{"id":205,"date":"2012-03-01T17:56:46","date_gmt":"2012-03-01T20:56:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2012\/03\/01\/editorial-folha-de-s-paulo-12-de-fevereiro-de-2012\/"},"modified":"2025-01-06T20:38:08","modified_gmt":"2025-01-06T23:38:08","slug":"editorial-folha-de-s-paulo-12-de-fevereiro-de-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/editorial-folha-de-s-paulo-12-de-fevereiro-de-2012\/","title":{"rendered":"Editorial Folha de S. Paulo, 12 de fevereiro de 2012"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"text-decoration: underline;\">Estado da educa\u00e7\u00e3o<\/span><\/h3>\n<h2>Editorial Folha de S. Paulo, 12 de fevereiro de 2012<\/h2>\n<p><strong>Enem, curr\u00edculo m\u00ednimo, ensino infantil e qualifica\u00e7\u00e3o de professores s\u00e3o os desafios que Mercadante encontra no MEC como legado de Haddad<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<br \/><\/strong>A troca de ministros na pasta da Educa\u00e7\u00e3o renova oportunidades e temores quanto ao setor apontado como o mais estrat\u00e9gico para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s seis anos e meio, Fernando Haddad deixou o MEC em janeiro para candidatar-se a prefeito de S\u00e3o Paulo pelo PT. Foi o terceiro ministro que mais tempo permaneceu no cargo. Perde s\u00f3 para Paulo Renato Souza (1995 a 2002) e Gustavo Capanema (1934 a 1945).<\/p>\n<p>Nos padr\u00f5es brasileiros, foi tempo suficiente para deixar alguma marca, e Haddad o fez. Qualquer an\u00e1lise do que acontece na educa\u00e7\u00e3o, no entanto, precisa considerar que sucessos e fracassos de hoje resultam, principalmente, da acumula\u00e7\u00e3o de erros e acertos no passado.<\/p>\n<p>O descaso hist\u00f3rico com o setor n\u00e3o poderia resultar em diagn\u00f3stico diverso do formulado pelo movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, que mostra apenas 11% dos formandos do ensino m\u00e9dio com n\u00edvel de aprendizado adequado em matem\u00e1tica e 8% da popula\u00e7\u00e3o entre 4 e 17 anos fora da escola.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo diante de fotografia t\u00e3o lament\u00e1vel, \u00e9 urgente evitar a autoflagela\u00e7\u00e3o est\u00e9ril.<\/p>\n<p>Os indicadores nacionais e internacionais de avalia\u00e7\u00e3o mostram que houve alguma melhoria na qualidade da educa\u00e7\u00e3o, especialmente no come\u00e7o do ensino fundamental. O Ideb, \u00edndice que combina numa escala de 0 a 10 o desempenho dos alunos e as taxas de aprova\u00e7\u00e3o, aumentou 0,8 ponto. Foi de 3,8 para 4,6 -ainda uma nota vermelha- no antigo prim\u00e1rio, entre 2005 e 2009.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos resultados do Pisa, um exame internacional padronizado, mostram que se reduziu a dist\u00e2ncia diante dos pa\u00edses desenvolvidos, mas o abismo permanece. O pa\u00eds \u00e9 o 53\u00ba colocado numa lista de 65 na\u00e7\u00f5es comparadas, e um jovem de 15 anos na escola est\u00e1, em m\u00e9dia, dois anos atrasado em profici\u00eancia de leitura, na compara\u00e7\u00e3o com estudantes da mesma idade em pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>\u00c9 preocupante a quase estagna\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio no pa\u00eds. Al\u00e9m de ser o setor em que menos se avan\u00e7ou, \u00e9 tamb\u00e9m um n\u00edvel de ensino cujo acesso ainda n\u00e3o foi universalizado, pois quase metade dos jovens de 15 a 17 anos est\u00e3o ausentes de suas salas.<\/p>\n<p>Melhorar o desempenho m\u00e9dio dos alunos, ao mesmo tempo em que os jovens pobres sejam inclu\u00eddos na etapa final do ensino b\u00e1sico, \u00e9 um desafio que exigir\u00e1 esfor\u00e7o maior do que o realizado at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>As marcas mais vis\u00edveis deixadas por Haddad foram a cria\u00e7\u00e3o do ProUni, que deu 920 mil bolsas para jovens frequentarem a universidade, a elei\u00e7\u00e3o de metas de qualidade no ensino b\u00e1sico, a serem atingidas em colabora\u00e7\u00e3o com munic\u00edpios e Estados, e a amplia\u00e7\u00e3o do investimento p\u00fablico em educa\u00e7\u00e3o, de 3,9% para 5% do PIB.<\/p>\n<p>Acertou tamb\u00e9m ao dar continuidade a pol\u00edticas herdadas do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Foi o caso da distribui\u00e7\u00e3o e da avalia\u00e7\u00e3o de livros did\u00e1ticos, das avalia\u00e7\u00f5es educacionais e do Fundef, fundo de financiamento do ensino fundamental ampliado em 2007 para abranger tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o infantil e o ensino m\u00e9dio, depois rebatizado como Fundeb.<\/p>\n<p>Deixa para o seu sucessor, o tamb\u00e9m petista Aloizio Mercadante, v\u00e1rios e enormes problemas por resolver. O mais not\u00f3rio \u00e9 o Enem. Trata-se de uma boa ideia, que deveria ajudar a nortear o ensino m\u00e9dio, mas que se revelou um verdadeiro fiasco, com sucessivas falhas.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m imperioso avan\u00e7ar na formula\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo m\u00ednimo nacional, que, ao contr\u00e1rio dos par\u00e2metros curriculares atualmente em vigor, seja preciso e enxuto. Os professores de hoje carecem de orienta\u00e7\u00f5es claras sobre o que a sociedade espera que os alunos aprendam em cada s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Dar mais recursos ao ensino infantil, ampliar programas para reciclar e pagar melhor os docentes, reformar curr\u00edculos de cursos universit\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o de professores -eis alguns dos outros desafios que precisam de mais aten\u00e7\u00e3o do governo federal. A Uni\u00e3o tem a responsabilidade de liderar Estados e munic\u00edpios nessa mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Os desafios s\u00e3o muitos, mas o atual e os futuros ministros da Educa\u00e7\u00e3o contar\u00e3o com uma ajuda preciosa da demografia. Nos \u00faltimos 30 anos, a queda nas taxas de fecundidade levou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero absoluto de crian\u00e7as nascidas a cada ano. Isso facilitar\u00e1 a inadi\u00e1vel tarefa de aumentar os investimentos per capita na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, os alunos que hoje ingressam nas escolas s\u00e3o filhos de m\u00e3es com maior instru\u00e7\u00e3o. Em 1981, apenas um quarto das mulheres em idade f\u00e9rtil tinha completado o ensino fundamental. Em 2009, a propor\u00e7\u00e3o passou a ser de 70%.<\/p>\n<p>Como essa \u00e9 uma das vari\u00e1veis de maior impacto no desempenho do aluno, isso significa que, pela pr\u00f3pria in\u00e9rcia demogr\u00e1fica, h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para dar um salto no aprendizado. Mas, para que o futuro nos aproxime das na\u00e7\u00f5es desenvolvidas, os governantes do presente precisam agir com o discernimento de quem enxerga muito al\u00e9m do calend\u00e1rio eleitoral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estado da educa\u00e7\u00e3o Editorial Folha de S. 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