{"id":211,"date":"2012-04-10T15:05:26","date_gmt":"2012-04-10T18:05:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2012\/04\/10\/ingles-a-lingua-academica-imperial\/"},"modified":"2012-04-10T15:05:26","modified_gmt":"2012-04-10T18:05:26","slug":"ingles-a-lingua-academica-imperial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/ingles-a-lingua-academica-imperial\/","title":{"rendered":"Ingl\u00eas: A L\u00edngua Acad\u00eamica Imperial."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Ingl\u00eas: A L\u00edngua Acad\u00eamica Imperial<br \/>Flavio Fava de Moraes, 2011<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A polifonia no planeta Terra \u00e9 composta por centenas (milhares!) de tipos lingu\u00edsticos<\/p>\n<p>e, certamente, j\u00e1 foram ainda muito mais numerosos e imposs\u00edveis de quantificar.<br \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u201cl\u00edngua\u201d \u00e9 o mecanismo mais eficaz, sen\u00e3o o \u00fanico indispens\u00e1vel \u00e0 transmiss\u00e3o do<\/p>\n<p>pensamento e do conhecimento atrav\u00e9s da escrita ou oralidade.<br \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O seu \u201cpoder imperial\u201d (Altbach\/2007) sempre refletiu uma correla\u00e7\u00e3o direta com o<\/p>\n<p>status c\u00edvico, social e econ\u00f4mico das regi\u00f5es mais desenvolvidas em suas respectivas<\/p>\n<p>\u00e9pocas. Sem d\u00favida, foi not\u00f3rio o predom\u00ednio internacional do latim no s\u00e9culo 13 pela<\/p>\n<p>igreja cat\u00f3lica e pelos educadores escolares e universit\u00e1rios. O idioma alem\u00e3o teve sua<\/p>\n<p>relev\u00e2ncia at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1930 quando tamb\u00e9m a ci\u00eancia se fez presente embora<\/p>\n<p>tamb\u00e9m n\u00e3o fosse raro o uso do franc\u00eas, russo e espanhol. E menos descart\u00e1vel ainda foi o<\/p>\n<p>importante acervo publicado em l\u00edngua \u00e1rabe ou asi\u00e1ticas. Contudo, a atualidade demonstra<\/p>\n<p>total altera\u00e7\u00e3o no quadro internacional pois o ingl\u00eas tornou-se \u201cimperial\u201d para n\u00e3o dizer<\/p>\n<p>apenas \u201cglobal\u201d. E digno de nota \u00e9 o fato de que mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria<\/p>\n<p>mundial j\u00e1 \u00e9 ensinada em l\u00edngua inglesa (USA, UK, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia, Paquist\u00e3o,<\/p>\n<p>\u00c1frica do Sul, Canad\u00e1, \u00cdndia, Caribe, etc&#8230;) al\u00e9m de cursos especiais nos demais pa\u00edses do<\/p>\n<p>mundo. (Por ex.: Por raz\u00e3o demogr\u00e1fica e educacional, atualmente h\u00e1 mais estudantes de<\/p>\n<p>ingl\u00eas na China do que nos USA!) Aqui nosso foco visa mais as quest\u00f5es acad\u00eamico-<\/p>\n<p>cient\u00edficas e seus impactos na ci\u00eancia e na educa\u00e7\u00e3o no Brasil onde alguns coment\u00e1rios s\u00e3o<\/p>\n<p>necess\u00e1rios, a saber:<br \/>1.\u00a0Reconhecer que a maioria das publica\u00e7\u00f5es originais de livros e peri\u00f3dicos \u00e9<\/p>\n<p>divulgada em ingl\u00eas e, quando dependentes de tradu\u00e7\u00e3o surgem defasados no tempo.<br \/>2.\u00a0Quando comparado o mesmo conte\u00fado publicado em ingl\u00eas e tamb\u00e9m em outra l\u00edngua<\/p>\n<p>nativa a avalia\u00e7\u00e3o qualitativa \u00e9 sempre superior para o texto em ingl\u00eas!<br \/>3.\u00a0Com a generalizada globaliza\u00e7\u00e3o, as oportunidades de empregabilidade e de sal\u00e1rio,<\/p>\n<p>notadamente para os fluentes em ingl\u00eas com n\u00edvel superior e\/ou executivo, s\u00e3o maiores e<\/p>\n<p>melhores.<br \/>4.\u00a0J\u00e1 h\u00e1 mais de \u201c100 campi\u201d de universidades de pa\u00edses de l\u00edngua inglesa instalados<\/p>\n<p>no exterior em pa\u00edses com outros idiomas. Gradativamente introduzem novos curr\u00edculos, novas<\/p>\n<p>culturas e deslocam modelos nacionais!<br \/>5.\u00a0O conhecimento n\u00e3o divulgado em ingl\u00eas pode ser ignorado e, portanto, com<\/p>\n<p>repercuss\u00e3o internacional nula mesmo n\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 desconsiderando eventual e necess\u00e1ria<\/p>\n<p>import\u00e2ncia local. <br \/>6.\u00a0O dom\u00ednio do ingl\u00eas \u00e9 reconhecidamente a maneira mais eficaz para a mobilidade<\/p>\n<p>internacional de estudantes, docentes, profissionais, t\u00e9cnicos, administradores, etc&#8230;<br \/>7.\u00a0O conhecimento do ingl\u00eas n\u00e3o deve, entretanto, servir de homogeniza\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica<\/p>\n<p>em preju\u00edzo da identidade do idioma e cultura nacionais.<br \/>8.\u00a0Redigir em ingl\u00eas \u00e9 o principal obst\u00e1culo para os estrangeiros publicarem em<\/p>\n<p>peri\u00f3dicos de alto impacto cient\u00edfico, muitas vezes independentemente do seu merit\u00f3rio<\/p>\n<p>conte\u00fado (Matarese\/2010). Esta dificuldade deve influenciar na submiss\u00e3o anual entre<\/p>\n<p>trabalhos recebidos e recusados, respectivamente,\u00a0 no\u00a0 Science\u00a0 15.000\u00a0 \uf0ae\u00a0 900;\u00a0 no\u00a0 JAMA<\/p>\n<p>6.000 \uf0ae 500; Lancet 11.000 \uf0ae\u00a0 550.<br \/>\u00a0Contudo, deve ser destacado que quanto mais idiomas forem conhecidos, tanto melhor<\/p>\n<p>para o capital humano. Por\u00e9m, em s\u00edntese, \u00e9 f\u00e1cil concluir que a realidade cient\u00edfico-<\/p>\n<p>educacional (como em outros setores) est\u00e1 expl\u00edcita no dom\u00ednio crescente da l\u00edngua inglesa<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">e pelo menos na atualidade \u00e9 dif\u00edcil profetizar qualquer mudan\u00e7a a curto ou m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>J\u00e1 publicado no Jornal da Funda\u00e7\u00e3o Faculdade de Medicina\/Mar\u00e7o-2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Prof.Dr. Flavio Fava de Moraes<br \/>Diretor Geral da FFM e Professor Em\u00e9rito do<br \/>Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas \u2013 USP<br \/>Acad\u00eamico da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o \u2013 Cadeira n\u00ba 1<br \/>Foi Reitor da USP e Diretor Cient\u00edfico da FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ingl\u00eas: A L\u00edngua Acad\u00eamica ImperialFlavio Fava de Moraes, 2011 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A polifonia no planeta Terra \u00e9 composta por centenas (milhares!) de tipos lingu\u00edsticos e, certamente, j\u00e1 foram ainda muito mais numerosos e imposs\u00edveis de quantificar.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u201cl\u00edngua\u201d \u00e9 o mecanismo mais eficaz, sen\u00e3o o \u00fanico indispens\u00e1vel \u00e0 transmiss\u00e3o do pensamento e do conhecimento atrav\u00e9s da escrita ou oralidade.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O seu \u201cpoder imperial\u201d (Altbach\/2007) sempre refletiu uma correla\u00e7\u00e3o direta com o status c\u00edvico, social e econ\u00f4mico das regi\u00f5es mais desenvolvidas em suas respectivas \u00e9pocas. 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