{"id":2133,"date":"2019-02-18T18:12:25","date_gmt":"2019-02-18T21:12:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=2133"},"modified":"2025-01-06T20:21:39","modified_gmt":"2025-01-06T23:21:39","slug":"a-educacao-acima-de-tudo-por-hubert-alqueres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/a-educacao-acima-de-tudo-por-hubert-alqueres\/","title":{"rendered":"A educa\u00e7\u00e3o acima de tudo &#8211; Por Hubert Alqu\u00e9res"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A educa\u00e7\u00e3o acima de tudo<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\">Artigo publicado no site da revista <strong>Veja<\/strong> em 13 de fevereiro de 2019 &#8211; Por<strong> Hubert Alqu\u00e9res<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2134 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo.jpg\" alt=\"\" width=\"536\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo.jpg 1352w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo-400x267.jpg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ricardo-899x600.jpg 899w\" sizes=\"auto, (max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Foto do ministro Ricardo V\u00e9lez (Cristiano Mariz\/VEJA)<\/p>\n<p>Do ministro da Educa\u00e7\u00e3o exige-se capacidade e lideran\u00e7a para conduzir um amplo consenso nacional com vistas a levar o sistema educacional a um novo patamar, condi\u00e7\u00e3o sem a qual o Brasil n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e1 o crescimento sustentado. Espera-se, sobretudo, que ele coloque foco na aprendizagem do aluno, o grande calcanhar de Aquiles da educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Em pouco mais de um m\u00eas \u00e0 frente da pasta, por\u00e9m, medidas do ministro Ricardo V\u00e9lez Rodrigues t\u00eam gerado preocupa\u00e7\u00e3o e questionamentos. Recapitulemos alguns epis\u00f3dios.<\/p>\n<p>Escolhido para diretor de avalia\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do estrat\u00e9gico Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisas \u2013 Inep, respons\u00e1vel pelo Enem \u2013 o economista Murilo Rezende Ferreira foi demitido do cargo 24 horas ap\u00f3s sua nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De perfil ultra retr\u00f3grado, sua degola deveu-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o de internautas que apontaram pl\u00e1gio em seu artigo \u201cA Escola de Frankfurt: satanismo fei\u00fara e revolu\u00e7\u00e3o\u201d, cujas ideias teriam sido copiadas do artigo \u201cThe New Dark Age: The Frankfurt School and Political Correctness\u201d, texto de 1992 de Michael Minnicino. Ferreira deixou de ser o coordenador do Enem, mas manteve cargo no Minist\u00e9rio, como assessor da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Superior (SESu).<\/p>\n<p>Um dia depois da posse do ministro, o MEC divulgou uma retifica\u00e7\u00e3o do edital para os livros did\u00e1ticos que ser\u00e3o entregues em 2020. Ela dispensava a obrigatoriedade de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas e tamb\u00e9m o compromisso com a agenda da n\u00e3o viol\u00eancia contra a mulher. Como repercutiu muito mal, teve de recuar, atribuindo incorretamente a responsabilidade ao antecessor.<\/p>\n<p>Na semana passada o ministro teve de dar explica\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em consequ\u00eancia de sua desastrada entrevista \u00e0 Veja. Suas palavras na revista causaram indigna\u00e7\u00e3o pelas ofensas aos brasileiros e por revelar uma vis\u00e3o elitista do papel das universidades. Teve ainda de se desculpar com a m\u00e3e de Cazuza por ter atribu\u00eddo ao compositor j\u00e1 falecido uma frase pejorativa que n\u00e3o era de sua autoria.<\/p>\n<p>De concreto at\u00e9 agora apenas a cria\u00e7\u00e3o da Subsecret\u00e1ria de Iniciativas C\u00edvicas, para a ado\u00e7\u00e3o do modelo de escolas c\u00edvico-militares, medida criticada por educadores e gestores, mas que cai bem aos olhos da popula\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, faltam sinais sobre os rumos que a nova gest\u00e3o pretende imprimir na Educa\u00e7\u00e3o. A indefini\u00e7\u00e3o gera inseguran\u00e7a quanto a continuidade de a\u00e7\u00f5es do governo anterior, como a reforma do ensino m\u00e9dio e a Base Nacional Curricular Comum, medidas imprescind\u00edveis para colocar a Educa\u00e7\u00e3o nos eixos.<\/p>\n<p>A prioridade do novo ministro tem sido a agenda ideol\u00f3gica. Sua gest\u00e3o promove uma guerra santa contra o \u201cmarxismo cultural\u201d, que seria o respons\u00e1vel pelas mazelas da Educa\u00e7\u00e3o. Em vez de parceiros da aprendizagem, professores chegam a ser encarados como molestadores de crian\u00e7as, como afirmou uma deputada do PSL.<\/p>\n<p>Segundo essa \u00f3tica, o Inep \u00e9 um antro de \u201cburocratas gramscianos\u201d e contribui\u00e7\u00f5es de pensadores e educadores consagrados devem ir sumariamente para a lata do lixo. J\u00e1 o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, respons\u00e1vel por analisar pol\u00edticas educacionais da maior relevancia, \u00e9 estigmatizado como sendo o \u201cConselho Sovi\u00e9tico da Educa\u00e7\u00e3o\u201d. Chegou-se ao ponto de se pedir um estudo jur\u00eddico para acabar com o Conselho, ideia felizmente abortada.<\/p>\n<p>A agenda ideol\u00f3gica n\u00e3o levar\u00e1 o pa\u00eds a lugar algum. Ou melhor, levar\u00e1 a retrocessos. A receita da aprendizagem \u00e9 amplamente conhecida: forma\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o dos professores, curr\u00edculo relevante, ensino interdisciplinar e transversal, bons materiais did\u00e1ticos, avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, refor\u00e7o e recupera\u00e7\u00e3o de alunos sempre que necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o dar\u00e1 nem mesmo um passo, quanto mais o necess\u00e1rio salto de qualidade, com o ministro se comportando como cavaleiro andante de um moralismo retr\u00f3grado a combater moinhos ideol\u00f3gicos. Por a\u00ed suas mazelas s\u00f3 ser\u00e3o agravadas.<\/p>\n<p>___________________________________________<\/p>\n<p>Este artigo foi publicado originalmente no site da revista Veja em 13 de fevereiro de 2019 (https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/noblat\/educacao-acima-de-tudo\/).<\/p>\n<p><strong>Hubert Alqu\u00e9res<\/strong> \u00e9 membro do Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o SP, da C\u00e2mara Brasileira do Livro e da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Foi professor na Escola Polit\u00e9cnica da USP e no Col\u00e9gio Bandeirantes. Durante 8 anos exerceu o cargo de secret\u00e1rio adjunto da educa\u00e7\u00e3o em SP (governo Covas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A educa\u00e7\u00e3o acima de tudo Artigo publicado no site da revista Veja em 13 de fevereiro de 2019 &#8211; Por Hubert Alqu\u00e9res Foto do ministro Ricardo V\u00e9lez (Cristiano Mariz\/VEJA) Do ministro da Educa\u00e7\u00e3o exige-se capacidade e lideran\u00e7a para conduzir um amplo consenso nacional com vistas a levar o sistema educacional a um novo patamar, condi\u00e7\u00e3o sem a qual o Brasil n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e1 o crescimento sustentado. Espera-se, sobretudo, que ele coloque foco na aprendizagem do aluno, o grande calcanhar de Aquiles da educa\u00e7\u00e3o brasileira. 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