{"id":274,"date":"2015-07-21T14:28:28","date_gmt":"2015-07-21T17:28:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2015\/07\/21\/palestra-profa-lucia-santaella-lancamento-do-57o-premio-jabuti-01-de-junho-de-2015\/"},"modified":"2015-07-21T14:28:28","modified_gmt":"2015-07-21T17:28:28","slug":"palestra-profa-lucia-santaella-lancamento-do-57o-premio-jabuti-01-de-junho-de-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/palestra-profa-lucia-santaella-lancamento-do-57o-premio-jabuti-01-de-junho-de-2015\/","title":{"rendered":"Palestra Profa. Lucia Santaella &#8211; Lan\u00e7amento do 57\u00ba Pr\u00eamio Jabuti &#8211; 01 de junho de 2015"},"content":{"rendered":"<p>Palestra: Prof\u00aa Lucia Santaella<\/p>\n<p>Lan\u00e7amento do 57\u00ba Pr\u00eamio Jabuti<\/p>\n<p>1\u00ba de junho de 2015 CIEE \u2013 S\u00e3o Paulo\/SP<\/p>\n<p>Contribui\u00e7\u00f5es do livro digital para o universo infantil<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Boa noite a todos. \u00c9 um imenso prazer estar aqui com voc\u00eas e estou extremamente honrada \u2013 t\u00e3o honrada, obrigada \u2013 que meu cora\u00e7\u00e3o bate mais forte. T\u00e3o honrada, que eu fico at\u00e9 constrangida.<\/p>\n<p>O assunto me \u00e9 t\u00e3o familiar. E eu tenho trabalhado desde que a cultura digital come\u00e7ou a despontar, eu me lembro que em 1996 eu fui convidada pela reitoria da PUC e a SBPC, seria l\u00e1 na PUC, e eu fui convidada para fazer parte da comiss\u00e3o organizadora. Em 1996, a internet, voc\u00eas sabem que ela est\u00e1 celebrando 20 anos agora, a internet comercial no Brasil. E eu&#8230; muito timidamente, porque como eu vendo da \u00e1rea das humanidades, ent\u00e3o, muito t\u00edmida \u2013 n\u00e3o \u00e9? \u2013 diante daqueles cientistas, e eu falei, &#8220;vamos fazer uma mesa redonda sobre internet?&#8221;, e eles me olharam com profundo desprezo e disseram, &#8220;a internet \u00e9 s\u00f3 uma tecnologia&#8221;. Ent\u00e3o, depois de 20 anos eu costumo dizer, &#8220;a hist\u00f3ria se vinga e quem vence \u00e9 a poesia&#8221;. Eu estava do lado da poesia, e \u00e9 sobre isso que eu vou falar hoje para voc\u00eas, trazendo esse mundo digital para o contexto do mundo infantil. Ent\u00e3o, olhem, eu tirei algumas imagens de um livro infantil &#8216;Jack and the (billstock) &#8216; que ganhou a men\u00e7\u00e3o honrosa na Feira do Livro de Bologna, ganhou men\u00e7\u00e3o honrosa de &#8216;livro digital infantil&#8217;.Ent\u00e3o, antes de tudo, eu quero parabenizar o Pr\u00eamio Jabuti, a Marisa Lajollo, e esses \u00faltimos anos do Pr\u00eamio Jabuti, que tem expandido as categorias, ela n\u00e3o \u00e9 uma expans\u00e3o arbitr\u00e1ria. O destino da intelig\u00eancia humana \u00e9 como o destino da vida, \u00e9 ir crescendo e se ampliando cada vez mais.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, essa amplia\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia e da criatividade humana, ela vai se desmembrando e se multiplicando em diversas \u00e1reas, e o Jabuti est\u00e1 de parab\u00e9ns porque tem acompanhado essa amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas do\u00a0conhecimento, do saber, da produ\u00e7\u00e3o e da criatividade humanas, e nisso n\u00f3s n\u00e3o podemos deixar de acreditar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu preparei algumas p\u00e1ginas mnem\u00f4nicas para mim. Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que o ser humano \u00e9 um ser em evolu\u00e7\u00e3o. Isso j\u00e1 est\u00e1 em Marx, poucas pessoas repetem essa frase de Marx, &#8220;transformando a Natureza, o ser humano transforma a sua pr\u00f3pria natureza&#8221;. Ent\u00e3o, a natureza humana est\u00e1 em perp\u00e9tuo metabolismo e transforma\u00e7\u00e3o. E essa transforma\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 devida antes de tudo ao fato de que o ser humano \u00e9 um ser de linguagem. Os outros animais, eles t\u00eam at\u00e9 capacidade simb\u00f3lica. As abelhas dan\u00e7am, as formigas trabalham de uma maneira invej\u00e1vel, e as raposas mentem \u2013 mas&#8230; \u00e9, raposas mentem, que coisa estranha, que dificuldade semi\u00f3tica que a gente tem para mentir, j\u00e1 as raposas mentem. ((acha gra\u00e7a)) Ent\u00e3o, elas t\u00eam capacidade simb\u00f3lica. Mas, o ser humano \u00e9 o \u00fanico ser que fala. Ent\u00e3o, toda a evolu\u00e7\u00e3o humana, ela est\u00e1 muito marcada pela evolu\u00e7\u00e3o das linguagens humanas.<\/p>\n<p>A linguagem humana n\u00e3o \u00e9 um mon\u00f3lito. Tanto \u00e9 que da fala ela foi gradativamente saindo corpo \u2013 porque o corpo \u00e9 mortal \u2013 e, para preservar e eternizar aquilo que o ser humano cria, \u00e9 preciso colocar e registrar fora do corpo. Os gregos reclamaram. Se a gente pega os di\u00e1logos plat\u00f4nicos, eles reclamaram da inven\u00e7\u00e3o do alfabeto, &#8220;o ser humano ia perder o seu maior tesouro, que \u00e9 a mem\u00f3ria&#8221;. S\u00f3 que a mem\u00f3ria, sem o registro fora dela, ela \u00e9 mortal.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 preciso que a esp\u00e9cie ganhe com essa externaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria para fora do corpo. Essa \u00e9 a base para a gente entender por que \u00e9 que n\u00f3s estamos hoje no mundo digital. \u00c9 essa externaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, por v\u00e1rios meios, que vai se ampliando cada vez mais. Ent\u00e3o, o est\u00e1gio atual \u00e9 o da cultura digital.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a cultura digital, ela n\u00e3o \u00e9 um&#8230; eu n\u00e3o gosto de ver a cultura digital desde os anos 1990, quando ela come\u00e7ou a fazer parte da nossa vida e o computador come\u00e7ou a se transformar em um artefato dom\u00e9stico, da\u00ed se abriu, e a gente passou a se comunicar gradativamente com o mundo inteiro. Hoje a gente se comunica com o mundo inteiro com um aparelho &#8216;desse&#8217; tamanho, pequenino em nossas m\u00e3os, que \u00e9 o nosso mimo.<\/p>\n<p>Para voc\u00eas terem uma ideia, em 2006 eu estava escrevendo um livro &#8216;Linguagens l\u00edquidas na era da mobilidade&#8217; e peguei como base um livro de um finland\u00eas onde ele dizia, &#8220;a cidade na palma da m\u00e3o&#8221;. 2003&#8230; e em 2006 o t\u00edtulo do cap\u00edtulo que eu estava escrevendo era &#8216;O mundo na palma da m\u00e3o&#8217;. Ent\u00e3o, a transforma\u00e7\u00e3o da cultura digital, ela \u00e9 muito acelerada e n\u00f3s estamos na 5\u00aa fase em 20 anos da implanta\u00e7\u00e3o do mundo digital.Ent\u00e3o, o est\u00e1gio atual \u00e9 este. Eu vou tentar caracterizar um pouquinho isto dentro do campo do universo infantil que \u00e9 sobre o qual eu vim hoje falar. As caracter\u00edsticas da linguagem no universo da cultura digital, essa linguagem, ela tem a caracter\u00edstica de ser hipermidi\u00e1tica. Ent\u00e3o, ela \u00e9 feita atrav\u00e9s da conex\u00e3o de lexias \u2013 que s\u00e3o fragmentos de texto, e isso \u00e9 o hipertexto \u2013, mas no momento em que esta possibilidade de se lincar, de se conectar lexias que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 verbais, mas que s\u00e3o imagens e da\u00ed sons e hoje anima\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, etc., elas se transformam em hiperm\u00eddia. Ent\u00e3o, s\u00e3o as linguagens do nosso tempo.<\/p>\n<p>As linguagens do nosso tempo, que caracter\u00edsticas elas t\u00eam? Elas s\u00e3o hipermidi\u00e1ticas, hiperm\u00eddia, transm\u00eddia, que \u00e9 a passagem dessa linguagem hipermidi\u00e1tica para outras plataformas. Ent\u00e3o, do game, do cinema vai, da literatura escrita vai para o cinema, do cinema vai para um game, do game vai para alguma outra plataforma, e essas plataformas n\u00e3o cessam de aparecer, novas. Ent\u00e3o, a hiperm\u00eddia, a multim\u00eddia, que s\u00e3o as linguagens de nosso tempo.<\/p>\n<p>E a\u00ed, eu vou terminar esta p\u00e1gina com uma leitura que eu fiz e que me fascinou profundamente. Cito muito esse autor em meus livros, ele se chama Merlin Donald, e ele escreveu um livro, &#8216;O desenvolvimento da intelig\u00eancia humana&#8217;. E da\u00ed ele escreveu um outro livro, s\u00f3 escreveu esses dois, mas eles s\u00e3o absolutamente preciosos&#8230; &#8216;uma mente t\u00e3o rara&#8217;. E o que \u00e9 que ele diz? Ele diz muitas coisas, mas a ideia principal que eu estou tentando trazer para voc\u00eas, \u00e9 que o pensamento humano \u00e9 h\u00edbrido.<\/p>\n<p>Nosso pensamento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 verbal. Ele \u00e9 um pensamento que se desenvolve atrav\u00e9s de imagens, rela\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes tens\u00f5es, polaridades, sentimentos, vontades&#8230; quer dizer, tudo isso ((enfatizou)) comp\u00f5em o nosso pensamento. Por isso eu costumo dizer que a mente humana, ela \u00e9 prom\u00edscua. Prom\u00edscua,\u00a0no seguinte sentido, ela n\u00e3o \u00e9 somente o pensamento l\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 que se estrutura proposicionalmente. Mas, ela \u00e9 uma mistura de tudo isso, \u00e9 h\u00edbrido.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso pensamento \u00e9 h\u00edbrido&#8221;.Ent\u00e3o, ele diz o seguinte, que gradativamente esses meios de externaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria humana para fora do corpo, para fora do nosso c\u00e9rebro mortal, para meios, ent\u00e3o, que se externalizam, e com os quais a esp\u00e9cie ganha, ele diz o seguinte, &#8220;hoje n\u00f3s chegamos em um ponto em que as linguagens humanas est\u00e3o conseguindo atualizar ((enfatizou)) aquilo, representar e expressar a pr\u00f3pria natureza do pensamento humano&#8221;, que \u00e9 essa mistura.Ent\u00e3o, quando a gente conecta o computador e come\u00e7a a navegar no computador, n\u00f3s encontramos a\u00ed, um modo de express\u00e3o da linguagem humana que tem uma certa similaridade \u2013 n\u00e3o completa, porque a materialidade \u00e9 diferente \u2013 mas uma certa similaridade com o modo como o nosso pr\u00f3prio pensamento funciona.<\/p>\n<p>O que eu aqui marcar \u00e9 o seguinte, essas linguagens do nosso tempo n\u00e3o anulam as formas de linguagem anteriores. Ent\u00e3o, sou uma grande defensora, ainda, do texto exclusivamente verbal. E essas ideias, eu comecei a sistematizar em um livro &#8216;Navegar no ciberespa\u00e7o&#8217;. S\u00e3o v\u00e1rios de leitores por qu\u00ea? S\u00e3o v\u00e1rios tipos de habilidades cognitivas, que cada linguagem nos leva a exercitar de uma determinada maneira. Ent\u00e3o, do meu ponto de vista, na medida em que as linguagens humanas v\u00e3o cada vez se incrementando mais e se transformando, \u00e9 a pr\u00f3pria natureza humana que vai se enriquecendo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00f3s continuamos leitores do texto impresso. E isso \u00e9 uma atividade \u2013 o texto impresso, mesmo que ele v\u00e1 para o Kindle \u2013 mas o texto exclusivamente verbal, ele consegue perfazer um tipo de atividade cognitiva que quando a gente navega na hiperm\u00eddia, a atividade cognitiva \u00e9 um pouco diferente. Voc\u00ea experimentam isso cotidianamente, depois de dez minutos navegando, a gente n\u00e3o lembra \u2013 &#8220;o que \u00e9 que era mesmo que eu estava procurando?&#8221; \u2013, enquanto que o texto verbal \u00e9 isso, a linguagem verbal \u00e9 insubstitu\u00edvel. Ent\u00e3o, eu tenho longas discuss\u00f5es com os meus alunos. Por que \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel criar conceitos com imagem? O limite que a imagem conseguiu levar o conceito, \u00e9 a obra pict\u00f3rica do Magritte. Ent\u00e3o, o m\u00e1ximo que a linguagem da imagem consegue criar como um conceito \u00e9 a met\u00e1fora.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, passamos para &#8216;as crian\u00e7as do nosso tempo&#8217;. Ent\u00e3o, eu estou falando das linguagens do nosso tempo, as crian\u00e7as do nosso tempo. A diferen\u00e7a, hoje, geracional, que antes era de pai para filho, hoje \u00e9 mais ou menos de cinco anos. Uma crian\u00e7a de cinco anos, ela j\u00e1 est\u00e1 mais equipada para essas interfaces contempor\u00e2neas no mundo digital do que uma crian\u00e7a de 10.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, voc\u00eas calculem a minha gera\u00e7\u00e3o&#8230; \u00e9 uma trag\u00e9dia. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes quando eu pego um celular, porque ele toca, e eu estou dando aula, ((acha gra\u00e7a)) eu falo &#8220;gente, n\u00e3o \u00e9 uma performance&#8221;. Eu n\u00e3o estou fazendo performance, porque \u00e9 tal a confus\u00e3o, a confus\u00e3o motora, a confus\u00e3o mental porque ((acha gra\u00e7a)) eles j\u00e1 nascem adaptados. Eles j\u00e1 nascem adaptados, embora isso que eu esteja afirmando pare\u00e7a, assim, uma ousadia \u2013 &#8220;que prova voc\u00ea tem disto?&#8221; \u2013 ent\u00e3o, usem a experi\u00eancia cotidiana, observem para voc\u00eas verem como eu estou provavelmente pr\u00f3xima de ter alguma raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que a gente tem \u00e9 uma integra\u00e7\u00e3o sens\u00f3ria, motora e cognitiva natural, \u00e0s interfaces. (&#8230;) E claro que existe muita pesquisa para essas interfaces.<\/p>\n<p>Por que \u00e9 que o &#8216;touch screen&#8217; pegou em lugar da interface de voz? Em primeiro lugar, porque muita pesquisa foi feita com adolescentes e eles diziam assim, &#8220;imagina, eu n\u00e3o vou ficar conversando com celular, porque eu pare\u00e7o um imbecil&#8221;. Mas, a outra raz\u00e3o, eu vou falar daqui a pouco, que \u00e9 o problema do sistema sens\u00f3rio humano e do sistema t\u00e1til do corpo que concentra toda a intelig\u00eancia na ponta dos dedos. Ent\u00e3o, toda nossa intelig\u00eancia t\u00e1til est\u00e1 concentrada &#8216;aqui&#8217;, e da\u00ed a gente pega a evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e da\u00ed a gente v\u00ea que quando o ser humano se tornou b\u00edpede, que da\u00ed ele passou de &#8216;hominedae A&#8217;, humano, e liberou a m\u00e3o. \u00c9 por isso que essa sutileza da m\u00e3o, ali\u00e1s o Jo\u00e3o Cabral tem um poema onde ele fala do futebol, e ele diz assim, &#8220;dar aos p\u00e9s a sutileza da m\u00e3o&#8221;, que \u00e9&#8230; &#8220;o macaco n\u00e3o faz &#8216;isto'&#8221;. Ent\u00e3o, essa sutileza e toda a intelig\u00eancia t\u00e1til do nosso corpo se concentra &#8216;aqui&#8217;. Liberou a testa, o desenvolvimento do neoc\u00f3rtex e o ser humano se torna b\u00edpede e desenvolve a\u00ed, todo o sistema de visualidade. \u00c9 por isso que o sistema de visualidade at\u00e9 ao ponto de a gente falar que n\u00f3s vivemos hoje uma verdadeira hipertrofia da\u00a0vis\u00e3o, mas isso \u00e9 parte caracter\u00edstica da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica para a sobreviv\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Olhe, a m\u00e3o, fabuloso \u00f3rg\u00e3o. S\u00f3 tem um \u00f3rg\u00e3o do nosso corpo que pode competir com a m\u00e3o. \u00c9 a boca. Serve para comer, falar, cantar \u2013 que \u00e9 uma exuber\u00e2ncia da fala \u2013 e beijar. Ent\u00e3o&#8230; \u00e9 o Edgar Morin que fala isso, &#8220;esse \u00f3rg\u00e3o fabuloso, \u00f3rg\u00e3o que \u00e9&#8221;&#8230; mas, a m\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o fabuloso, porque \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o t\u00e1til e \u00e9 o \u00fanico \u00f3rg\u00e3o do nosso corpo que \u00e9 sens\u00f3rio e \u00e9 atrav\u00e9s do qual n\u00f3s agimos. Ent\u00e3o, ele \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o inteligente, t\u00e1til, e agenciador. \u00c9 isso que nos faz compreender por que \u00e9 que \u00e9 com a m\u00e3o que a gente hoje navega com equipamentos muito pequenos. E ele \u00e9 todo adaptado para essa intelig\u00eancia t\u00e1til-sens\u00f3ria da ponta dos dedos, que \u00e9 isso que se chama &#8216;touch screen&#8217;, que \u00e9 a tela sens\u00edvel ao toque.<\/p>\n<p>O que \u00e9 que isso traz? H\u00e1 uma sincronia. E isso que \u00e9 importante, sincronia entre perceber, sentir, pensar e inteligir. Quando eu escrevi esse livro &#8216;Navegar no ciberespa\u00e7o&#8217;, eu menciono. Porque foi a partir da\u00ed que tudo se desencadeou em todos os livros que eu escrevi, na maneira como interpreto a cultura digital.\u00a0Ali\u00e1s, eu ganhei um Jabuti em terceiro lugar em games, em ci\u00eancias exatas e eu n\u00e3o sei nem tabuada.\u00a0((acha gra\u00e7a))<\/p>\n<p>Mas eu organizei o livro &#8216;O mapa do jogo&#8217;, foi um dos primeiros publicado em portugu\u00eas. Eu tinha um grupo de games, mas evidentemente eu n\u00e3o jogo games porque eu n\u00e3o tenho essa destreza. Eu tenho alunos de games que eles me dizem o seguinte, eles t\u00eam 30 anos, &#8220;eu n\u00e3o consigo mais jogar os games que os meus alunos de 20 jogam&#8221;.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu escrevi aquele livro porque eu entrei, sorrateiramente ((silabou)) no quarto onde o meu filho estava com os primeiros jogando games. Claro, voc\u00eas sabem como que \u00e9 filho adolescente, eles n\u00e3o gostam que m\u00e3e entre no quarto. E eu entrei e eles ((acha gra\u00e7a)) estavam na frente do computador e estavam jogando games. E eu olhei e falei &#8220;o que \u00e9 que \u00e9 isso?&#8221;, e eu parei. Falei, &#8220;eu n\u00e3o posso acreditar. O que \u00e9 que est\u00e1 acontecendo na cabe\u00e7a deles?&#8221;, porque o que me preocupou, &#8220;como \u00e9 que eles conseguem reagir com tanta rapidez?&#8221;, e aquela destreza motora, manual, e eu percebi na hora que\u00a0alguma coisa est\u00e1 acontecendo alguma coisa que est\u00e1 sincronizando as opera\u00e7\u00f5es mentais, a percep\u00e7\u00e3o, a rea\u00e7\u00e3o perceptiva e motora. Ent\u00e3o, essa sincronia, quando eu falo &#8220;as crian\u00e7as do nosso tempo&#8221;, elas t\u00eam essa sincronia em estado de prontid\u00e3o. Ent\u00e3o, e \u00e9 uma cogni\u00e7\u00e3o adaptada a essa organiza\u00e7\u00e3o das linguagens do nosso tempo, hiperm\u00eddia, multim\u00eddia, transm\u00eddia&#8230; a organiza\u00e7\u00e3o reticular, multilinear, multimidi\u00e1tica das interfaces da linguagem.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que nos faz mais ou menos compreender por que \u00e9 que uma crian\u00e7a de dois anos j\u00e1 lida com o celular e todas tem iPad. &#8220;Esse \u00e9 o meu ((enfatizou)) iPad \u2013 meu neto falava para mim \u2013 esse \u00e9 o meu, \u00f3, iPad&#8221;. E eu fui fazer uma coisa, &#8220;n\u00e3o, vov\u00f3, voc\u00ea n\u00e3o sabe&#8221;.\u00a0((acha gra\u00e7a))<\/p>\n<p>E o pior? \u00c9 que ele tem toda a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora eu vou entrar no livro infantil digital. As duas p\u00e1ginas at\u00e9 agora foram s\u00f3 introdut\u00f3rias do tema. Isso aqui \u00e9 um tru\u00edsmo. O que eu vou falar \u00e9 um tru\u00edsmo. O livro infantil, sempre ((enfatizou)) reclamou por uma natureza intersemi\u00f3tica interlinguagens. Ali\u00e1s, se a gente pega um livro, por qu\u00ea? O mundo infantil, ele ainda n\u00e3o passou por aquela fase que a gente chama de letrada, ou &#8216;letramento&#8217;, o &#8216;alfabetizar-se&#8217;, o &#8216;saber&#8217; ler, e da\u00ed, gradativamente a nossa cultura foi assim, enquanto durou a hegemonia do livro. Essa hegemonia do livro, ela foi de Gutenberg at\u00e9 o s\u00e9culo 19, porque com a inven\u00e7\u00e3o da fotografia, com a explos\u00e3o do jornal, a raiz da estrutura mos\u00e1iquica da hiperm\u00eddia est\u00e1 no jornal. O jornal se estrutura exatamente&#8230; ent\u00e3o, desde o jornal a sensibilidade perceptiva humana j\u00e1 estava se preparando para que essa evolu\u00e7\u00e3o ocorresse. Ent\u00e3o, existe \u2013 n\u00e3o \u00e9 um determinismo tecnol\u00f3gico, n\u00e3o tem nada a ver com isso \u2013 existe uma esp\u00e9cie de &#8216;destino&#8217; das linguagens e no ponto em que eu estou hoje, eu vejo esse destino como encontrar as linguagens que sejam mais capazes de expressar o modo como n\u00f3s pensamos e sentimos \u2013 e desejamos, e queremos \u2013 tudo, ao mesmo tempo. A\u00ed, a sofistica\u00e7\u00e3o dos meios de impress\u00e3o j\u00e1 com a fotografia e da\u00ed com as m\u00e1quinas, as novas rotat\u00f3rias, e da\u00ed a evolu\u00e7\u00e3o do &#8216;design&#8217; dos tipos gr\u00e1ficos, ent\u00e3o isso j\u00e1 potencializou o livro infantil. Porque a crian\u00e7a, ela vive nesse\u00a0mundo de integra\u00e7\u00e3o entre o visual, o sonoro. Ent\u00e3o, esse \u2013 esse tamb\u00e9m eu ganhei Jabuti \u2013 quatro, hein! Mas vou ganhar mais, se der, n\u00e3o?((acha gra\u00e7a))<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, os meios de impress\u00e3o, eles potencializaram esse modo como a crian\u00e7a come\u00e7a a se relacionar com as formas de representa\u00e7\u00e3o de linguagem. Ent\u00e3o, o livro infantil, ele sempre teve essa caracter\u00edstica, \u00e9 uma caracter\u00edstica de misturar. Mas, o livro infantil antes da hiperm\u00eddia, antes do mundo digital, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o ainda de trazer o som. Conclus\u00e3o, com os livros digitais, essa natureza que j\u00e1 \u00e9 intersemi\u00f3tica, o que \u00e9 que quer dizer &#8216;intersemi\u00f3tica&#8217;? \u00c9 que mistura linguagens, comp\u00f5e essas linguagens numa hipersintaxe, onde se faz a rela\u00e7\u00e3o de uma linguagem para a outra e o sentido, o conte\u00fado vai se criando dessas rela\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, existem a\u00ed, rela\u00e7\u00f5es transversais, cruzamento, o verbal ajuda o visual e o visual ajuda o verbal. H\u00e1 complementaridade, \u00e0s vezes h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o, e assim por diante.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, levaram&#8230; os livros digitais infantis levaram esse potencial intersemi\u00f3tico do livro infantil ao cl\u00edmax.<\/p>\n<p>Agora, eu vou falar um pouquinho do livro digital infantil. Que caracter\u00edsticas ele tem? Primeiro, ele tem um formato de um aplicativo, isso que a gente chama de APP. S\u00e3o aplicativos. E eles, esses aplicativos s\u00e3o criados de acordo com as necessidades que cada conte\u00fado apresenta. Ent\u00e3o, &#8220;aquele conte\u00fado precisa desses e daqueles recursos, destas e daquelas estrat\u00e9gias&#8221;&#8230; ent\u00e3o, esse aplicativo, ele j\u00e1 \u00e9 programado o atender a aqueles recursos e aquelas estrat\u00e9gias necess\u00e1rias a um determinado conte\u00fado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ele \u00e9 um sistema operacional. Um sistema operacional, computacional, ent\u00e3o ele depende de programa\u00e7\u00e3o. Ora, isso significa que na maior parte das vezes, como n\u00f3s n\u00e3o somos tudo ao mesmo tempo, n\u00f3s somos seres, n\u00e3o somos completos \u2013 somos incompletos gra\u00e7as a Deus \u2013 por isso que a gente procura o outro, porque somos incompletos. Ent\u00e3o, na maior parte das vezes esses aplicativos necessitam de diversas compet\u00eancias. \u00c9 como no cinema \u2013 voc\u00ea tem o diretor, o diretor comanda, mas voc\u00ea t\u00eam v\u00e1rias. Ent\u00e3o, \u00e9 uma autoria \u2013 uma autoria ((enfatizou)) \u2013 que organiza subautorias. Ent\u00e3o, a\u00ed, nesse caso, eu preciso de programador. Ent\u00e3o, h\u00e1 pessoas que s\u00e3o &#8216;designers&#8217; e que\u00a0s\u00e3o programadores, e que t\u00eam a capacidade de juntar esses talentos, mas, a maior parte das vezes a gente vai pedindo aux\u00edlios para um programador etc.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 um sistema operacional com potencialidades interativas. Essa \u00e9 a caracter\u00edstica magna. N\u00e3o \u00e9 por acaso que faz 30 anos que essa palavra &#8216;interatividade&#8217; e &#8216;intera\u00e7\u00e3o&#8217; passou a circular como uma onipresen\u00e7a em tudo ((enfatizou)) que a gente fala sobre o mundo digital. Ent\u00e3o, &#8216;potencialidades interativas&#8217;, ele cont\u00e9m sensores de movimento. Ent\u00e3o, &#8216;touch screen&#8217; \u00e9 isso, tem sensor de movimento que capta o toque da sua m\u00e3o. E \u00e9 um toque delicad\u00edssimo. Parece que \u00e9 mais adaptado, a delicadeza do dedinho da crian\u00e7a, do que ao nosso dedo. Mas, ele \u00e9 t\u00e3o inteligente, a interface \u00e9 t\u00e3o inteligente que ela pega exatamente essa pontinha aqui, o sensor capta justamente &#8216;isso&#8217; aqui. Por isso que a gente pode fazer no celular, voc\u00ea trabalhar no celular com o ded\u00e3o. &#8220;&#8216;Nossa!&#8217;, \u00e9 t\u00e3o grande, mas as letrinhas s\u00e3o pequenas&#8221;, mas ele tem um sensor para pegar exatamente essa extremidade circular do nosso dedo. Ele tem sensores de movimento, de orienta\u00e7\u00e3o, de localiza\u00e7\u00e3o, ele tem intera\u00e7\u00e3o com c\u00e2mera e possibilidade de tocar e arrastar o dedo. Ent\u00e3o, t\u00eam sistemas operacionais mais incrementados, outros menos incrementados. Mas, h\u00e1 sistemas operacionais que tem todos, ((enfatizou)) todas essas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>Os livros s\u00e3o h\u00edbridos. \u00c9 aquilo que eu falei sobre a nossa mente h\u00edbrida, linguagem h\u00edbrida. Eles s\u00e3o h\u00edbridos. Por qu\u00ea? Eles mesclam caracter\u00edsticas do livro infantil impresso que j\u00e1 tinha essas caracter\u00edsticas de mistura, de linguagem, os videogames e a anima\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, por isso que eles t\u00eam aquele aspecto de muita vivacidade. E quando voc\u00ea puxa \u00e9 aquilo, aquilo adquire vida na nossa frente. E h\u00e1 potencializa\u00e7\u00e3o, ele potencializa recursos interativos por caminhos alternativos. Ent\u00e3o, h\u00e1 livros digitais onde voc\u00ea pode&#8230; a\u00ed, depende de que idade que aquele livro, para que idade e para que desenvolvimento cognitivo aquele livro \u00e9 feito. Mas, h\u00e1 possibilidade de narrativas onde voc\u00ea vai mudando e criando alternativas narrativas, que \u00e9 igual a aquele texto do Borges, maravilhoso, &#8216;O jardim dos caminhos que se bifurcam&#8217;.<\/p>\n<p>E agora eu vou falar bem brevemente, que j\u00e1 estou no fim, contar esse texto que muita gente deve ter lido. Mas, o que esse texto tem de mais absolutamente fascinante \u00e9 que era um pr\u00edncipe, rei chin\u00eas, que abandona o imp\u00e9rio porque ele queria desenvolver um labirinto. E a\u00ed, ele morre. Isso \u00e9 um detalhe. S\u00e3o coisas do Borges. \u00c0s vezes o sentido de um conto de Borges est\u00e1 na nota de rodap\u00e9. Mas, a\u00ed, \u00e9 um detalhe do texto, mas eu acho que a coisa mais absolutamente fascinante desse texto est\u00e1 a\u00ed. Ent\u00e3o, ele morre, eles ficam procurando \u2013 entre outras coisas, porque se&#8230; s\u00e3o poucas p\u00e1ginas, mas aquilo \u00e9 um mundo infinito, &#8216;O jardim dos caminhos que se bifurcam&#8217; \u2013 e a\u00ed, ele morre e ficam procurando o labirinto. E ningu\u00e9m encontra o labirinto. Encontram fragmentos de uma narrativa que n\u00e3o fazia sentido, porque uma personagem, de repente, ela estava viva, era inimiga da outra, da\u00ed de repente ela morria, da\u00ed ela voltava, vivia outra vez. Ent\u00e3o, parecia uma coisa ca\u00f3tica. O que ele fez foi um labirinto no tempo e n\u00e3o um labirinto no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu citei isso aqui para a gente entender o que \u00e9 uma narrativa alternativa. Em ma narrativa alternativa, eu posso mudar o argumento da hist\u00f3ria, transformar, desde que o sistema operacional me permita essa possibilidade, complexidade adaptada ao n\u00edvel de desenvolvimento cognitivo do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>A narrativa digital, as caracter\u00edsticas fundamentais da narrativa digital s\u00e3o, imers\u00e3o. H\u00e1 n\u00edveis de imers\u00e3o. Quando a gente conecta o computador, n\u00f3s j\u00e1 estamos entrando num primeiro n\u00edvel de imers\u00e3o. E a\u00ed, em algum dos meus livros eu falei em todos ((enfatizou)) os n\u00edveis de imers\u00e3o at\u00e9 chegar na realidade virtual, (&#8230;) que te envolve inteirinho, a\u00ed, seria a imers\u00e3o total. Mas, quando a gente conecta o computador, est\u00e1 em processo de imers\u00e3o, que \u00e9 isso que a gente chama de navega\u00e7\u00e3o, fica surfando. Essa express\u00e3o maravilhosa, do Marcos Novak, que \u00e9 um artista canadense, ele fala&#8230; j\u00e1 nos anos 1980 \u2013 fim dos anos 1980 \u2013 estava come\u00e7ando ((enfatizou)) da cultura do computador, ele fala &#8220;arquiteturas l\u00edquidas do ciberespa\u00e7o&#8221;. E eu me lembro ((acha gra\u00e7a)) que na \u00e9poca eu fui dar uma palestra de arquitetura \u2013 e eu achava lindo ((enfatizou)) &#8216;arquiteturas l\u00edquidas do ciberespa\u00e7o&#8217; \u2013 nem sabia muito bem o que eu estava falando, mas eu dei aquela palestra e eles n\u00e3o entenderam nada e nem eu sabia muito bem.\u00a0((acha gra\u00e7a))<\/p>\n<p>Mas eu achava lindo. E \u00e9 mesmo, s\u00e3o ((enfatizou)) arquiteturas l\u00edquidas, porque voc\u00ea n\u00e3o trope\u00e7a no mundo digital. Voc\u00ea vai passando, d\u00e1 um clique vai para um lugar, d\u00e1 outro clique e vai para outro lugar. Ent\u00e3o, isso que \u00e9 navegar e \u00e9 imers\u00e3o, porque a sua cabe\u00e7a come\u00e7a a viajar. S\u00f3 que a gente n\u00e3o deve entender essa imers\u00e3o como o filme &#8216;Matrix&#8217;, porque no filme &#8220;ah, n\u00e3o. O teu corpo fica parado e morre&#8221;. E da\u00ed &#8216;Nossa!&#8217;&#8230; aquela coisa terrificante que ficava, que tinha que puxar energia&#8230; e isso da\u00ed \u00e9 uma ilus\u00e3o cartesiana, o corpo n\u00e3o morre coisa nenhuma. Tanto \u00e9 que no &#8216;navegar no ciberespa\u00e7o&#8217; eu fiz essa pesquisa sobre sentidos humanos e eu falei &#8220;o corpo est\u00e1 parado, mas dentro do corpo uma orquestra inteira est\u00e1 tocando&#8221;. Ent\u00e3o, da\u00ed, todos os discursos que foram gastos, &#8216;a la matrix&#8217;, &#8220;ah, o corpo est\u00e1 perdido, n\u00e3o se locomove mais&#8221;&#8230; bastou dez anos, surgiram os equipamentos m\u00f3veis e hoje n\u00f3s estamos na era da mobilidade ((acha gra\u00e7a)) enquanto voc\u00ea navega, sua mente vai navegando t\u00e1-t\u00e1-t\u00e1 pela informa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea est\u00e1 se orientando no mundo f\u00edsico em que voc\u00ea anda e caminha e est\u00e1 ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea vai perguntar para um jovem hoje, &#8220;onde voc\u00ea est\u00e1? No digital ou no f\u00edsico?&#8221;, e ele vai olhar com uma cara de estranhamento para voc\u00ea, porque ele nem sabe o que \u00e9 que isso significa.<\/p>\n<p>Intera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 por isso que \u00e9 fascinante, d\u00e1 para a gente entender por a\u00ed, por que \u00e9 que os games, eles produzem tanto apelo ((enfatizou)) aos jovens, porque eles est\u00e3o l\u00e1 vivos, interagindo com a informa\u00e7\u00e3o. Aquela informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 como eles se transformassem no cocriador. ((enfatizou))<\/p>\n<p>Agenciamento, que \u00e9 a capacidade de extrair sentido, porque a nossa mente que vai articulando sentido de fragmento em fragmento, ent\u00e3o vai fazendo esses v\u00ednculos de significado.<\/p>\n<p>H\u00e1 ludicidade, \u00e9 altamente l\u00fadico.<\/p>\n<p>O envolvimento, a pessoa fica \u2013 e a\u00ed, o livro infantil \u2013, a crian\u00e7a fica absolutamente envolvida, porque s\u00e3o todos os seus elementos cognitivos e sens\u00f3rios e motores que est\u00e3o entrando em a\u00e7\u00e3o, e da\u00ed a gratifica\u00e7\u00e3o. Porque quando voc\u00ea consegue chegar aonde voc\u00ea quer, voc\u00ea est\u00e1 navegando e de repente voc\u00ea chega aonde quer e tira sentido daquilo, tem uma gratifica\u00e7\u00e3o interior e recompensa. \u00c9 uma recompensa ps\u00edquica. N\u00e3o \u00e9 pela descoberta.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, isso coloca a narrativa digital&#8230;bom, primeiro, que se trata de narrativa.<\/p>\n<p>A narrativa, n\u00f3s, o ser humano, n\u00e3o vive sem narrativa.<\/p>\n<p>A narrativa faz parte integrante, \u00e9 uma necessidade ps\u00edquica insubstitu\u00edvel, por isso que a literatura, ela nos fascina tanto, n\u00e3o s\u00f3 porque ela \u00e9 narrativa, mas \u00e9 o modo como ela \u00e9 narrativa que leva \u00e0 capacidade criadora da narrativa \u00e0 \u00faltima pot\u00eancia. Ent\u00e3o, fica muito pr\u00f3ximo da &#8216;gamefica\u00e7\u00e3o&#8217;. &#8216;Gamefica\u00e7\u00e3o&#8217; n\u00e3o \u00e9 o game, mas s\u00e3o os elementos do &#8216;game&#8217; que envolvem esses aspectos de imers\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o, agenciamento, ludicidade, envolvimento, gratifica\u00e7\u00e3o, recompensa. Fica muito pr\u00f3ximo desse apelo irresist\u00edvel dos games.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por fim, minha conclus\u00e3o \u00e9 a seguinte, &#8220;o livro digital \u00e9 o destino inexor\u00e1vel dos livros did\u00e1ticos para crian\u00e7as e para adultos&#8221;.<\/p>\n<p>Ou seja, o livro digital, quando a gente fala dele, de que livros n\u00f3s estamos falando? Ent\u00e3o, voc\u00ea pode ter um livro digital onde se desenvolve a capacidade cognitiva da concentra\u00e7\u00e3o que s\u00f3 a linguagem verbal consegue desenvolver. Mas, o livro did\u00e1tico, ele&#8230; imagine o que \u00e9 voc\u00ea se&#8230; em um livro did\u00e1tico de f\u00edsica voc\u00ea ter um v\u00eddeo no meio da exposi\u00e7\u00e3o em que aparece a aquilo que o professor de f\u00edsica que ficava l\u00e1 de costas para a gente fazendo, aquilo aparece. E hoje, inclusive, a realidade aumentada pode ser incorporada nos livros did\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que precisa? Vou terminar. O que n\u00f3s precisamos? N\u00f3s precisamos, neste pa\u00eds, n\u00e3o apenas da tecnologia \u2013 porque tecnologia, ela est\u00e1 a\u00ed, ela faz parte do nosso cotidiano \u2013 de projetos de desenvolvimento integrado, n\u00e3o disperso. H\u00e1 muito, h\u00e1 muitas escolas que j\u00e1 est\u00e3o realizando coisas, mas \u00e9 disperso. N\u00f3s precisamos criar materiais did\u00e1ticos porque eles n\u00e3o seguem receitas.<\/p>\n<p>Cada ((enfatizou)) material did\u00e1tico, \u00e9 \u00e1rea de biologia? \u00c9 \u00e1rea de f\u00edsica? \u00c9 \u00e1rea de portugu\u00eas? Cada um deles vai precisar de sistemas operacionais distintos adaptados, recursos e estrat\u00e9gias adaptadas a aquele conte\u00fado que a gente visa transmitir. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o destino. A gente pode tentar escapar dele, mas ele vem. \u00c9 aquilo que eu falei, &#8220;quem vence \u00e9 a poesia&#8221;. Muito obrigada.<\/p>\n<p>((aplausos))<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Palestra: Prof\u00aa Lucia Santaella Lan\u00e7amento do 57\u00ba Pr\u00eamio Jabuti 1\u00ba de junho de 2015 CIEE \u2013 S\u00e3o Paulo\/SP Contribui\u00e7\u00f5es do livro digital para o universo infantil \u00a0 Boa noite a todos. \u00c9 um imenso prazer estar aqui com voc\u00eas e estou extremamente honrada \u2013 t\u00e3o honrada, obrigada \u2013 que meu cora\u00e7\u00e3o bate mais forte. T\u00e3o honrada, que eu fico at\u00e9 constrangida. O assunto me \u00e9 t\u00e3o familiar. E eu tenho trabalhado desde que a cultura digital come\u00e7ou a despontar, eu me lembro que em 1996 eu fui convidada pela reitoria da PUC e a SBPC, seria l\u00e1 na PUC, e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-274","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-discursos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}