{"id":188,"date":"2011-09-06T14:16:44","date_gmt":"2011-09-06T17:16:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2011\/09\/06\/uma-proposta-de-politica-de-formacao-de-profissionais-da-educacao-para-uma-escola-democratica\/"},"modified":"2011-09-06T14:16:44","modified_gmt":"2011-09-06T17:16:44","slug":"uma-proposta-de-politica-de-formacao-de-profissionais-da-educacao-para-uma-escola-democratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/uma-proposta-de-politica-de-formacao-de-profissionais-da-educacao-para-uma-escola-democratica\/","title":{"rendered":"Uma proposta de pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o de profissionais da educa\u00e7\u00e3o para uma escola democr\u00e1tica."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Uma proposta de pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o de profissionais da educa\u00e7\u00e3o para uma escola democr\u00e1tica<br \/>Prof. Dr. Jair Milit\u00e3o da Silva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resumo: Novas demandas postas \u00e0 escola e aos que nela trabalham &#8211; democratiza\u00e7\u00e3o do acesso e da perman\u00eancia dos alunos; democratiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o; reunifica\u00e7\u00e3o do conhecimento; autonomia da unidade escolar; trabalho coletivo e por projetos &#8211; t\u00eam recebido respostas dos governos e da comunidade de educadores que atuam no campo do ensino. Esse cen\u00e1rio e essas respostas exigem do profissional da educa\u00e7\u00e3o novas compet\u00eancias, que devem ser adquiridas, quando poss\u00edvel, na forma\u00e7\u00e3o inicial, ou impreterivelmente, na forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, em servi\u00e7o. Surge a necessidade de conhecer o campo educacional de modo a permitir maior mobilidade do educador nas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que lhe coloca o trabalho educativo.<br \/>Palavras Chave: Pol\u00edtica P\u00fablica de Educa\u00e7\u00e3o; Forma\u00e7\u00e3o de Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o; Escola <\/p>\n<p>Democr\u00e1tica.<br \/>Abstract: Government policies, school and educators are nowadays asked to provide responses to new challenges: democratization of access and permanence of students; democratization of management; reunification of knowledge; school autonomy; collective work and projects. Under this scenario new abilities of education personnel are required: in their initial formation or at less in their continual formation. It is necessary to know the educational field in order to allow greater mobility of educator.<br \/>Keywords: Public policy of education; Training of educational personnel; Democratic school.<br \/>A afirma\u00e7\u00e3o da democracia, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, como valor a ser buscado universalmente pelos governos e pelos povos, de modo especial no mundo ocidental, atingiu a escola, apresentando-se sob a forma de reivindica\u00e7\u00e3o do direito ao acesso, por todos os interessados, ao ensino. Isso trouxe, especialmente aos sistemas p\u00fablicos, a necessidade de atender a um grande n\u00famero de alunos, levando, no Ensino B\u00e1sico, \u00e0 duplica\u00e7\u00e3o, triplica\u00e7\u00e3o e mesmo at\u00e9 \u00e0 quintuplica\u00e7\u00e3o de per\u00edodos letivos em um s\u00f3 dia na mesma escola. A falta de pessoal plenamente qualificado fez com que houvesse a necessidade da ades\u00e3o de profissionais sem a necess\u00e1ria forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica ou de estudantes-professores ainda em fase de conclus\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o para o trabalho docente.<br \/>\u00c0 abertura de vagas para todos seguiu-se a luta pela perman\u00eancia sem a expuls\u00e3o dos que entravam na primeira s\u00e9rie da escolariza\u00e7\u00e3o e, por fim, a busca de democratiza\u00e7\u00e3o atinge a gest\u00e3o de escola, sendo reivindicada a participa\u00e7\u00e3o de usu\u00e1rios e trabalhadores escolares nas tomadas de decis\u00e3o.<br \/>Outra demanda a atingir a escola e aos docentes que nela atuam foi o movimento pela reunifica\u00e7\u00e3o do conhecimento: a cr\u00edtica da disciplinariza\u00e7\u00e3o do conhecimento questiona os docentes sobre a necessidade de encontrarem abordagens<br \/>1 Professor Associado da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 aposentado. Docente do Programa de Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Cidade de S\u00e3o Paulo. Membro Titular da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de ensino que ofere\u00e7am aos educandos uma vis\u00e3o mais ampla e global dos fen\u00f4menos estudados. N\u00e3o compete mais ao aluno efetuar a unidade do conhecimento mediante unicamente seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o: a escola, atrav\u00e9s de seus docentes, deve oferecer aos alunos um conhecimento interdisciplinar, com a contribui\u00e7\u00e3o das diferentes disciplinas para uma perspectiva globalizante.<br \/>A terceira importante demanda a sacudir o trabalho docente tem sido o que se convencionou chamar de o &#8220;desmanche dos grandes sistemas&#8221;, significando esta express\u00e3o a op\u00e7\u00e3o gerencial pela descentraliza\u00e7\u00e3o das grandes organiza\u00e7\u00f5es o que leva \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da necessidade de autonomia das unidades m\u00ednimas produtivas ou prestadoras de servi\u00e7o. Um sistema de ensino como o paulista, por exemplo, com mais de seis milh\u00f5es de alunos, com cerca de duzentos mil docentes, atendendo a um estado com popula\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes maior que muitos pa\u00edses, n\u00e3o consegue ser gerenciado de forma centralizada, se quiser oferecer respostas \u00e1geis e adequadas a cada realidade onde se situe.<br \/>Estas novas demandas postas \u00e0 escola e aos que nela trabalham &#8211; democratiza\u00e7\u00e3o do acesso e da perman\u00eancia dos alunos; democratiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o; reunifica\u00e7\u00e3o do conhecimento; autonomia da unidade escolar \u2013 t\u00eam tem recebido respostas dos governos e da comunidade de educadores que atuam no campo do ensino. O aumento do n\u00famero de vagas, a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos que facilitem o percurso do aluno ao longo dos graus de ensino (cria\u00e7\u00e3o de ciclos maiores que as s\u00e9ries; progress\u00e3o cont\u00ednua, sem reprova\u00e7\u00e3o; possibilidade da equipe escolar reclassificar alunos, remetendo-os para est\u00e1gios mais avan\u00e7ados; classes de acelera\u00e7\u00e3o da aprendizagem; recupera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua), a cria\u00e7\u00e3o de projetos interdisciplinares, estudos do meio com o concurso integrado de v\u00e1rias disciplinas, ado\u00e7\u00e3o de temas transversais, a aglutina\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de v\u00e1rias disciplinas, a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os colegiados como forma de gest\u00e3o escolar, o incentivo para que cada unidade escolar crie seu pr\u00f3prio regimento e sua pr\u00f3pria proposta pedag\u00f3gica, s\u00e3o iniciativas que visam atender \u00e0s necessidades advindas do novo cen\u00e1rio em que se situa o trabalho educativo da escola b\u00e1sica.<br \/>Esse cen\u00e1rio e essas respostas exigem do profissional da educa\u00e7\u00e3o novas compet\u00eancias, que devem ser adquiridas, quando poss\u00edvel, na forma\u00e7\u00e3o inicial, ou impreterivelmente, na forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, em servi\u00e7o. O acesso de uma nova clientela \u00e0 escola coloca a esses profissionais a urg\u00eancia de adquirir e ampliar seus conhecimentos para al\u00e9m de sua pr\u00f3pria disciplina. Surge a necessidade de conhecer o campo educacional de modo a permitir maior mobilidade do educador nas v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es que lhe coloca o trabalho educativo.<br \/>As descobertas recentes sobre a aprendizagem, de modo especial em adultos, revelam a utilidade da exist\u00eancia de conceitos organizadores do campo estudado. Desse modo, as informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias podem estruturar-se de forma a estar dispon\u00edveis para transfer\u00eancia para novas situa\u00e7\u00f5es nas quais o desempenho dependa desses novos conhecimentos.<br \/>Nos conhecimentos que se referem ao processo educativo um conceito organizador crucial \u00e9 o de situa\u00e7\u00e3o educativa, que pode ser entendida como um percurso, de um ponto a outro, atrav\u00e9s de um caminho, guiado, com a ades\u00e3o consciente e livre do educando. Tr\u00eas momentos podem ser destacados para fins de an\u00e1lise e constitui\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o educativa: um ponto de partida \u2013 os pressupostos antropol\u00f3gicos e gnosiol\u00f3gicos -, um ponto de chegada \u2013 os fins e objetivos -, um caminho \u2013 o m\u00e9todo -.<br \/>A vis\u00e3o antropol\u00f3gica condiciona o agir educativo do educador, dado ser este um ente racional que age segundo objetivos que procura atingir adequadamente ao significado que atribui \u00e0 realidade, a si pr\u00f3prio e aos seus semelhantes. Um educador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que veja o educando como algu\u00e9m fadado ao insucesso e incapaz de aprender, dificilmente empreender\u00e1 qualquer esfor\u00e7o para colaborar com esta crian\u00e7a, jovem ou adulto. O educador poupar\u00e1 suas energias para serem utilizadas com algum outro educando \u201ccom capacidade de aprender\u201d segundo a vis\u00e3o antropol\u00f3gica que oriente seu trabalho educativo. Portanto, \u00e9 fundamental oferecer aos educadores uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica que apresente o educando como pessoa, dotada de intelig\u00eancia, liberdade e vontade, capaz de ser protagonista de sua pr\u00f3pria vida, capaz de acolher a transcend\u00eancia e conviver com seus semelhantes de forma cooperativa e amorosa.<br \/>Em outras palavras, em nossos pensamentos habituais \u00e9 frequentemente mais f\u00e1cil nos darmos conta da necessidade de um ponto de chegada, chamado objetivo ou finalidade e mesmo de um caminho ou m\u00e9todo. Todavia, a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia do ponto de partida costuma ser negligenciada.<br \/>Geralmente, n\u00e3o percebemos o peso que possui em nossas a\u00e7\u00f5es nossa vis\u00e3o sobre a realidade. Nossas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o fortemente condicionadas pela percep\u00e7\u00e3o que temos dos fatos e das pessoas. \u00c9 sabido, por quem atua nas escolas a influ\u00eancia que exerce sobre o professor a vis\u00e3o que tenha sobre seus alunos. \u00c9 diferente a a\u00e7\u00e3o do professor que entra na \u201c5\u00aa. S\u00e9rie F\u201d (considerada a mais fraca da escola) daquela quando entra na \u201c5\u00aa. A\u201d (a dos alunos mais adiantados). Somos seres vivos e inteligentes, isto \u00e9, somos movidos por objetivos eleitos em nossa rela\u00e7\u00e3o inteligente com o ambiente. Adequamos nossos esfor\u00e7os \u00e0quilo que julgamos ser poss\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o: se acreditamos que os alunos n\u00e3o aprendem, n\u00e3o ensinaremos; se acreditamos que podem aprender, procuraremos ensinar.<br \/>O ponto de partida, portanto, tem um duplo aspecto a ser considerado: a realidade objetiva do educando (sua hist\u00f3ria, sua situa\u00e7\u00e3o familiar, sua experi\u00eancia \u2013 entendida como a viv\u00eancia com significado -, seus m\u00e9todos pr\u00f3prios de aprendizagem; suas possibilidades) e a nossa subjetividade que encontra essa realidade (o educando). Entre a realidade fora de n\u00f3s e nossa a\u00e7\u00e3o temos nossa subjetividade composta de sentimento, liberdade, vontade.<br \/>Os pressupostos antropol\u00f3gicos e gnosiol\u00f3gicos, ou seja, a vis\u00e3o pr\u00e9via sobre o que \u00e9 o homem , o que e como conhece, deve ser considerada tanto para o educando quanto para o educador. O ser antropol\u00f3gico e gnosiol\u00f3gico do educador condiciona sua maneira de ver o ser antropol\u00f3gico e gnosiol\u00f3gico do educando.<br \/>Uma conhecida f\u00e1bula ilustra este tema da subjetividade que deve ser levada em conta: a coruja, ao sair para ca\u00e7ar, encontrou o gavi\u00e3o que tamb\u00e9m iniciava sua jornada em busca de alimento. Ela resolveu avisar ao gavi\u00e3o que n\u00e3o molestasse seus filhotes. O gavi\u00e3o perguntou como ele saberia quais eram os filhotes da coruja. Ela disse: &#8211; S\u00e3o os mais lindos! E cada um foi para o seu lado.<br \/>A coruja, ao chegar, horas depois, ao ninho, teve a triste vis\u00e3o de seus filhotes despeda\u00e7ados, sobrando apenas alguns restos de seus corpos. Desesperada perguntou aos vizinhos o que tinha acontecido. Eles disseram que o gavi\u00e3o havia devorado os filhotes. A coruja foi imediatamente ao ninho do gavi\u00e3o e perguntou-lhe porque havia feito aquilo. Ele, totalmente confuso, disse: &#8211; Pensei que n\u00e3o fossem seus filhos, pois eram muito feios.<br \/>Essa pequena hist\u00f3ria nos chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia do olhar com o qual vemos a realidade. Como distinguir os verdadeiros \u201cfilhos da coruja?\u201d.<br \/>Uma vis\u00e3o antropol\u00f3gica pode ser condensada em afirma\u00e7\u00f5es sobre o homem, de modo a responder \u00e0 pergunta: Quem \u00e9 o homem?<br \/>O homem \u00e9 um ser capaz de constante aperfei\u00e7oamento. \u00c9 dotado do desejo do bem, da verdade, da justi\u00e7a. Desenvolve-se mediante a supera\u00e7\u00e3o de fases que se apresentam com necessidades espec\u00edficas e caracterizadoras do momento. Cada fase<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">deve ser vivida como ocasi\u00e3o de fazer experi\u00eancia significativa que contribui para uma vida feliz. Esta experi\u00eancia deve tornar a realidade plena de significados e de demandas que s\u00e3o respondidas na condi\u00e7\u00e3o de pessoa, ou seja, de ser que descobre o belo, o bom, o verdadeiro, na rela\u00e7\u00e3o com as outras pessoas.<br \/>O homem \u00e9 um ser dotado de esperan\u00e7a e esta espera pode se dar a partir da percep\u00e7\u00e3o de que a realidade possui um des\u00edgnio bom, sendo amiga e n\u00e3o inimiga. O semelhante que partilha comigo desse des\u00edgnio n\u00e3o \u00e9 meu objeto de posse, mas antes, algu\u00e9m com quem condivido um destino bom.<br \/>O homem aprende segundo o que pode captar e, desse modo, o exemplo do educador \u00e9 fundamental, n\u00e3o se substituindo pela palavra falada ou escrita.<br \/>Os fins e objetivos expressam a vis\u00e3o teleol\u00f3gica que o educador tem sobre o homem. Um consenso atingido pela comunidade educativa internacional indica como fins da Educa\u00e7\u00e3o os quatro pilares propostos pela UNESCO e que s\u00e3o: Aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos, a conviver com os outros; aprender a ser.<br \/>Aprender a conhecer \u00e9 ser introduzido na totalidade da realidade e, desse modo, perceber-se como pertencente a uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou antes de mim. \u00c9 aprender a buscar a totalidade dos fatores e a objetividade.<br \/>Aprender a fazer \u00e9 descobrir o trabalho como forma de intera\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o social. \u00c9 reconhecer o pr\u00f3prio limite e a necessidade do outro para que eu possa viver. \u00c9 tamb\u00e9m, encontrar um m\u00e9todo de fazer e ver-se como criador e construtor que colabora para a manuten\u00e7\u00e3o da vida humana na terra.<br \/>Aprender a viver juntos, a conviver com os outros \u00e9 descobrir-se como pertencente a uma comunidade humana sem a qual eu n\u00e3o vivo. \u00c9 passar de um simples estar no mesmo espa\u00e7o para um estar com o outro em solidariedade de destino. \u00c9 reconhecer a inelut\u00e1vel dignidade de cada ser humano que n\u00e3o pode ser instrumentalizado para nenhum projeto, por mais aparentemente nobre que este seja, e, assim, de modo especial no trabalho educativo, valorizar a inten\u00e7\u00e3o, o processo e n\u00e3o os resultados como produtos.<br \/>Aprender a ser \u00e9 aprender a tornar-se pessoa, o que significa descobrir o que nos constitui, ou seja, o desejo de felicidade.<br \/>Outro elemento constituinte da situa\u00e7\u00e3o educativa \u00e9 o m\u00e9todo. O m\u00e9todo, a rigor, confunde-se com a totalidade da educa\u00e7\u00e3o, uma vez que nele est\u00e3o presentes os pressupostos antropol\u00f3gicos e gnosiol\u00f3gicos, as finalidades e os objetivos. M\u00e9todo \u00e9 caminho. Educar \u00e9 caminhar em companhia do educando, sabendo o educador de onde parte e para onde quer chegar. \u00c9 caminhar com a ades\u00e3o consciente e volunt\u00e1ria do educando.<br \/>\u00c9 importante ter claro quem \u00e9 o sujeito educativo, quem conduz o processo educativo. Na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, de modo especial, torna-se crucial ter presente a import\u00e2ncia da fam\u00edlia como sujeito educativo por excel\u00eancia ao qual a escola presta ajuda subsidiariamente.<br \/>Quando a educa\u00e7\u00e3o ocorre na institui\u00e7\u00e3o escolar caracteriza-se por ser intencional, sistem\u00e1tica e progressiva.<br \/>A escola organiza seu trabalho educativo em um curr\u00edculo que \u00e9 o conjunto de experi\u00eancias que ela oferece ao educando. Um curr\u00edculo pode ser compreendido e avaliado conforme sejam seus temas (presentes ou ausentes), os ju\u00edzos de valor sobre estes temas e as formas de veicula\u00e7\u00e3o destes temas.<br \/>Em uma organiza\u00e7\u00e3o escolar, o trabalho pessoal de cada educador deve estar articulado com o dos demais educadores e, desse modo, o trabalho coletivo \u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">fundamental para que objetivos comuns e procedimentos articulados e adequados a estes objetivos ocorram.<br \/>Para isto, o Projeto Pedag\u00f3gico da Escola, no caso do Ensino B\u00e1sico, ou o Plano de Desenvolvimento Institucional, no caso das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior, s\u00e3o guias para a a\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Desse modo, os educadores precisam desenvolver a capacidade de planejar, trabalhar coletivamente, relacionarem-se com seus pares, educandos, familiares, todos os envolvidos no processo educativo.<br \/>Outros conceitos, al\u00e9m de situa\u00e7\u00e3o educativa, tais como, educa\u00e7\u00e3o escolar, organiza\u00e7\u00e3o escolar, curr\u00edculo, ciclo did\u00e1tico, entre outros, contribuem para capacitar o docente a pensar sua pr\u00e1tica e, se necess\u00e1rio, modific\u00e1-la. A no\u00e7\u00e3o de ciclo did\u00e1tico como a forma pela qual o docente realiza seu trabalho de ensino-aprendizagem com os alunos, permite pensar o planejamento, a execu\u00e7\u00e3o e a avalia\u00e7\u00e3o como momentos em que, respectiva e predominantemente, se d\u00e1 a sele\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, o desenvolvimento metodol\u00f3gico e avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do &#8220;aprendido&#8221;, mas tamb\u00e9m do &#8220;ensinado&#8221;.<br \/>Um maior conhecimento do campo educacional n\u00e3o ocorre, geralmente, de forma espont\u00e2nea: h\u00e1 a necessidade de estudos sistem\u00e1ticos, nas modalidades que as situa\u00e7\u00f5es concretas permitam: semin\u00e1rios, leituras dirigidas, cursos de atualiza\u00e7\u00e3o, etc. O importante \u00e9 que o docente perceba a necessidade dessa forma\u00e7\u00e3o e tenha oportunidade de realiz\u00e1-la de forma sistem\u00e1tica e continuada.<br \/>As novas solicita\u00e7\u00f5es que se apresentam ao trabalho docente exigem tamb\u00e9m do educador uma nova capacidade de superar a atua\u00e7\u00e3o individual rumo a um trabalho partilhado, coletivo. A busca de uma nova interdisciplinaridade e as novas responsabilidades postas \u00e0 equipe escolar visando a autonomia da unidade pedem que se possibilite ao educador ter a compet\u00eancia para atuar coletivamente e com incid\u00eancia no institucional da escola.<br \/>Trabalhar coletivamente, em nossa cultura organizacional escolar, n\u00e3o \u00e9 o &#8220;natural&#8221;: h\u00e1 necessidade de um esfor\u00e7o que ven\u00e7a a in\u00e9rcia institucional sustentada na exist\u00eancia de pap\u00e9is fixamente ordenados, em que os ocupantes dos cargos agem como atores e n\u00e3o como sujeitos. Um ator s\u00f3 atua a partir do papel que lhe \u00e9 atribu\u00eddo previamente por algu\u00e9m que fez a &#8220;descri\u00e7\u00e3o do cargo&#8221;. Um sujeito relaciona-se inteligentemente com a realidade, julgando-a e posicionando-se, de modo a optar responsavelmente por suas decis\u00f5es. Um sujeito \u00e9 capaz de dizer: &#8211; &#8220;concordo&#8221;, &#8220;n\u00e3o concordo&#8221;; &#8220;gostei&#8221;, &#8220;n\u00e3o gostei&#8221;.<br \/>A exist\u00eancia de aut\u00eanticos sujeitos nas unidades escolares s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando ocorre a re-humaniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas e, para al\u00e9m do funcion\u00e1rio, surge a pessoa do educador.<br \/>O surgimento da pessoa pode acontecer em um clima pr\u00f3prio que \u00e9 o comunit\u00e1rio, o coletivo, isto \u00e9, um ambiente onde haja grupos de refer\u00eancia dos quais seja poss\u00edvel participar e se desenvolva um sentido de &#8220;n\u00f3s \u00e9tico&#8221;.<br \/>A din\u00e2mica das organiza\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, para ser superada, pede a exist\u00eancia de sujeitos coletivos que n\u00e3o visem unicamente seus interesses corporativos, mas tenham uma atitude e uma atua\u00e7\u00e3o pluralista.<br \/>O conhecimento dispon\u00edvel para a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos coletivos pluralistas encontra-se no campo da educa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e a educa\u00e7\u00e3o escolar em muito pode beneficiar-se com este interc\u00e2mbio.<br \/>A autonomia da escola pode ocorrer de forma a contribuir para a melhoria da qualidade de vida de estudantes, trabalhadores em educa\u00e7\u00e3o e popula\u00e7\u00e3o em geral, quando consistir em um processo de re-humaniza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">possibilitando o surgimento de sujeitos comunit\u00e1rios capazes de atuar na din\u00e2mica organizacional da escola e que se mantenham como instituintes e conhe\u00e7am os mecanismos do institu\u00eddo.<br \/>Isso implica em saber que uma pr\u00e1tica inovadora pode entrar no cotidiano da escola se ocupar um tempo, um espa\u00e7o e ser inclu\u00edda no or\u00e7amento da mantenedora.<br \/>Estes tempos de novas demandas colocadas aos educadores exigem destes a aquisi\u00e7\u00e3o de novas compet\u00eancias que favore\u00e7am uma atua\u00e7\u00e3o mais humana e, pelo menos, com uma taxa menor de sofrimento, na maioria das vezes, desnecess\u00e1rios e que tornam a vida cotidiana de alunos, familiares e equipe escolar um desafio constante.<br \/>Um teste decisivo para uma avalia\u00e7\u00e3o do grau de busca da democratiza\u00e7\u00e3o do atendimento escolar \u00e9 o posicionamento dos dirigentes diante da chamada demanda passiva.<br \/>As autoridades educacionais, mesmo as bem intencionadas, podem cair em um equ\u00edvoco que contribui para minar o \u00e2nimo dos agentes p\u00fablicos que buscam a democratiza\u00e7\u00e3o e produzir resultados contr\u00e1rios aos esperados na popula\u00e7\u00e3o. Esse equ\u00edvoco \u00e9 considerar a demanda como apenas constitu\u00edda por aqueles que batem \u00e0 porta das escolas por ocasi\u00e3o das matr\u00edculas. A esses podemos denominar de \u201cdemanda ativa\u201d.<br \/>H\u00e1, contudo, um grupo que n\u00e3o procura espontaneamente a escola e isso por diversas raz\u00f5es; s\u00f3 iniciar\u00e3o ou retomar\u00e3o o processo de escolariza\u00e7\u00e3o se forem procurados e convencidos da necessidade da matr\u00edcula. Podemos chamar a estes de \u201cdemanda passiva\u201d.<br \/>Sejam crian\u00e7as e jovens migrantes que chegam \u00e0s grandes cidades sem nunca terem freq\u00fcentado a escola, ou dela terem sa\u00eddo muito cedo, sem tempo de, ao menos, alfabetizar-se, com idade acima da esperada para suas necessidades escolares e sentindo-se constrangidos, n\u00e3o t\u00eam coragem de procurar por matr\u00edcula; sejam, ainda, os pr\u00f3prios pais que matriculam seus filhos pequenos nas escolas enquanto eles pr\u00f3prios tamb\u00e9m necessitariam matricular-se para serem igualmente alfabetizados, mas n\u00e3o o fazem, muitas vezes, tamb\u00e9m constrangidos.<br \/>Evidentemente, a equipe da unidade escolar pode dar-se por satisfeita e considerar ter cumprido o dever se conseguiu acomodar a todos os que a procuraram, o que em muitas regi\u00f5es j\u00e1 pode ser considerado um verdadeiro ato de hero\u00edsmo dos educadores.<br \/>Por\u00e9m, para os dirigentes da rede escolar, respons\u00e1veis pela totalidade ou por parte regional do sistema, se realmente buscam a democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade, n\u00e3o deve bastar atender aos que \u201cativamente\u201d procuram a escola; \u00e9 necess\u00e1rio ir em busca da \u201cdemanda passiva\u201d, como gesto demonstrativo da vontade pol\u00edtica de atender a todos, gesto que sinaliza para todos os integrantes do sistema educacional que o objetivo \u00e9 realmente atender a todos.<br \/>A hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o escolar mostra que mudan\u00e7as realmente significativas, no rumo da democratiza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 acontecem quando inseridas em uma busca de atender a todas as crian\u00e7as e jovens existentes na \u00e1rea do sistema considerado. Mudan\u00e7as qualitativas localizadas, t\u00f3picas, t\u00eam um grande valor paradigm\u00e1tico, e para elas podem contribuir centros de pesquisa, universidades, Ongs etc. Para o dirigente do sistema p\u00fablico, o desafio \u00e9 implantar com eq\u00fcidade a qualidade dispon\u00edvel na rede e, nesse sentido, a busca de atender a todos \u00e9 crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es.<br \/>A cultura escolar brasileira oscila entre duas grandes tend\u00eancias que podem, genericamente, ser denominadas de democr\u00e1tica e de aristocr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tend\u00eancia aristocr\u00e1tica entende a a\u00e7\u00e3o educativa como destinada a selecionar os melhores que, gra\u00e7as \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de seus dons naturais individuais e as oportunidades apresentadas, merecem os melhores lugares sociais e destinam-se ao comando da sociedade. Desse modo, da educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e0 superior, os mais aptos \u00e9 que devem triunfar, sendo os \u201csem dom para estudos\u201d destinados \u00e0 \u201ctransfer\u00eancia compuls\u00f3ria\u201d, passando por \u201co prazo da matr\u00edcula j\u00e1 acabou\u201d.<br \/>A tend\u00eancia democr\u00e1tica considera que as pessoas, as crian\u00e7as, os jovens, s\u00e3o diferentes uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros, mas possuem uma igualdade fundamental de direitos e deveres.<br \/>Considera, ainda, que o ensino b\u00e1sico n\u00e3o \u00e9 seletivo, mas um direito e uma necessidade para todo cidad\u00e3o. O ensino superior deve respeitar as \u201cvoca\u00e7\u00f5es\u201d pessoais e sociais e deve ser ampliado para um n\u00famero cada vez maior de jovens e adultos.<br \/>O problema \u00e9 que o educador vive sob influ\u00eancia destas duas tend\u00eancias e, por vezes, buscando concretizar uma delas depara-se com o instrumento da outra. A dominante pode ser considerada a aristocr\u00e1tica e a estrutura organizacional das redes escolares est\u00e1, geralmente, mais apta a atuar seletivamente do que democraticamente. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio criar e cultivar uma sensibilidade democr\u00e1tica nos que buscam a democratiza\u00e7\u00e3o.<br \/>Exemplo dessa sensibilidade foi a a\u00e7\u00e3o da equipe escolar de uma escola p\u00fablica municipal da capital paulista que, apoiada decididamente pela dire\u00e7\u00e3o da unidade, movimentou-se em busca de alunos na comunidade circundante, visitando as moradias e promovendo ampla divulga\u00e7\u00e3o e chamamento de crian\u00e7as e jovens para a matr\u00edcula. O interessante \u00e9 que fizeram isso com genu\u00edna sensibilidade p\u00fablica, pois n\u00e3o \u201cestava faltando aluno\u201d na escola.<br \/>Cabe \u00e0 autoridade governamental, periodicamente, proceder \u00e0 chamada escolar da popula\u00e7\u00e3o em idade escolariz\u00e1vel, mas isso s\u00f3 ganhar\u00e1 em efic\u00e1cia se contar com a a\u00e7\u00e3o capilar das unidades escolares, inseridas na comunidade de usu\u00e1rios atuais e potenciais.<br \/>Por ocasi\u00e3o da matr\u00edcula das crian\u00e7as, no momento do preenchimento das fichas, os funcion\u00e1rios administrativos, sensibilizados pelo desejo de atender a todos, perceberam em muitos pais a exist\u00eancia do analfabetismo ou a necessidade de retomar os estudos. Aproveitaram a ocasi\u00e3o e lhes propuseram a volta \u00e0s aulas, conseguindo muita ades\u00e3o.<br \/>Em conseq\u00fc\u00eancia, coube \u00e0 equipe escolar mais trabalho, em termos organizacionais e pedag\u00f3gicos, mas o clima existente na escola compensou o esfor\u00e7o. As pessoas da escola recuperaram a alegria de trabalhar com sentido e utilidade social. Como diz o educador e fil\u00f3sofo Garcia Hoz, a alegria adv\u00e9m da obra bem feita.<br \/>As grandes inten\u00e7\u00f5es e grandes objetivos tais como o da democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade em geral e da educa\u00e7\u00e3o em particular, concretizam-se mediante uma a\u00e7\u00e3o no cotidiano humano e, por isso, s\u00e3o necess\u00e1rios gestos dimensionados a cada realidade, mesmo que aparentem ser simples, pois podem possuir efic\u00e1cia e ser um caminho para o objetivo visado.<br \/>Procurar atender \u00e0 demanda passiva \u00e9 saud\u00e1vel para todo o sistema, inclusive para aprimorar o atendimento \u00e0 demanda ativa.<br \/>Para aqueles que trabalham na \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica, o conhecimento da necessidade de curar a todos em uma epidemia \u00e9 corrente. N\u00e3o podem ficar focos que venham a desencadear novos processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No atendimento escolar \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver sempre mais a percep\u00e7\u00e3o da necessidade da eq\u00fcidade, que significa um atendimento conforme as necessidades de cada um, dos que ativamente buscam a escola e dos que devem ser buscados pelos educadores. Isso \u00e9 claro, quando acreditamos e trabalhamos pela democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade em que vivemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma proposta de pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o de profissionais da educa\u00e7\u00e3o para uma escola democr\u00e1ticaProf. Dr. Jair Milit\u00e3o da Silva Resumo: Novas demandas postas \u00e0 escola e aos que nela trabalham &#8211; democratiza\u00e7\u00e3o do acesso e da perman\u00eancia dos alunos; democratiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o; reunifica\u00e7\u00e3o do conhecimento; autonomia da unidade escolar; trabalho coletivo e por projetos &#8211; t\u00eam recebido respostas dos governos e da comunidade de educadores que atuam no campo do ensino. Esse cen\u00e1rio e essas respostas exigem do profissional da educa\u00e7\u00e3o novas compet\u00eancias, que devem ser adquiridas, quando poss\u00edvel, na forma\u00e7\u00e3o inicial, ou impreterivelmente, na forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, em servi\u00e7o. 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