{"id":260,"date":"2015-05-19T12:11:21","date_gmt":"2015-05-19T15:11:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2015\/05\/19\/universidade\/"},"modified":"2015-05-19T12:11:21","modified_gmt":"2015-05-19T15:11:21","slug":"universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/universidade\/","title":{"rendered":"Universidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Aulas noturnas oscilando entre dezenove e vinte e tr\u00eas horas. Seria esse tempo o suficiente para uma forma\u00e7\u00e3o superior? Depois de cumprir um dia de trabalho em emprego, normalmente, de baixa remunera\u00e7\u00e3o e passar muitos minutos afogado em coletivos indesej\u00e1veis, l\u00e1 vai esbaforido para um r\u00e1pido lanche &#8211; o suficiente para espantar a fome &#8211; a esse custo, alcan\u00e7a a sala de aula, senta-se na cadeira mais pr\u00f3xima e entende ser aluno apto a empreender marcha ao diploma de um curso superior, de institui\u00e7\u00e3o que, beneficiada com o \u201cjeitinho brasileiro\u201d, n\u00e3o preenche os requisitos necess\u00e1rios e continua burlando a boa f\u00e9. \u00c9 quase institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. H\u00e1 ainda outras mazelas que complementam a m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o superior de jovens brasileiros. O professor, este, abatido pelo cansa\u00e7o e outros percal\u00e7os j\u00e1 conhecidos se apresenta \u00e0 sala de aula e se depara com o que lhe espera: alunado sonolento, cr\u00e9dulo, incauto, empurrado para dentro das escolas, por enganosa pol\u00edtica educacional que, por lei, concede abatimento no resultado de sua escolaridade anterior, como se mercadoria fosse, suscet\u00edvel de pechincha, por ser afrodescendente, \u00edndio, desprovido de sucesso financeiro ou qualquer outra suposta \u201cdefici\u00eancia\u201d, menos a responsabilidade do poder p\u00fablico de ter-lhe oferecido escolaridade anterior honesta. A bondade apontada \u00e9 falsa; n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma odiosa discrimina\u00e7\u00e3o, como a busca ofensiva de privil\u00e9gios eleitoreiros. Para coroar a turbulenta oferta de forma\u00e7\u00e3o superior, resta, ainda, o mais grotesco abandono daquilo que se entende por pesquisa, a grande falha em muitas universidades brasileiras. N\u00e3o h\u00e1 como a universidade coroar suas realiza\u00e7\u00f5es sem oferecer \u00e0 sociedade o resultado de suas pesquisas. Para encerrar esta fase da indigna\u00e7\u00e3o de educadores, voltamos aos alunos, esses jovens egressos de baixa escolaridade e que, por n\u00e3o se aperceberem desse engodo, n\u00e3o raro estufam-se em d\u00fabio ufanismo, sentem-se grandes entre seus patr\u00edcios e n\u00e3o sentem a submiss\u00e3o no contexto internacional comparativo e na disputa ocupacional. Ao final desta sinfonia ouve-se, ao longe um gemido; logo mais, outro. \u00c9 o futuro. A. Fioravante\/2015 A.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aulas noturnas oscilando entre dezenove e vinte e tr\u00eas horas. Seria esse tempo o suficiente para uma forma\u00e7\u00e3o superior? 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