{"id":199,"date":"2011-11-10T18:41:21","date_gmt":"2011-11-10T20:41:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2011\/11\/10\/discurso-de-posse-do-academico-nacim-walter-chieco\/"},"modified":"2011-11-10T18:41:21","modified_gmt":"2011-11-10T20:41:21","slug":"discurso-de-posse-do-academico-nacim-walter-chieco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/discurso-de-posse-do-academico-nacim-walter-chieco\/","title":{"rendered":"Discurso de Posse do acad\u00eamico Nacim Walter Chieco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">ISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA PAULISTA DE EDUCA\u00c7\u00c3O<br \/>Em 19 de abril de 2004, no Centro do Professorado Paulista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, Professor Jo\u00e3o Gualberto de Carvalho Meneses,<br \/>Senhores Acad\u00eamicos,<br \/>Senhoras e Senhores.<\/p>\n<p>Em fins de 2003, senti-me lisonjeado e um tanto surpreso com a not\u00edcia que me foi dada pelo professor Jo\u00e3o Gualberto de que, com a minha anu\u00eancia, eu seria indicado para ocupar uma vaga nesta prestigiosa Academia. Ap\u00f3s os procedimentos regimentais e a devida aprova\u00e7\u00e3o do colegiado, em 10 de dezembro recebi of\u00edcio comunicando-me que havia sido eleito para ocupar a cadeira n\u00famero 8, cujo patrono \u00e9 Sud Mennucci. Cadeira essa ocupada anteriormente pela acad\u00eamica professora No\u00eamia Saraiva de Matos Cruz, integrante do grupo de educadores idealistas que em 1970 fundou a Academia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 ent\u00e3o, ofuscado pela honraria, n\u00e3o havia atinado com a extens\u00e3o e o quilate das responsabilidades inerentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de acad\u00eamico, a come\u00e7ar pela posse, quando devo falar e exaltar os nomes do patrono e da minha antecessora. Tentarei dar cabo dessa tarefa da melhor maneira que me for poss\u00edvel, contando, desde logo, com a especial compreens\u00e3o de todos para os defeitos de formula\u00e7\u00e3o, inteiramente atribu\u00edveis a mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero, em primeiro lugar, deixar consignado o meu profundo agradecimento aos que assumiram o encargo de subscrever a minha indica\u00e7\u00e3o: os acad\u00eamicos, mestres e amigos Jo\u00e3o Gualberto, Jos\u00e9 Augusto Dias e o inesquec\u00edvel Jos\u00e9 M\u00e1rio Pires Azanha. Uma vez mais, pois n\u00e3o \u00e9 a primeira, sou agraciado com a extrema confian\u00e7a e considera\u00e7\u00e3o de voc\u00eas. Procurarei fazer de tudo para n\u00e3o decepcion\u00e1-los, ou seja, prometo continuar a luta pela educa\u00e7\u00e3o, buscando aproveitar e, ao mesmo tempo, engrandecer o cen\u00e1rio e os prop\u00f3sitos da Academia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permitam-me abordar alguns fatos, nomes e coincid\u00eancias que considero relevantes na minha trajet\u00f3ria pessoal e profissional como aluno, professor e participante do debate sobre pol\u00edticas, diretrizes e projetos educacionais. Como j\u00e1 foi dito, fiz o curso prim\u00e1rio no saudoso Grupo Escolar de I\u00e1ras. Conto com o testemunho do professor Jo\u00e3o Gualberto para confirmar a exist\u00eancia desse lugar, pois quando Diretor da regi\u00e3o educacional de Bauru l\u00e1 esteve em visita funcional. Trata-se, originalmente, de um n\u00facleo colonial, fundado no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, para acolher fam\u00edlias de imigrantes de diferentes nacionalidades. Limita-se com Cerqueira C\u00e9sar, \u00c1guas de Santa B\u00e1rbara, Avar\u00e9, Lenc\u00f3is Paulista, Agudos e Borebi. \u00c9 banhado pelo Rio Pardo, que, a jusante, passa por Santa Cruz e desemboca no Paranapanema em Ourinhos. Sou da segunda gera\u00e7\u00e3o de filhos desses imigrantes, nascidos no Brasil. Tenho fortes raz\u00f5es para defender a miscigena\u00e7\u00e3o racial, pois descendo de italianos, libaneses, austr\u00edacos e brasileiros de linhagem cabocla. Tenho muito orgulho da minha origem, tanto do local quanto do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da d\u00e9cada de 50, conclui o curso ginasial em Cerqueira C\u00e9sar e iniciei o Normal que vim a concluir em Lins. Em 64, ano sempre lembrado por todos os brasileiros pela chamada revolu\u00e7\u00e3o de 31 de mar\u00e7o, vim para S\u00e3o Paulo e comecei a exercer o magist\u00e9rio na rede p\u00fablica estadual. Em 66, ingressei no Senai, como professor de aulas gerais na Escola da Mooca. Nessa institui\u00e7\u00e3o, que pode ser considerada uma ilha de excel\u00eancia no cen\u00e1rio educacional brasileiro, iniciei a minha carreira na educa\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui come\u00e7am algumas coincid\u00eancias que contribu\u00edram para consolidar o sentido e o rumo da minha carreira. Dirigia o Senai, \u00e0 \u00e9poca, o ilustre educador Carlos Pasquale, conhecido por todos como autor da lei do sal\u00e1rio-educa\u00e7\u00e3o. Posteriormente, assumiu a dire\u00e7\u00e3o do Senai outro eminente educador, Paulo Ernesto Tolle. Devo ao doutor Tolle, que \u00e9 como o cham\u00e1vamos no Senai, a primeira de uma s\u00e9rie de oportunidades, a come\u00e7ar com a designa\u00e7\u00e3o para dirigir a mesma Escola em que havia ingressado. Depois disso ocupei v\u00e1rios outros cargos e, em 1989, fui indicado para representar o Senai no Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o. Lembro-me bem da ocasi\u00e3o em que o professor Jair de Morais Neves, respeitado educador de larga experi\u00eancia nas redes p\u00fablicas estadual e municipal de S\u00e3o Paulo, colaborador direto do doutor Tolle, me chamou para comunicar-me a indica\u00e7\u00e3o para o Conselho. Acontece que a indica\u00e7\u00e3o era apenas o primeiro passo. Acabei sendo nomeado, gra\u00e7as ao empenho dos conselheiros Jorge Nagle, ent\u00e3o presidente do Conselho, e Francisco Aparecido Cord\u00e3o, com quem vinha trabalhando intensamente no projeto de LDB, particularmente no cap\u00edtulo da educa\u00e7\u00e3o profissional. N\u00e3o posso deixar de mencionar o apoio do saudoso mestre Jos\u00e9 M\u00e1rio Pires Azanha, como um dos avalistas para o meu ingresso no mais alto colegiado de educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Conselho Estadual, onde cumpri tr\u00eas mandatos durante nove anos, trabalhei e aprendi muito sobre os valores, princ\u00edpios e pol\u00edticas da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, sobretudo no per\u00edodo em que colaborei como vice-presidente do professor Jos\u00e9 M\u00e1rio. Logo em seguida, eleito para exercer a presid\u00eancia, tendo como vice o professor Luis Eduardo Cerqueira Magalh\u00e3es, atual presidente do Conselho, tivemos a oportunidade de mobilizar os esfor\u00e7os do colegiado nas discuss\u00f5es e defini\u00e7\u00e3o de diretrizes e normas sobre assuntos at\u00e9 ent\u00e3o considerados tabus. Refiro-me aos temas da especifica\u00e7\u00e3o de despesas com educa\u00e7\u00e3o, da educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia e da delega\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias aos conselhos municipais de educa\u00e7\u00e3o. Pouco tempo depois, juntamente com o conselheiro Cord\u00e3o, dando consequ\u00eancia a dispositivo da LDB, apresentamos ao plen\u00e1rio do Conselho uma proposta, que foi unaninemente aprovada e, coisa rara, aplaudida de institui\u00e7\u00e3o da progress\u00e3o continuada no sistema de ensino do Estado de S\u00e3o Paulo. Medida essa que, curiosamente, vem sendo objeto de cr\u00edticas justamente por aquilo que ela n\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o deve ser, ou seja, uma simples e irrespons\u00e1vel promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1994, a convite do professor Jo\u00e3o Gualberto, fui nomeado para o Conselho Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, onde tive a oportunidade de exercer a presid\u00eancia, ao lado do professor Antonio Augusto Parada, no per\u00edodo de 1998 a 2002. Obviamente, sou suspeito para avaliar e julgar o trabalho realizado nessa \u00e9poca, mas posso dizer que demos decidida e persistente contribui\u00e7\u00e3o para a consolida\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o do sistema municipal de ensino, conforme preconizado na LDB de 96.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente aos conselhos de educa\u00e7\u00e3o, continuava a minha atividade profissional no Senai e, no final da d\u00e9cada de 90, sob a dire\u00e7\u00e3o do doutor F\u00e1bio Aidar, colaborei ativamente no trabalho de formula\u00e7\u00e3o de diretrizes e de revis\u00e3o do modelo de educa\u00e7\u00e3o profissional voltado para a ind\u00fastria. Algumas id\u00e9ias e conceitos norteadores dessa mudan\u00e7a acabaram por influenciar um processo de renova\u00e7\u00e3o semelhante deflagrado em \u00e2mbito nacional a partir de 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pe\u00e7o desculpas a todos os presentes pelo aborrecimento de estar repetindo coisas j\u00e1 abordadas pelo professor Jos\u00e9 Augusto. Acontece que eu tinha o dever e a necessidade de deixar claro, de forma minimamente contextualizada, o meu tributo a figuras inesquec\u00edveis e marcantes na minha vida profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o poderia deixar de mencionar o fato de que sempre, em todos os lugares e momentos, formei e trabalhei com equipes. Nesse sentido,\u00a0 posso dizer que aproveitei e explorei talentos e compet\u00eancias alheias. E foram muitos os meus colaboradores. N\u00e3o vou nome\u00e1-los aqui, pois a lista seria muito extensa e, com certeza, cometeria a indelicadeza de omitir algum nome. Proclamo, pois, o meu muito obrigado e a certeza de que a minha chegada a esta Academia \u00e9 devida \u00e0 luta e dedica\u00e7\u00e3o de todos os meus companheiros de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sud Mennucci. Quem foi essa figura not\u00e1vel na hist\u00f3ria recente da educa\u00e7\u00e3o no Estado de S\u00e3o Paulo e no Brasil? Tendo sido um dos fundadores do Centro do Professorado Paulista, em 1930, entidade que veio a presidir at\u00e9 praticamente a sua morte, em 1948, n\u00e3o h\u00e1 local mais apropriado do que este, tamb\u00e9m chamado \u201cCasa de Sud\u201d, para esta sess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o vou entrar em detalhes, o que demandaria muito tempo, sobre a trajet\u00f3ria intelectual e profissional de Sud. Tentarei ater-me aos tra\u00e7os principais para situar a sua presen\u00e7a no contexto educacional do nosso Estado nos anos 20 a 40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devo, preliminarmente, destacar as principais fontes a que tive acesso e utilizei. Da sua obra &#8211; vinte livros publicados e in\u00fameros artigos em jornais e revistas &#8211; examinei com mais cuidado A crise brasileira da educa\u00e7\u00e3o, de 1930, Cem anos de instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2013 1822-1922, publicado em 1932, Alma contempor\u00e2nea, de 1918, e Rodap\u00e9s, de 1927. Toda a obra de Sud, juntamente com farta bibliografia educacional, encontrei conservada e competentemente organizada no Instituto de Estudos Educacionais \u201cSud Mennucci\u201d, unidade do CPP, localizada na Vila Mariana, \u00e0 rua Joaquim T\u00e1vora, n\u00famero 756, ali\u00e1s imedia\u00e7\u00f5es das ruas Sud Mennucci e Capit\u00e3o Cavalcanti, onde Sud e sua fam\u00edlia residiram. O Instituto \u00e9 dirigido pelo nobre acad\u00eamico S\u00f3lon Borges dos Reis, que me recebeu de forma gentil\u00edssima e, para facilitar o meu trabalho, ofereceu valiosas informa\u00e7\u00f5es sobre Sud. Deixo registrado o meu especial agradecimento \u00e0s funcion\u00e1rias Ivanildes e Arlene da biblioteca do Instituto. Outra importante fonte foi o trabalho de cunho hist\u00f3rico-biogr\u00e1fico de autoria de um neto de Sud, Ralph Mennucci Giesbrecht, publicado em 1997 pela Imprensa Oficial do Estado sob o t\u00edtulo Sud Mennucci: mem\u00f3rias de Piracicaba, Porto Ferreira, S\u00e3o Paulo&#8230; O nome de Sud tamb\u00e9m est\u00e1 ligado \u00e0 Imprensa Oficial, \u00f3rg\u00e3o por ele dirigido por quase duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sud Mennucci nasceu em 20 de janeiro de 1892 em Piracicaba e faleceu em 22 de julho de 1948 em S\u00e3o Paulo. Primeira gera\u00e7\u00e3o de brasileiros filhos do casal de imigrantes italianos Amedeo e Teresa, desembarcados no Brasil em 1888. Os 56 anos de exist\u00eancia de Sud est\u00e3o compreendidos no final do s\u00e9culo XIX e primeira metade do s\u00e9culo XX. Nesse per\u00edodo, a humanidade passou por duas guerras mundiais e, em 29, uma crise econ\u00f4mica tamb\u00e9m aconteceu em escala global. Na cultura e nas artes, h\u00e1 uma ruptura com os padr\u00f5es cl\u00e1ssicos e acad\u00eamicos, surgindo, em diferentes tonalidades as manifesta\u00e7\u00f5es futuristas e o movimento modernista. Em educa\u00e7\u00e3o, a par do ensino p\u00fablico obrigat\u00f3rio, gratuito e universal, in\u00fameros estudos e experi\u00eancias s\u00e3o realizados, ganhando corpo as id\u00e9ias e teses da escola ativa em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 escola tradicional e verbalista. Esta centrada na mem\u00f3ria e na repeti\u00e7\u00e3o, aquela na intelig\u00eancia e na cria\u00e7\u00e3o. No Brasil, \u00e9 a fase hist\u00f3rica denominada Primeira Rep\u00fablica, at\u00e9 1930, quando, num processo revolucion\u00e1rio, assume o poder Get\u00falio Vargas, rompendo com o ciclo da hegemonia mineira e paulista. A economia brasileira caracteriza-se pela produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios, destacando-se o caf\u00e9. A popula\u00e7\u00e3o era predominantemente rural. A urbaniza\u00e7\u00e3o e a industrializa\u00e7\u00e3o come\u00e7am a atrair contingentes do campo a partir da d\u00e9cada de 30 e, mais fortemente, durante a segunda guerra mundial, com os excedentes da economia cafeeira sendo destinados \u00e0 ind\u00fastria de produtos em substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos (que Sud chamava cient\u00edficos) se multiplicavam, mudando as condi\u00e7\u00f5es de vida e os h\u00e1bitos, inicialmente das elites e gradativamente de toda a popula\u00e7\u00e3o. A energia el\u00e9trica encabe\u00e7ava uma s\u00e9rie de inventos. O r\u00e1dio, o telefone, o motor de combust\u00e3o interna, a petroqu\u00edmica e assim por diante. Conquanto a escola p\u00fablica fosse um dos compromissos republicanos, o analfabetismo era alt\u00edssimo e a falta de vagas, escolas e professores constituia problema crucial para todas as esferas de governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse cen\u00e1rio, em Piracicaba &#8211; uma cidade considerada progressista \u2013 Sud faz o curso prim\u00e1rio e, aos 16 anos, conclui o complementar que lhe assegurou a credencial de professor. Desde cedo, demonstrou talento especial para as letras e a matem\u00e1tica. N\u00e3o se achava vocacionado para o magist\u00e9rio. Tinha planos de estudar na Polit\u00e9cnica e se tornar engenheiro-ge\u00f3grafo. A situa\u00e7\u00e3o financeira, no entanto, n\u00e3o lhe permitiu vir para S\u00e3o Paulo para estudar. Assim, aos 18 anos, em 1910, assume a sua primeira escola rural, como professor, na Fazenda Figueira, no Bairro do Alvarenga, munic\u00edpio de Cravinhos. Come\u00e7a, ent\u00e3o, uma trajet\u00f3ria fragmentada e inconstante no magist\u00e9rio. Em 1911 foi transferido para Piracaia. Em 1912 foi para Dourado. Paralelamente, vinha escrevendo para os jornais locais sobre os mais variados assuntos, inclusive sobre educa\u00e7\u00e3o. Em 1913, \u00e9 convidado a participar de miss\u00e3o de professores paulistas para reformar as Escolas de Aprendizes de Marinheiros do Brasil. \u00c9 destacado para Bel\u00e9m do Par\u00e1 e l\u00e1 permanece pouco mais de um ano. Volta e intensifica a atividade jornal\u00edstica junto a O Jornal de Piracicaba. Contempor\u00e2neo e amigo de Sud em Piracicaba foi Thales de Andrade que se tornou famoso no meio educacional pelo livro Saudade adotado durante muito tempo nas escolas do Estado de S\u00e3o Paulo.<br \/>\u00a0<br \/>Em 1914, \u00e9 nomeado para uma escola urbana: Porto Ferreira. Nessa cidade, ocorreram duas grandes mudan\u00e7as na vida de Sud: conheceu e casou-se em 1918 com Maria da Silva Oliveira e firmou suas op\u00e7\u00f4es profissionais pela educa\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo quase em p\u00e9 de igualdade, pelo jornalismo. Come\u00e7a a colaborar no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, numa rela\u00e7\u00e3o que se intensificou em sentidos opostos: amor e \u00f3dio. Em 1917, publica o seu primeiro livro: Alma contempor\u00e2nea, com ensaios sobre est\u00e9tica. Para a \u00e9poca e para a idade do autor, poderia ser considerado um grande feito, mas n\u00e3o teve a recep\u00e7\u00e3o esperada. Atribuiu o fato \u00e0 ignor\u00e2ncia reinante. Ligado ao tema do livro, cabe assinalar que Sud n\u00e3o aderiu ao movimento modernista, nem demonstrou interesse, ao menos em seus artigos de cr\u00edtica liter\u00e1ria, pelos autores modernistas. Dizia concordar com os modernistas no rompimento com padr\u00f5es e escolas. Mas n\u00e3o admitia a forma\u00e7\u00e3o de uma nova \u201cigrejinha\u201d em lugar de outras, como vinha constatando. (A m\u00eddia mostrou, recentemente, alguns aspectos desse conturbado e pol\u00eamico movimento.) Em Porto Ferreira, Sud tornou-se amigo de outro grande educador brasileiro: Manuel Bergstrom Louren\u00e7o Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente em virtude de sua atividade jornal\u00edstica e de contactos na esfera pol\u00edtica, em 1920, a convite de Sampaio D\u00f3ria, ent\u00e3o Diretor Geral do Ensino, Sud assume o comando do recenseamento escolar do Estado de S\u00e3o Paulo. Permanece na Capital de S\u00e3o Paulo por algum tempo pela primeira vez. Realizou um trabalho reconhecidamente competente e de grande valor para a reforma do ensino ent\u00e3o em curso. Volta a repetir trabalho semelhante em Piracicaba e, a convite de Fernando de Azevedo, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados do censo fortalecem-lhe o conjunto de id\u00e9ias que vinha se formando desde os tempos da escola rural. Os n\u00fameros evidenciavam uma situa\u00e7\u00e3o perversa no que se referia \u00e0s pol\u00edticas e aos recursos para a educa\u00e7\u00e3o. Quatro quintos da popula\u00e7\u00e3o estavam no campo e a eles era destinado apenas um quinto dos recursos. Essa distor\u00e7\u00e3o seria cont\u00ednua e ferrenhamente combatida por Sud que se tornou formulador e propagador do ide\u00e1rio \u201cruralista\u201d do ensino, em sentido diverso da acep\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mencionado processo de reforma, \u00e9 designado Delegado de Ensino da regi\u00e3o com sede em Campinas. Fato in\u00e9dito, pois passou de professor adjunto, o mais alto cargo que havia ocupado, para Delegado, o mais alto posto da hierarquia educacional, sem ter exercido as fun\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias de diretor de escola e de inspetor escolar. No mesmo ano de 1920 consegue uma permuta, indo para sua cidade natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Piracicaba, Sud p\u00f5e em evid\u00eancia a faceta de realizador que o tornaria conhecido em toda a sua carreira. Em tr\u00eas anos mais que dobrou a rede escolar: de tr\u00eas grupos escolares passou para sete, de tr\u00eas escolas reunidas foi para 25, de oito escolas municipais foi para 27; as isoladas cairam de 56 para 15. Em 1925, descontente com os rumos da pol\u00edtica e da gest\u00e3o educacional do Estado, pede exonera\u00e7\u00e3o do cargo de Delegado e, ap\u00f3s insistentes convites de Julio de Mesquita Filho, vem para S\u00e3o Paulo para se dedicar ao trabalho jornal\u00edstico e, ao mesmo tempo, desenvolver uma breve experi\u00eancia no ensino privado participando da cria\u00e7\u00e3o do Gymnasio Moura Santos. Em 1927, repete o feito do censo escolar no Rio de Janeiro, superando as previs\u00edveis resist\u00eancias no in\u00edcio do projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O magist\u00e9rio sempre fora uma categoria desorganizada e desamparada. Em discurso proferido em Bauru, Sud disse: \u201cClasse sem voz, sem representante, sem programa. Nunca disse o que quer, o que deseja, de que precisa&#8230;\u201d. Havia, pois, necessidade, clima e lideran\u00e7as capazes para a cria\u00e7\u00e3o de uma entidade que congregasse os professores. Em 1930, um grupo desses l\u00edderes, entre os quais Sud, cria o Centro do Professorado Paulista. O primeiro presidente foi Cimbelino de Freitas. Logo no ano seguinte, Sud \u00e9 eleito para ocupar a presid\u00eancia da nova agremia\u00e7\u00e3o que se consolidaria sob o seu comando durante quase duas d\u00e9cadas. O CPP, como ficou conhecido e existe at\u00e9 hoje, cresceu e se tornou leg\u00edtimo porta-voz das afli\u00e7\u00f5es, dos anseios e das aspira\u00e7\u00f5es dos professores paulistas. \u00c9 \u00f3bvio que, ap\u00f3s Sud, os desafios se multiplicaram e o CPP contou com novos e excelentes l\u00edderes na luta pelas nobres causas do professorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto de uma s\u00e9rie de palestras, Sud organiza e publica A crise brasileira da educa\u00e7\u00e3o, considerada a sua principal obra, premiada pela Academia Brasileira de Letras em 1933. Em tom de combate e em linguagem quase panflet\u00e1ria, Sud ataca veementemente a pol\u00edtica, a seu ver inteiramente equivocada, de esquecimento e desprezo pela escola rural e relativo apoio \u00e0s escolas urbanas. Apenas relativo, pois nas cidades tamb\u00e9m as car\u00eancias eram gritantes; afinal, havia escolas de boa qualidade, mas suficientes apenas para as elites. Para Sud, o problema era mais profundo. Havia uma esp\u00e9cie de guerra ao campo. Era preciso reverter esse quadro, basicamente por meio de tr\u00eas medidas: facilidades para a posse e dom\u00ednio da terra pelos pequenos agricultores, melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida no campo a come\u00e7ar pela energia el\u00e9trica e, como art\u00edfice e suporte de todo o processo de mudan\u00e7a, o mestre-escola adequadamente preparado e valorizado. Preconizava a urgente cria\u00e7\u00e3o de escolas normais rurais, em que os professores formados teriam condi\u00e7\u00f5es de realizar uma tr\u00edplice fun\u00e7\u00e3o: sanitarista, t\u00e9cnico agr\u00edcola e docente. N\u00e3o se pode negar que se tratava de uma vis\u00e3o adequada do problema e de poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o para um pa\u00eds de economia ainda essencialmente agropastoril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa \u00e9poca registra-se a simpatia de Sud pelo movimento que levou Get\u00falio ao poder da Rep\u00fablica. N\u00e3o consegui identificar se essa prefer\u00eancia antecede ou sucede ao rompimento com os Mesquitas e, consequentemente, se haveria alguma rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre esses fatos. Importa assinalar que, segundo o seu neto bi\u00f3grafo, nem sempre Sud esteve do lado considerado \u201ccerto\u201d. No per\u00edodo da interven\u00e7\u00e3o federal em S\u00e3o Paulo, Sud \u00e9 designado para dirigir a Imprensa Oficial do Estado. Em mais uma breve experi\u00eancia no ensino privado, juntamente com M\u00e1ximo de Moura Santos, cria o Gin\u00e1sio Paulistano. Sud deixou logo a sociedade; e o Gin\u00e1sio teve vida longa e destacada na cidade de S\u00e3o Paulo. Outra tarefa que lhe foi atribu\u00edda, pelos seus estudos e escritos sobre a mat\u00e9ria, foi integrar a Comiss\u00e3o da Nova Divis\u00e3o Municipal, criada para rever e reorganizar a divis\u00e3o territorial do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fins de 1930, ap\u00f3s algumas mudan\u00e7as na interventoria estadual, Sud \u00e9 nomeado, pela primeira vez, para o mais alto posto da sua carreira: Diretor Geral do Ensino, em substitui\u00e7\u00e3o a Louren\u00e7o filho, com quem as rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o andavam boas em virtude de declara\u00e7\u00f5es de Sud contr\u00e1rias \u00e0s id\u00e9ias de Louren\u00e7o sobre a escola ativa. Para Sud, o conceito de escola ativa fora formulado por te\u00f3ricos de pa\u00edses industrializados e urbanizados, ou seja, para realidades diversas da brasileira. Na Dire\u00e7\u00e3o Geral do Ensino, Sud promoveu mudan\u00e7as consideradas radicais para a \u00e9poca. Criou novos cargos de inspetores e delegados; criou uma delegacia do ensino privado; classificou escolas em fun\u00e7\u00e3o do n\u00famero de classes; fixou m\u00ednimo de alunos por classe; alterou o ano letivo; reajustou os sal\u00e1rios dos professores. Foi severamente combatido pela imprensa e por setores do magist\u00e9rio. Finalmente, para dar consequ\u00eancia \u00e0s suas id\u00e9ias ruralistas, propos a cria\u00e7\u00e3o de escolas normais rurais, de escolas rurais em novos moldes e de uma inspetoria t\u00e9cnica especializada. N\u00e3o conseguiu concretizar tudo o que pretendeu. Mais tarde escreveria O que fiz e o que pretendia fazer. Sopravam os ventos da revolu\u00e7\u00e3o constitucionalista de 32. Nova mudan\u00e7a na interventoria e Sud deixa o cargo. As coisas se precipitam. Sud que havia integrado o PPP (Partido Popular Paulista, de triste mem\u00f3ria nos fatos que culminaram no epis\u00f3dio MMDC), e do qual havia se desligado sem que fosse dada a devida publicidade, viu-se em situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica muito embara\u00e7osa. Refugiou-se, durante dois meses, em um s\u00edtio em M\u2019Boy, at\u00e9 que as coisas se acalmassem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa \u00e9poca ocorre um fato importante na hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Um grupo de educadores &#8211; entre os quais estavam Louren\u00e7o Filho, Sampaio D\u00f3ria e J\u00falio de Mesquita Filho \u2013 subscreveu, em 1932, o documento A reconstru\u00e7\u00e3o educacional no Brasil (Ao povo e ao governo), mais conhecido como o Manifesto dos pioneiros, redigido por Fernando de Azevedo. Sud n\u00e3o participou desse grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o afastamento, Sud reaparece em cena em agosto de 33, e assume, uma segunda vez, a Dire\u00e7\u00e3o Geral do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o, agora em substitui\u00e7\u00e3o a Fernando de Azevedo, sendo interventor o general Daltro Filho. Desta vez, Sud consegue a assinatura do Decreto criando a Escola Normal Rural de Piracicaba, a primeira do Estado e do Brasil. Outra medida foi a facilita\u00e7\u00e3o de remo\u00e7\u00e3o de professores por uni\u00e3o de c\u00f4njuges, antiga aspira\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. De fato, havia um acordo para que Sud viabilizasse o mencionado Decreto e, em seguida, deixasse o cargo. Desta vez, foi uma curta passagem de menos de vinte dias. A Escola criada, como n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o incomum neste pa\u00eds, ficou, durante muito tempo, s\u00f3 no papel. Outros Estados brasileiros acabaram tendo a primazia da efetiva implanta\u00e7\u00e3o de escolas de forma\u00e7\u00e3o de professores para o ensino rural, como, por exemplo, Juazeiro do Cear\u00e1, onde Sud compareceu para paraninfar a primeira formatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito das suas complicadas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no cen\u00e1rio paulista, Sud continuava sendo uma indiscut\u00edvel lideran\u00e7a nos meios educacionais e no magist\u00e9rio. A cren\u00e7a no prest\u00edgio e a voz dos seguidores pr\u00f3ximos, levaram-no \u00e0 \u00fanica e frustrada candidatura pol\u00edtico-eleitoral a um cargo p\u00fablico. N\u00e3o conseguiu eleger-se para a Assembl\u00e9ia Nacional constituinte em 33 e nunca mais arriscou-se a empreitada semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessa \u00e9poca, Sud intensifica sua atividade de propagador das id\u00e9ias ruralistas em educa\u00e7\u00e3o. Viaja muito pelo Estado de S\u00e3o Paulo e pelo Brasil. Profere confer\u00eancias, escreve artigos e recebe muitas homenagens. Continua colaborando com a reforma municipal. No final dos trabalhos da Comiss\u00e3o, em 35, muitos munic\u00edpios haviam sido criados e outros redesenhados. Santo Amaro deixa de ser munic\u00edpio e integra-se \u00e0 Capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ruralismo pregado por Sud acaba impressionando o Secret\u00e1rio da Agricultura, doutor Piza, que o convida para organizar o Departamento dos Clubes de Trabalho no \u00e2mbito daquela pasta. Nesse posto, conseguiu realizar muita coisa em prol do ensino e das escolas rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CPP, sob o comando de Sud, continua crescendo e ampliando o espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o na defesa dos interesses do professorado. Em 43, como que por ironia do destino, Sud \u00e9 nomeado para ocupar o cargo de diretor-superintendente do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo que, por raz\u00f5es pol\u00edticas, se encontrava sob uma ins\u00f3lita interven\u00e7\u00e3o, travestida de opera\u00e7\u00e3o comercial, determinada por Ademar de Barros em 1940. Ali\u00e1s, por linhas tortas concretizava-se aquilo que Julinho Mesquita um dia profetizara. Em 46, o jornal volta aos seus antigos e leg\u00edtimos\u00a0 propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sud Mennucci foi cogitado v\u00e1rias vezes para o cargo de Secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, para interventor no Estado de S\u00e3o Paulo. S\u00f3 cogita\u00e7\u00f5es. Estava predestinado, por\u00e9m, a voltar mais uma vez ao Departamento de Educa\u00e7\u00e3o, em 1944, integrando a equipe do interventor Fernando Costa e do secret\u00e1rio Sebasti\u00e3o Nogueira de Lima, este piracicabano como Sud. Desta feita, parecia ser mais f\u00e1cil realizar as aspira\u00e7\u00f5es ruralistas, com o apoio do pr\u00f3prio Fernando Costa. Os tempos, por\u00e9m, eram outros. As ind\u00fastrias e as cidades j\u00e1 n\u00e3o estavam t\u00e3o a reboque do campo e passavam a ter ativa participa\u00e7\u00e3o nos destinos da economia e da pol\u00edtica brasileira. Mesmo assim, Sud tomou medidas importantes como a cria\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia T\u00e9cnica do Ensino Rural, de cursos de especializa\u00e7\u00e3o, da Escola Agr\u00edcola de Pinhal e de cerca de 20 escolas rurais. Demite-se em outubro de 45 e retorna, como tantas vezes j\u00e1 ocorrera, para a Imprensa Oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a ditadura Vargas, Sud continua sua atividade jornal\u00edstica e de divulgador do \u201cruralismo\u201d em educa\u00e7\u00e3o. Prossegue liderando a categoria profissional dos professores. Muitas viagens, muitas confer\u00eancias e muitas homenagens. Mas, a sa\u00fade come\u00e7ava a fraquejar. Sofria de brutal hipertens\u00e3o, \u00e0 \u00e9poca diagnosticada como press\u00e3o alta maligna. O quadro se agrava e Sud sucumbe em 1948.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como foi poss\u00edvel constatar, Sud tinha especial avers\u00e3o \u00e0 neutralidade. O combate e a pol\u00eamica s\u00e3o constantes na sua trajet\u00f3ria pessoal e profissional. Quanto \u00e0s suas id\u00e9ias, especialmente as ruralistas, pode-se dizer que refletiam uma vis\u00e3o cr\u00edtica da realidade econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social do seu tempo. Obviamente, ele n\u00e3o contava, embora j\u00e1 vislumbrasse sinais nos anos 40, com a invers\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica entre o campo e a cidade. Muito menos imaginava o rumo que iria assumir a quest\u00e3o agr\u00e1ria no Pa\u00eds. A atua\u00e7\u00e3o de Sud na educa\u00e7\u00e3o, entretanto, constitui, sem d\u00favida alguma, um marco de a\u00e7\u00e3o afirmativa na consolida\u00e7\u00e3o do sistema de ensino no Estado de S\u00e3o Paulo, seja no exerc\u00edcio de in\u00fameras fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, seja na lideran\u00e7a do professorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gosto de dizer, sempre que posso, que o desenvolvimento do Estado de S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de outras determina\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas igualmente relevantes, \u00e9 devido ao ensino, p\u00fablico e privado, em todos os n\u00edveis e modalidades, a despeito das mazelas e dificuldades que todos conhecemos. E Sud Mennucci figura, com justeza, na galeria dos idealizadores e construtores da educa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como disse no in\u00edcio, minha tarefa hoje seria falar sobre o patrono da cadeira n\u00famero 8 e sobre a minha antecessora, professora No\u00eamia Saraiva de Matos Cruz. Lamentavelmente, n\u00e3o consegui avan\u00e7ar sobre a vida e obra da professora No\u00eamia. Prometo faz\u00ea-lo em outra oportunidade. Quero, pelo menos, assinalar que ela foi contempor\u00e2nea e concretizadora de muitas das id\u00e9ias de Sud sobre o ensino rural. Nasceu em Rio Claro em 1894 e faleceu em S\u00e3o Paulo em 1987. Graduou-se pela Escola Normal da Pra\u00e7a da Rep\u00fablica em 1912 e especializou-se em sanitarismo, enfermagem e t\u00e9cnicas agr\u00edcolas. Dirigiu a Escola Rural do Butantan de 35 a 42, quando aquela regi\u00e3o era formada por s\u00edtios e ch\u00e1caras. Ocupou v\u00e1rios cargos ligados ao ensino rural e representou S\u00e3o Paulo em diversos congressos sobre essa modalidade educativa. Participou do grupo de educadores que fundou esta Academia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Presidente, senhores acad\u00eamicos, minhas amigas e meus amigos, esta cidade, nos festejos dos seus 450 anos, pode orgulhar-se da presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o de educadores da envergadura de Sud Mennucci e de No\u00eamia Saraiva de Matos Cruz. A eles rendo, se me permitem em nome desta comunidade, neste momento, as nossas sinceras e respeitosas homenagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, quero reafirmar a minha firme disposi\u00e7\u00e3o de continuar essa luta em prol da educa\u00e7\u00e3o em nosso Estado e no nosso Pa\u00eds, em busca permanente de uma sociedade plural, justa, solid\u00e1ria e democr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito obrigado pela aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SP, 19\/04\/2004\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA PAULISTA DE EDUCA\u00c7\u00c3OEm 19 de abril de 2004, no Centro do Professorado Paulista Senhor Presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, Professor Jo\u00e3o Gualberto de Carvalho Meneses,Senhores Acad\u00eamicos,Senhoras e Senhores. Em fins de 2003, senti-me lisonjeado e um tanto surpreso com a not\u00edcia que me foi dada pelo professor Jo\u00e3o Gualberto de que, com a minha anu\u00eancia, eu seria indicado para ocupar uma vaga nesta prestigiosa Academia. Ap\u00f3s os procedimentos regimentais e a devida aprova\u00e7\u00e3o do colegiado, em 10 de dezembro recebi of\u00edcio comunicando-me que havia sido eleito para ocupar a cadeira n\u00famero 8, cujo patrono [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-discursos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}