{"id":220,"date":"2012-08-28T14:39:47","date_gmt":"2012-08-28T17:39:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2012\/08\/28\/lingua-instrumento-do-espirito\/"},"modified":"2012-08-28T14:39:47","modified_gmt":"2012-08-28T17:39:47","slug":"lingua-instrumento-do-espirito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/lingua-instrumento-do-espirito\/","title":{"rendered":"L\u00edngua, instrumento do esp\u00edrito."},"content":{"rendered":"<p><strong>FOLHA DE S. PAULO \u2013 8\/8\/2012<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00edngua, instrumento do esp\u00edrito<\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>ARNALDO NISKIER<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Nossos livros e m\u00eddia adotaram a simplifica\u00e7\u00e3o vernacular, mas em Portugal h\u00e1 resist\u00eancias incompreens\u00edveis, retardando a unifica\u00e7\u00e3o pretendida da l\u00edngua<\/em><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 hoje cerca de 280 milh\u00f5es de falantes da l\u00edngua portuguesa, sendo 250 milh\u00f5es de nativos e 30 milh\u00f5es de segunda l\u00edngua. Somos a sexta l\u00edngua mais falada no mundo, o que n\u00e3o foi motivo ainda para que ela merecesse oficializa\u00e7\u00e3o na ONU.<\/p>\n<p>Resta-nos o obst\u00e1culo das diferen\u00e7as que o Acordo Ortogr\u00e1fico de Unifica\u00e7\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa procura corrigir, sem buscar a unidade pros\u00f3dica que seria fora de prop\u00f3sito. Cada pa\u00eds da comunidade lus\u00f3fona deve falar preservando as suas caracter\u00edsticas. Assim se garantem a variedade e a riqueza do idioma.<\/p>\n<p>O acordo entrar\u00e1 em vigor, definitivamente, no dia 1\u00ba de janeiro pr\u00f3ximo. H\u00e1 resist\u00eancia em Portugal, com a tese absurda de que o Brasil tenta uma nova forma de colonialismo cultural com a sua implanta\u00e7\u00e3o (&#8220;ced\u00eancias excessivas&#8221;, dizem eles) ou o emprego de &#8220;bizarrices&#8221;, como acusa o escritor Gra\u00e7a Moura.<\/p>\n<p>Enquanto nossos livros, jornais e revistas adotaram a simplifica\u00e7\u00e3o vernacular, na terra de E\u00e7a de Queir\u00f3s h\u00e1 resist\u00eancias incompreens\u00edveis, retardando a unifica\u00e7\u00e3o pretendida, de resto uma velha reivindica\u00e7\u00e3o lusitana, aprovada na d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p>Em encontro recente na Academia Brasileira de Letras, o fil\u00f3logo Evanildo Bechara, dos mais respeitados em nosso pa\u00eds, recordou a defesa que da nossa l\u00edngua fez o escritor Jos\u00e9 de Alencar, em 1\u00ba de agosto de 1865, no posf\u00e1cio de Diva.<\/p>\n<p>Era a prop\u00f3sito de eventuais estrangeirismos: &#8220;As l\u00ednguas n\u00e3o s\u00e3o instrumentos puros: elas, como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o de uma sociedade que entra em contato com outros povos, podem receber palavras e ideias novas, mas tamb\u00e9m transmitir palavras e ideias novas. A l\u00edngua \u00e9 instrumento do esp\u00edrito e n\u00e3o pode ficar estacion\u00e1ria quando este se desenvolve.&#8221;<\/p>\n<p>Mas o pai do romance brasileiro pareceu pressentir as dificuldades de um acordo de unifica\u00e7\u00e3o: &#8220;Na subst\u00e2ncia, a linguagem h\u00e1 de ser a mesma, para que o escritor possa exprimir as ideias do seu tempo e o p\u00fablico possa compreender o livro que se lhe oferece.&#8221;<\/p>\n<p>Bechara preocupa-se com a defesa da l\u00edngua: &#8220;Devemos olhar n\u00e3o s\u00f3 para o ensino, para a cultura, mas para as li\u00e7\u00f5es da universidade que se transforma, com a constru\u00e7\u00e3o representada pelo trabalho do professor.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse aspecto, dizemos n\u00f3s, h\u00e1 uma longa caminhada a ser percorrida, na verdade a partir dos primeiros anos escolares, pois registra-se um grande desleixo nessa forma de comunica\u00e7\u00e3o. O exemplo maior pode ser o resultado das provas de portugu\u00eas, nos exames da OAB, em que se revela verdadeira cat\u00e1strofe vernacular. N\u00e3o h\u00e1 magistrado que deixe de reclamar dos textos de advogados que lhes s\u00e3o submetidos, proclamando a sua precariedade.<\/p>\n<p><strong>ARNALDO NISKIER<\/strong>, 76, \u00e9 doutor em educa\u00e7\u00e3o, foi presidente da Academia Brasileira de Letras (entre 1998 e 1999) e pertenceu ao Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FOLHA DE S. PAULO \u2013 8\/8\/2012 L\u00edngua, instrumento do esp\u00edrito ARNALDO NISKIER Nossos livros e m\u00eddia adotaram a simplifica\u00e7\u00e3o vernacular, mas em Portugal h\u00e1 resist\u00eancias incompreens\u00edveis, retardando a unifica\u00e7\u00e3o pretendida da l\u00edngua H\u00e1 hoje cerca de 280 milh\u00f5es de falantes da l\u00edngua portuguesa, sendo 250 milh\u00f5es de nativos e 30 milh\u00f5es de segunda l\u00edngua. Somos a sexta l\u00edngua mais falada no mundo, o que n\u00e3o foi motivo ainda para que ela merecesse oficializa\u00e7\u00e3o na ONU. Resta-nos o obst\u00e1culo das diferen\u00e7as que o Acordo Ortogr\u00e1fico de Unifica\u00e7\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa procura corrigir, sem buscar a unidade pros\u00f3dica que seria fora de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-220","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}