{"id":239,"date":"2013-05-24T20:11:40","date_gmt":"2013-05-24T23:11:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2013\/05\/24\/analfabetismo-raiz-da-crise\/"},"modified":"2013-05-24T20:11:40","modified_gmt":"2013-05-24T23:11:40","slug":"analfabetismo-raiz-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/analfabetismo-raiz-da-crise\/","title":{"rendered":"Analfabetismo: Raiz da Crise."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">ANALFABETISMO: RAIZ DA CRISE<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Paulo Nathanael Pereira de Souza, Doutor em Educa\u00e7\u00e3o e Presidente da<br \/>\u00a0 Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Como educador preocupado com a extens\u00e3o e a profundidade da atual crise educacional brasileira, abro este semin\u00e1rio, no qual se pretende discutir o fracasso generalizado dos processos de alfabetiza\u00e7\u00e3o, hoje em uso no Brasil. Pode ser que a\u00ed esteja uma das causas principais dos calamitosos resultados que a escola b\u00e1sica brasileira vem apresentando nos \u00faltimos cinq\u00fcenta anos, quando os diversos processos de avalia\u00e7\u00e3o demonstram: 1\u00ba) Que o Brasil ainda abriga uma inaceit\u00e1vel massa de analfabetos em estado puro; 2\u00ba) Que um imenso contingente dos considerados alfabetizados, ao se escolarizarem, apenas transitaram do analfabetismo absoluto para o analfabetismo funcional. Trata-se de um novo c\u00e2ncer que bloqueia a capacidade m\u00ednima dos alunos de ler compreensivamente e escrever com capacidade comunicativa e corre\u00e7\u00e3o gramatical. Ali\u00e1s, no pr\u00f3prio ensino superior brasileiro, de cada 10 alunos, 4 s\u00e3o comprovadamente analfabetos funcionais (imaginem a quanto ir\u00e1 esse desastre, agora que a pol\u00edtica de cotas tomou conta das universidades). Ora, se a alfabetiza\u00e7\u00e3o bem feita deve ser entendida como o pr\u00e9 requisito indispens\u00e1vel de toda a aprendizagem inicial, como esperar bons resultados nos ensinos fundamental e m\u00e9dio, e como obter bom proveito para o desenvolvimento e a boa pr\u00e1tica democr\u00e1tica do pa\u00eds, com esses p\u00edfios n\u00fameros estat\u00edsticos do aproveitamento escolar das gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras? \u00c9 s\u00f3 ler o Anu\u00e1rio Brasileiro da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (2012), editado pelo MEC, para constatar que o pa\u00eds traz em seu seio, como se foram duas chagas dolorosas, 14 milh\u00f5es e cem mil analfabetos puros entre pessoas na idade escolar e j\u00e1 adultas, e mais 57 milh\u00f5es, (a saber, 31% da popula\u00e7\u00e3o total) de analfabetos funcionais. Isso faz com que, nas mais recentes medi\u00e7\u00f5es mundiais do IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Urbano), o Brasil tenha ocupado um dos \u00faltimos lugares da fila. Ou que, na avalia\u00e7\u00e3o da OCDE (Escala Pisa) sobre aproveitamento escolar de jovens de 15 anos, nas disciplinas de matem\u00e1tica, vern\u00e1culo e ci\u00eancias, estejamos atr\u00e1s do Uruguai, do Chile e do M\u00e9xico, sem falar que h\u00e1 pa\u00edses africanos na nossa frente. <br \/>Na raiz dessa monumental crise de desempenho escolar, est\u00e1, sem d\u00favida alguma, a nossa comprovada incapacidade de bem alfabetizar as novas gera\u00e7\u00f5es. E por isso, certamente, iremos no futuro pagar um pre\u00e7o exorbitante.<br \/>Face a t\u00e3o grave situa\u00e7\u00e3o decidiu a academia organizar o presente Semin\u00e1rio, convidando para nos ajudar a refletir sobre o problema, as not\u00e1veis educadoras Stela Piconez e Josefina Valentini de Santi, que teremos o prazer de ouvir logo em seguida. Quanto \u00e0s causas dessa crescente dificuldade para alfabetizar, parece-me que as mais evidentes poder\u00e3o ser: 1\u00ba) as mudan\u00e7as acarretadas pelas metamorfoses culturais havidas na ascens\u00e3o social das massas urbanas; 2\u00ba) o impacto did\u00e1tico trazido pelos avan\u00e7os eletr\u00f4nicos da comunica\u00e7\u00e3o; 3\u00ba) a crescente desestrutura\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias; 4\u00ba) os condicionamentos te\u00f3ricos sugeridos pelas Diretrizes Curriculares da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, que vieram substituir as antigas t\u00e9cnicas de alfabetizar, ensinadas nas falecidas Escolas Normais, pelas discuss\u00f5es sem fim (e, diga-se de passagem, tamb\u00e9m sem resultados pr\u00e1ticos), de doutrinas sociol\u00f3gicas e ling\u00fc\u00edsticas, travadas em torno da natureza do letramento na aprendizagem das primeiras letras.<br \/>Claro que deste encontro n\u00e3o levaremos solu\u00e7\u00f5es precisas sobre como superar esses impasses. Mas \u00e9 certo que da troca de id\u00e9ias que aqui se vai ter, sairemos mais enriquecidos sobre os poss\u00edveis motivos da trag\u00e9dia em que se converteu a educa\u00e7\u00e3o nacional, em grande parte, por culpa da desalfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Bom proveito a todos e obrigado pela presen\u00e7a.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANALFABETISMO: RAIZ DA CRISE Paulo Nathanael Pereira de Souza, Doutor em Educa\u00e7\u00e3o e Presidente da\u00a0 Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Como educador preocupado com a extens\u00e3o e a profundidade da atual crise educacional brasileira, abro este semin\u00e1rio, no qual se pretende discutir o fracasso generalizado dos processos de alfabetiza\u00e7\u00e3o, hoje em uso no Brasil. 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