencer os mais progressistas, identificados com as ideias liberais, nacionalistas e cientificistas (positivistas). A instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica era considerada:<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201ca mola propulsora do progresso social e material\u201d; \u201ca cura para todos os males que afetavam a sociedade\u201d. <em>Os apelos republicanos continham afirmativas tais como: <\/em>\u201ca escola deve ser o molde e a bitola do progresso social de um povo\u201d; \u201cn\u00e3o h\u00e1 dinheiro empregado com maior proveito do que na instru\u00e7\u00e3o de um povo\u201d; \u201co futuro dever\u00e1 ser mais ou menos brilhante, conforme os esfor\u00e7os empregados hoje para a eleva\u00e7\u00e3o e alargamento da instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, secund\u00e1rio e superior\u201d; \u201cfa\u00e7amos o homem se queremos transformada e melhorada a sociedade. Fa\u00e7amo-lo pela instru\u00e7\u00e3o\u201d; \u201cas escolas formam o primeiro alicerce das sociedades modernas, sendo a melhor garantia da paz, da liberdade, da ordem e do progresso social\u201d; \u201cas institui\u00e7\u00f5es do ensino merecem-nos especial aten\u00e7\u00e3o, porque da instru\u00e7\u00e3o que for dada ao povo depende o progresso deste imenso pa\u00eds\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn3\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[3]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nesse ambiente efervescente de novas ideias, K\u00f6pke torna-se um republicano ativo, amigo de Rangel Pestana e um positivista ao lado de Silva Jardim. Cursando o quarto ano de Direito, ainda mo\u00e7o, casa-se com D. Maria Isabel de Lima. Teve de trabalhar para sustentar fam\u00edlia e prosseguir nos seus estudos. Vai dar aulas em alguns cursos preparat\u00f3rios e adquire, logo, fama de talentoso mestre de reconhecida cultura. Diplomado bacharel em Direito, em 1875, pretendeu seguir a carreira da magistratura e foi nomeado, nesse mesmo ano, promotor p\u00fablico em Faxinal. Exerceu o minist\u00e9rio p\u00fablico nas comarcas de Jundia\u00ed, Campinas e da Capital.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1878, abandona a carreira iniciada para dedicar-se ao Magist\u00e9rio. Nas palavras de Moacyr Campos:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cJo\u00e3o K\u00f6pke foi daqueles poucos que agiram dentro de sua paisagem pr\u00f3pria, no ambiente que lhe pareceu o mais belo e o que mais se afazia \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o: o campo educativo. Por um momento, sem bem pensar, trocou-o pelo terreno da magistratura. O resultado foi o que se podia prever: o educador n\u00e3o se afez ao clima, estranhou o panorama cor de chumbo em que o crime e a viol\u00eancia se cruzavam com a impostura e a sol\u00e9rcia, desconheceu a gente que lhe dava anima\u00e7\u00e3o. Fez-se, ent\u00e3o, de torna-viagem ao seu rinc\u00e3o vocacional, onde havia ar puro, horizontes ilimitados, tonalidades agrad\u00e1veis\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn4\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[4]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Residindo em S\u00e3o Paulo, vai lecionar Ingl\u00eas, Franc\u00eas, Italiano e Geografia no Col\u00e9gio Pestana para meninas, fundado em 1876, dirigido por Francisco e Damiana Rangel Pestana. Sua experi\u00eancia na alfabetiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as o leva a escrever e publicar a cartilha <strong>M\u00e9todo Racional e R\u00e1pido para aprender a ler sem soletrar<\/strong>. A partir de ent\u00e3o, entusiasma-se, cada vez mais, pela <strong>leitura anal\u00edtica<\/strong>. Jo\u00e3o K\u00f6pke foi, sen\u00e3o o criador, certamente, o principal divulgador do <strong>m\u00e9todo anal\u00edtico<\/strong> que consistia na alfabetiza\u00e7\u00e3o a partir de senten\u00e7as e palavras ao contr\u00e1rio do que se usava na \u00e9poca, o <strong>m\u00e9todo sint\u00e9tico <\/strong>ou<strong> f\u00f4nico<\/strong> pelo qual dever-se-ia aprender primeiro as letras, para com elas formarem-se as s\u00edlabas, e com as s\u00edlabas, palavras. O m\u00e9todo anal\u00edtico revolucionou o ensino da leitura e da escrita. Mas, como pondera Moreira:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Hoje, gra\u00e7as \u00e0 compreens\u00e3o da import\u00e2ncia da fase preparat\u00f3ria, tendo em vista levar as crian\u00e7as a um estado de prontid\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o para tal aprendizagem, se discute sobre a efici\u00eancia dos dois m\u00e9todos, havendo v\u00e1rios estudiosos do problema se pronunciado em favor do m\u00e9todo f\u00f4nico, ao passo que outros procuram associar os dois antigos processos, de modo que, ou se parte da forma\u00e7\u00e3o de s\u00edlabas e palavras, ou dos sessenta a oitenta voc\u00e1bulos j\u00e1 reconhecidos pela crian\u00e7a, para a sua decomposi\u00e7\u00e3o em s\u00edlabas e letras, chegando-se assim aos elementos constituintes da palavra escrita\u201d&#8230; \u201cSe for poss\u00edvel dar conte\u00fado real e significante ao m\u00e9todo f\u00f4nico, n\u00e3o h\u00e1 porque n\u00e3o iniciar por ele, da mesma forma que, por motivo semelhante, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o partir do m\u00e9todo anal\u00edtico, se for poss\u00edvel dar a este o mesmo sentido e conte\u00fado. Tudo depende mais do professor e da situa\u00e7\u00e3o em classe que de uma receita, de uma regra previamente determinada\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn5\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[5]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 * * *<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As atividades desenvolvidas por K\u00f6pke, a essa \u00e9poca, o fazem respeitado na capital da Prov\u00edncia e quando a sua aptid\u00e3o j\u00e1 era conhecida e provada, foi nomeado por decreto do Governo, professor substituto de Filosofia, Hist\u00f3ria, Geografia e Ret\u00f3rica do Curso Anexo \u00e0 Faculdade de Direito. Pouco tempo permanece no cargo, indisposto com o tr\u00e1fico de influ\u00eancias para proteger e assegurar a aprova\u00e7\u00e3o dos apaniguados, no exame de admiss\u00e3o \u00e0 faculdade. Em relat\u00f3rio escrito em 1888, K\u00f6pke assim se exprime:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cDuas vezes fui professor oficial investido do cargo de examinador&#8230; e duas vezes, da borda do charco, sobre o qual era bastante curvar-me e meter dinheiro na algibeira, afastei-me nauseoso, tolhido de pobrezas, mas rico de consci\u00eancia, sacudindo para longe de mim essa t\u00fanica de juiz mercador, que me queimava os ombros s\u00f3 pela suspeita que me julgariam pela bitola dos que, \u00e0 sombra de desfa\u00e7ada posterga\u00e7\u00e3o da lei, prostituem um sacerd\u00f3cio por engrossar proventos\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn6\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[6]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 * * *<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1880, K\u00f6pke muda-se para Campinas como professor do Col\u00e9gio Culto \u00e0 Ci\u00eancia. \u00c9 estudioso infatig\u00e1vel da bibliografia europeia e americana de educa\u00e7\u00e3o. Procura aplicar em aulas os seus conhecimentos. Rangel Pestana, no Almanaque Liter\u00e1rio de 1883, retrata K\u00f6pke desse per\u00edodo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cEra afanosa a sua tarefa. N\u00e3o obstante, se punha em dia com os progressos da pedagogia e \u00e0 sua custa mandava vir da Europa aparelhos, mapas, quadros e cole\u00e7\u00e3o de objetos necess\u00e1rios ap ensino intuitivo. Em pouco tempo, a sua sala se transformou em um pequeno museu pedag\u00f3gico. S\u00f3 ele na prov\u00edncia possu\u00eda o que h\u00e1 de mais moderno para o ensino pr\u00e1tico\u201d. <em>Conta: <\/em>\u201cTive ocasi\u00e3o de visitar o seu museu e de assistir a diversas experi\u00eancias dos seus aparelhos de F\u00edsica e Qu\u00edmica. Observamos juntos algumas estrelas e o planeta J\u00fapiter, servindo-nos de um telesc\u00f3pio que tinha postado em seu gabinete. Para exercer o Magist\u00e9rio segundo a pedagogia moderna, o dr. K\u00f6pke tem estudado muito\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn7\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[7]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nesse relato aparecem algumas express\u00f5es, hoje corriqueiras na terminologia pedag\u00f3gica, mas que \u00e0 \u00e9poca constitu\u00edam uma verdadeira inova\u00e7\u00e3o did\u00e1tica. <strong>Ensino intuitivo<\/strong>, isto \u00e9, cujo entendimento se percebe claramente sem necessidade de prolixas explica\u00e7\u00f5es \u00e9 uma de suas grandes preocupa\u00e7\u00f5es. <strong>Ensino pr\u00e1tico<\/strong>, isto \u00e9, aprendizagem auxiliada pela experi\u00eancia, pela observa\u00e7\u00e3o, pela a\u00e7\u00e3o. Antecipa o \u201caprender fazendo\u201d de Dewey. Mas a sua principal marca pedag\u00f3gica \u00e9 a maneira de como tratar o aluno. Vou citar um depoimento ilustrativo de Tobias Moscoso, em discurso pronunciado em 1928, na ABE, a respeito de seu tempo de escola. Conta-nos:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cAh, velha casa da Real Grandeza. Um dia, meu pai, chegando da cidade, avisou-me de que, depois do jantar, me levaria \u00e0quela casa, para conversarmos com o diretor do Col\u00e9gio, o Dr. Jo\u00e3o K\u00f6pke&#8230; Fomos j\u00e1 noite&#8230; Chegamos \u00e0quela casa grande, que eu conhecia de passagem&#8230; Entramos pelo lado, empurrando um pesado port\u00e3o de ferro, que dava para o jardim, o jardim sombrio e quieto&#8230; Come\u00e7amos, ent\u00e3o, a subir, devagar, uma escada de pedra, que por fora da casa conduzia ao sobrado&#8230; Quando chegamos ao topo da escada \u2013 que me parecia, naquele tempo, enorme \u2013 \u00e0 luz do g\u00e1s que iluminava o patamar, veio-nos ao encontro um homem, que eu achei muito alto, alourado, calvo, com uma barba cerrada e longa, esparramada pelo peito. O homem nos esperava e, depois de saudar meu pai com um sorriso de amigo e um aperto de m\u00e3o demorado, deu-me um abra\u00e7o e um beijo com que eu estava longe de contar. Era aquele o Dr. K\u00f6pke, era o homem de quem eu come\u00e7ava, j\u00e1 agora, a ter menos receio&#8230; Entramos para o escrit\u00f3rio. Isso me deu ainda mais coragem \u2013 era muito parecido com o escrit\u00f3rio de meu pai. A maior diferen\u00e7a estava em que tinha, a um canto, um esqueleto, de p\u00e9, com a caveira rindo para a gente. N\u00e3o gostei muito, mas n\u00e3o disse nada. Ent\u00e3o, ali, depois de um pequeno exame em que o mestre me mandou ler e escrever algumas frases, fazer contas e responder a meia d\u00fazia de perguntas, o Dr. K\u00f6pke conversou algum tempo com meu pai. E era no colo dele que eu estava. Depois, abrindo um largo caderno, em que havia uma lista de alunos, o Dr. K\u00f6pke, com a sua letra muito redonda, inscreveu ao fim dela o meu nome&#8230; Assim come\u00e7ou a minha vida naquele col\u00e9gio admir\u00e1vel&#8230; Mas, o que sempre tive, desde o come\u00e7o at\u00e9 o fim, foi uma admira\u00e7\u00e3o crescente pelo meu querido Dr. K\u00f6pke: ah, \u00e0s li\u00e7\u00f5es dele \u00e9 que eu n\u00e3o faltava; sentia nelas \u2013 todos n\u00f3s, seus disc\u00edpulos, o sent\u00edamos \u2013 um imenso prazer, um interesse constante, porque aquelas li\u00e7\u00f5es, ele as transformava num verdadeiro divertimento para n\u00f3s. Com ele, a gente aprendia sem fadiga. Mas, n\u00e3o eram s\u00f3 as li\u00e7\u00f5es que me agradavam \u2013 era a sua maneira de tratar, era alguma coisa muito boa que vinha dele. A gente, junto dele, tinha gosto de viver, coragem para perguntar uma ou outra cousa, esperando as respostas que logo ele nos dava, com a sua voz forte, um pouco met\u00e1lica, que ainda me parece ouvir\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn8\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[8]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Creio que n\u00e3o poderia lhes oferecer melhor retrato de meu patrono, t\u00e3o bem pintado por um de seus ex-alunos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 * * *<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1884, K\u00f6pke deixa Campinas e retorna a S\u00e3o Paulo e abre, na rua da Concei\u00e7\u00e3o, a <strong>Escola Prim\u00e1ria Neutralidade<\/strong>. O nome j\u00e1 estava a indicar a orienta\u00e7\u00e3o positivista, o descomprometimento com qualquer cren\u00e7a, o imparcialismo (ou a neutralidade) que deveria guiar os passos da ci\u00eancia e do saber. Seu col\u00e9gio aceita alunos de ambos os sexos \u2013 o que \u00e9 not\u00e1vel, na \u00e9poca. Co educa\u00e7\u00e3o, como faz a fam\u00edlia, que n\u00e3o separa os filhos \u2013 porque a fam\u00edlia co educa. A escola come\u00e7a a funcionar com 30 alunos. Comp\u00f5em o corpo docente, al\u00e9m de K\u00f6pke, Silva Jardim, Caetano de Campos, Rangel Pestana, Narciso Figueiredo e A. Gomes. Nesse ano publica o seu <strong>Primeiro Livro de Leituras Morais e Instrutivas<\/strong>, uma das seis partes do <strong>Curso Sistem\u00e1tico de L\u00edngua Materna<\/strong>, relativa cada uma aos livros de leitura da <strong>S\u00e9rie Rangel Pestana<\/strong>. Procura, com a s\u00e9rie, colocar a <strong>leitura<\/strong> como:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201ca base de a\u00e7\u00e3o, e o tronco, em que se enxertam todos os demais exerc\u00edcios destinados ao manejo correto, pronto e eficaz da l\u00edngua \u2013 o centro, enfim, de integra\u00e7\u00e3o, em torno do qual, como dum n\u00facleo, se vem dispor e relacionar todo o conjunto do idioma\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn9\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[9]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Suas pr\u00f3prias palavras. Cada li\u00e7\u00e3o traz instru\u00e7\u00f5es ao mestre sobre a melhor maneira de utilizar o texto. Arrola as novas palavras introduzidas para que o aluno as leia antes, como exerc\u00edcio que permita a <strong>variedade de express\u00e3o<\/strong> pelo uso de sin\u00f4nimos; recomenda que o aluno note bem as letras com que se escrevem as palavras, como exerc\u00edcio de ortografia. Sugere que o rol de palavras seja usado em <strong>ditado<\/strong>, ou para a <strong>forma\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as<\/strong> pelo aluno. Como fulcro do processo de escolariza\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o, a leitura devia instruir e formar a crian\u00e7a. Da\u00ed o nome de <strong>Leituras Morais e Instrutivas<\/strong>. O conte\u00fado da s\u00e9rie de livros do curso sistem\u00e1tico da l\u00edngua materna est\u00e1 repleto de historietas, contos, cr\u00f4nicas, f\u00e1bulas, poesias que oferecem ao aluno-leitor momentos de informa\u00e7\u00e3o, momentos de emo\u00e7\u00e3o, de alegria, de prazer, de tristeza. Ilustremos a metodologia e a pena do autor com trechos, que muitos dos senhores presentes devem conhecer, mas, que a gera\u00e7\u00e3o mais jovem \u2013 pragm\u00e1tica? \u2013 quase sempre desconhece.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo livro \u2013 46\u00aa Li\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cQUANDO SE DEVE DIZER: N\u00c3O\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cN\u00e3o \u2013 \u00e9 uma <em>palavra<\/em> bem pequena, mas n\u00e3o \u00e9 sempre muito f\u00e1cil diz\u00ea-la; e, porque n\u00e3o se diz, a gente \u00e0s vezes sofre bastante. Quando pedem \u00e0 gente que n\u00e3o v\u00e1 \u00e0 escola e que vadie em vez de estudar, deve-se dizer: &#8212; N\u00e3o&#8230; Quando nos convidam para alguma a\u00e7\u00e3o feia, deve-se dizer: &#8211; N\u00e3o. Se por estas ocasi\u00f5es sabe-se dizer: &#8211; N\u00e3o, a gente evita muito coisa e \u00e9 feliz\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn10\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[10]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8212; Sempre tive grande admira\u00e7\u00e3o por K\u00f6pke, que hoje se une a minha vida acad\u00eamica. Talvez o tenha nas reminisc\u00eancias da inf\u00e2ncia. Lembro-me de ter lido e recitado, muitas vezes, a sua poesia<br \/><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">SONHO<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201c\u00c0 hora, em que as cortinas<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Se fecham lentamente,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E a noite vai descendo<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Silenciosamente,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os olhos cerro, e durmo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No meu quentinho leito,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E sonho, e por mil mundos<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Passeio satisfeito.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Inda ontem (bem me lembro!),<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entrei numa cidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E que cidade linda!<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Pena \u00e9 n\u00e3o ser verdade!<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As ruas todas eram<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De p\u00e3o de l\u00f3 cal\u00e7adas;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De rapadura \u2013 as casas;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os muros \u2013 de queijadas;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O chocolate andava<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em carros pelas pra\u00e7as;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Eram de a\u00e7\u00facar-cande<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os vidros da vidra\u00e7a,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nem uma chave havia<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nas portas dos arm\u00e1rios;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Brincavam peixes rubros<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na calda dos aqu\u00e1rios.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Empadas descobertas<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Serviam de canteiros;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por flores, tinham dentro<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os camar\u00f5es inteiros.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nas arv\u2019res dos passeios<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Cresciam bons-bocados.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Past\u00e9is de nata, figos,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E passas, e queimados.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A catedral inteira<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Era de goiabada.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com sino e duas torres,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tudo de marmelada.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um chafariz de bolo<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingl\u00eas \u2013 vertia mel,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Borgonha e Malvasia,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Champanha e Moscatel.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A biblioteca tinha<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">S\u00f3 livros de beiju;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mesas de queijo su\u00ed\u00e7o;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Cadeiras de sagu.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Chovia cajuada,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Groselha e capil\u00e9;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em lama de geleia<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Escorregava o p\u00e9.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E eu comendo sempre<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8211; Comendo sem parar! \u2013<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando a mam\u00e3e me veio<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De s\u00fabito acordar!<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Voc\u00eas fa\u00e7am ideia<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como fiquei danado:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tinha um pudim de creme<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Apenas principiado!\u201d<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn11\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[11]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Era assim que se aprendia. Sin\u00f4nimos, composi\u00e7\u00e3o, est\u00e9tica e moral.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8211; Ser\u00e1 que todos conhecem a poesia intitulada \u201cO QUE PASSA MAIS DEPRESSA?\u201d ensinada no terceiro ano?<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cPapai, o que \u00e9 que passa<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mais r\u00e1pido na vida \u2013<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O rio? O vento? A estrela<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0Nos ares incendida?<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ai, filho! Aprende ainda<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esta verdade dura:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Passam bem mais depressa<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As horas de ventura!\u201d<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn12\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[12]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0As obras did\u00e1ticas de Jo\u00e3o K\u00f6pke formaram gera\u00e7\u00f5es. Foram reeditadas sucessivamente com dezenas de edi\u00e7\u00f5es, mais de setenta at\u00e9 1927, com incessantes revis\u00f5es do autor. A Livraria Francisco Alves editou os livros de Jo\u00e3o K\u00f6pke revistos pela professora Lucia Monteiro Casassanta, reunidos na conhecida Cole\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o K\u00f6pke at\u00e9 os anos 60, com t\u00edtulos como \u201cHist\u00f3rias de meninos na rua e na escola\u201d, \u201cHist\u00f3rias que a mam\u00e3e contava\u201d e outros.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">K\u00f6pke morou e lecionou em S\u00e3o Paulo at\u00e9 1886. \u201dMotivo \u00edntimo\u201d, confessa, o incompatibilizou com a capital e transfere-se, definitivamente, para o Rio de Janeiro. Em fins de julho sa\u00eda o prospecto da Nova Neutralidade \u2013 o <strong>Instituto Henrique K\u00f6pke<\/strong>, assim denominado em homenagem a seu pai que, tamb\u00e9m, fora professor e fundador do Col\u00e9gio K\u00f6pke, em Petr\u00f3polis. Henrique K\u00f6pke, ao contr\u00e1rio do que insinua o sobrenome bizarro, era portugu\u00eas e chegou ao Brasil em 1848. Tinha sido soldado do Batalh\u00e3o da Rainha e servira na campanha de D. Maria II, a brasileira Maria da Gl\u00f3ria, filha de D. Pedro I.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Foi em Petr\u00f3polis que K\u00f6pke nascera, em 27 de novembro de 1852. A\u00ed passou a inf\u00e2ncia. Iniciou os estudos no col\u00e9gio do pai, onde era relevante o ensino de l\u00ednguas. O curso de humanidades ele o fez no Col\u00e9gio S\u00e3o Pedro de Alc\u00e2ntara, dos Padres Paiva, no Rio de Janeiro.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O Instituto Henrique K\u00f6pke come\u00e7a a funcionar com in\u00fameras dificuldades. Jo\u00e3o K\u00f6pke nos conta:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cSeis bancos de dois lugares comprados a cr\u00e9dito na casa Lachaud, eram toda a mob\u00edlia da escola\u201d&#8230; \u201cOs primeiros tempos foram dif\u00edceis\u201d. &#8230; \u201cAs despesas acumuladas haviam avultado; todos os recursos foram tentados para equilibrar a despesa; o rel\u00f3gio e a corrente empenharam-se; mas tudo parecia in\u00fatil\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn13\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[13]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando estava prestes a fechar a escola e aceitar o convite de amigos paulistas para acompanhar o estudo de filhos na Europa, foi procurado por Eduardo Guinle e Conrad Jacob Niemeyer que assumiram o compromisso de auxili\u00e1-lo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cA escola mandou fazer a sua mob\u00edlia; organizou as classes; constituiu o seu corpo docente\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn14\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[14]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Principia-se a sua vida de dono de col\u00e9gio no Rio de Janeiro.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A leitura anal\u00edtica merece de K\u00f6pke cont\u00ednuas aten\u00e7\u00f5es e, incorporando toda sua experi\u00eancia e estudos, publica suas obras para a alfabetiza\u00e7\u00e3o e o ensino de leitura. A primeira \u00e9 o <strong>Livro das M\u00e3es<\/strong> contendo exerc\u00edcios que abrangem o que ele denomina os quatro primeiros passos da leitura. A segunda \u00e9 o <strong>Livro Infantil \u2013 primeiras leituras<\/strong>, para encetar os alunos na leitura propriamente dita. Nessas obras apresenta o processo did\u00e1tico a ser empregado pelo mestre de modo a assegurar os efeitos satisfat\u00f3rios.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1895, o Instituto H. K\u00f6pke era consagrado como escola padr\u00e3o, com o Decreto de Prudente de Morais equiparando-o ao Gin\u00e1sio Nacional. Permanece na dire\u00e7\u00e3o e doc\u00eancia de seu afamado col\u00e9gio por onze anos. Em virtude de diverg\u00eancias com s\u00f3cios, retira-se da sociedade que mantinha o Instituto.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Campos Sales o nomeia tabeli\u00e3o \u2013 oficial de registro geral e de hipotecas no Rio de Janeiro. Mas, suas atividades pedag\u00f3gicas n\u00e3o cessam. D\u00e1 aulas particulares. Continua publicando livros did\u00e1ticos, viaja para fazer confer\u00eancias, escreve artigos em jornais e revistas. Para o ensino de l\u00ednguas edita <strong>Li\u00e7\u00f5es de Ingl\u00eas <\/strong>e<strong> Curso de Franc\u00eas. <\/strong>Na comemora\u00e7\u00e3o do quarto centen\u00e1rio da descoberta do Brasil publica <strong>A GRANDE P\u00c1TRIA<\/strong>, obra escrita em forma dialogada, sobre fatos hist\u00f3ricos. Como apresenta no pr\u00f3logo do livro, n\u00e3o tem pretens\u00f5es quanto \u00e0 sua subst\u00e2ncia.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cSim, e s\u00f3, por\u00e9m, como sugestivo quanto ao m\u00e9todo de exposi\u00e7\u00e3o, que procede do presente para o passado, a fim de que outros mais senhores do assunto melhor partido tirem da sua compet\u00eancia em favor dos que se instruem&#8230;\u201d<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn15\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[15]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Usou o di\u00e1logo por se lhe afigurar<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cque seria isso um recurso da <em>leitura expressiva<\/em> em classe, e que esta, gra\u00e7as ao seu car\u00e1ter dram\u00e1tico, n\u00e3o s\u00f3 suscitaria os brios dos interlocutores, animando-lhes o tom, como, captando a aten\u00e7\u00e3o dos ouvintes, a que, de outro lado, as alternativas do di\u00e1logo descare\u00e7am; muito contribuiria para facilitar a impress\u00e3o e a retentiva dos fatos rememorados\u201d.<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[16]<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Serventu\u00e1rio de justi\u00e7a, a educa\u00e7\u00e3o continua em sua mira. Escreve os livros <strong>F\u00c1BULAS <\/strong>e <strong>PROL\u00d3QUIOS, LOCU\u00c7\u00d5ES E PENSAMENTOS<\/strong>. Colabora em jornais e revistas, especialmente na REVISTA PEDAG\u00d3GICA, \u00f3rg\u00e3o do <strong>Pedagogium<\/strong> do Rio de Janeiro. Em 1916, escreve as famosas cartas aos professores Arnaldo de O. Barreto, Carlos A. Gomes Cardim e Mariano de Oliveira enfeixadas no volume <strong>O M\u00c9TODO ANAL\u00cdTICO NO ENSINO DE LEITURA<\/strong>. \u00c9 o seu testamento pedag\u00f3gico. Diz:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cCom as cartas aqui ora publicadas, ponho termo ao que necess\u00e1rio era dizer sobre o processo do ensino da leitura pelo m\u00e9todo anal\u00edtico. Nas minhas confer\u00eancias de 1896 e 1916 esgotei o assunto e com a publica\u00e7\u00e3o das Cartilhas n\u00ba 1 e 2 mostro a praticabilidade dos princ\u00edpios pregados e o melhor modo, a meu ver, de conseguir todas as vantagens, que deles se devem esperar. N\u00e3o conto com muito mais tempo de vida; o pouco que ainda posso viver, n\u00e3o o devo malbaratar em pol\u00eamicas; vou consagr\u00e1-lo inteiramente \u00e0 conclus\u00e3o de livros did\u00e1ticos, em que ponha as li\u00e7\u00f5es que a experi\u00eancia me habilita a dar com algum proveito para melhor instru\u00e7\u00e3o dos meus jovens patr\u00edcios\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn17\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[17]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nas cartas apresenta, pela \u00faltima vez, a sua fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do ensino da leitura pelo <strong>m\u00e9todo anal\u00edtico paulista<\/strong>. Nelas se revelam a ampla experi\u00eancia e o profundo conhecimento bibliogr\u00e1fico do autor sobre o assunto que tanto lhe empolgou, Ap\u00f5e-lhe o adjetivo <strong>paulista<\/strong> para assinalar o seu lugar de origem e em preito ao Estado vanguardeiro na renova\u00e7\u00e3o da instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica. As cr\u00edticas de Cardim \u00e0s suas cartilhas s\u00e3o refutadas em nove teses. Na carta enviada a Mariano de Oliveira discorda das <strong>instru\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o ensino da leitura<\/strong> expedidas pela Diretoria Geral da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo em 1916. Analisa detidamente a sua <strong>Cartilha Anal\u00edtico-sint\u00e9tica<\/strong> que se orienta pelas Instru\u00e7\u00f5es. Seu l\u00facido esp\u00edrito liberal \u00e9 posto em evid\u00eancia no ep\u00edlogo da carta a Mariano de Oliveira quando escreve:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cSem embargo do desacordo (para mim profundo e para si em m\u00ednimas diverg\u00eancias), n\u00e3o posso sen\u00e3o regozijar-me com o Estado de S\u00e3o Paulo e com o Brasil inteiro pelo nobre empenho em que os professores da sua terra trabalham pela reforma da processua\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, substituindo os velhos processos do ensino da leitura por aqueles que os melhores educacionistas aconselham, apoiados na observa\u00e7\u00e3o e consciencioso estudo da mat\u00e9ria \u00e0 luz da ci\u00eancia pedag\u00f3gica baseada em s\u00f3lidas investiga\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn18\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[18]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como nos conta Moacyr Campos, nos \u00faltimos anos de sua vida, Jo\u00e3o K\u00f6pke<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201chavia organizado na primeira esta\u00e7\u00e3o de radiodifus\u00e3o do Brasil \u2013 a R\u00e1dio Sociedade do Rio de Janeiro, do pioneiro Roquette Pinto \u2013 a \u2018Hora das Crian\u00e7as\u2019, que redige com o apelido de Vov\u00f4; pensava em novo m\u00e9todo de combater o analfabetismo atrav\u00e9s do r\u00e1dio: revia sua obra did\u00e1tica, atualizando-a; criara o Teatro Juvenil, servindo-se de hist\u00f3rias que sempre foram ao encontro da meninada: Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, A Bela Adormecida\u201d.<\/span><\/span><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftn19\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[19]<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E foi, sempre atualizado, acompanhando o progresso, em plena atividade intelectual que, aos setenta e tr\u00eas anos de idade, aos 28 de julho de 1926, que Jo\u00e3o K\u00f6pke morreu, na cidade do Rio de Janeiro.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 * * *<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Senhores,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O Regimento desta Academia estabelece, mui sabiamente, que o discurso de posse do novo acad\u00eamico titular ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de quarenta e cinco minutos e que far\u00e1 o elogio do patrono e do fundador de sua Cadeira, no caso, Jo\u00e3o K\u00f6pke e Walther Barioni.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sobre ambos ainda teria muito que falar. Assumo hoje a honrosa obriga\u00e7\u00e3o de aprofundar meus estudos dessas t\u00e3o fascinantes figuras de homens p\u00fablicos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tenho para mim mesmo muitas perguntas a serem respondidas. H\u00e1 curiosidades. \u2013 Qual a efetiva participa\u00e7\u00e3o de K\u00f6pke no movimento positivista brasileiro? \u2013 Qual o seu relacionamento com Silva Jardim? \u2013 Quais as consequ\u00eancias para suas ideias, da excomunh\u00e3o de Silva Jardim no Templo Positivista? \u2013 E, em que medida atuou K\u00f6pke no movimento republicano: &#8211; A colabora\u00e7\u00e3o de Rangel Pestana ficou adstrita ao campo da instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou era mais ampla, cabendo-lhe papel de arauto das ideias do partido? \u2013 Quais as suas atividades na Liga do Ensino, associa\u00e7\u00e3o republicana, fundada no Rio de Janeiro? H\u00e1, tamb\u00e9m, quest\u00f5es pedag\u00f3gicas, ligadas aos seus estudos. Conheceu mestres europeus e americanos. Cita, em suas obras, Isaac Taylor, Stanley Hall, Parker, Chubbo, Shaw, pedagogos e psic\u00f3logos; Sarah L. Arnold e Charles M. Stebbins, autores de cartilha. Como as cita\u00e7\u00f5es bibliogr\u00e1ficas s\u00e3o incompletas, h\u00e1 de se pesquisar detidamente as, por vezes, vagas refer\u00eancias. H\u00e1 grandes lacunas a serem preenchidas para compor o verdadeiro e completo retrato de meu patrono.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Espero poder dedicar parte de meu tempo a esta tarefa, que outros, que me suceder\u00e3o nesta Cadeira, certamente, tamb\u00e9m ir\u00e3o empreender. Jo\u00e3o K\u00f6pke o merece. Agrade\u00e7o, enternecido, a presen\u00e7a de todos. Muito obrigado.<br \/><\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> <\/p>\n<hr \/>\n<p> <\/span><\/span> <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref1\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[1]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 A posse foi realizada em Sess\u00e3o Solene, nas Faculdades Osvaldo Cruz, no dia 21 de outubro de 1980, na Cadeira n\u00ba 5, cujo patrono \u00e9 Jo\u00e3o K\u00f6pke.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref2\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[2]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Justificativa ao Requerimento n\u00ba 2504\/78 apresentado \u00e0 Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo em 16\/11\/78 pelo Deputado S\u00f3lon Borges dos Reis. DOE 17\/11\/78, p.73.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref3\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[3]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Frases extra\u00eddas do jornal \u201cA Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref4\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[4]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Moacyr Campos \u2013 Jo\u00e3o K\u00f6pke e a educa\u00e7\u00e3o \u2013 Revista do Professor, fev. 1953, p.19.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref5\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[5]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 J. R. Moreira \u2013 Teoria e Pr\u00e1tica da Escola Elementar \u2013 CBPE \u2013 INEP \u2013 MEC \u2013 Rio, 1960, p.184.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref6\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[6]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Jo\u00e3o K\u00f6pke,\u00a0 Tr\u00eas confer\u00eancias \u2013 S\u00e3o Paulo, 1888.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref7\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[7]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Rangel Pestana \u2013 \u201cJo\u00e3o K\u00f6pke\u201d \u2013 Almanaque Liter\u00e1rio, S\u00e3o Paulo, 1883.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref8\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[8]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Tobias Moscoso \u2013 Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 Educa\u00e7\u00e3o \u2013 \u00d3rg\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o, n\u00ba 19 e 20, jan. dez. 1944, p. 41 a 43.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref9\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[9]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 Leituras Morais e Instrutivas \u2013 1\u00ba Livro \u2013 S\u00e9rie Rangel Pestana \u2013 S\u00e3o Paulo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref10\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[10]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 Leituras Morais e Instrutivas \u2013 2\u00ba Livro \u2013 S\u00e9rie Rangel Pestana \u2013S\u00e3o Paulo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref11\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[11]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Idem<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref12\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[12]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 Leituras Morais e Instrutivas \u2013 3\u00ba Livro \u2013 S\u00e9rie Rangel Pestana \u2013 S\u00e3o Paulo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref13\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[13]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 Tr\u00eas confer\u00eancias \u2013 S\u00e3o Paulo \u2013 1888.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref14\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[14]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Idem<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref15\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[15]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 A Grande P\u00e1tria \u2013 Rio de Janeiro- 1900.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref16\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[16]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Idem<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref17\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[17]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 Carta a R. Puiggari e A. Barreto \u2013 Revista do Ensino, S\u00e3o Paulo, n\u00ba 2, 1904.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref18\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[18]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0 Jo\u00e3o K\u00f6pke \u2013 Carta a Mariano de Oliveira.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3#_ftnref19\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">[19]<\/span><\/span><\/a><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Moacyr Campos \u2013 op. cit.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ACADEMIA PAULISTA DE EDUCA\u00c7\u00c3O \u00a0 Discurso de Posse do Acad\u00eamico Titular \u00a0 JO\u00c3O GUALBERTO DE CARVALHO MENESES[1] \u00a0 21\/10\/1980 \u00a0 Senhor Vice-presidente em exerc\u00edcio da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Autoridades, senhoras e senhores. Senhores Acad\u00eamicos. Introdu\u00e7\u00e3o Dediquei a minha vida profissional \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Sou professor normalista diplomado pela insigne Escola Normal \u201cTorquato Caleiro\u201d de Franca, na inesquec\u00edvel turma do Ano Santo de 1950. Ser professor prim\u00e1rio e ter exercido fun\u00e7\u00f5es docentes no ensino prim\u00e1rio constituem minhas vangl\u00f3rias. Ter feito carreira no Magist\u00e9rio paulista deve ter sido fator fundamental para que eu viesse ser guindado \u00e0s honras magnas de ter sido [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-discursos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1328,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134\/revisions\/1328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}