{"id":2123,"date":"2019-02-15T16:03:11","date_gmt":"2019-02-15T18:03:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=2123"},"modified":"2025-01-06T20:22:21","modified_gmt":"2025-01-06T23:22:21","slug":"a-universidade-em-foco-artigo-franco-m-lajolo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/a-universidade-em-foco-artigo-franco-m-lajolo\/","title":{"rendered":"A universidade em foco &#8211; Artigo Franco M. Lajolo\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><strong>Franco M. Lajolo \u00e9 professor s\u00eanior da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da USP e ex-vice-reitor da USP<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Jornal da USP 21\/01\/2019 &#8211; Franco M. Lajolo\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tem sido pr\u00f3diga a bibliografia brasileira sobre ensino superior. Na realidade, s\u00e3o raros os livros que fazem da universidade seu tema e assunto. Alguns t\u00edtulos publicados no ano passado, no entanto, come\u00e7am a preencher essa lacuna.<\/p>\n<p>O primeiro a vir a p\u00fablico,\u00a0<em>Repensar a universidade: desempenho acad\u00eamico e compara\u00e7\u00f5es internacionais<\/em>, organizado pelo ex-reitor da USP, prof. Jacques Marcovitch, tem apresenta\u00e7\u00e3o assinada pelos reitores das tr\u00eas universidades p\u00fablicas paulistas.<\/p>\n<p>Um pouco depois, saiu\u00a0<em>Os desafios da autonomia universit\u00e1ria<\/em>, de autoria de Jos\u00e9 Roberto Drugowich de Fel\u00edcio e Paulo de Tarso Artencio Muzy, ambos professores profundamente envolvidos com a administra\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e p\u00fablica.<\/p>\n<p>E o mais recente deles,\u00a0<em>Desafios e escolhas de uma lideran\u00e7a<\/em>, \u00e9 assinado pelo prof. Roberto Leal Lobo e Silva Filho, ex-reitor da USP, e pela profa. Maria Beatriz Lobo, ex-vice-reitora da Universidade de Mogi das Cruzes.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o destes tr\u00eas \u00f3timos livros representa bem-vindas respostas, dadas por vozes abalizadas, aos desafios da universidade brasileira para adaptar-se aos tempos que correm. Tempos duros, particularmente para a universidade p\u00fablica, tantas vezes v\u00edtima de mal-entendidos das inst\u00e2ncias governamentais, do p\u00fablico que a financia e at\u00e9 \u2013 \u00e0s vezes! \u2013 de seus pr\u00f3prios quadros.<\/p>\n<p>O livro organizado pelo prof. Marcovitch vai fundo na discuss\u00e3o de aspectos da avalia\u00e7\u00e3o, t\u00f3pico que nos \u00faltimos anos tem gerado acirradas pol\u00eamicas. Desde a antiga publica\u00e7\u00e3o de uma fat\u00eddica lista de professores tidos como improdutivos, at\u00e9 as atuais m\u00e9tricas impostas por organismos financiadores da pesquisa, a avalia\u00e7\u00e3o nunca mais saiu de pauta. E uma de suas \u00eanfases \u00e9 se uma avalia\u00e7\u00e3o\u00a0<em>quantitativa\u00a0<\/em>pode dar conta da natureza do que cumpre \u00e0 universidade realizar. Se \u00e9 (quase) un\u00e2nime a ideia de que s\u00f3 n\u00fameros s\u00e3o insuficientes para a avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, \u00e9 grande a diversidade de alternativas (ou complementa\u00e7\u00f5es) propostas.<\/p>\n<p>Por isso a comunidade acad\u00eamica tem tudo para beneficiar-se da \u00a0leitura e discuss\u00e3o deste livro. Seus cap\u00edtulos s\u00e3o solidamente ancorados em dados e gr\u00e1ficos, dialogam com experi\u00eancias internacionais de avalia\u00e7\u00e3o e s\u00e3o assinados por profissionais seriamente envolvidos com pesquisa e educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Se quest\u00f5es da avalia\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria correm acesas nos meios acad\u00eamicos, outro t\u00f3pico que domina conversas em corredores e laborat\u00f3rios \u00e9 a autonomia. E \u00e9 dela que se ocupa\u00a0<em>Os desafios da autonomia universit\u00e1ria<\/em>.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 confere \u00e0s universidades p\u00fablicas o gerenciamento de recursos, projetos (e problemas!) voltados para o cumprimento de seu objetivo maior: produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, ensino e pesquisa. O livro dos professores Drugowich e Muzy acompanha e discute \u2013 nos quase 30 anos decorridos da lei que assegura a autonomia \u2013 como as universidades p\u00fablicas paulistas (particularmente a USP) v\u00eam lidando com a nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com an\u00e1lises rigorosas, os autores relatam e discutem situa\u00e7\u00f5es da vida universit\u00e1ria e de sua governan\u00e7a, que apontam para a urg\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o de um novo discurso. Em discuss\u00f5es relativas \u00e0 universidade do mundo contempor\u00e2neo talvez seja necess\u00e1rio minimizar resqu\u00edcios de corporativismo, populismo e burocracia que, muitas vezes, impedem que a universidade fa\u00e7a uso melhor das oportunidades que a autonomia lhe garante.<\/p>\n<p>O mais recente deles,\u00a0<em>Desafios e escolhas de uma lideran\u00e7a<\/em>, tem perfil diferente dos anteriores. Quase autobiogr\u00e1fico \u2013 seus autores s\u00e3o ex-dirigentes de uma universidade p\u00fablica e de uma universidade privada e resistem \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de reinventar o passado \u2013, o livro faculta ao leitor uma instrutiva viagem pelo dia a dia da alta administra\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. E \u00e9 a partir dessa experi\u00eancia que seus autores formulam propostas para alguns dos impasses que vive o ensino superior brasileiro.<\/p>\n<p>O que torna este livro \u00edmpar \u00e9 a vis\u00e3o de limites e possibilidades da universidade p\u00fablica e da privada, formulada por quem as viveu. A narrativa tem tudo para seduzir e educar seus leitores. Em tom coloquial, o relato das experi\u00eancias vividas abre espa\u00e7o para hist\u00f3rias, como a da ren\u00fancia do reitor da USP, do aluno que defendeu a tese depois de morto, ou\u00a0 a dos estudantes que se cotizaram para comprar um ventilador para o laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Fechou-se, assim, 2018, com uma instigante proposta: a retomada e repagina\u00e7\u00e3o do que registra o Decreto 6.283 de 25 de janeiro de 1934, que criou a universidade p\u00fablica paulista. No decreto, l\u00ea-se que \u201ca organiza\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da cultura filos\u00f3fica cient\u00edfica, liter\u00e1ria e art\u00edstica constituem as bases em que se assentam a liberdade e a grandeza de um povo\u201d. E mais: \u201c[\u2026] somente por seus institutos de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, de altos estudos, de cultura livre, desinteressada, pode uma na\u00e7\u00e3o moderna adquirir a consci\u00eancia de si mesma, de seus recursos, de seus destinos\u201d.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 pouco para um projeto voltado para uma resposta propositiva aos desafios que enfrentam as universidades p\u00fablicas paulistas, talvez tamb\u00e9m as federais e as privadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Franco M. Lajolo \u00e9 professor s\u00eanior da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da USP e ex-vice-reitor da USP Jornal da USP 21\/01\/2019 &#8211; Franco M. 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