{"id":277,"date":"2015-08-28T18:21:04","date_gmt":"2015-08-28T21:21:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2015\/08\/28\/pesquisas-falsas-e-estatisticas-mentirosas-enganam-tome-cuidado-ao-usa-las-site-uol-23-jun-2015\/"},"modified":"2015-08-28T18:21:04","modified_gmt":"2015-08-28T21:21:04","slug":"pesquisas-falsas-e-estatisticas-mentirosas-enganam-tome-cuidado-ao-usa-las-site-uol-23-jun-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/pesquisas-falsas-e-estatisticas-mentirosas-enganam-tome-cuidado-ao-usa-las-site-uol-23-jun-2015\/","title":{"rendered":"Pesquisas falsas e estat\u00edsticas mentirosas enganam; tome cuidado ao us\u00e1-las &#8211; site UOL &#8211; 23 jun 2015"},"content":{"rendered":"<p>Artigo site UOL &#8211; 23\/06\/2015<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Quando fiz a faculdade de ci\u00eancias econ\u00f4micas, tive um professor de estat\u00edstica que fez uma advert\u00eancia em tom solene: &#8220;Cuidado com as pesquisas e com as estat\u00edsticas. Muitas delas s\u00e3o falsas e mentirosas&#8221;. E passou a aula toda dando exemplos de estudos divulgados que n\u00e3o correspondiam \u00e0 realidade. Era um excelente professor, pois conseguiu assim o interesse dos alunos no aprendizado da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Alguns anos depois, um economista brilhante, Roberto Campos, em tom jocoso nos presenteou com uma p\u00e9rola que se inseriu de forma definitiva no folclore econ\u00f4mico brasileiro: &#8220;Estat\u00edstica \u00e9 como biqu\u00edni \u2013mostra tudo, mas esconde o essencial&#8221;. Em outras palavras, e de maneira mais engra\u00e7ada, deu a mesma li\u00e7\u00e3o dada pelo saudoso professor de estat\u00edstica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o tem essas armadilhas. Alguns n\u00fameros s\u00e3o apresentados de uma maneira para atender \u00e0s conveni\u00eancias de uns, e de outra para atender aos interesses de outros. Cabe a quem os recebe interpretar o que efetivamente est\u00e1 por tr\u00e1s dos dados anunciados. Como a maioria tem dificuldade para fazer essa avalia\u00e7\u00e3o, acabamos por aceitar sem resist\u00eancias e como certos os estudos divulgados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Quando os dados s\u00e3o apresentados pela comunica\u00e7\u00e3o escrita, temos mais condi\u00e7\u00f5es de checar a veracidade dos n\u00fameros. Pela comunica\u00e7\u00e3o oral, entretanto, especialmente em palestras e confer\u00eancias, nem sempre temos meios de fazer essa verifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o sofismas sorrateiros que se apresentam como premissas, nos confundem e nos levam a acreditar que as conclus\u00f5es s\u00e3o mesmo verdadeiras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A quest\u00e3o toda se apoia na \u00e9tica, ou na falta dela, para transmitir informa\u00e7\u00f5es enganosas. Entre os extremos de ser ou n\u00e3o \u00e9tico h\u00e1 um campo cinzento que fica mais claro ou mais escuro dependendo da \u00e9poca, da cultura, da circunst\u00e2ncia e das necessidades das pessoas envolvidas. Jean Valjean, protagonista da eterna obra de Victor Hugo, foi absolvido pela hist\u00f3ria por ter roubado alimento quando precisava matar a fome. Foi \u00e9tico ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es propositalmente falsas, todavia, ferem os preceitos \u00e9ticos, independentemente das circunst\u00e2ncias. Quantos de n\u00f3s j\u00e1 ouvimos an\u00fancios de sabonetes ou cremes dentais que, com algumas varia\u00e7\u00f5es, afirmam que determinadas subst\u00e2ncias neles contidas s\u00e3o apreciadas por nove de cada dez pessoas pesquisadas. Parece que estamos falando mesmo de excelentes produtos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, quem foram essas pessoas pesquisadas? Ser\u00e1 que esses ingredientes tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o presentes nos produtos concorrentes, que n\u00e3o foram mencionados? Ocultar essas informa\u00e7\u00f5es para direcionar a compra do produto pode ser considerada uma atitude \u00e9tica? Os profissionais que participaram da fabrica\u00e7\u00e3o do produto e os que cuidaram da sua divulga\u00e7\u00e3o estavam conscientes de que omitiam informa\u00e7\u00f5es relevantes para a avalia\u00e7\u00e3o do consumidor?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para minimizar informa\u00e7\u00f5es negativas, por exemplo, um \u00f3rg\u00e3o governamental pode comparar n\u00fameros atuais com os do ano anterior, que j\u00e1 era muito ruim, para dizer que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o piorou tanto. \u00a0Deixa de dizer, entretanto, que se a compara\u00e7\u00e3o fosse feita com os dados do in\u00edcio do seu governo, o resultado seria visto como catastr\u00f3fico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>E assim, quando \u00e9 favor\u00e1vel o resultado \u00e9 apresentado em n\u00fameros absolutos, quando \u00e9 conveniente mudar, os dados passam a ser fornecidos em percentuais. A percep\u00e7\u00e3o de um problema muda muito de um caso para outro. Se disserem que a criminalidade em uma regi\u00e3o aumentou apenas 0,01% pode dar a impress\u00e3o de ser um n\u00famero irris\u00f3rio. Quando nos damos conta de que esse percentual corresponde a mil pessoas assassinadas, n\u00e3o parece ser t\u00e3o irrelevante assim.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A conduta \u00e9tica e respons\u00e1vel deve pautar todas as nossas a\u00e7\u00f5es. Divulgar n\u00fameros, estudos, estat\u00edsticas e pesquisas sabendo que os dados escondem informa\u00e7\u00f5es importantes n\u00e3o nos torna melhores cidad\u00e3os. Ficar atentos a informa\u00e7\u00f5es distorcidas e alertar os que nos cercam sobre essas mentiras e omiss\u00f5es \u00e9 atitude que demonstra, sim, nossa cidadania.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo site UOL &#8211; 23\/06\/2015 \u00a0 Quando fiz a faculdade de ci\u00eancias econ\u00f4micas, tive um professor de estat\u00edstica que fez uma advert\u00eancia em tom solene: &#8220;Cuidado com as pesquisas e com as estat\u00edsticas. Muitas delas s\u00e3o falsas e mentirosas&#8221;. E passou a aula toda dando exemplos de estudos divulgados que n\u00e3o correspondiam \u00e0 realidade. 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