{"id":139,"date":"2011-02-25T17:10:19","date_gmt":"2011-02-25T20:10:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2011\/02\/25\/discurso-de-posse-do-academico-reinaldo-polito\/"},"modified":"2011-02-25T17:10:19","modified_gmt":"2011-02-25T20:10:19","slug":"discurso-de-posse-do-academico-reinaldo-polito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/discurso-de-posse-do-academico-reinaldo-polito\/","title":{"rendered":"Discurso de Posse do Acad\u00eamico Reinaldo Polito."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Discurso de Posse do Acad\u00eamico<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">REINALDO POLITO<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">24\/6\/2004<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Dr. Jo\u00e3o Gualberto de Carvalho Meneses \u2013 Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>Senhores acad\u00eamicos<br \/>Senhoras e Senhores<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De todas as honras que j\u00e1 recebi, ser eleito para participar de uma academia composta por personalidades t\u00e3o importantes no campo da educa\u00e7\u00e3o paulista e brasileira talvez seja a maior e a mais imerecida. E n\u00e3o uso essas palavras como mod\u00e9stia ret\u00f3rica apenas com o objetivo de conquistar a benevol\u00eancia dos ouvintes. Se analisarmos a vida de cada um dos acad\u00eamicos e de seus antecessores dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 f\u00e1cil deduzir que minha chegada a esta academia se deve principalmente \u00e0 bondade, \u00e0 amizade e \u00e0 generosidade dos meus novos colegas acad\u00eamicos, que levaram em conta, provavelmente, muito mais a cren\u00e7a que vislumbram no meu potencial de realiza\u00e7\u00f5es do que nos meus feitos na \u00e1rea educacional.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Se tenho consci\u00eancia desses motivos que me trouxeram a esta casa, que leviandade \u00e9 essa que me cega de orgulho e me deixa envolver pela vaidade de ser puxado por m\u00e3os t\u00e3o generosas? Que fraqueza de esp\u00edrito \u00e9 essa que me acovarda, me aprisiona e me impede de recusar um convite t\u00e3o am\u00e1vel e carinhoso?<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ao conhecer a biografia de cada um dos meus novos colegas acad\u00eamicos, de um fato posso me assegurar: nenhum deles pode ser acusado de ingenuidade. Se \u00e9 certo de que n\u00e3o s\u00e3o ing\u00eanuos, \u00e9 evidente tamb\u00e9m que nada fariam para macular a imagem de uma academia pela qual t\u00eam tanto apre\u00e7o, tanto amor e tanta considera\u00e7\u00e3o. Por isso, quero acreditar que minha suposi\u00e7\u00e3o de que possuem cren\u00e7a no meu potencial de realiza\u00e7\u00f5es seja verdadeira. Assim, ao aceitar esse convite t\u00e3o honroso e que fala t\u00e3o alto ao meu cora\u00e7\u00e3o, assumo comigo mesmo e com todos os membros desta academia o compromisso de trabalhar e me dedicar \u00e0 causa da educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo e do Brasil.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ao nos depararmos com os resultados dos \u00faltimos estudos realizados pelo MEC, nos conscientizamos de que, na hist\u00f3ria brasileira, a educa\u00e7\u00e3o nunca esteve t\u00e3o combalida nem precisou tanto de ajuda como nos dias atuais. S\u00f3 como exemplo, basta dizer que os alunos frequentadores das escolas p\u00fablicas e privadas que est\u00e3o cursando a 4\u00aa s\u00e9rie n\u00e3o sabem interpretar textos, e que ao conclu\u00edrem o curso somente 7% possuem conhecimento aceit\u00e1vel de matem\u00e1tica. Por isso, em vez de apenas nos envergonharmos e criticarmos, precisamos perguntar qual \u00e9 a nossa participa\u00e7\u00e3o nesse resultado deplor\u00e1vel e que atitudes podemos tomar para que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es possam usufruir melhores condi\u00e7\u00f5es educacionais. Se \u00e0 primeira vista essa incumb\u00eancia que me imponho parece ser pretensiosa e um fardo pesado para minhas for\u00e7as e compet\u00eancia, para n\u00e3o me abater refugio-me nas palavras de Ter\u00eancio: &#8220;Eu sou homem e nada do que \u00e9 humano me \u00e9 estranho&#8221;. Agrade\u00e7o, portanto, a todos os acad\u00eamicos, indistintamente, por me receberem nesta casa e pela oportunidade que me oferecem de realizar um sonho que jamais tive e de receber uma honraria que nunca ousei aspirar.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entro para esta Academia para ocupar a cadeira n\u00famero 3, que tem por patrono o maestro Fabiano Rodrigues Lozano, por primeira titular a Professora Mathilde Brasiliense de Almeida Bessa e por \u00faltimo ocupante, a quem sucedo, o Padre H\u00e9lio Abranches Viotti.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Antes de falar sobre o patrono e de cada um dos ocupantes desta cadeira, gostaria de destacar alguns acad\u00eamicos que conheci e que foram os respons\u00e1veis para que eu estivesse hoje aqui.<\/p>\n<p>Oswaldo Melantonio<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Agrade\u00e7o especialmente o padrinho desta causa, o maior e mais importante professor que tive em toda a minha vida, Oswaldo Melantonio. Permitam-me falar um pouco desse professor que influenciou minha vida e que foi o respons\u00e1vel pela minha carreira profissional. Foi ele quem me ensinou a falar em p\u00fablico e tamb\u00e9m quem me ensinou a ensinar. Meu encontro com o querido mestre ocorreu por acaso em meados da d\u00e9cada de 70. Julgo ser oportuno reproduzir alguns trechos do que escrevi no meu livro &#8220;Fale muito melhor&#8221; a respeito desse nosso encontro e da nossa conviv\u00eancia:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Naquela \u00e9poca eu tinha um amigo que era extremamente t\u00edmido \u2013 ficava ruborizado s\u00f3 pelo fato de ser apresentado a algu\u00e9m. Ele sofria muito por ser assim e me confidenciou que gostaria de mudar, de ser diferente, mais desembara\u00e7ado e comunicativo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Soube por interm\u00e9dio do Rog\u00e9rio Pecoli que na Rua Bela Cintra , em S\u00e3o Paulo, havia o Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Verbal do Professor Oswaldo Melantonio. Eu nunca ouvira falar desse tal professor nem no seu curso, mas disse-me o Rog\u00e9rio que ele era muito competente e que poderia ajudar o meu amigo a combater a timidez.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uma quarta-feira \u00e0 noite fomos assistir a uma aula de apresenta\u00e7\u00e3o do curso para saber qual era a proposta do professor. Meu amigo gostou da aula, mas n\u00e3o teve coragem de continuar. Entretanto, eu, que n\u00e3o tinha a m\u00ednima inten\u00e7\u00e3o de participar de um curso que ensinava a falar em p\u00fablico, fiquei maravilhado com o que presenciei. Nunca na minha vida vira nada igual.<br \/>Naquela noite n\u00e3o conseguia dormir, ficava repassando mentalmente cada detalhe daquela experi\u00eancia \u2013 os temas que foram abordados, a atmosfera daquela sala de aula t\u00e3o simples, mas ao mesmo tempo t\u00e3o envolvente, a intelig\u00eancia, a cultura, a compet\u00eancia e o carisma daquele professor desconhecido para mim.<br \/>Foi uma noite que mudou minha vida. Durante muitos anos frequentei aquela escola como aluno, depois como assistente e posteriormente como professor do curso.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando penso no Professor Oswaldo Melantonio, a primeira imagem que me vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9 a da sua figura sorridente, esfregando as m\u00e3os ao entrar pela porta da frente da sala de aula. Barba sempre benfeita, terno impecavelmente passado, camisa branca de colarinho engomado, sapatos lustrosos e bochechas rosadas, reluzentes. Diante da sua figura, ningu\u00e9m mais continuava falando: os alunos emudeciam em uma esp\u00e9cie de rever\u00eancia \u00e0quele que tanto admiravam.<br \/>Sua figura sempre foi eloquente, e \u00e0s vezes chego a pensar que muito desse magnetismo \u00e9 produzido pelas suas bochechas rosadas, que sobressaem e d\u00e3o mais vida ainda \u00e0 sua expressiva fisionomia. Posso afirmar que o Professor Melantonio \u00e9 eloquente o tempo todo \u2013 desde os momentos de maior arrebatamento, quando os temas viajam entre a hist\u00f3ria, a pol\u00edtica e a filosofia, passando pelos momentos mais pl\u00e1cidos (se \u00e9 que placidez alguma vez esteve presente no seu comportamento), at\u00e9 os instantes em que fica em sil\u00eancio, apenas querendo ouvir e observar.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">M\u00e1rio Gon\u00e7alves Viana diz em sua obra <em>A<\/em><em> arte de falar em p\u00fablico<\/em> que &#8220;eloqu\u00eancia \u00e9 a arte de falar com alma e com beleza, \u00e9 a arte de expor com vivacidade e com justeza&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esse \u00e9 um tra\u00e7o marcante do Professor Oswaldo Melantonio. Se falar com alma significa falar com as palavras que saem das profundezas do ser, como se a vida dependesse daquela mensagem, ele se expressa com alma; se falar com beleza pressup\u00f5e a linguagem correta, sem afeta\u00e7\u00e3o, usando naturalmente o estilo elevado, ele fala com beleza; e, se expor com vivacidade e com justeza define a comunica\u00e7\u00e3o envolvente, disposta, energizada e ao mesmo tempo pr\u00f3pria, pertinente e reta de princ\u00edpios, ele se comunica com vivacidade e justeza.<br \/>Mas o mestre n\u00e3o \u00e9 eloquente apenas por esses aspectos, pois quando fala, \u00e9 poss\u00edvel ver o quadro que est\u00e1 em sua mente. Pascal, tamb\u00e9m citado nessa obra de Viana, afirma que &#8220;a eloqu\u00eancia \u00e9 a pintura do pensamento&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando o Professor Melantonio, por exemplo, toca em temas pol\u00edticos, que \u00e9 uma de suas paix\u00f5es, e descreve um debate de Carlos Lacerda, suas palavras e gestos d\u00e3o contornos t\u00e3o precisos \u00e0 cena que os ouvintes t\u00eam a impress\u00e3o de que est\u00e3o sendo transportados para o local da discuss\u00e3o.<br \/>Mais dois conceitos ajudam, pelo menos em parte, a compreender a eloqu\u00eancia deste que foi o maior professor de comunica\u00e7\u00e3o verbal nos 50 anos em que esteve atuando. Um \u00e9 o de La Bruy\u00e8re, que defende ser a &#8220;a eloqu\u00eancia o dom que nos torna senhores do cora\u00e7\u00e3o e do esp\u00edrito dos outros&#8221;; o outro \u00e9 o de Barboux, que argumenta que &#8220;a eloqu\u00eancia \u00e9 um produto maravilhoso da cultura&#8221; e esclarece: &#8220;As belas letras, a hist\u00f3ria e a filosofia s\u00e3o materiais que o orador acumula para futuros discursos&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quanto a ter o dom para se tornar o senhor do cora\u00e7\u00e3o e do esp\u00edrito dos outros, estas minhas palavras hoje aqui nesta solenidade \u00e9 uma prova do poder do mestre, pois agora, ap\u00f3s quase 30 anos daquele nosso primeiro encontro, estou falando com rever\u00eancia dessa pessoa que me inspirou tanto. J\u00e1 Barboux parece ter assistido \u00e0s suas aulas para fazer esse coment\u00e1rio, pois, al\u00e9m de ser excelente professor de hist\u00f3ria e escritor destacado, o Professor Melantonio \u00e9 um apaixonado pela filosofia e, quando fala, toda essa cultura faz seu discurso se impregnar de cita\u00e7\u00f5es, ilustra\u00e7\u00f5es e exemplos, nascidos no momento, diante dos ouvintes maravilhados com seu conhecimento.<br \/>Passei muitos anos ouvindo o Professor Melantonio falar como professor de sempre e como amigo, e nunca o vi tratar de um tema pelo qual n\u00e3o estivesse apaixonado. Fala com paix\u00e3o da esposa Margot, dos quatro filhos, dos netos, dos pais j\u00e1 falecidos, dos alunos, do Corinthians, do socialismo, da ma\u00e7onaria, da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e de sua insepar\u00e1vel amante, a orat\u00f3ria.<\/span><\/span> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nascido em S\u00e3o Paulo, neto de italianos e portugueses, dedicou a vida \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, lecionando e dirigindo escolas prim\u00e1rias, secund\u00e1rias e superiores. Entre suas m\u00faltiplas atividades foi jornalista, escritor, radialista e produtor de TV. Possui extensa e ecl\u00e9tica forma\u00e7\u00e3o em diferentes \u00e1reas, como Hist\u00f3ria, Direito e Filosofia. Escritor renomado e autor principalmente de obras paradid\u00e1ticas. Ainda nos idos dos anos 1970 tive a oportunidade de comparecer ao lan\u00e7amento do seu livro Da necessidade do General Rui Barbosa, e ainda hoje guardo na mem\u00f3ria o maior sucesso de p\u00fablico em noite de aut\u00f3grafos que j\u00e1 presenciei, com as pessoas lotando todas as depend\u00eancias da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores.<br \/>Para ler seu curr\u00edculo completo talvez uma outra se\u00e7\u00e3o como esta n\u00e3o seria suficiente. Portanto, vou apenas me referir rapidamente a alguns de seus feitos:<br \/>Foi Presidente da Uni\u00e3o Cultural Latino-americana, com sede no M\u00e9xico. Lecionou Hist\u00f3ria das Am\u00e9ricas na Universidade de Havana. Foi Diretor da Uni\u00e3o Brasileira dos Escritores e do Sindicato de Escritores do Estado de S\u00e3o Paulo. Foi Presidente do Sindicato e da Federa\u00e7\u00e3o dos Professores do Estado de S\u00e3o Paulo e Fundador da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Professor Melantonio, muito obrigado pela maneira gentil com que sempre me tratou, pela amizade sincera que me dedica h\u00e1 tantos anos, por ter me ensinado, por ter prefaciado a edi\u00e7\u00e3o internacional do meu livro e por me trazer a esta Academia.<\/p>\n<p>S\u00f3lon Borges dos Reis<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No in\u00edcio dos anos 80 comentei com meu saudoso amigo Fernando Mauro Pires Rocha, l\u00edder do PTB em S\u00e3o Paulo, que iria convidar o Professor S\u00f3lon Borges dos Reis para ser o paraninfo das nossas turmas do Curso de Express\u00e3o Verbal. O experiente m\u00e9dico abriu um sorriso de alegria e me disse: Polito, voc\u00ea vai conquistar um amigo eterno. A partir daquele nosso primeiro encontro o Professor S\u00f3lon participou de in\u00fameras solenidades em nossa escola, ora como paraninfo das turmas, ora como convidado de honra. Em todos esses momentos de conviv\u00eancia, nos seus memor\u00e1veis discursos, comportou-se sempre como educador excepcional, deixando aos nossos alunos, professores e convidados mensagens importantes para a forma\u00e7\u00e3o e a orienta\u00e7\u00e3o de vida de cada um deles.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Falar do Professor S\u00f3lon Borges dos Reis \u00e9 falar da hist\u00f3ria pol\u00edtica e da educa\u00e7\u00e3o do nosso pa\u00eds. S\u00f3 para compreendermos sua import\u00e2ncia na vida brasileira, basta citar alguns de seus feitos:<br \/>Foi Vice-Prefeito de S\u00e3o Paulo de 1994 a 1997, exercendo o cargo de Prefeito de 13 de abril a 07 de maio de 1995, em substitui\u00e7\u00e3o ao titular;Eleito cinco vezes seguidas deputado estadual de 1959 a 1979;Exerceu tr\u00eas mandatos como deputado federal;Foi secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o no Governo Carvalho Pinto;<br \/>Ocupou o cargo de Diretor Geral do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o no Governo J\u00e2nio Quadros;Foi Presidente do Centro do Professorado Paulista de 1957 a 1997;<br \/>Foi Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o de 1998 a 2002;Participou da reda\u00e7\u00e3o final da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Portanto, dizer que conhe\u00e7o o Professor S\u00f3lon Borges dos Reis h\u00e1 tantos anos, que me considero seu amigo e que agora passo a ser seu colega nesta Academia \u00e9 uma grande honra e um enorme privil\u00e9gio. E como sei que ele foi um dos mais obstinados advogados para minha entrada nesta casa, quero mais uma vez agradecer o prest\u00edgio que sempre me conferiu.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Gualberto de Carvalho Meneses<br \/><\/span><\/span><br \/><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na \u00faltima Bienal do Livro em S\u00e3o Paulo me encontrei com o Doutor Jo\u00e3o Gualberto no estande da Editora Saraiva. Como meu nome j\u00e1 havia sido aprovado para participar desta Academia, nos cumprimentamos como velhos companheiros, embora fosse a primeira vez que nos encontr\u00e1ssemos e convers\u00e1ssemos pessoalmente.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Depois de algum tempo, com a voz firme de quem dirige uma entidade importante e, ao mesmo tempo, com a suavidade de um amigo que pede ajuda e companheirismo, ele me disse: Polito, conto muito com sua ajuda na Academia. Semanas atr\u00e1s, quando participamos de uma reuni\u00e3o aqui mesmo no pr\u00e9dio do Centro do Professorado Paulista, para marcarmos a data e os detalhes para minha posse, ao me acompanhar gentilmente at\u00e9 o elevador, voltou a fazer o mesmo coment\u00e1rio. Mais recentemente, quando conversamos novamente pelo telefone para tratarmos desta solenidade, pouco antes de desligar suas palavras foram as mesmas. E acrescentou dizendo que tinha certeza de que eu contribuiria muito para o desenvolvimento da Academia.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O que dizer a um homem que foi Secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, preside esta importante institui\u00e7\u00e3o, atua como professor na Universidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9 autor de relevantes obras na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o e gentilmente revela contar com minha colabora\u00e7\u00e3o? S\u00f3 posso dar uma \u00fanica e r\u00e1pida resposta: Presidente, conte sempre comigo. Farei tudo para corresponder a sua expectativa.<\/p>\n<p>Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A funda\u00e7\u00e3o da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o ocorreu na mesma \u00e9poca em que cheguei \u00e0 Capital, vindo de Araraquara no interior deste Estado. Nessa \u00e9poca, princ\u00edpio dos anos 70, eu era apenas um jovem que lutava para estudar e trabalhar nesta cidade t\u00e3o desafiadora. Enquanto dava os primeiros passos profissionais durante o dia, \u00e0 noite empenhava-me para aprender na Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nunca podia supor que nesse mesmo per\u00edodo um grupo de experientes educadores se reuniam para se dedicar \u00e0 causa da educa\u00e7\u00e3o. Sem nos conhecermos, crescemos juntos nesta cidade, a Academia com suas realiza\u00e7\u00f5es e eu com minhas conquistas acad\u00eamicas e profissionais. Hoje, maduros, nos encontramos. Eu, para participar com outros acad\u00eamicos, homens e mulheres, todos educadores que se dedicaram e se dedicam \u00e0 lideran\u00e7a, \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do ensino, ou a esse verdadeiro sacerd\u00f3cio do magist\u00e9rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Academia, para cumprir seu papel perene de encontrar caminhos e solu\u00e7\u00f5es para as quest\u00f5es educacionais, mostrar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es quem foram esses educadores e qual o trabalho que realizaram em benef\u00edcio da educa\u00e7\u00e3o.<br \/>No discurso de sauda\u00e7\u00e3o ao Padre H\u00e9lio Abranches Viotti, o Professor Ant\u00f4nio D&#8217;\u00c1vila fez um verdadeiro desabafo em favor dos educadores, ao mesmo tempo em que destacava este importante objetivo da Academia: &#8220;A um s\u00f3 tempo, visa a Academia ao culto do passado de nossa escola, na memora\u00e7\u00e3o das figuras e fatos que urdiram a trama de nosso renome nos campos da educa\u00e7\u00e3o e do ensino.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Atentemos aqui para uma triste realidade. Por um desses estranhos paradoxos que se insinuaram em nossos tempos, de querer anular a presen\u00e7a do passado no presente, pouco se tem cuidado da hist\u00f3ria da nossa educa\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o ser\u00e1 exagero afirmar que os grandes educadores falecidos ficam definitivamente mortos na mem\u00f3ria das gera\u00e7\u00f5es, apenas lembrados quando seus nomes se gravam na fachada dos edif\u00edcios escolares, o que lhes assegura relativa e incerta popularidade. O mais, o que viveram, o que escreveram, o que idealizaram e executaram, as reformas que levaram a cabo, tudo se esquece, se apaga e se dilui no tumulto das preocupa\u00e7\u00f5es de hoje &#8220;. Observemos que essas palavras foram proferidas em 1976, h\u00e1 quase 30 anos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Hoje, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ainda muito mais agravada com a sociedade sendo idealizada em bases ef\u00eameras, ou descart\u00e1veis, como diz Alvin Tofler.<br \/>Mantenho uma coluna semanal na Tribuna Impressa de Araraquara. \u00c9 uma boa forma de manter contato com meus conterr\u00e2neos da nova e das velhas gera\u00e7\u00f5es. De vez em quando escrevo sobre hist\u00f3rias dos nossos antigos professores. Conto como eram suas aulas, comento sobre suas caracter\u00edsticas e idiossincrasias. Os alunos dos velhos mestres me telefonam, me escrevem, e falam da emo\u00e7\u00e3o que sentiram ao recordar as hist\u00f3rias narradas nos meus textos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Era uma \u00e9poca em que os professores tinham identidade, import\u00e2ncia cultural e proje\u00e7\u00e3o social. Infelizmente hoje os alunos, talvez na maioria dos casos, j\u00e1 n\u00e3o sabem mais quem s\u00e3o seus professores e os descartam da mem\u00f3ria como se fossem embalagens de produtos usados.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Embora j\u00e1 se prenunciasse na \u00e9poca em que a Academia foi concebida a necessidade de uma educa\u00e7\u00e3o permanente, hoje n\u00e3o se admite mais que uma pessoa interrompa seu processo educacional, sob o risco de perecer no mercado de trabalho e se frustrar na busca de suas realiza\u00e7\u00f5es pessoais. Paulo Freire, na sua obra Educa\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a, afirma: &#8220;a educa\u00e7\u00e3o tem car\u00e1ter permanente. N\u00e3o h\u00e1 seres educados e n\u00e3o educados. Estamos todos nos educando. Existem graus de educa\u00e7\u00e3o, mas estes n\u00e3o s\u00e3o absolutos. O homem, por ser inacabado, incompleto, n\u00e3o sabe de maneira absoluta. Somente Deus sabe de maneira absoluta&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Talvez esse seja um papel importante desta Academia, entender e debater novas necessidades de educar; aproveitar a experi\u00eancia desses educadores excepcionais que comp\u00f5em seu quadro e mostrar \u00e0 sociedade como a educa\u00e7\u00e3o permanente deve estar presente na vida de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>O patrono e a primeira ocupante da cadeira n\u00famero 3<br \/>O patrono da cadeira n\u00famero 3 da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o Maestro Fabiano Rodrigues Lozano, considerado um dos maiores expoentes da interpreta\u00e7\u00e3o do canto orfe\u00f4nico da hist\u00f3ria brasileira. O Maestro exerceu suas atividades por longos 45 anos, sendo ovacionado em todos os cantos do pa\u00eds e no exterior. Por isso, ao ocupar esta cadeira e analisar a vida desse patrono t\u00e3o ilustre, constato que, ao menos na m\u00fasica, estamos em posi\u00e7\u00f5es totalmente opostas. Confesso que n\u00e3o tenho nenhuma aptid\u00e3o musical. N\u00e3o que nunca tivesse tentado. A banda do Col\u00e9gio S\u00e3o Bento de Araraquara era excepcional, tanto que vivia vencendo concursos em todo territ\u00f3rio brasileiro. Tocar nessa banda era o sonho de quase todos os jovens araraquarenses, inclusive o meu.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Certa vez procurei o maestro respons\u00e1vel pela banda para ver se eu poderia tocar qualquer instrumento. Depois de uma r\u00e1pida avalia\u00e7\u00e3o inicial ele concluiu que como eu n\u00e3o tocava p\u00edfaro, nem flauta escocesa e nenhum dos in\u00fameros instrumentos usados pela banda, como esp\u00e9cie de pr\u00eamio de consola\u00e7\u00e3o me disse que o ideal para mim seria tocar pratos. Como era a \u00fanica chance de eu participar da banda, aceitei. Depois de uma semana de ensaios eu ainda n\u00e3o sabia bem como agir. Ficava de olho no companheiro que se postava ao meu lado, e toda vez que ele levantava o bra\u00e7o para bater os pratos eu o acompanhava. Mesmo que \u00e0s vezes o resultado n\u00e3o fosse t\u00e3o bom, n\u00e3o importava muito, pois eram s\u00f3 ensaios. Ocorre que naquela mesma semana a banda participou da inaugura\u00e7\u00e3o de um viaduto e a cidade toda estava l\u00e1 para comemorar.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com receio de passar vexame, redobrei minha observa\u00e7\u00e3o em cima dos movimentos do meu companheiro tocador de pratos. Quando est\u00e1vamos bem em frente \u00e0s autoridades ele levantou o bra\u00e7o e eu o acompanhei como uma sombra. Entretanto, para minha surpresa, desta vez ele apenas queria co\u00e7ar a cabe\u00e7a. S\u00f3 se ouviu o barulho ensurdecedor dos meus pratos e as gargalhadas dos colegas de banda e de toda popula\u00e7\u00e3o presente \u00e0quele evento. O \u00fanico que n\u00e3o gostou da hist\u00f3ria foi o Maestro, que gentilmente me convidou a me retirar do grupo. Durou pouco, portanto, minha experi\u00eancia como int\u00e9rprete musical. Mas, nem tudo foi assim t\u00e3o diferente na nossa vida. Ao estudar sua biografia descobri uma feliz coincid\u00eancia. No momento em que meu livro <em>Como falar corretamente e sem inibi\u00e7\u00f5es<\/em> est\u00e1 sendo publicado na Espanha, descubro que o Maestro Fabiano Rodrigues Lozano \u00e9 de origem espanhola, tendo nascido naquele pa\u00eds em 1886. Foi tamb\u00e9m no Real Conservat\u00f3rio de Madrid que o Maestro, com apenas 22 anos de idade, aprimorou seus estudos musicais. E como se fosse uma prova da teoria da sincronicidade jungiana, h\u00e1 pouco mais de um ano precisei escolher uma cidade do interior de S\u00e3o Paulo para desenvolver uma campanha de divulga\u00e7\u00e3o da nossa Escola de Express\u00e3o Verbal. Como sempre fui muito bem recebido na cidade de Piracicaba, onde ministrei cursos a diversas empresas, decidi pela &#8220;Noiva da Colina&#8221;. Verifico agora, que depois de completar seus estudos musicais em Madrid, ao retornar ao Brasil, o Maestro atuou como professor de m\u00fasica na Escola Normal de Piracicaba durante 16 anos, de 1914 a 1930, a mesma escola onde havia conclu\u00eddo o Curso Normal.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com seu trabalho competente em S\u00e3o Paulo chefiou o Servi\u00e7o de M\u00fasica e Canto Coral do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o do Estado, e em Pernambuco atuou como orientador do ensino da m\u00fasica e do canto coral nas escolas p\u00fablicas do Estado. Entre as dezenas de obras que publicou a mais conhecida \u00e9 Alegria nas Escolas, uma inspirada colet\u00e2nea de 123 melodias, introduzida por uma apresenta\u00e7\u00e3o de 16 p\u00e1ginas, explicando o funcionamento do seu m\u00e9todo para orientar as no\u00e7\u00f5es iniciais no ensino da m\u00fasica, que atingiu mais de 50 edi\u00e7\u00f5es.<br \/>Organizou importantes grupos que conquistaram extraordin\u00e1rio sucesso.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entre eles est\u00e3o a Orquestra Piracicabana, a Sociedade de Cultura Art\u00edstica de Piracicaba e o Centro de Folclore.Um ano antes de se aposentar o maestro elaborou um de seus projetos mais importantes, o Orfe\u00e3o do Professorado Paulista. Era um plano ambicioso, pois contava com a participa\u00e7\u00e3o de professores rigorosamente selecionados por concurso. Os aprovados ficavam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do departamento que chefiava. Pouco antes de se retirar da vida ativa, no dia 13 de novembro de 1952, viu seu sonho definitivamente realizado ao reger a primeira audi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A exibi\u00e7\u00e3o foi coroada de \u00eaxito, como esp\u00e9cie de homenagem \u00e0 sua obstinada dedica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><br \/><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O trabalho do Maestro foi reconhecido pelos excelentes trabalhos e iniciativa musical dedicados \u00e0s escolas, Fabiano Rodrigues Lozano foi agraciado com o t\u00edtulo de Servidor Em\u00e9rito, concedido pelo Governo do Estado em 30 de abril de 1964. Os argumentos que justificaram essa distin\u00e7\u00e3o mencionam &#8220;brilhante obra desenvolvida em seus longos anos de labuta em prol da iniciativa musical em nossas escolas&#8221;; e o caracterizam como &#8220;um exemplo de dedica\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia pela sua vida sempre voltada \u00e0 pr\u00e1tica do trabalho educativo&#8221;. Essas palavras definem com justi\u00e7a seu brilhante desempenho como m\u00fasico e educador.<br \/>Mesmo depois de ter se aposentado, em 12 de junho de 1953, continuou exercendo suas atividades \u00e0 frente do Orfe\u00e3o participando de in\u00fameros eventos importantes na capital e no interior do estado.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Jamais nos esqueceremos da obra desse extraordin\u00e1rio maestro, que vindo da Espanha, radicou-se em Piracicaba, no interior de S\u00e3o Paulo e se projetou com sua m\u00fasica por todo o Brasil. Entre suas principais composi\u00e7\u00f5es orfe\u00f4nicas est\u00e3o musicas da qualidade de Bandinha da Ro\u00e7a, Sabi\u00e1 da Mata e Cascata de risos.<br \/>Fabiano Rodrigues Lozano faleceu muito cedo, aos sessenta e nove anos, no m\u00eas de abril de 1955. Para homenage\u00e1-lo, o grupo escolar de Vila Mariana passou a ter o seu nome &#8220;Maestro Fabiano Rodrigues Lozano&#8221;. Ele \u00e9 o patrono da cadeira n\u00famero 3 desta Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, que foi ocupada por nomes que dignificaram sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mathilde Brasiliense de Almeida Bessa<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Professora Mathilde Brasiliense de Almeida Bessa foi a primeira ocupante da cadeira n\u00famero 3 desta Academia. Tamb\u00e9m piracicabana, foi aluna do Maestro Fabiano Rodrigues Lozano, que teve influ\u00eancia determinante na sua carreira profissional. Assim, ao participar da funda\u00e7\u00e3o da academia foi natural que escolhesse o querido mestre como patrono da cadeira que ocupou.<br \/>Sua atividade como professora voltou-se principalmente \u00e0 pedagogia e \u00e0 psicologia aplicadas ao ensino da m\u00fasica.<br \/>Sua vida, antes e depois de se aposentar, foi dedicada \u00e0 m\u00fasica. Ou seja, uma exist\u00eancia inteira a servi\u00e7o de uma arte que influenciaria muitas gera\u00e7\u00f5es de jovens estudantes.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os estudos de Mathilde Brasiliense estiveram sempre no campo da educa\u00e7\u00e3o. Em 1918 formou-se como professora pela Escola Normal de Piracicaba. Era uma turma numerosa, com setenta e nove alunas, que seriam respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o escolar de muitos brasileiros. A exemplo do nosso patrono, Mathilde Brasiliense tamb\u00e9m se dedicou a elaborar programas de ensino musical, conquistando reconhecimento justo por suas realiza\u00e7\u00f5es. Gra\u00e7as a sua contribui\u00e7\u00e3o, o Conselho de Orienta\u00e7\u00e3o Art\u00edstica do Estado de S\u00e3o Paulo confeccionou o Programa de Pedagogia Musical, que foi adotado pelos estabelecimentos de ensino art\u00edstico e serviu de guia de aprendizado e inspira\u00e7\u00e3o a muitas gera\u00e7\u00f5es de jovens estudantes.<br \/>Ap\u00f3s 34 anos dedicados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o aposentou-se do magist\u00e9rio oficial em 15 de agosto de 1956.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mathilde Brasiliense teve s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o cultural, licenciando-se pela Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras da Universidade de S\u00e3o Paulo. Entre as mat\u00e9rias que lecionou em diversas escolas p\u00fablicas e particulares, na Capital e no Interior, destaca-se Metodologia da Educa\u00e7\u00e3o. Todo o conhecimento que acumulou ao longo de sua carreira profissional p\u00f4de ser utilizado tamb\u00e9m como diretora de algumas escolas, onde p\u00f4de p\u00f4r em pr\u00e1tica sua iniciativa e sua capacidade de realiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mulher corajosa, teve participa\u00e7\u00e3o heroica, como enfermeira, nas cidades de Cruzeiro e Guaratinguet\u00e1, onde se localizava o setor norte da Revolu\u00e7\u00e3o de 32. Com a fam\u00edlia empenhada nas causas revolucion\u00e1rias, seu esposo, Emilio de Almeida Bessa, caiu ferido por uma rajada de metralhadora, na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica em 23 de maio de 1932.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por todos os seus feitos, Mathilde Brasiliense foi condecorada com a medalha e o diploma da &#8220;Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, outorgados pela Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo.S\u00e3o esses alguns poucos detalhes da vida da Professora Mathilde Brasiliense de Almeida Bessa que demonstram como ela honrou e deixou marcas de exemplo e de realiza\u00e7\u00f5es por onde passou.<\/p>\n<p>H\u00e9lio Abranches Viotti<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Meu antecessor na cadeira n\u00famero 3 nesta Academia foi o Padre H\u00e9lio Abranches Viotti, uma das personagens mais extraordin\u00e1rias da hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo e do Brasil.H\u00e1 poucos dias, voltando de uma palestra que proferi em Joinville, no Estado de Santa Catarina, encontrei-me no aeroporto com o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Como eu estava com a preocupa\u00e7\u00e3o de elaborar este discurso de posse, perguntei-lhe se conhecera o Padre Viotti. Sua resposta veio firme em apenas tr\u00eas palavras, que talvez definam toda a trajet\u00f3ria de vida do meu antecessor nesta Academia: uma pessoa maravilhosa!<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As palavras do Cardeal foram pronunciadas com a autoridade de quem possui profundo conhecimento da afirma\u00e7\u00e3o que fez, pois o Padre Viotti foi Diretor do Arquivo da C\u00faria Metropolitana de S\u00e3o Paulo e atuou como seu secret\u00e1rio por mais de 10 anos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nascido em S\u00e3o Paulo, a 15 de outubro de 1906, veio a falecer aos 94 anos de idade, no dia 28 de novembro de 2000, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Portanto, permaneceu como titular da cadeira n\u00famero 3 desta academia durante 24 anos, j\u00e1 que sua posse ocorrera no ano de 1976. Antes de relatar um pouco da sua extensa biografia, gostaria de destacar dois itens que falam ao meu cora\u00e7\u00e3o e ao do professor Oswaldo Melantonio. Logo ap\u00f3s seu noviciado, o Padre Viotti dedicou-se ao estudo de humanidades e ret\u00f3rica.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Assim, adestrou-se na arte de falar em p\u00fablico e a exemplo de outros padres que o antecederam, pregando com brilhantismo e eloqu\u00eancia admir\u00e1vel, como Antonio Vieira e Frei Francisco de Monte Alverne, teve como uma de suas caracter\u00edsticas mais marcantes o fato de ser, at\u00e9 o final de sua avantajada idade, um orador vivo, veemente e muito entusiasmado, que se impunha pela for\u00e7a de sua argumenta\u00e7\u00e3o e expressividade de seus gestos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por ser um intelectual de larga e profunda forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, seus discursos, al\u00e9m de possuir conte\u00fado de elevado n\u00edvel cultural, seduziam e encantavam as plateias que o ouviam pela beleza est\u00e9tica de suas perora\u00e7\u00f5es.<br \/>De todas as suas in\u00fameras conquistas nos mais diversos campos de atividades, algumas perpetuar\u00e3o seu nome para todas as gera\u00e7\u00f5es: foi Diretor do Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds, em S\u00e3o Paulo, de 1946 a 1949; Fundador e primeiro Diretor da Faculdade S\u00e3o Lu\u00eds, em 1948; Diretor da Casa de Anchieta \u2013 Monumento Hist\u00f3rico da Funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, desde 1969; Vale dizer que seus estudos sobre a vida de Anchieta foram t\u00e3o intensos que Padre Viotti se transformou na maior autoridade sobre o Padre Jesu\u00edta.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Seu livro &#8220;Anchieta, o Ap\u00f3stolo do Brasil&#8221;, publicado em 1980 pelas Edi\u00e7\u00f5es Loyola, serviu de base para o Vaticano glorificar Anchieta como Beato; Foi, ainda, Capel\u00e3o Militar na For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira na It\u00e1lia, enfrentando ao lado dos nossos pracinhas o constante perigo da morte.Somente esses dados, que correspondem apenas a uma ponta da sua extensa e vitoriosa biografia, justificaria sua inscri\u00e7\u00e3o permanente na lista dos maiores realizadores brasileiros.<br \/>Sua voca\u00e7\u00e3o religiosa surgiu bem cedo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Menino ainda, aos 15 anos de idade entrou para o Noviciado. Depois de concluir o Magist\u00e9rio no Col\u00e9gio Santo In\u00e1cio, onde lecionou diversas disciplinas, especialmente hist\u00f3ria do Brasil, foi fazer Teologia na Argentina, em 1934, ordenando-se sacerdote em 19 de dezembro de 1936, em Buenos Aires. Completados os estudos teol\u00f3gicos, em 1938, ainda fora do Brasil, fez a Terceira Prova\u00e7\u00e3o em Montevid\u00e9u e, de volta ao Rio de Janeiro fez os \u00daltimos Votos, em 15 de agosto de 1939.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Al\u00e9m do seu destacado trabalho \u00e0 frente do Col\u00e9gio e da Faculdade S\u00e3o Lu\u00eds, foi Reitor do Col\u00e9gio Antonio Vieira , em Salvador, Bahia, de 1958 a 1959.<br \/>Por sua participa\u00e7\u00e3o na Segunda Guerra tinha direito a um soldo de militar da reserva, que sempre utilizou para ajudar as pessoas mais necessitadas.<br \/>A autoria de sete livros o conduziu \u00e0 Academia Paulista de Letras, onde ocupou a cadeira n\u00famero 9. E cabe aqui ressaltar que enquanto esteve bem de sa\u00fade foi ass\u00edduo frequentador da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Como seu sucessor nesta academia, e agora conhecedor da sua hist\u00f3ria e de suas realiza\u00e7\u00f5es ao longo dos seus bem vividos 94 anos de idade, passo a ser mais um dos divulgadores e enaltecedores dos seus feitos, para que as novas gera\u00e7\u00f5es o tenham sempre como um exemplo a ser admirado e ser seguido.<\/p>\n<p>Palavras finais<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ao encerrar este discurso de posse quero agradecer a numerosa presen\u00e7a de todos os meus amigos, que gentilmente vieram me prestigiar nesta noite de quinta feira, deixando seus afazeres e momentos de lazer para testemunhar um dos momentos mais significativos da minha vida.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quero tamb\u00e9m agradecer a minha mulher Marlene, que desde a not\u00edcia da minha elei\u00e7\u00e3o para ocupar esta cadeira tem comemorado intensamente esta conquista; a minha m\u00e3e L\u00facia, que contribuiu sempre para minha forma\u00e7\u00e3o de educador; aos meus filhos Roberta, Rachel, Rebeca e Reinaldinho, pelo apoio e incentivo que deram a todas as minhas iniciativas; a minha neta Let\u00edcia, que hoje aos cinco anos de idade n\u00e3o compreende muito bem o que est\u00e1 presenciando, mas que no futuro, espero que se orgulhe deste feito do seu av\u00f4; ao meu irm\u00e3o Geraldo, que desde os primeiros anos de vida tem participado de todos os meus momentos importantes. Preciso ainda agradecer mais uma vez \u00e0 generosa hospitalidade com que fui recebido nesta Academia e reafirmar o orgulho que sinto de pertencer a uma institui\u00e7\u00e3o formada por t\u00e3o ilustres educadores.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Passo a pertencer a este quadro como o mais novo de todos os acad\u00eamicos, e espero que al\u00e9m do aprendizado que terei na conviv\u00eancia com os mais experientes, tamb\u00e9m possa colaborar com meu trabalho, esfor\u00e7o dedica\u00e7\u00e3o e iniciativa para elevar e projetar cada vez mais alto o nome da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;<\/span><\/span><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o somente pela internet e desde que citada a fonte \u2013 www.polito.com.br&#8221;<\/span><\/span> <br \/><\/em><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso de Posse do Acad\u00eamico \u00a0 REINALDO POLITO \u00a0 24\/6\/2004 Dr. Jo\u00e3o Gualberto de Carvalho Meneses \u2013 Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.Senhores acad\u00eamicosSenhoras e Senhores De todas as honras que j\u00e1 recebi, ser eleito para participar de uma academia composta por personalidades t\u00e3o importantes no campo da educa\u00e7\u00e3o paulista e brasileira talvez seja a maior e a mais imerecida. E n\u00e3o uso essas palavras como mod\u00e9stia ret\u00f3rica apenas com o objetivo de conquistar a benevol\u00eancia dos ouvintes. Se analisarmos a vida de cada um dos acad\u00eamicos e de seus antecessores dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 f\u00e1cil deduzir que minha chegada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-discursos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}