{"id":248,"date":"2014-04-22T13:17:16","date_gmt":"2014-04-22T16:17:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2014\/04\/22\/conceitos-e-preconceitos-na-educacao-brasileira\/"},"modified":"2014-04-22T13:17:16","modified_gmt":"2014-04-22T16:17:16","slug":"conceitos-e-preconceitos-na-educacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/conceitos-e-preconceitos-na-educacao-brasileira\/","title":{"rendered":"Conceitos e Preconceitos na Educa\u00e7\u00e3o Brasileira."},"content":{"rendered":"<p>CONCEITOS E PRECONCEITOS NA  EDUCA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA  Carlos Rolim Affonso INTRODU\u00c7\u00c3O            Enquanto escreviamos algumas considera\u00e7\u00f5es a respeito dos conceitos e   preconceitos que vigem em nosso sistema educacional, recebemos a not\u00edcia da canoniza\u00e7\u00e3o   daquele que fora, a partir de  13 de julho de 1553, ainda como novi\u00e7o e com apenas 19 anos   de idade, um dos primeiros mission\u00e0rios a atuar na terra de Santa Cruz, o Brasil,   acompanhando o Padre Manoel da N\u00f3brega \u00e0 nova miss\u00e3o de Piratininga. Da\u00ed para a frente, tornou-se, n\u00e3o s\u00f3 um Mission\u00e1rio Jesuita, mas, tamb\u00e9m, o \u201cAp\u00f3stolo do   Brasil\u201d, dedicando-se, ainda, \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 Sa\u00fade de \u00edndios, colonos e jovens, em geral. E   \u00e9 como ex\u00edmio defensor da educa\u00e7\u00e3o o que nos leva a cit\u00e1-lo nesta introdu\u00e7\u00e3o, primeiro na   esperan\u00e7a de que sirva de exemplo e mod\u00ealo para os atuais gestores e educadores brasileiros   e, em segundo, por ser ele o Patrono da Cadeira No. 10, que ora ocupamos, com muita honra,   na nobre Academia Crist\u00e3 de Letras, de que fazem parte mais 39 not\u00e1veis Escritores, Poetas,   Contistas e Educadores&#8230; Ao tentarmos fazer uma an\u00e1lise do que vem acontecendo no sistema educacional brasileiro,   deparamos com v\u00e1rios componentes que v\u00eam colocando nossos alunos como protagonistas de uma   avalia\u00e7\u00e3o, elaborada por entidades nacionais e internacionais, classificando-os na   categoria de desempenho muito baixo..          Enquanto isso, muitos pa\u00edses, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo com baixo desempenho na \u00e1rea   educacional, v\u00eam modernizando seu processo de ensino\/aprendizagem, fazendo com que seus   alunos consigam obter bons e \u00f3timos resultados nas mesmas avalia\u00e7\u00f5es a que foram submetidos   os alunos brasileiros  \t           UMA VIS\u00c3O PANOR\u00c2MICA DA EDUCA\u00c7\u00c3O NO BRASIL  \tEm uma observa\u00e7\u00e3o atenta do atual est\u00e1gio do desenvolvimento brasileiro, verifica-  se de imediato, em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses, um d\u00e9ficit muito grande no grau de   aprendizagem dos alunos, tanto no n\u00edvel fundamental quanto nos n\u00edveis m\u00e9dio e superior. \tA posi\u00e7\u00e3o que o Brasil ocupa, na \u00e1rea educacional, na avalia\u00e7\u00e3o das diversas   institui\u00e7\u00f5es que se incubem de realizar as pesquisas necess\u00e1rias, \u00e9 preocupante, mesmo se   comparada com pa\u00edses de n\u00edvel socioecon\u00f4mico menor. E isso \u00e9 not\u00f3rio h\u00e1 muitos anos, desde   o in\u00edcio dessas pesquisas, acarretando um \u00edndice de repet\u00eancia elevado, dificultando o   acesso ao mercado de trabalho a muita gente. \tNuma era de elevada competitividade, a sociedade, com a  falta de cidad\u00e3os   competentes, se v\u00ea alijada das diversas concorr\u00eancias deste mundo globalizado e em   cont\u00ednuas mudan\u00e7as progressistas.. Por outro lado, chega a ser alarmante o n\u00famero de   repet\u00eancias e desist\u00eancias nos tr\u00eas n\u00edveis de ensino, acrescidos daqueles que, por um   motivo ou outro, saem da escola, ap\u00f3s conclu\u00edrem os respectivos cursos, na condi\u00e7\u00e3o de   analfabetos funcionais, incapazes de entenderem  um texto lido e\/ou de fazerem uma simples   opera\u00e7\u00e3o aritm\u00e9tica.. \t                                                                            A situa\u00e7\u00e3o dentro deste quadro agrava-se, ainda mais, quando se v\u00ea o descaso e\/ou   indiferen\u00e7a dos poderes da Rep\u00fablica com as infind\u00e1veis protela\u00e7\u00f5es na aprova\u00e7\u00e3o da lei que   disp\u00f5e sobre o novo Plano Nacional da Educa\u00e7\u00e3o, onde reformas estruturais s\u00e3o propostas,   justamente para proporcionar modernas alternativas de desenvolvimento educacional e que   objetivem preparar melhor uma juventude que anseia entrar no mercado de trabalho, que vem   h\u00e1 tempos reclamando por profissionais competentes. O panorama se deteriora quando se l\u00ea o relat\u00f3rio divulgado pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o   (25\/03\/2014), onde se constata um d\u00e9ficit de 32,7 mil professores, especialmente nas \u00e1reas   de f\u00edsica, qu\u00edmica, biologia e sociologia, acrescido de dados estarrecedores, em que se   revela a exist\u00eancia de 41 mil docentes sem forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em nenhuma das disciplinas   do ciclo m\u00e9dio e que 61 mil professores se encontram fora das salas de aula \u2013 40 mil,   exercendo atividades administrativas, 5 mil cedidos a \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, sem qualquer rela\u00e7\u00e3o   com a \u00e1rea educacional e 16 mil em outros tipos de afastamento. Nesse caos, os governos   federal, estaduais e municipais, t\u00eam recorrido a contrata\u00e7\u00e3o de professores tempor\u00e1rios   que, na maioria dos casos, n\u00e3o apresentam o preparo necess\u00e1rio, al\u00e9m de ultrapassarem,   frequentemente, o car\u00e1ter de  t e m p o r \u00e1 r i o. Na opini\u00e3o do vice-diretor da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento   Econ\u00f4mico), o Brasil deve investir mais em professores para atrair profissionais   talentosos, enfatizando a necessidade de motivar os bons alunos para optarem pela carreira   da doc\u00eancia, nos diversos n\u00edveis de ensino. \tAproveitando essa cita\u00e7\u00e3o sobre a OCDE, apresentamos, a seguir, um resumo de um   quadro intitulado \u201cRANKING DA SALA DE AULA\u201d, onde se relata os resultados de uma pesquisa   feita em 2012, envolvendo alunos de 65 pa\u00edses, que foram avaliados em 3 quest\u00f5es: leitura,   matem\u00e1tica e ci\u00eancia.                     Leitura                       Matem\u00e1tica                    Ci\u00eancia            Pa\u00eds             Ptos          Pa\u00eds             Ptos          Pa\u00eds              Ptos    1\u00ba. Xangai            570     !  Xangai             613      !   Xangai        580    2\u00ba. Hong Kong     545     !  Cingapura       573       !  Hong Kong  555    3\u00ba. Cingapura      542     !  Hong Kong      561       !  Cingapura    551    .          55\u00ba.Brasil             410     !  Uruguai            381      !   m\u00e9xico         415     . .     58\u00ba.Jordania        399    ! Brasil                 391      !  Argentina      406     59\u00ba. Mal\u00e1sia        398    !  Argentina            388      !  Brasil           405 !______________________________________________________________!  \tO quadro acima fala por si s\u00f3, demonstrando o quanto teremos que melhorar o nosso   processo educacional, a fim de aproximarmo-nos do desempenho escolar dos alunos que   pertencem, pelo menos, aos 10 primeiros pa\u00edses desse ranking. Transcrevo aqui, o que relatou o douto mestre, Dr. Paulo Nathanael Pereira de Souza, em seu   artigo \u201cEduca\u00e7\u00e3o e Saber\u201d, da Cole\u00e7\u00e3o CIEE- 72, 3\u00aa. Edi\u00e7\u00e3o \u2013 2008: \u201cS\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o de   qualidade, voltada para o dom\u00ednio do conhecimento e aberta a toda a popula\u00e7\u00e3o, assegura \u00e0s   na\u00e7\u00f5es modernas efetiva prosperidade e permanente padr\u00e3o de competitividade global. A   rec\u00edproca \u00e9 tamb\u00e9m verdadeira: povo deseducado, seja por falta de escolas, seja por   desatualiza\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, estar\u00e1, para sempre, condenado ao subdesenvolvimento   s\u00f3cioecon\u00f4mico e cultural. Especialmente nestes tempos de preval\u00eancia do saber, como   elemento condicionador do poder e da riqueza\u201d. Acresce notar o que foi divulgado pelo Centro de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o,   em 27\/02\/2014, sobre o que vem acontecendo nesse ciclo, e tamb\u00e9m no ciclo M\u00e9dio, no que diz   respeito \u00e0 frequ\u00eancia de alunos nesses ciclos. Enquanto o n\u00famero de alunos diminui no ciclo   b\u00e1sico, pela diminui\u00e7\u00e3o de repet\u00eancias (o que \u00e9 bom), no ciclo m\u00e9dio, h\u00e1 tamb\u00e9m uma   diminui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, devido \u00e0 desist\u00eancias, que v\u00eam ocorrendo e em grande n\u00famero. O quadro \u00e9,   de certa forma melanc\u00f3lico, pois, em 2013, o n\u00famero de alunos atingia a quantia de 8,312   milh\u00f5es e em 2007, essa quantia era de 8, 376 milh\u00f5es, o que nos leva a concluir, baseados   no crescimento vegetativo dessa popula\u00e7\u00e3o, que cerca de 1,5 milh\u00e3o de jovens, de 15 a 17   anos, est\u00e3o fora da escola, acarretando um certo gargalo em nosso processo educacional,   provocado por uma certa discrep\u00e2ncia com o que vem ocorrendo nos dois outros n\u00edveis de   ensino, no fundamental e no superior, onde a atratividade vem sendo bem maior. Novamente,   p\u00f5e-se de manifesto o grave problema de Gest\u00e3o, visto que o investimento no ensino m\u00e9dio   tem sido substancioso, principalmente no per\u00edodo de 2000 a 2013, embora, pelo que se   comenta na m\u00eddia, h\u00e1 car\u00eancia de professores e de laborat\u00f3rios equipados. Cumpre salientar que esses problemas est\u00e3o mais presentes nas escolas p\u00fablicas, enquanto   que nas escolas particulares ocorre o contr\u00e1rio, havendo, nestes \u00faltimos anos, um sens\u00edvel   aumento de matr\u00edculas, ultrapassando a cifra de 400 mil alunos. Recentemente (2011), o governo brasileiro, atrav\u00e9s da CAPES e do CNPq, lan\u00e7ou o programa   \u201cCi\u00eancia sem Fronteiras\u201d, objetivando internaciolizar o nosso sistema de ensino, por meio   de interc\u00e2mbio, para docentes e pesquisadores estrangeiros, com o prop\u00f3sito para reduzir a   dist\u00e2ncia entre as universidades nacionais e as de outros paises. E, como soe acontecer em   outras \u00e1reas do saber, em nosso pa\u00eds, sempre ocorrem problemas de GEST\u00c3O de certas   atividades educacionais mais complexas, como esse programa, envolvendo mais de 100 mil   bolsistas. Prova disso, \u00e9 o conte\u00fado da ata da 10\u00aa. Reuni\u00e3o do Comit\u00ea Executivo do referido   Programa, a que teve acesso um jornalista do Estad\u00e3o ( pg. A3, de 27\/02\/2014), que relata o   que segue: a) atrasos no dep\u00f3sito das bolsas e aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o dos bolsistas, b)   milhares de bolsistas n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de assistir \u00e0s aulas e de participar de   experi\u00eancias compartilhadas em laborat\u00f3rios, por falta de flu\u00eancia na l\u00edngua inglesa, c) a   iniciativa privada, por discordar dos crit\u00e9rios adotados pelo governo para a sele\u00e7\u00e3o de   bolsistas, deixou de bancar certas bolsas que havia prometido em 2011, d) passados 3 anos   de funcionamento, o programa n\u00e3o vem conseguido atrair para o Brasil cientistas de outras   nacionalidades, nem mesmo os pesquisadores brasileiros que atuam em paises desenvolvidos. Por outro lado, felizmente, v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es de ensino (USP-Lorena e algumas FATECs),   resolveram unir esfor\u00e7os para formar os componentes de seus professores com novas   metodologias de ensino, que j\u00e1 v\u00eam sendo usadas na Harvard University e no Massachusetts   Institute of Tecnology, dos Estados Unidos e com significativo sucesso. Trata-se de   iniciativa que visa formar, no prazo de 3 anos, 300 docentes, compromissados a serem   multiplicadores nas institui\u00e7\u00f5es de origem, abrangendo 1 500 professores. Fa\u00e7amos votos que   outras escolas incorporem essa ideia e busquem outros exemplos de efetivo sucesso,   alcan\u00e7ados por outras institui\u00e7\u00f5es, dando aos seus professores e alunos, melhores condi\u00e7\u00f5es   que os incentivem a utilizarem um novo processo de ensino\/aprendizagem mais efic\u00e1z. Mais uma vez, enfatizamos a necessidade urgente de novas medidas  serem tomadas pelas   autoridades competentes,  para que seja dado um fim nessa calamitosa evas\u00e3o do ensino   m\u00e9dio, pois \u00e9 da\u00ed que poder\u00e1 vir a for\u00e7a de trabalho profissional que tanta falta vem   fazendo ao mercado de trabalho  e, por consequ\u00eancia, \u00e0 economia brasileira, como bem vem   salientando o not\u00e1vel economista brasileiro Ilan Goldfajn, na m\u00eddia e em suas palestras. Pelo exposto at\u00e9 aqui, listamos, a seguir, os conceitos e preconceitos que vigem na \u00e1rea   educacional de nosso pa\u00eds, na expectativa de que, num futuro pr\u00f3ximo, possamos alijar os   \u201cpreconceitos\u201d e batalhar pela preval\u00eancia dos \u201cConceitos\u201d. CONCEITOS\tPRECONCEITOS &#8211; A Educa\u00e7\u00e3o, se eficaz, produz conhecimento e, se bem aplicada, promove desenvolvimento.\t  &#8211; Uma escola bem estruturada e bem constru\u00edda sempre proporciona boa educa\u00e7\u00e3o. &#8211; A situa\u00e7\u00e3o educacional no Brasil \u00e9 cr\u00edtica em compara\u00e7\u00e3o a de muitos pa\u00edses menos   desenvolvidos.\t&#8211; O Brasil caminha c\u00e9lere para alcan\u00e7ar um bom desempenho no cen\u00e1rio   internacional. &#8211; O Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o em discuss\u00e3o no congresso brasileiro representa uma certa   esperan\u00e7a para a solu\u00e7\u00e3o de alguns problemas da \u00e1rea educacional.\t&#8211; Com a aprova\u00e7\u00e3o   do PNE, o Brasil se colocar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de aproximar-se dos pa\u00edses mais desenvolvidos. &#8211; O desenvolvimento econ\u00f4mico, em muitos pa\u00edses, fica na depend\u00eancia, quase que exclusiva,   do desenvolvimento educacional.\t&#8211; Para o governo brasileiro, a prioridade, no momento, \u00e9   para o desenvolvimento econ\u00f4mico. &#8211; Os movimentos sociais, no Brasil, pleiteiam, prioritariamente, mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 melhoria da   pol\u00edtica educacional.\t&#8211; As lideran\u00e7as pol\u00edticas, no Brasil, lutam com mais frequ\u00eancia   pela melhoria salarial dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos. &#8211; Muitas escolas est\u00e3o procurando empregar, adequadamente, as novas tecnologias no processo   ensino\/aprendizagem.\t&#8211; As novas tecnologias educacionais s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para melhorar a   qualidade do ensino brasileiro. &#8211; Um pa\u00eds, para aumentar sua produtividade, deve, antes, cuidar para que sua popula\u00e7\u00e3o seja   bem qualificada.\t&#8211; Para que um pa\u00eds aumente sua produtividade, basta que disponha de   um n\u00famero suficiente de escolas. &#8211; Enquanto escassearem os recursos para bem remunerar o pessoal dirigente e docente das   escolas, nenhuma reforma educacional atingir\u00e1 seu objetivo. \t&#8211; Os problemas brasileiros   relacionados \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e3o resolvidos com o aumento dos sal\u00e1rios dos professores. &#8211; O uso da tecnologia na Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho sem volta. As institui\u00e7\u00f5es de ensino que   dela n\u00e3o fazem uso tendem a desestimular e alienar seus alunos.\t&#8211; O uso das novas   tecnologias da Educa\u00e7\u00e3o possibilita sempre um aprendizado mais eficaz. &#8211; Para assegurar boas oportunidades de empregabilidade aos jovens, torna-se indispens\u00e1vel   garantir-lhes, j\u00e1, oportunidades de receberem uma cont\u00ednua e plena educa\u00e7\u00e3o de qualidade.\t  &#8211; As escolas, no Brasil, est\u00e3o aptas a fornecerem cursos que garantam empregabilidade a   seus alunos. &#8211; Muitas empresas v\u00eam tomando a iniciativa de elas mesmas prepararem seus empregados para o   exerc\u00edcio de suas tarefas.\t&#8211; As escolas brasileiras, atrav\u00e9s de seus cursos, sempre   preparam seus alunos para o mercado de trabalho.    Outros conceitos e preconceitos poderiam ser elencados, mas ficamos apenas nesses, pois s\u00e3o   suficientes para demonstrar o quanto ainda \u00e9 necess\u00e1rio ser feito para atingir um padr\u00e3o de   ensino que atenda aos anseios de uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, a que todos os brasileiros   esperam e t\u00eam direito, Com o advento das novas tecnologias telem\u00e1ticas, os procedimentos voltados para o processo   educativo, de muitas delas, v\u00eam sendo utilizados, at\u00e9 desabusadamente, tanto para o ensino   presencial quanto para o ensino a dist\u00e2ncia, envolvendo, hoje, quasi 7 milh\u00f5es de alunos. \tAli\u00e1s, n\u00f3s mesmos, junto com alguns colegas ( Arnold Fioravante, Samuel Pfromm Neto   e Aleexandre Bonaparte, pelo CIANET \u2013 Centro Interetivo de Administra\u00e7\u00e3o, Neg\u00f3cios e   Educa\u00e7\u00e3o) e em conv\u00eanio com a Siracuse University, do Estado de New York), tivemos a   oportunidade, na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado, de organizar e implantar o primeiro curso   de Tecnologia Educacional e Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia, de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (stricto sensu),   contando com a participa\u00e7\u00e3o de especialistas dessa Universidade. . Infelizmente, por n\u00e3o   estarmos vinculados a nenhuma universidade brasileira, o MEC n\u00e3o dava o cr\u00e9dito devido aos   nossos formandos, embora a referida Universidade de Siracuse a desse com aceita\u00e7\u00e3o   internacional. Todavia, o importante, na \u00e9poca, foi o aproveitamento que os alunos tiveram   e que, hoje, certamente estar\u00e3o difundindo o que aprenderam e assistindo o desabrochar de   um sistema de ensino que envolve milh\u00f5es de alunos, nos diversos n\u00edveis de aprendizado.           Lembramos que, embora o uso da telem\u00e1tica tenha facilitado o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a   um grande n\u00famero de pessoas, verifica-se que a qualidade vem deixando muito a desejar, quer   por parte do alunado quer por parte de algumas entidades escolares que a utilizam.   \tDa\u00ed decorre o grande desafio aos educadores, que \u00e9 o de saber usar, adequada e   oportunamente, as tecnologias que mais facilitam o aprendizado, seja para o ensino   presencial ou para o ensino a dist\u00e2ncia. Agora mesmo, neste in\u00edcio do ano de 2014, os   notici\u00e1rios d\u00e3o conta sobre a constru\u00e7\u00e3o de um computador que imita as sinapses do sistema   nervoso central, sendo capaz de pensar, de tomar decis\u00f5es e de corrigir seus pr\u00f3prios   erros, envolvendo a participa\u00e7\u00e3o de in\u00fameros cientistas europeus do Human Brain Project,   com produ\u00e7\u00e3o comercial prevista para o ano pr\u00f3ximo \u2013 2015. O importante \u00e9 considerar que os   paises mais desenvolvidos j\u00e1 come\u00e7am a preparar seus t\u00e9cnicos, sendo que, s\u00f3 na   Universidade de Stanford, 760 estudantes est\u00e3o se capacitando para operar essa inven\u00e7\u00e3o,   al\u00e9m de outras j\u00e1 em processo de gesta\u00e7\u00e3o, como a transmiss\u00e3o de imagens diretamente ao   c\u00e9rebro, sem passar pela vis\u00e3o, acelerando, assim, a aquisi\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos. E o   Brasil, querendo ser competitivo, n\u00e3o pode deixar de se preparar para a forma\u00e7\u00e3o desses   novos t\u00e9cnicos, tarefa n\u00e3o f\u00e1cil para um pa\u00eds carente de m\u00e3o de obra especializada em   muitas \u00e1reas do saber e, principalmente, na \u00e1rea da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI).  Dentro desse desafio est\u00e1 o de incrementar o que algumas institui\u00e7\u00f5es escolares j\u00e1 v\u00eam   fazendo com sucesso, a personaliza\u00e7\u00e3o do ensino, que tem como grande vantagem oferecer a   oportunidade de acelerar a aprendizagem, levando em conta as diferen\u00e7as individuais. \u00c9 importante ressaltar, entretanto, que a pluralidade de cursos oferecidos pelas escolas   brasileiras, nem sempre comungam com a qualidade necess\u00e1ria para tirar o Brasil da inc\u00f4moda   posi\u00e7\u00e3o que ocupa no \u201cranking\u201d internacional, o que passa a exigir de nossas autoridades,   p\u00fablicas e privadas, urgentes provid\u00eancias, visando dotar as escolas com estruturas,   procedimentos, metodologias, corpo docente e, principalmente,  gestores mais qualificados,   com vis\u00e3o de futuro.. O impasse pelo qual est\u00e1 subjugada a educa\u00e7\u00e3o brasileira s\u00f3 poder\u00e1 ser vencido se todos os   que, direta ou indiretamente, estejam ligados \u00e0 problem\u00e1tica educacional, venham a   estabelecer um pacto pr\u00f3-desenvolvimento do nosso pa\u00eds, deixando de lado desaven\u00e7as   metodol\u00f3gicas, pol\u00edticas e partid\u00e1rias, que \u00e9 a grande praga que boicota o ideal de uma   maioria que quer o progresso de seu povo. \tH\u00e1 pouco tempo, recebemos uma not\u00edcia em que, nos \u00faltimos 20 anos houve, sim, uma   melhora na performance das escolas p\u00fablicas, em fun\u00e7\u00e3o de um maior aporte de recursos   financeiros e que insere a educa\u00e7\u00e3o como SEGUNDA prioridade do governo federal, estando a   sa\u00fade na prioridade UM. Em termos num\u00e9ricos, isso representa um percentual do PIB nacional   superior ao de muitos pa\u00edses com IDH menor que o do Brasil, o que atesta que o nosso atraso   n\u00e3o est\u00e1 atrelado somente aos recursos financeiros, mas principalmente aos fatores   relacionados com a grade curricular, a certas metodologias pedag\u00f3gicas retr\u00f3gradas, a uma   gest\u00e3o ineficiente dos recursos dispon\u00edveis e a falta de motiva\u00e7\u00e3o e de prepara\u00e7\u00e3o adequada   dos professores, face aos baixos sal\u00e1rios a eles atribu\u00eddos.      \u00c9 do senso comum a constata\u00e7\u00e3o de que, em qualquer parte do universo em que vivemos, o   desenvolvimento em todas as \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o do homem est\u00e1 na depend\u00eancia direta da ado\u00e7\u00e3o   de um processo educacional permanente, inclusivo, eficiente e eficaz e que possa contribuir   com o desenvolvimento de suas faculdades f\u00edsicas, intelectuais e morais, incluindo as   virtudes humanas, t\u00e3o necess\u00e1rias quanto indispens\u00e1veis \u00e0s boas rela\u00e7\u00f5es sociais (citamos,   a seguir, agumas dessas virtudes, que julgamos indispens\u00e1veis na pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o   infantil, fundamental, m\u00e9dia e superior: veracidade, dignidade, respeito, gratid\u00e3o,   responsabilidade, lealdade, justi\u00e7a, laboriosidade, solidariedade, const\u00e2ncia, paci\u00eancia,   alegria, car\u00e1ter, \u00e9tica e muitas outras). Essas virtudes, se ensinadas no lar e refor\u00e7adas   na escola, d\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o uma dimens\u00e3o elevada e grandiosa, que muito facilitar\u00e1 a   adapta\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e0 vida familiar, escolar, social e profissional.  S\u00f3 assim os   estudantes  se tornar\u00e3o capazes de dar uma melhor contribui\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds   mais forte,  produtivo e competitivo neste mundo globalizado.. Vale a pena, tamb\u00e9m, lembrar os resultados positivos que experimenta\u00e7\u00f5es recentes,   realizadas no Rio de janeiro, pelo Instituto Ayrton Senna e pela Organiza\u00e7\u00e3o para a   Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico, envolvendo 25 mil crian\u00e7as, e que  melhoraram o   desempenho dos alunos. A estrat\u00e9gia utilizada, mostrou que alunos organizados e com sede   pelo conhecimento, v\u00e3o melhor na escola, desde que sejam induzidos a utilizar suas   compet\u00eancias socioemocionais (responsabilidade,  autoestima e estabilidade emocional).  A   pesquisa ainda revela a indispensabilidade do incentivo dos pais e a possibilidade de ser   estendida a alunos das escolas p\u00fablicas, o que seria um grande benef\u00edcio para a nossa   p\u00e1tria.                                                                                                          \tAtualmente, o que se anuncia, \u00e9 a destina\u00e7\u00e3o de mais verbas para a educa\u00e7\u00e3o ( vide   o prometido com o pr\u00e9-sal), quando, na realidade, o que temos de porcentagem do PIB   destinada a ela \u00e9 maior do que em muitos pa\u00edses menos desenvolvidos, cuja porcentagem de   seu PIB \u00e9 bem menor do que a do Brasil, o que nos leva a concluir que o problema brasileiro   \u00e9 mais de GEST\u00c3O do que de falta de recursos financeiros. \tA prop\u00f3sito, registramos aqui, como nos Estados Unidos, o problema da gest\u00e3o   educacional vem sendo enfrentado e com muito sucesso. Em Nova Iorque, por exemplo, foi   criada, pela prefeitura, uma ACADEMIA DE LIDERAN\u00c7A, com o objetivo espec\u00edfico de capacitar   GESTORES DE ESCOLAS, a fim de prepar\u00e1-los para bem orientar os professores em sua complexa   e desafiadora miss\u00e3o de ENSINAR seus alunos a terem habilidade para lidar com pessoas, se   expressar bem, saber gerir seu pr\u00f3prio tempo, ter o h\u00e1bito de dar feedback, estar aberto a   terem o trabalho avaliado e, se necess\u00e1rio, rever suas a\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m, nos Estados Unidos, e servindo de alerta para n\u00f3s, dois professores da Universidade   de Oxford (Carl Frey e Michael Osborne), em entrevista dada \u00e0 revista \u00c9POCA (24\/02\/2014),   afirmaram que 47% das profiss\u00f5es correm o risco de passar a ser exercidas pelas m\u00e1quinas,   semelhantes aquela que, numa partida, derrotou o russo Kasparov, campe\u00e3o mundial de xadrez,   em 1998. Chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que mais de 700 ocupa\u00e7\u00f5es, principalmente das \u00e1reas de   log\u00edstica, escrit\u00f3rio e produ\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o ser executadas por m\u00e1quinas, o que provocar\u00e1   profundas altera\u00e7\u00f5es,no mercado de trabalho, atrav\u00e9s do novo preparo funcional, da   realoca\u00e7\u00e3o dos recursos humanos e da necess\u00e1ria habilita\u00e7\u00e3o para a opera\u00e7\u00e3o das novas e   mais avan\u00e7adas m\u00e1quinas.  Pelo que foi comentado at\u00e9 aqu\u00ed, podemos concluir que a sociedade brasileira est\u00e1   necessitando, urgentemente, de uma educa\u00e7\u00e3o que ensine a pensar criticamente, raciocinar   com l\u00f3gica e que ofere\u00e7a um caminho de amadurecimento na pr\u00e1tica dos valores humanos,   sociais, morais e culturais e que garanta a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os capazes de contribuirem   para o desenvolvimento de nosso pa\u00eds.  Entendemos ser oportuno registrar, tamb\u00e9m,  o que foi respondido pelo soci\u00f3logo italiano   Nuccio Ordine, a uma pergunta feita pelo jornalista do Estad\u00e3o, Jo\u00e3o Marcos Coelho, sobre   UTOPIAS (09\/02\/2014): \u201cSomente o SABER pode fazer frente ao dom\u00ednio do dinheiro, pelo menos por tr\u00eas raz\u00f5es.  A   primeira: com o dinheiro pode-se comprar tudo (dos juizes ao parlamentares, do poder ao   sucesso), menos o conhecimento, que n\u00e3o se adquire, mas se conquista com grande empenho   interior. A segunda raz\u00e3o diz respeito \u00e0 total revers\u00e3o da l\u00f3gica do mercado. Em qualquer   troca econ\u00f4mica h\u00e1 sempre uma perda e um ganho. Se compro um rel\u00f3gio, por exemplo, \u201cperco o   dinheiro e fico com o rel\u00f3gio; e quem me vende o rel\u00f3gio \u201cperde\u201d o rel\u00f3gio e fica com o   dinheiro. Mas, no \u00e2mbito do conhecimento, um professor pode ensinar um teorema sem perd\u00ea-  lo. No c\u00edrculo virtuoso do ensinar, enriquece quem recebe ( o estudante), enriquece quem   d\u00e1. Trata-se de um pequeno milagre. Um milagre- e essa \u00e9 a terceira raz\u00e3o\u2013que o dramaturgo   Bernard Shaw sintetiza num exemplo: \u201cse dois indiv\u00edduos t\u00eam uma ma\u00e7\u00e3 cada um e fazem uma   troca, ao voltar para casa cada um deles ter\u00e1 uma ma\u00e7\u00e3. Mas se esses indiv\u00edduos possuem   cada um uma id\u00e9ia e a trocam, ao voltarem para casa cada um deles ter\u00e1 duas id\u00e9ias\u201d. Mesmo   se em alguns momentos da hist\u00f3ria o saber n\u00e3o soube ou n\u00e3o p\u00f4de eliminar por completo a   barb\u00e1rie, n\u00e3o temos outra. Devemos continuar a crer que a cultura e uma educa\u00e7\u00e3o livre s\u00e3o   os \u00fanicos meios para tornar a humanidade mais humana e mais culta\u201d.  \u201cDepois do p\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira necessidade de um povo\u201d. ( frase de um pol\u00edtico franc\u00eas, Georges Jacques Danton \u2013 s\u00e9culo XVIII)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONCEITOS E PRECONCEITOS NA EDUCA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA Carlos Rolim Affonso INTRODU\u00c7\u00c3O Enquanto escreviamos algumas considera\u00e7\u00f5es a respeito dos conceitos e preconceitos que vigem em nosso sistema educacional, recebemos a not\u00edcia da canoniza\u00e7\u00e3o daquele que fora, a partir de 13 de julho de 1553, ainda como novi\u00e7o e com apenas 19 anos de idade, um dos primeiros mission\u00e0rios a atuar na terra de Santa Cruz, o Brasil, acompanhando o Padre Manoel da N\u00f3brega \u00e0 nova miss\u00e3o de Piratininga. 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