{"id":2265,"date":"2019-11-08T17:06:34","date_gmt":"2019-11-08T20:06:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=2265"},"modified":"2025-01-06T20:18:55","modified_gmt":"2025-01-06T23:18:55","slug":"solenidade-de-diplomacao-discurso-de-posse-pelo-professor-ricardo-viveiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/solenidade-de-diplomacao-discurso-de-posse-pelo-professor-ricardo-viveiros\/","title":{"rendered":"Solenidade de diploma\u00e7\u00e3o &#8211; Discurso de posse pelo Professor Ricardo Viveiros\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros.jpg\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2267 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros.jpg 917w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros-300x202.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros-768x518.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros-620x420.jpg 620w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros-400x270.jpg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/ricardo-viveiros-890x600.jpg 890w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/posse-ricardo.jpg\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2269 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/posse-ricardo.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/posse-ricardo.jpg 918w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/posse-ricardo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/posse-ricardo-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/posse-ricardo-400x267.jpg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/posse-ricardo-900x600.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><b><i>4 de novembro de 2019 \u2013 16 horas\u00a0\u00a0<\/i><\/b><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><b><i>Discurso de posse de Ricardo Viveiros de Paula como\u00a0<\/i><\/b><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><b><i>\u201cMembro Honor\u00e1rio\u201d da APE \u2013 Audit\u00f3rio Olavo Set\u00fabal\u00a0<\/i><\/b><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><b><i>Centro de Integra\u00e7\u00e3o Empresa-Escola (CIEE)\u00a0<\/i><\/b><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><b><i>Rua Tabapu\u00e3, n\u00ba 469 \u2013 Itaim Bibi \u2013 S\u00e3o Paulo, Capital.<\/i><\/b><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Muito boa tarde a todos!<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Como disse o psicoterapeuta alem\u00e3o, Bert Hellinger, \u201cAs grandes almas se movem em uma \u00fanica dire\u00e7\u00e3o, que \u00e9 unir o que foi separado\u201d. Permito-me a feliz certeza de que, assim pensando, mere\u00e7o a presen\u00e7a de tantas estimadas pessoas.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Minhas primeiras palavras s\u00e3o de eterno agradecimento aos doutos membros desta Academia que concederam \u2013 \u00e0 minha fam\u00edlia, aos meus amigos e a mim \u2013 a honra desta homenagem e a responsabilidade de, daqui por diante, pertencer a esta Casa do Conhecimento.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Reconhe\u00e7o no trabalho da APE, presidida pelo educador Wander Soares, atuante f\u00f3rum de estudos, debates e propostas capazes de contribuir, de modo significativo e concreto, para o aperfei\u00e7oamento da Educa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo e no Brasil.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Agrade\u00e7o, em especial, ao professor Walter Vicioni, pela generosidade com que fui saudado. Sua produtiva e exitosa hist\u00f3ria na Educa\u00e7\u00e3o, nacional e internacional, bem como suas gratificantes palavras sobre minha modesta trajet\u00f3ria aumentam, e muito, minha responsabilidade pessoal e profissional.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Com emo\u00e7\u00e3o, agrade\u00e7o aos meus av\u00f3s, maternos e paternos, aos meus pais e aos diversos professores de toda a vida \u2013 presentes nas aulas, no dia a dia do trabalho e a dist\u00e2ncia, nas publica\u00e7\u00f5es que pude ler \u2013 pelos acertos que me trouxeram at\u00e9 aqui. Porque os erros que cometi s\u00e3o, todos, apenas de minha responsabilidade.<\/span><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Amigas e amigos.<\/span><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">O que significa ensinar?<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">A resposta, seja qual for, diz respeito somente aos educadores formais ou aplica-se a todas as pessoas que, ao longo da vida, transmitem-nos conhecimento e aprimoram nosso saber? Vou al\u00e9m: ser\u00e1 que n\u00e3o se aplica tamb\u00e9m \u00e0 natureza? Afinal, quando a observarmos com aten\u00e7\u00e3o colhemos tantos ensinamentos.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Exemplo concreto est\u00e1 no trem-bala da rede ferrovi\u00e1ria japonesa JR, projeto denominado \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Shinkansen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, que, em 1989, criou um grave problema para a popula\u00e7\u00e3o que vivia nas cercanias de seus trilhos. Sobretudo quando o trem sa\u00eda de um t\u00fanel, correndo a 300 km por hora, a composi\u00e7\u00e3o fazia um barulho ensurdecedor capaz de ser ouvido em um raio de 400 km. Al\u00e9m do ru\u00eddo normal, ao acelerar em t\u00faneis, um trem empurra ondas de press\u00e3o atmosf\u00e9rica para a boca da galeria, o que resulta em estrondo.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">A companhia ferrovi\u00e1ria reuniu os mais not\u00e1veis especialistas em busca de uma solu\u00e7\u00e3o. Entre eles, estava o doutor Eiji Nakatsu, gerente-geral do Departamento de Desenvolvimento T\u00e9cnico da empresa naquela \u00e9poca. O que poucos sabiam \u00e9 que ele, al\u00e9m de engenheiro, era um apaixonado observador de aves. Assim, com sugest\u00f5es extra\u00eddas de seu passatempo, pe\u00e7as da locomotiva do trem-bala foram redesenhadas tendo como modelo alguns p\u00e1ssaros.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">A coruja inspirou um novo desenho para o pant\u00f3grafo, equipamento que conecta o trem aos fios el\u00e9tricos que correm pelo alto e lhe fornecem energia. Nakatsu imitou as penas desse p\u00e1ssaro usando as mesmas serrilhas e a mesma curvatura que lhe permitem se lan\u00e7ar, silenciosamente, na captura de suas presas.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Inspirada no pinguim-de-ad\u00e9lia, cuja suavidade das curvas corporais o fazem nadar e deslizar sem esfor\u00e7o, foi recriada a base de suporte do pant\u00f3grafo, o que resultou em menor resist\u00eancia ao vento.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, talvez o mais not\u00e1vel de tudo, foi o copiado do martim-pescador, p\u00e1ssaro que mergulha na \u00e1gua para capturar suas presas. A forma \u00fanica do bico dessa ave permite que sua imers\u00e3o quase n\u00e3o provoque respingos.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Nakatsu levou esse <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">design<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> para a prancheta. A equipe t\u00e9cnica efetuou ensaios com balas iguais ao formato do nariz de diferentes modelos de locomotivas, dando tiros dentro de grandes canos que simulavam t\u00faneis. A seguir, ele mediu cada onda de press\u00e3o e, por fim, deixou os proj\u00e9teis ca\u00edrem na \u00e1gua para avaliar a intensidade dos respingos de cada um deles. Resultado: o mais silencioso foi o desenhado como o bico do martim-pescador.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">E, em 1997, estreou o novo trem-bala \u2013 10% mais r\u00e1pido, consumindo 15% menos eletricidade e, o principal, com um n\u00edvel de ru\u00eddo abaixo de 70 decib\u00e9is. Portanto, em n\u00edvel muito inferior ao som gerado pelo modelo original e dentro do limite estabelecido pela lei.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Asa de coruja, barriga de pinguim e nariz de martim-pescador resolveram um grande problema de Engenharia.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso ter uma vis\u00e3o hol\u00edstica do mundo. Muitas vezes, os te\u00f3ricos s\u00e3o pouco conhecedores do funcionamento da vida \u201cna pr\u00e1tica\u201d. Existem inova\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas tamb\u00e9m em sa\u00fade, energia, computa\u00e7\u00e3o, arquitetura, economia \u2013todas inspiradas na natureza.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">O meio ambiente ensina a quem o observa com aten\u00e7\u00e3o e respeito. Voc\u00ea pode saltar como uma r\u00e3; vencer a for\u00e7a da correnteza como um golfinho; comunicar-se como as abelhas; arquitetar uma casa como um jo\u00e3o-de-barro; imitar a pele do tubar\u00e3o para criar superf\u00edcies de pl\u00e1stico antibacteriano; grudar como uma lagarta; calcular como uma c\u00e9lula, e por a\u00ed vai.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Aprendi na \u00cdndia, quando visitei o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">campus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de Madhuban da Universidade Brahma Kumaris, em Monte Abu, no Rajast\u00e3o, que a superf\u00edcie rugosa das folhas de l\u00f3tus, s\u00edmbolo espiritual daquele pa\u00eds, promovem sua autolimpeza. Que tal empregar essa t\u00e9cnica natural em fachadas de edif\u00edcios ou na pintura de ve\u00edculos que, como essas folhas, ser\u00e3o limpas apenas pelas \u00e1guas da chuva que escorrerem sobre elas?<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">A simples observa\u00e7\u00e3o de formigas poderia nos ensinar muito sobre planejamento, estrat\u00e9gia e comunica\u00e7\u00e3o? Sim. Isso j\u00e1 est\u00e1 sendo usado em log\u00edstica. Ou seja, unir conhecimento \u00e9 fundamental. Ent\u00e3o, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, por que n\u00e3o ter um bi\u00f3logo ao lado de um projetista?<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">A Economia Circular, outro exemplo de multidisciplinaridade, imita os ecossistemas no reaproveitamento dos subprodutos. A reciclagem de res\u00edduos s\u00f3lidos \u00e9 outra forma de transforma\u00e7\u00e3o que reutiliza criatividade. E o meio ambiente agradece.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">A vida existe na Terra h\u00e1 quase 4 bilh\u00f5es de anos e s\u00f3 recentemente estamos desenvolvendo a humildade de aprender com a natureza. Essa ci\u00eancia \u00e9 denominada Biomim\u00e9tica.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Por tudo isso, existir requer um eterno aprendizado. E posso lhes afirmar que aprendi muito mais com o sofrimento do que com a alegria, com a cr\u00edtica severa do que com o elogio superficial, com o erro do que com o acerto \u2013 meu e dos outros.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso transformar, sempre. Porque tudo muda. O professor Klaus Schwab, Ph.D., engenheiro e economista alem\u00e3o, fundador e presidente-executivo do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, afirma: \u201cAs mudan\u00e7as s\u00e3o t\u00e3o profundas que, na perspectiva da Hist\u00f3ria da Humanidade, nunca houve um momento t\u00e3o potencialmente promissor ou perigoso.\u201d.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Muitos anos antes de Schwab, nosso Guimar\u00e3es Rosa, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, j\u00e1 alertava: \u201cViver \u00e9 muito perigoso\u201d. Dizia isso n\u00e3o porque esse perigo venha da natureza, mas porque ele est\u00e1 no simples ato de viver. \u00c9 do ponto mais profundo da vida que surge o perigo, \u00e9 ele que nos faz ter vontade de descobrir, com ou sem sofrimentos existenciais, a solu\u00e7\u00e3o de d\u00favidas, desafios, riscos&#8230; Entre os quais o de nos perdermos dentro de n\u00f3s&#8230;\u00a0<\/span><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Car\u00edssimos,<\/strong><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Meus av\u00f3s e meus pais entendiam que para educar com qualidade era preciso, antes, abrir as portas da cultura. Ou melhor, dar espa\u00e7o para o conhecimento por meio de h\u00e1bitos, como o gosto pela literatura, pelo teatro, por m\u00fasica, artes pl\u00e1sticas, dan\u00e7a, cinema, folclore. Enfim, pelas in\u00fameras formas de conhecimento e express\u00e3o da alma. Porque, segundo eles, o caminho mais seguro para ser feliz, evoluir, est\u00e1 na comunica\u00e7\u00e3o, no di\u00e1logo aberto e sem preconceitos nas rela\u00e7\u00f5es que podemos construir na vida. E o conhecimento geral \u00e9 b\u00e1sico para auxiliar em qualquer aprendizado.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Sob esse princ\u00edpio, desde bem pequeno tive acesso \u00e0 cultura. Entrei no antigo Pr\u00e9-prim\u00e1rio j\u00e1 sabendo ler, escrever e fazer contas. Mam\u00e3e, minha primeira professora, ensinou-me em casa. Assim agiu, para que eu tivesse acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que me atra\u00edam nas revistas em quadrinhos, nos desenhos animados, nos livros e nos cadernos infantis \u2013 naquela \u00e9poca encartados em jornais e revistas para adultos \u2013, nos programas de r\u00e1dio, nos an\u00fancios fixados nos bondes que nos levavam e traziam naqueles tempos rom\u00e2nticos dos anos 1950.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Devo lhes confessar, sob um olhar menos devocional, que mam\u00e3e tenha me alfabetizado para se livrar daquele menino t\u00e3o perguntador&#8230;<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Fui, sou e serei sempre um perguntador. E um inconformado com as respostas, buscando al\u00e9m delas. Querendo mais e melhor. Aprendi a n\u00e3o desanimar por falta de respostas. E a buscar o desconhecido sem temor.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Meus pais organizavam saraus em casa, nos quais apareciam pessoas de todo tipo. Algumas me atra\u00edam pelo visual ex\u00f3tico, e todas elas porque falavam sobre assuntos para mim ainda misteriosos. Cantavam, declamavam, tocavam instrumentos, debatiam v\u00e1rios temas com entusiasmo. Sempre pareciam muito felizes. Por tudo isso, eu queria me parecer com elas quando crescesse.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Frequentavam aqueles saraus: jornalistas, m\u00fasicos, artistas, pintores, editores, bailarinos, cineastas e muitos escritores. Apenas uma d\u00e9cada e meia mais tarde fui descobrir que, algumas das pessoas por mim admiradas desde menino naqueles encontros, eram respeitados intelectuais: Pedro Nava, Mario Lago, Paschoal Carlos Magno, S\u00e9rgio Britto, Djanira, Nelson Pereira dos Santos, Walmir Ayala, Cec\u00edlia Meireles, Di Cavalcanti, Pedro Bloch, Maria Clara Machado, Jos\u00e9 Olympio, Pl\u00ednio Doyle. Deste \u00faltimo, nunca me esqueci por um detalhe que nos aproximava: ele tamb\u00e9m era um apaixonado por doces. E que doces servia minha m\u00e3e naqueles saraus!<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Depois, j\u00e1 na escola, lembro-me das professoras do Prim\u00e1rio que eram competentes, generosas e am\u00e1veis, embora n\u00e3o dispensassem a rigidez na disciplina. Todas encantadoras, surpreendiam-nos com o desconhecido.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Havia quadro-negro, giz e apagador, bem como carteiras enfileiradas e, nas paredes, informa\u00e7\u00f5es valiosas, como um mapa-m\u00fandi e um cartaz do corpo humano. Ambos atra\u00edam minha aten\u00e7\u00e3o. Imaginava ser aquele ser, alto e forte, feito de ossos, m\u00fasculos e art\u00e9rias. Sonhava que, de repente, saltaria para o cartaz ao lado e mergulharia no mundo para conhecer todos aqueles pa\u00edses. Meu desejo era descobrir, aprender e ensinar, assim como eu era ensinado.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">A fam\u00edlia, os professores, os amigos, as pessoas de casa ou das ruas sempre me ensinaram. E seguem ensinando. Eu fui orientado para gostar de aprender. Isso implicava um permanente e amplo interesse n\u00e3o s\u00f3 durante as aulas, mas, tamb\u00e9m em tudo o que acontecia no mundo. No meu pequeno universo e no imenso al\u00e9m dele.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Aprendi bem cedo que: se \u00e9 sonho, que seja o maior!<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Coragem n\u00e3o \u00e9 algo que eu sinta, \u00e9 parte do meu ser. E come\u00e7a por conhecer e aceitar meus limites, o muito que n\u00e3o sei, o tanto que ainda preciso investigar e descobrir. Sou fascinado pela imensid\u00e3o do conhecimento que sempre cresce e jamais termina.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Aos quase 70 anos, estou convencido de poucas coisas; uma delas \u00e9 que: nunca sabemos tudo. O saber \u00e9 como buscar onde fica o fim do mundo, descobrir os mist\u00e9rios da vida e da morte, desvendar a raz\u00e3o do amor, entender por que h\u00e1 tantas coisas e n\u00e3o h\u00e1 coisa nenhuma.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Saber exige humildade, f\u00e9 e persist\u00eancia.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Outra certeza que se faz presente \u00e9 a do valor da criatividade. Quando se tem cultura e educa\u00e7\u00e3o, quando se sabe colocar as cria\u00e7\u00f5es em pr\u00e1tica e da maneira certa, as chances de sucesso e felicidade s\u00e3o maiores.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Felicidade n\u00e3o tem uma unidade de medida. Sucesso, sim. Por isso, saber equilibrar raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o \u00e9 outro desafio importante. Tanto quanto atualizar convic\u00e7\u00f5es. Como disse Pascal: \u201cN\u00e3o tenho vergonha de mudar de ideia porque n\u00e3o tenho vergonha de pensar\u201d \u2013 um exerc\u00edcio que pratico com prazer.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo da vida, em determinado momento, tornei-me professor. Primeiro, de Artes no curso colegial \u2013 hoje denominado Ensino M\u00e9dio \u2013, em uma escola do Rio de Janeiro. Tempos depois, de Reda\u00e7\u00e3o em cursos t\u00e9cnicos profissionalizantes em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas e, por fim, de mat\u00e9rias como Aferi\u00e7\u00e3o de Resultados, Rela\u00e7\u00f5es Humanas e \u00c9tica, em cursos de Gradua\u00e7\u00e3o, P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e MBA em universidades p\u00fablicas e privadas. Fui patrono e paraninfo in\u00fameras vezes, embora fosse um professor exigente com os alunos.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, ainda ministro aulas magnas e palestras. Ao todo, sem interrup\u00e7\u00e3o, foram 25 anos de Magist\u00e9rio. Aprendi muito, desde princ\u00edpios pedag\u00f3gicos e did\u00e1ticos at\u00e9 v\u00e1rios e diferentes temas, pois lecionei para jovens e adultos. Acredito que, nessa trajet\u00f3ria, aprendi bem mais do que ensinei.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Consegui transcender ao trin\u00f4mio \u201cprofessor, lousa e giz\u201d, que imperou at\u00e9 o final do s\u00e9culo XX, sem jamais abrir m\u00e3o do inquestion\u00e1vel valor da liberdade com responsabilidade para professores e alunos. Do saber enciclop\u00e9dico, passando pelo aprofundamento de diferentes temas na multidisciplinaridade, alcancei o atual \u201caprender fazendo\u201d. Procurei descobrir e compreender as vantagens dos tempos modernos, e foi f\u00e1cil porque l\u00e1 no meu come\u00e7o criei um jeito transparente, investigativo e questionador de ensinar e aprender. Fugindo ao padr\u00e3o da \u00e9poca, desarrumei a sala de aula, fazendo um c\u00edrculo com as carteiras. Algo que, sem perder o respeito, unia professor e alunos na mesma proposta de crescimento na troca pelo saber. Tamb\u00e9m sa\u00eda com as turmas para lecionar em parques, empresas e at\u00e9 bares.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">O aluno precisa detestar que a aula termine.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Ensinar requer a certeza de transformar, de que a vida \u00e9 uma possibilidade din\u00e2mica e n\u00e3o algo definitivo.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">O aluno precisa se encontrar no vazio, no desconhecido, no incerto. Precisa ter amor-pr\u00f3prio, entender a relev\u00e2ncia do saber para a vida pr\u00e1tica e nunca perder o interesse pela teoria. Conectar-se \u00e0 realidade, brilhar pelo seu conhecimento ao realizar para si e para a sociedade.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o basta saber, \u00e9 necess\u00e1rio exercitar o aprendizado.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Muito me ajudou ter viajado bastante mundo afora, ter conseguido \u2013 mesmo sem aquele porte atl\u00e9tico do homem no cartaz da sala de aula do Prim\u00e1rio \u2013 realizar o sonho infantil de saltar do mapa do corpo humano para caminhar no mapa-m\u00fandi.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Viajando profissionalmente, como jornalista e escritor, estive em 114 pa\u00edses e, em cada oportunidade, investiguei como era a Educa\u00e7\u00e3o neles. Em muitos desses pa\u00edses, como Noruega, Su\u00e9cia, Finl\u00e2ndia, Su\u00ed\u00e7a, Coreia do Sul, Singapura e Canad\u00e1, observei que os curr\u00edculos foram mudados e que surgiram cab\u00edveis preocupa\u00e7\u00f5es com Comunica\u00e7\u00e3o e Relacionamento Humano, voltadas a desenvolver habilidades com intelig\u00eancia emocional.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante criar nos educandos potencial para entender e aceitar diversidades, enfrentar circunst\u00e2ncias negativas e empreender, seja como s\u00f3cio, executivo, seja apenas como colaborador em um neg\u00f3cio.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, cresce a j\u00e1 mencionada e exemplificada multidisciplinaridade que une as diferentes \u00e1reas do conhecimento para resolver, com a ajuda de cada uma delas, os problemas reais. Al\u00e9m de prever, equipando intelectualmente o aluno, para prover.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, a Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m chega e se transforma a cada dia. Tem seus problemas, sim, como as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fake news<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, a depend\u00eancia por uso excessivo e o isolamento social. Contudo, precisamos v\u00ea-la como vemos um carro. Ou seja, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a ferramenta, mas o uso adequado dela. Um carro, por exemplo a ambul\u00e2ncia, pode salvar uma vida, por\u00e9m, sob uso inadequado, tamb\u00e9m pode atropelar e at\u00e9 matar.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Em plena Era Digital, ironicamente, estamos voltando \u00e0s origens da Educa\u00e7\u00e3o, na qual a escola era um lugar para se divertir. Como na pra\u00e7a das cidades gregas onde ficavam os velhos, e as m\u00e3es colocavam as crian\u00e7as para, com eles, aprender a teoria e a pr\u00e1tica. Nos dias atuais est\u00e1 cada vez mais presente esse costume milenar. E n\u00e3o s\u00f3 no laborat\u00f3rio de Inform\u00e1tica, mas muito al\u00e9m dos muros da escola, com as crian\u00e7as sentadas no ch\u00e3o em meio a um bosque vendo o desenrolar da natureza e aprendendo com ela.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o podemos temer <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">tablets<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">notebooks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> smartphones <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">etc. Precisamos entender a amplitude e a efici\u00eancia do uso deles para, assim, torn\u00e1-los ferramentas positivas na constru\u00e7\u00e3o do aprendizado. Esse desafio \u00e9 apenas nosso, de pais e mestres. Os jovens j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1&#8230; no futuro.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 algum tempo, em palestra que fiz como escritor de livros paradid\u00e1ticos em um evento de Educa\u00e7\u00e3o, estava tamb\u00e9m um criador de jogos eletr\u00f4nicos. A proposta dele era uma ferramenta que permitia aos professores ensinar brincando: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Games<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de Matem\u00e1tica, Geografia, Ci\u00eancias e de outras mat\u00e9rias. Algu\u00e9m duvida da efic\u00e1cia de algo assim? \u00c9 claro que essa ferramenta n\u00e3o substitui o professor, o talento e a t\u00e9cnica para ensinar, entretanto, \u00e9 t\u00e3o \u00fatil quanto ou mais do que a lousa, o giz, o livro, a r\u00e9gua e o compasso.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Recordo-me com saudade de dona Esbelta, minha professora de Portugu\u00eas, e de dona Dulce, minha professora de Matem\u00e1tica, ambas no curso Prim\u00e1rio, como fundamentais orientadoras no aprendizado dessas mat\u00e9rias. Sem o trabalho delas, eu n\u00e3o estaria aqui recebendo esta homenagem. No entanto, tamb\u00e9m vejo que hoje, e amanh\u00e3 cada vez mais, quem ensina deve assumir a condi\u00e7\u00e3o de tutor do aprendizado. O mundo est\u00e1 mudando e, se quisermos\/soubermos, ser\u00e1 continuamente para melhor. Para que isso ocorra, \u00e9 preciso n\u00e3o parar de aprender, de criar.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Quem mais precisa aprender \u00e9 quem ensina.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sou neurocientista, embora me fascine esse conhecimento cient\u00edfico. L\u00e1 no passado, quando comecei a lecionar, percebi que as aulas, por mais interessantes que eu as tornasse, eram longas nos seus 45 minutos. E, de modo particular, para os alunos mais inteligentes. Depois de um tempo, eles ficavam irrequietos e n\u00e3o prestavam mais aten\u00e7\u00e3o. Assim, empiricamente, por simples a\u00e7\u00e3o intuitiva, a cada quinze\/vinte minutos de aula eu buscava contar uma piada ou fazer que se movimentassem em alguma esp\u00e9cie de jogo interativo, sempre dentro da mat\u00e9ria. E funcionava!<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Fiz isso, anos depois, tamb\u00e9m lecionando para adultos em cursos t\u00e9cnicos e universit\u00e1rios. Desenvolvi meu pr\u00f3prio projeto pedag\u00f3gico, minha metalinguagem, uma l\u00fadica epistemologia da salutar curiosidade cr\u00f4nica.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Em minhas andan\u00e7as, reencontro alguns ex-alunos, e a maioria deles faz quest\u00e3o de recordar o passado e afirma que nunca se esqueceu da mat\u00e9ria ensinada pelo \u201cprofessor diferente\u201d. Porque, como disse Albert Einstein: \u201cH\u00e1 uma for\u00e7a motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade e a energia at\u00f4mica: a vontade.\u201d.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Para ensinar e aprender, determina\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Porque ser professor \u00e9 semear a terra, regar, acreditar na colheita e n\u00e3o ver o trigo se tornar p\u00e3o. \u00c9 amor desprendido.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Acredito que a Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 garantia de independ\u00eancia, liberdade e desenvolvimento. E n\u00e3o apenas pessoal, mas tamb\u00e9m coletiva. \u00c9 capaz de diminuir desigualdades e garantir crescimento real e sustentado. Quando lecionamos, estamos preparando pessoas de modo amplo para a vida, propondo cidadania. O saber liberta, d\u00e1 condi\u00e7\u00e3o para o crescimento por m\u00e9rito.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Em abril de 2013, escrevi um artigo, publicado na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Folha de S.Paulo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, no qual reivindicava 10% do Produto Interno Bruto do Pa\u00eds, no m\u00ednimo, para a Educa\u00e7\u00e3o. Um ano e pouco depois, a ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, em 26 de junho de 2014, sancionou o Plano Nacional da Educa\u00e7\u00e3o (PNE), com a previs\u00e3o de gastos de 10% do PIB com Educa\u00e7\u00e3o. Encontramo-nos ao acaso em um evento e ela comentou o fato, relembrando o artigo. Agradeci e fiz o alerta que me cabia: \u201cN\u00e3o basta a exist\u00eancia da lei, \u00e9 preciso cumpri-la.\u201d E isso n\u00e3o aconteceu, l\u00e1 se v\u00e3o mais de cinco anos. O percentual do PIB investido na Educa\u00e7\u00e3o, nesse mesmo per\u00edodo, gira em torno de apenas 6%.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 necess\u00e1rio que o governo, em todos os n\u00edveis (municipal, estadual e federal), coloque mais vontade pol\u00edtica e recursos na Educa\u00e7\u00e3o. Existem os que n\u00e3o querem governar pessoas cultas e educadas porque estas saber\u00e3o cobrar seus direitos, denunciar incompet\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o. Rejeitar\u00e3o os maus pol\u00edticos, os maus administradores p\u00fablicos.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Acredito que reclamar, reclamar e s\u00f3 reclamar n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia inteligente para nada. Precisamos saber lidar com a realidade da vida, com o ganhar e o perder, compreendendo e aceitando como s\u00e3o as coisas em cada momento, em vez de teimar pretendendo que elas sejam como n\u00f3s gostar\u00edamos que fossem. Precisamos dar o exemplo, tanto quanto ensinar. H\u00e1 uma frase atribu\u00edda a Conf\u00facio, e que Madre Tereza de Calcut\u00e1 gostava de repetir: \u201cAs palavras, convencem. Os exemplos arrastam.\u201d.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Temos, a cada nova elei\u00e7\u00e3o, a possibilidade de escolher e votar com respeito por n\u00f3s mesmos e pelo Pa\u00eds. E assim mudar a realidade para melhor. Cabe-nos exercer com responsabilidade esse direito.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Car\u00edssimos,<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Para pensar a Educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso fugir \u00e0 pretensiosa ideia da maturidade, da falsa certeza de que sabemos muito. A vida \u00e9 mist\u00e9rio, travessia tempor\u00e1ria. \u00c9 t\u00eanue o que separa o real do irreal. O que nos mant\u00e9m vivos \u00e9 o desejo de saber o que ainda desconhecemos.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Quando ensino, estou aprendendo. Porque ao ser importante para algu\u00e9m, essa pessoa n\u00e3o tem ideia de qu\u00e3o importante ela est\u00e1 sendo para mim. Sou feliz quando fa\u00e7o algu\u00e9m feliz. Ensinar \u00e9 isso.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Lecionei sob a inspira\u00e7\u00e3o de uma premissa do poeta e pintor alem\u00e3o, naturalizado su\u00ed\u00e7o, Hermann Hesse: \u201cNada lhe posso dar que j\u00e1 n\u00e3o exista em voc\u00ea mesmo. N\u00e3o posso abrir-lhe outro mundo de imagens, al\u00e9m daquele que h\u00e1 em sua pr\u00f3pria alma. Nada lhe posso dar a n\u00e3o ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar vis\u00edvel seu pr\u00f3prio mundo, e isso \u00e9 tudo.\u201d.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, deixo meu muito obrigado \u00e0 Marcia, minha esposa, aos meus filhos Ricardo (presente na mem\u00f3ria), Felipe e Miguel; meus netos Juliana, Lucas e Mariana (tamb\u00e9m presente na mem\u00f3ria). Voc\u00eas s\u00e3o um constante aprendizado de que o amor \u00e9 um sentimento crescente e incondicional.<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400;\">E, para encerrar, agrade\u00e7o a presen\u00e7a de todos, muito obrigado desde sempre, hoje e eternamente por terem compartilhado comigo este feliz e inesquec\u00edvel momento.\u00a0<\/span><\/h3>\n<h3><strong>Boa noite!\u00a0<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>4 de novembro de 2019 \u2013 16 horas\u00a0\u00a0 Discurso de posse de Ricardo Viveiros de Paula como\u00a0 \u201cMembro Honor\u00e1rio\u201d da APE \u2013 Audit\u00f3rio Olavo Set\u00fabal\u00a0 Centro de Integra\u00e7\u00e3o Empresa-Escola (CIEE)\u00a0 Rua Tabapu\u00e3, n\u00ba 469 \u2013 Itaim Bibi \u2013 S\u00e3o Paulo, Capital. &nbsp; Muito boa tarde a todos! Como disse o psicoterapeuta alem\u00e3o, Bert Hellinger, \u201cAs grandes almas se movem em uma \u00fanica dire\u00e7\u00e3o, que \u00e9 unir o que foi separado\u201d. 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