{"id":145,"date":"2011-03-23T21:37:22","date_gmt":"2011-03-24T00:37:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2011\/03\/23\/discurso-de-posse-do-academico-ives-gandra-da-silva-martins\/"},"modified":"2011-03-23T21:37:22","modified_gmt":"2011-03-24T00:37:22","slug":"discurso-de-posse-do-academico-ives-gandra-da-silva-martins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/discurso-de-posse-do-academico-ives-gandra-da-silva-martins\/","title":{"rendered":"Discurso de Posse do Acad\u00eamico Ives Gandra da Silva Martins."},"content":{"rendered":"<p style=\"TEXT-ALIGN: center; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Discurso de Posse do Acad\u00eamico Titular<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">IVES GANDRA DA SILVA MARTINS<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: right; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">23\/6\/1993<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Senhor Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Senhores Acad\u00eamicos<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Senhoras e Senhores<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os constituintes pret\u00e9rito e atual, conscientes da import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento dos povos, impuseram norma, que, apesar de violentada por quase todos os governos, merece reflex\u00e3o. Trata-se de comando prevendo que 18% da receita de todos os impostos federais, na parte que pertence \u00e0 Uni\u00e3o, e 25% de todos os impostos estaduais e municipais, al\u00e9m da receita transferida pela Uni\u00e3o, deveriam ser destinados \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Discutem, os constitucionalistas, se tal norma seria uma norma program\u00e1tica, isto \u00e9, voltada para o futuro, sem que houvesse a obriga\u00e7\u00e3o de ser seguida pelos que deveriam aplic\u00e1-la, ou se seria uma norma de efic\u00e1cia plena e de vig\u00eancia imediata.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tenho para mim que o artigo 212 da lei suprema conformou norma de vig\u00eancia, efic\u00e1cia e aplica\u00e7\u00e3o imediatas, n\u00e3o podendo os quase cinco mil entes federativos furtar-se da obriga\u00e7\u00e3o de cumpri-la, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o, seja pelas Cortes de Contas, seja por via de a\u00e7\u00f5es popular ou civil p\u00fablica, correndo os governos, que forem questionados pela n\u00e3o implementa\u00e7\u00e3o do dispositivo constitucional, o risco de serem expelidos do poder.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Relembro tal aspecto aos prezados acad\u00eamicos que me recebem hoje, neste templo da forma\u00e7\u00e3o da brava gente da heroica Pauliceia, porque, como eles, estou convencido de que uma Na\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i, fundamentalmente, a partir da educa\u00e7\u00e3o de seu povo. Ser\u00e1 tanto mais forte quanto mais autoridades investirem na ponte para o futuro, que \u00e9 a juventude, ou ser\u00e1 tanto mais fraca quanto menos cuidarem, seus min\u00fasculos pol\u00edticos, da prepara\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Estou convencido de que o grande salto que os gregos ofertaram, em n\u00edvel de descoberta interior do homem, deveu-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. A preocupa\u00e7\u00e3o, desde os primeiros tempos da civiliza\u00e7\u00e3o acaica \u2013 alicerce do helenismo -, em filosofar e descortinar os mist\u00e9rios da mente e das pot\u00eancias humanas, de certa forma, plasmou o mundo porvir ao ponto de n\u00e3o se poder mais dizer, depois dos gregos, que o homem seja um desconhecido ou n\u00e3o mais poderem os governantes desconhecer a for\u00e7a das ideias. Roma existiu apenas gra\u00e7as \u00e0 sua excepcional capacidade de aprender as li\u00e7\u00f5es de Gr\u00e9cia, gerando o \u201cdireito universal\u201d, que s\u00f3 pode ser plenamente aplicado a povos civilizados. Em outras palavras, a heran\u00e7a grega gerou o direito romano e este a moderna democracia, sempre dependente do n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um pouco mais de reflex\u00e3o sobre esta mat\u00e9ria deve ser apresentada.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os gregos sempre tiveram forte tend\u00eancia \u00e0 especula\u00e7\u00e3o. Viajantes por voca\u00e7\u00e3o, as impress\u00f5es de um mundo diverso do seu levaram-nos a voos fant\u00e1sticos para desvendar os desafios da natureza, assim como a interioriza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio homem, a raz\u00e3o de ser da vida e a origem e o fim de todas as coisas.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Desde a queda de Cnossos, no s\u00e9culo XV A.C., a civiliza\u00e7\u00e3o grega ofereceu um modelo cultural diverso ao mundo conhecido da \u00e9poca.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com efeito, o conhecimento do esp\u00edrito dos povos permitiu aos hel\u00eanicos a maior incurs\u00e3o na \u201cpsique\u201d humana at\u00e9 ent\u00e3o realizada, n\u00e3o sendo a fant\u00e1stica produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, art\u00edstica e hist\u00f3rica daquele per\u00edodo sen\u00e3o reflexo dessa realidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Este povo, vocacionado para o mar, nele teve a grandeza de sua cria\u00e7\u00e3o cultural e o fracasso de suas institui\u00e7\u00f5es, nunca tendo conseguido consolidar um projeto nacional. Alguns historiadores atribuem \u00e0 conforma\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula, com montanhas separando as cidades e dificultando a comunica\u00e7\u00e3o por terra, o mar propiciando a abertura para o mundo, e o c\u00e9u, sempre claro, facilitando a navega\u00e7\u00e3o norteada pelas estrelas, os componentes maiores da saga desta gente, que legou aos homens de todos os tempos o maior acervo cultural conhecido.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A filosofia grega at\u00e9 hoje \u00e9 insuper\u00e1vel. Toda a produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica posterior \u00e9 perif\u00e9rica. \u00c9 mera especula\u00e7\u00e3o sobre crit\u00e9rios, dogmas, m\u00e9todos ou rela\u00e7\u00f5es, mas, epistemologicamente, sua espinha dorsal continua grega.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os autores da Gr\u00e9cia nunca se tornaram autores antigos, mas sempre ser\u00e3o autores cl\u00e1ssicos, o que vale dizer, permanentes. Ptolomeu foi um cientista antigo, visto que acreditava ser a terra o centro do Universo. Valeram suas pesquisas para a \u00e9poca, mas se tornou, com o tempo, mera refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica. Cop\u00e9rnico \u00e9 um autor cl\u00e1ssico, na medida em que seus ensinamentos valeram para aquele per\u00edodo em que viveu e continuam atuais, ao declarar ser o sol o centro do sistema. Ambos especularam no passado, um desvendou a verdade e se tornou cl\u00e1ssico, outro foi vencido pelos fatos e se tornou antigo. Um \u00e9 permanente, outro tempor\u00e1rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A grande maioria dos fil\u00f3sofos gregos, principalmente os tr\u00eas gigantes maiores, por Rafael imortalizados em inesquec\u00edvel pintura sobre os mestres do saber, s\u00e3o autores permanentes. No pret\u00e9rito tempo e no tempo atual s\u00e3o estudados, posto que o que disseram tem sabor de eternidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ora, \u00e9 exatamente no mundo grego peninsular e asi\u00e1tico, que a educa\u00e7\u00e3o do homem se faz nos moldes modernos, isto \u00e9, n\u00e3o apenas religiosa ou funcional, como entre os judeus e os reinos combatentes da China, mas generalizada para todos os cidad\u00e3os.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os gregos transformaram a educa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser de sua gente, mesmo entre homens menos voltados \u00e0 cultura, como os espartanos, que, todavia, dedicaram-se a uma outra forma de educa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, que era a f\u00edsica.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Academia e o Liceu s\u00e3o aut\u00eanticas escolas, n\u00e3o se devendo esquecer que os fil\u00f3sofos pr\u00e9-socr\u00e1ticos tamb\u00e9m tinham suas escolas de forma\u00e7\u00e3o, como Pit\u00e1goras.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Talvez hoje seja apenas critic\u00e1vel o pouco amor ao trabalho que devotavam, principalmente entre os atenienses \u2013 tarefa digna e pr\u00f3pria do ser humano -, visto que entre eles deveria ser realizado por escravos, o que levou, no fim do s\u00e9culo passado, o not\u00e1vel economista Thornstein Veblen a escrever que as classes dominantes sempre foram ociosas, desde o homem pr\u00e9-hist\u00f3rico.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A verdade, todavia, \u00e9 que a dedica\u00e7\u00e3o do grego, mormente o que vivia em Atenas, assenhoreando-se dos conhecimentos da \u00e9poca, levou-o a frequentar as escolas, ao ar livre, dos mestres de filosofia, que, de rigor, abrangia a universalidade das ci\u00eancias exatas, biol\u00f3gicas e humanas, naquele hist\u00f3rico per\u00edodo. Arist\u00f3teles, inclusive antes de Ptolomeu, j\u00e1 conhecia as regras essenciais do Universo, n\u00e3o tendo d\u00favida sobre a esfericidade da Terra. Assim, ap\u00f3s os gregos, a Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a fonte do fortalecimento dos povos. Floresceu entre os romanos at\u00e9 a queda de seu imp\u00e9rio ocidental, quando a igreja Cat\u00f3lica assumiu, definitivamente, sua fun\u00e7\u00e3o de educadora, civilizando os b\u00e1rbaros. A Universidade, t\u00edpico fruto da Idade M\u00e9dia criadora, vem alavancar a evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das na\u00e7\u00f5es europeias, sob a tutela da Igreja Cat\u00f3lica. A ela se deve o surto admir\u00e1vel do surgimento dessas escolas superiores no mundo inteiro.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E, hoje, todos os pa\u00edses t\u00eam seus olhos postos na forma\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es, pela educa\u00e7\u00e3o, desde aquela mais elementar, para os mais jovens ou para os analfabetos, at\u00e9 aos mais sofisticados cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, em que resta a impress\u00e3o de que o homem est\u00e1 no vestibular da conquista do Universo, se conseguir dominar suas pr\u00f3prias insufici\u00eancias e fraquezas ou tend\u00eancias menos dignas de uma natureza deca\u00edda.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tais considera\u00e7\u00f5es, em discurso de posse na Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, objetivam mostrar o quanto \u00e9 relevante a valoriza\u00e7\u00e3o do ensino no mundo atual. E o papel de sodal\u00edcios, como o da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 de particular import\u00e2ncia, pois neles se irmanam aut\u00eanticos sacerdotes da cultura.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sempre gostei de ensinar. O que recebia de ensinamentos, em aulas, confer\u00eancias e leituras, desejava compartilhar com os outros. Por esta raz\u00e3o decidi, desde priscas eras, ser, al\u00e9m de advogado, professor. O educador sempre me pareceu aquele que renova o gesto milagroso da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es para seu universo de ensino. \u00c9 um semeador da compartilha\u00e7\u00e3o. \u00c9 um arquiteto do futuro pelas m\u00e3os do passado. Quem ensina deixa de ser ele, para ser ele e mais todos os outros. Digo mais, deixa de ser ele, para ser todos os outros. Passa a viver para os outros e n\u00e3o para si mesmo e a sua vida de professor \u00e9 uma vida de m\u00e3os abertas, de cren\u00e7a nas gera\u00e7\u00f5es que crescem, para as quais oferta decisivo e generoso apoio.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tais caracter\u00edsticas encontrei tanto no patrono da cadeira 25, Jo\u00e3o Toledo, quanto em seu primeiro ocupante, Ant\u00f4nio D\u2019\u00c1vila.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Jo\u00e3o Toledo foi paulista de Tiet\u00ea, nascido em 12 de Maio de 1879 de uma prole de nove filhos do casal Augusto Corr\u00eaa de Toledo e Maria Almeida Lima. Entre folguedos, livros e ferramentas de marceneiro passou sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, tendo colado grau na 2\u00aa Turma de Itapetininga, em sua Escola Complementar, em 1900, com distin\u00e7\u00e3o e louvor, l\u00e1ureas que ostentou durante todo o curso.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Aos 21 anos, j\u00e1 era diretor do Grupo Escolar de Serra Negra, em cujo estabelecimento conheceu D. Carm\u00e9lia Lombardi com quem se casou, em 1904, e de cuja est\u00e1vel e feliz uni\u00e3o nasceram cinco filhos: Aim\u00e9e, Ruy, La\u00eds, Wanda e Renato.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Assumindo, em 13 de abril de 1908, as fun\u00e7\u00f5es de Diretor do Grupo Escolar de Rio Claro, veio para S\u00e3o Paulo, onde completou o curso de Pedagogia e Psicologia em 1912, sendo nomeado professor de Psicologia Experimental, Pedagogia e Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica e eleito lente vital\u00edcio, em 10 de fevereiro de 1916, na Escola Normal de S\u00e3o Claro.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em S\u00e3o Carlos passou o melhor per\u00edodo de sua vida, dominando, por estudos autodid\u00e1ticos, o franc\u00eas e o ingl\u00eas perfeitamente, assim como, razoavelmente, o italiano e o espanhol. Os professores da escola eram de n\u00edvel. Entre seus amigos, encontravam-se Carlos Silveira, Mariano de Oliveira e Ant\u00f4nio Firmino de Proen\u00e7a, com quem discutia as leituras preferidas e os avan\u00e7os na metodologia do ensino. Era grande conhecedor de Plutarco, Carlyle, Renan, Taine, Shakespeare, Maeterlink, Flaubert, Anatole France, Pierre Loti, Rui Barbosa, Oliveira Lima, Joaquim Nabuco, Cal\u00f3geras, Capistrano de Abreu e Gilberto Freire. E\u00e7a, Herculano, Dostoievski e Gorki tamb\u00e9m influenciaram-no.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">H\u00e1 aqui uma not\u00e1vel coincid\u00eancia. A primeira Faculdade em que fui professor titular de Direito, na cadeira de Finan\u00e7as P\u00fablicas e Direito Financeiro, foi a Faculdade de Direito de S\u00e3o Carlos, \u00e0 \u00e9poca em que a controlava o governo federal, isto \u00e9, nos idos de 1971.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Lecionamos, em tempos diversos e mat\u00e9rias diversas, mas na mesma hospitaleira cidade do interior paulista.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 31 de janeiro de 1921 foi removido de S\u00e3o Carlos para a Escola Normal de Campinas a fim de reger a cadeira de Pr\u00e1tica Pedag\u00f3gica. Sua promo\u00e7\u00e3o para Inspetor Geral de Ensino do Estado de S\u00e3o Paulo, em 1924, trouxe-o \u00e0 capital, onde passou a exercera fun\u00e7\u00e3o de Assistente T\u00e9cnico de Ensino Normal.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por reconhecimento de seu fecundo trabalho como educador, o Governador Pedro de Toledo, em 26 de maio de 1932, nomeou-o Diretor Geral do Ensino do Estado de S\u00e3o Paulo, onde permaneceu at\u00e9 a derrota dos paulistas na heroica revolu\u00e7\u00e3o, que, vitoriosa nas ideias, obrigou o ditador Get\u00falio Vargas a curvar-se na outorga da Constitui\u00e7\u00e3o de1934.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De outubro de 1932 at\u00e9 maio de 1935, foi assistente da Escola Normal do Instituto Caetano de Campos, quando se aposentou, ap\u00f3s trinta e cinco anos de servi\u00e7os prestados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, exatamente o n\u00famero de anos que completo em 1933, como professor universit\u00e1rio, desde as primeiras aulas que ministrei no distante 1958, ent\u00e3o como monitor de legisla\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Faleceu em 21 de dezembro de 1941, depois de ter produzido obra not\u00e1vel no campo da educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancias correlatas, sobre ter participado de in\u00fameras atividades extracurriculares, como Congressos e Simp\u00f3sios. Foi membro do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de S\u00e3o Paulo, como s\u00f3cio efetivo em 5\/5\/1938 e como s\u00f3cio honor\u00e1rio, em 5\/3\/1942, homenagem p\u00f3stuma daquela not\u00e1vel Institui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como reconhecimento por sua obra, o ent\u00e3o Interventor de S\u00e3o Paulo, Fernando Costa, esculpiu seu nome no Grupo Escolar de Cerquilho, em Tiet\u00ea, no dia 24 de dezembro de 1941.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entre seus trabalhos mais conhecidos encontram-se <em>Crescimento Mental, Escola Brasileira, Sombras que vivem, Did\u00e1tica, Planos de Li\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo \u2013 Varia\u00e7\u00f5es sobre motivos da Hist\u00f3ria Paulista.<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Algumas palavras sobre sua obra.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sud Mennucci assim se manifestou a respeito do escritor:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E teu estilo vai admiravelmente ao assunto: emotivo e suave, \u00e9 sempre vibrante, pela instintiva simpatia com que tratas as narrativas e alteando-se aos epis\u00f3dios tr\u00e1gicos ou baixando-se \u00e0s cenas da vida ordin\u00e1ria, n\u00e3o perde nunca a sobriedade que distingue um escritor honesto dos escribas vulgares desprovidos cong\u00eanitos do senso da medida e das propor\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Estilo mais de orador e poeta, que de apreciador sereno e impass\u00edvel da Hist\u00f3ria.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ad\u00e9rito Augusto de Moraes Calado, em cuja biografia de Jo\u00e3o Toledo hauri muitos dos dados aqui apresentados, assim resume os tra\u00e7os caracter\u00edsticos da obra do insigne educador:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Vestiu a express\u00e3o de toques delicados de renda, aquecida pela emo\u00e7\u00e3o despertada ao sabor das narrativas assaz atraentes e encantadoras.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Fabula\u00e7\u00e3o rica de imagens interessantes, evocando a vida de outrora, as suas figuras lend\u00e1rias e a trama do viver social e pol\u00edtico do nosso povo.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9, todavia, com a mesma ternura com que lembramos, ele e eu, a Virgem Imaculada, que termino o r\u00e1pido perfil de Jo\u00e3o Toledo, visto que, como ele, venero aquela que \u00e9 a Senhora dos Imposs\u00edveis e M\u00e3e de todos os mortais, transcrevendo trecho em que narra o fim de um dia ordin\u00e1rio de trabalho, ao som dos sinos das Ave-Marias:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">D\u2019l\u00e9m, b\u2019l\u00e9m, d\u2019l\u00e9m&#8230; Ave-Marias, \u00faltimas badaladas da tarde. Enchem os ares sons macios de bronze. Retalhos t\u00eanues de crepe amarrotam-se no alto e descem lentamente sobre a terra. A quietude e o sil\u00eancio come\u00e7am. Roceiros e oper\u00e1rios recolhem-se a seus lares. Cessa, para muitos, a vida \u00e1spera do dia. Ferramentas encostam-se pelos cantos. Bra\u00e7os e pernas fatigados distendem-se e entram em repouso. Rodeiam as moradas animais dom\u00e9sticos, de cabe\u00e7a baixa, como a pensar. O olhar do homem, incerto, sem destino, arrasta-se pelas nuvens de chumbo rendadas de ouro, inda no ocaso.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E as recorda\u00e7\u00f5es invadem-lhe o esp\u00edrito. \u00c9 a hora do recolhimento.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Passo, agora, a examinar de forma tamb\u00e9m breve e perfunct\u00f3ria a vida de meu antecessor Ant\u00f4nio D\u2019\u00c1vila. Nasceu em Ja\u00fa, em 13 de julho de 1903, tendo vindo para S\u00e3o Paulo com sua fam\u00edlia e aqui feito seus estudos prim\u00e1rios na Consola\u00e7\u00e3o, na Avenida Paulista e na Rua Santo Ant\u00f4nio, onde havia grupos escolares. Seu ingresso na Escola Normal da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica deu-se em 1917, de onde saiu diplomado em 1920. Come\u00e7ou a lecionar assim que formado. De in\u00edcio, em escolas distritais reunidas e rurais, passando, mais tarde, aos grupos escolares, como os de Mirassol e Santa Cruz do Rio Pardo, nesta \u00faltima tendo sido diretor.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Depois de ter sido diretor de escolas reunidas, lecionou pedagogia em estabelecimentos normais livres, tornando-se lente de metodologia do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o da USP. Inscreveu-se como candidato a professor catedr\u00e1tico naquela institui\u00e7\u00e3o, em 1935, com obten\u00e7\u00e3o, no concurso, do grau de livre docente. E a partir da\u00ed lecionou em in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es, como a Faculdade de Filosofia S\u00e3o Bento, Faculdade Cat\u00f3lica de Filosofia, Ci\u00eancias, Letras de Campinas, Instituto de Servi\u00e7o Social do Senac e do Senai, Escola Normal Livre do Ipiranga, Instituto Frederico Ozanan, Sociedade S\u00e3o Vicente de Paulo.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ant\u00f4nio D\u2019\u00c1vila participou de in\u00fameras entidades culturais, tendo sido vice-presidente da Sociedade Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, diretor geral do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o, membro do Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o, da Academia Paulista de Psicologistas, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico, da Liga do Professorado Cat\u00f3lico, do Centro do Professorado Paulista, inclusive ensinando psicologia nos cursos pr\u00e9-jur\u00eddicos da Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo, tra\u00e7o que me une a meu antecessor, pois naquela escola me formei em 1958, bacharel em Direito. Recebeu in\u00fameras condecora\u00e7\u00f5es e bolsas de estudo, mas, dentre os fatos que marcaram sua vida, est\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o na Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932, cuja \u201cvitoriosa derrota\u201d rendeu-lhe a pris\u00e3o na Ilha Grande, motivo que a hist\u00f3ria demonstrou ser n\u00e3o uma m\u00e1cula, mas um galard\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E aqui, mais um ponto de contato com meu antecessor, visto que lutou ele pela outorga de uma Constitui\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds, o que s\u00f3 foi poss\u00edvel em 1934, por for\u00e7a do movimento de 32, e tenho eu lutado, dentro das limita\u00e7\u00f5es not\u00f3rias de minhas for\u00e7as, pelo primado da Constitui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Sempre entendi que o verdadeiro Estado de Direito apenas se realiza no momento em que uma Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel. Os ingleses t\u00eam sua \u201cLex Maxima\u201d desde 1215 e os princ\u00edpios daquela Carta at\u00e9 hoje maravilham os constitucionalistas de todos os pa\u00edses, visto que n\u00e3o h\u00e1 Constitui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tenha, em alguma medida, incorporado disposi\u00e7\u00f5es daquele diploma dos bar\u00f5es ingleses.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A pr\u00f3pria Inglaterra nunca mais redigiu um diploma substitutivo, em face de os princ\u00edpios gerais dispostos naquele texto serem ainda hoje de aceita\u00e7\u00e3o absoluta.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Lutamos os dois pelos mesmos ideais em prol do Brasil, na esperan\u00e7a de que a lei suprema ponha o Estado a servi\u00e7o do povo e n\u00e3o o povo a servi\u00e7o dos governantes.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ant\u00f4nio D\u2019\u00c1vila escreveu in\u00fameras obras, entre elas, <em>Pr\u00e1ticas Escolares, Figuras e Fatos do Ensino Brasileiro, Panorama do Brasil, atrav\u00e9s de um esp\u00edrito: Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, Guia do Estudante, Grandes Educadores <\/em>(biografia de Dom Bosco), <em>O Mestre das Am\u00e9ricas <\/em>(biografia de Manuel Bergstrom Louren\u00e7o Filho), <em>As modernas diretrizes da Did\u00e1tica <\/em>(tese de concurso), <em>Pedagogia Te\u00f3rica e Pr\u00e1tica, P\u00e1tria Brasileira <\/em>(li\u00e7\u00f5es de civismo), <em>Vida de Edmundo D\u2019Amicis, Grandes Figuras do Magist\u00e9rio Feminino, Biografia da Professora Maria Augusta D\u2019\u00c1vila<\/em>. E em <em>Literatura Infantil, <\/em>no dizer de Samuel Pfromm Netto, a carreira do escritor atinge seu momento maior. Deve-se lembrar ainda que foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Foi tamb\u00e9m tradutor conceituado, tendo, com o professor Damasco Pena, traduzido a obra de Aguayo, <em>Did\u00e1tica da Escola Nova.<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9, todavia, na biografia de sua tia que se sente, com maior profundidade, a alma sens\u00edvel, generosa, culta de Ant\u00f4nio D\u2019\u00c1vila, sobre saber-se fazer expressar em estilo trabalhado, mas simples e elegante. Todos os cap\u00edtulos s\u00e3o iniciados por uma cita\u00e7\u00e3o. De Gabriela Mistral, por exemplo, tira o perfil do verdadeiro educador, quando escreve:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Senhor! Tu que ensinaste, perdoa que ensine e que tenha o nome de Mestra, que tiveste na terra, <\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">ou de Jacob Neto:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na lembran\u00e7a da mestra t\u00e3o querida<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A quem rendemos culto t\u00e3o profundo,<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">digamos que ela foi maior que a vida<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">e teve um cora\u00e7\u00e3o maior que o mundo.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ou ainda de Maria Augusta D\u2019\u00c1vila:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O sofrimento \u00e9 a escola onde as almas ensaiam o voo para as alturas.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o quero, todavia, terminar este elogio sem transcrever algumas palavras de D\u2019\u00c1vila sobre o patrono de nossa cadeira (sua e minha), para que todos conhe\u00e7am a poesia do patrono e a prosa do sucessor:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sil\u00eancio \u2013 dias tristes, noites frias,<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 V\u00e3o-se as aves embora.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Passa-se o inverno, e as aves fugidias,<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cantando \u00e0 luz da aurora,<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Enchem de novo a terra de alegrias.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Partem, ficamos s\u00f3s; e quem as h\u00e1-de<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aqui substituir?<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outros v\u00e3o &#8230; outros v\u00eam &#8230; mas a saudade<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Das que vimos partir<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mais e mais, como fel, noss\u2019alma invade.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Luz no c\u00e9u uma estrela; a terra escura<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diz ela \u00e9 fria, \u00e9 triste.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E nas trevas, andamos \u00e0 procura<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De um bem que n\u00e3o existe.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esse estrela \u00e9 a esperan\u00e7a, a terra escura<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seria a vida triste &#8230;<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o indagues, diz ela se a ventura<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 bem que acaso existe.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esta vida \u00e9 um prazer, nunca foi triste<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nem fria, nem escura,<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Porque a esperan\u00e7a \u00e9 bem que sempre existe<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 sol que sempre dura.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sobre tais versos, escreve meu antecessor:<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><em><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Dotado de palavra f\u00e1cil, fluente, Toledo era orador capaz de prender e emocionar audit\u00f3rios. Com um acento caracter\u00edstico da fala da regi\u00e3o sulina, no Estado, escandindo as s\u00edlabas com cuidadosa dic\u00e7\u00e3o, discorria sobre temas hist\u00f3ricos e de educa\u00e7\u00e3o, sociais e did\u00e1ticos com abund\u00e2ncia de imagens e delicadas nuances de pensamento. Lendo ou falando de improviso, era sempre o mesmo fidalgo no dizer e na figura. Sua palavra correta e precisa, de que se ouviam as termina\u00e7\u00f5es claras, enla\u00e7ava-se em pensamentos elevados, num tom de quase prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Brotavam de suas express\u00f5es, de ordin\u00e1rio, indica\u00e7\u00f5es, diretrizes e advert\u00eancias para a a\u00e7\u00e3o humana, quer no sentido social, quer no campo da escola, mas sempre tocados de emo\u00e7\u00e3o ao referir-se ao mestre ou ao homem comunit\u00e1rio, aos jovens, crian\u00e7as e adultos. Pode-se dizer que a t\u00f4nica da palavra desse orador nato, vestida de galas e floreios de estilo, era o Brasil, o homem brasileiro, nossos ideais, nossa Hist\u00f3ria.<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E chegou o momento de parar. Quis ser, desde os bancos escolares, advogado e professor. Sou hoje professor e advogado. Na defesa dos interesses e direitos de meus clientes dedico parte de minha vida. Na defesa das institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas a outra parte. Nesta defesa, a espada do ensino e o escudo das manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas contra as arbitrariedades do poder t\u00eam sido por mim brandidos com os desajeitos pr\u00f3prios de minha mediania, mas com a grandeza sem limites de meus ideais. Meu patrono e meu antecessor tamb\u00e9m assim agiram. Com os mesmos ideais e com superior dinamismo e talento.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nunca pensei, quando acad\u00eamico de Direito e aprendiz de professor, que um dia estaria no sodal\u00edcio maior da Educa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, desta terra generosa que conformou as fronteiras do Brasil, ofertando \u00e0s gera\u00e7\u00f5es vindouras uma na\u00e7\u00e3o continental. Desta terra em que os bandeirantes distenderam o arco das Tordesilhas para, um dia, lan\u00e7arem seus descendentes a flecha do futuro de um grande pa\u00eds. Desta terra que liderou sempre os mais nobres movimentos da nacionalidade e que emociona os que nela nasceram ou aqueles que hospitaleiramente foram por ela recebidos.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ingresso nesta Academia pelas m\u00e3os de meu amigo, mestre e insigne psic\u00f3logo, Samuel Pfromm Neto, de cujos esfor\u00e7os para minha elei\u00e7\u00e3o, nada obstante sua discri\u00e7\u00e3o, tive conhecimento e a quem sou grat\u00edssimo, ele que \u00e9 uma das mais esplendorosas express\u00f5es da moderna psicologia e que exerce com brilho e efici\u00eancia a presid\u00eancia desta Casa de Cultura.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O educador \u00e9 necessariamente um desbravador do porvir. Seus estudos antecipat\u00f3rios, mesmo que versando sobre o passado, ganham sempre a dimens\u00e3o do amanh\u00e3 por for\u00e7a da pureza de seus ideais e da semente de suas li\u00e7\u00f5es. Que esta Academia, que presta permanente homenagem aos que ensinam e preparam o Brasil futuro, continue a orientar S\u00e3o Paulo e o pa\u00eds, e que eu, seu mais modesto membro, possa com meus demais confrades, participar, n\u00e3o no talento, mas na const\u00e2ncia e no trabalho, deste gesto generoso e fecundo de semeador de cultura e de grandeza.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify; FONT-FAMILY: \"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Muito obrigado.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso de Posse do Acad\u00eamico Titular IVES GANDRA DA SILVA MARTINS \u00a0 23\/6\/1993 \u00a0 Senhor Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o Senhores Acad\u00eamicos Senhoras e Senhores Os constituintes pret\u00e9rito e atual, conscientes da import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento dos povos, impuseram norma, que, apesar de violentada por quase todos os governos, merece reflex\u00e3o. Trata-se de comando prevendo que 18% da receita de todos os impostos federais, na parte que pertence \u00e0 Uni\u00e3o, e 25% de todos os impostos estaduais e municipais, al\u00e9m da receita transferida pela Uni\u00e3o, deveriam ser destinados \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o. 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