{"id":3157,"date":"2023-07-25T17:30:14","date_gmt":"2023-07-25T20:30:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3157"},"modified":"2024-03-19T12:45:57","modified_gmt":"2024-03-19T15:45:57","slug":"o-novo-ensino-medio-propostas-para-avancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/o-novo-ensino-medio-propostas-para-avancar\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; O novo ensino m\u00e9dio: propostas para avan\u00e7ar"},"content":{"rendered":"\n<p>por Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"539\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/maria-helena-guimaraes-01-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3158\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/maria-helena-guimaraes-01-2.jpeg 680w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/maria-helena-guimaraes-01-2-300x238.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/maria-helena-guimaraes-01-2-400x317.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption>Acad\u00eamica Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um dos temas de pol\u00edtica p\u00fablica educacional mais debatido nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 o ensino m\u00e9dio. Conhecido como uma jabuticaba na contram\u00e3o de experi\u00eancias diversificadas e flex\u00edveis pelo mundo afora, o antigo ensino m\u00e9dio brasileiro, sem op\u00e7\u00f5es de escolha para os jovens, tem sido criticado h\u00e1 muitos anos. O que fazer e como fazer, diante dos alertas de v\u00e1rios diagn\u00f3sticos, foi a quest\u00e3o central de muitas propostas que ganharam for\u00e7a, em especial nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>As\nevid\u00eancias do fracasso e das desigualdades observadas no antigo modelo indicam\ncom clareza a necessidade de mudan\u00e7a. Mostram tamb\u00e9m problemas graves nos anos\nfinais do ensino fundamental, pois os alunos chegam ao n\u00edvel m\u00e9dio sem os\nconhecimentos b\u00e1sicos que deveriam adquirir para acompanhar a etapa seguinte.\nSendo assim, ap\u00f3s um longo per\u00edodo de debates, a aprova\u00e7\u00e3o da reforma do ensino\nm\u00e9dio, por meio de uma medida provis\u00f3ria em 2017, teve por objetivo principal\nmudar este cen\u00e1rio e oferecer novas oportunidades aos jovens. Desde sua\nregulamenta\u00e7\u00e3o, em 2018, todos os Estados elaboraram e aprovaram curr\u00edculos\nalinhados ao novo sistema. Em implementa\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio de 2022, em todas as\nescolas do pa\u00eds, a reforma tem sido objeto de debates acalorados, mas que n\u00e3o\npodem ignorar a responsabilidade do Estado em garantir o direito de milhares de\nestudantes cursando o Novo Ensino M\u00e9dio. <\/p>\n\n\n\n<p>A bem-vinda\nconsulta p\u00fablica lan\u00e7ada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) em 2023, que acaba\nde ser finalizada, teve como objetivo receber sugest\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos ajustes\nnecess\u00e1rios \u00e0 proposta e ouvir a sociedade acerca do tema. Com o objetivo de aprofundar\no debate e apresentar propostas que pudessem ser levadas ao Minist\u00e9rio da\nEduca\u00e7\u00e3o, a C\u00e1tedra Instituto Ayrton Senna de Inova\u00e7\u00e3o em Avalia\u00e7\u00e3o Educacional\nno Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP, no polo Ribeir\u00e3o Preto, promoveu um\nciclo de webinars com especialistas, pesquisadores e secret\u00e1rios de educa\u00e7\u00e3o\nsobre o assunto. A partir destes encontros, oferecemos ao MEC sugest\u00f5es para\napoiar um debate urgente, s\u00e9rio e necess\u00e1rio a respeito do futuro da juventude\nbrasileira. Neste contexto, recomendamos ajustes infralegais nas diretrizes e\nnormas, evitando mudan\u00e7as na lei da reforma. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos\npontos mais discutidos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma do Novo Ensino M\u00e9dio \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o\ndo n\u00famero de horas para a forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica, que deve assegurar o direito\nde todos a uma educa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. A lei prop\u00f5e uma nova arquitetura para o\nsistema, e amplia a carga hor\u00e1ria de 2,4 mil para 3 mil horas anuais. Ela\ntamb\u00e9m estabelece o limite de 1,8 mil horas para a forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica, igual\npara todos, e flexibiliza as outras 1,2 mil horas na oferta de itiner\u00e1rios\nformativos, constitu\u00eddos por diferentes op\u00e7\u00f5es de aprofundamentos de estudos\nnas \u00e1reas de conhecimento e\/ou de ensino profissionalizante, valorizando o\nprotagonismo dos jovens. <\/p>\n\n\n\n<p>Indo al\u00e9m\nneste ponto cr\u00edtico, o documento de sugest\u00f5es prop\u00f4s a amplia\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o\ngeral b\u00e1sica para no m\u00e1ximo 2,2 mil horas, acrescentando 400 horas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\nproposta atual, na parte flex\u00edvel dos itiner\u00e1rios formativos. Neste novo\ndesenho, esse adicional estaria concentrado em um n\u00facleo de compet\u00eancias para a\nforma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o e o desenvolvimento integral, com habilidades como\ncriatividade, empatia, resili\u00eancia, o respeito, compet\u00eancias digitais, entre\noutras. Nas 800 horas restantes, os estudantes poderiam seguir com a\nflexibilidade dos itiner\u00e1rios formativos e as poss\u00edveis escolhas dentre as\ndiversas \u00e1reas do conhecimento. Sendo assim, os curr\u00edculos ainda assegurariam\nos conhecimentos e habilidades essenciais para todos os estudantes, bem como as\nop\u00e7\u00f5es flex\u00edveis de itiner\u00e1rios. <\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema\nrelevante \u00e9 o ensino profissionalizante, caminho ainda pouco explorado pelos\nestudantes brasileiros e que carece de avan\u00e7os. \u00c9 bom lembrar que um dos\nmaiores ganhos da reforma \u00e9 permitir que os estudantes possam obter dois\ndiplomas ou certifica\u00e7\u00f5es: a forma\u00e7\u00e3o geral para a cidadania para todos e uma\ncertifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico profissional que os qualifique para o mundo do trabalho.\nNo documento produzido pela C\u00e1tedra tamb\u00e9m foi ressaltada a necessidade de\nmaior aten\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o dos itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica profissional. Esta\namplia\u00e7\u00e3o poderia ser concretizada com o uso dos recursos do Fundeb para a\ndupla matr\u00edcula e parcerias com o Sistema S, institutos federais, escolas\nt\u00e9cnicas estaduais e privadas. Todos esses caminhos devem ser oferecidos,\nclaro, com aten\u00e7\u00e3o especial ao tipo de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-profissional oferecida,\npara que n\u00e3o se torne obsoleta daqui a alguns anos, mas sirva como uma boa\nforma\u00e7\u00e3o para o jovem que desejar ingressar no mercado de trabalho logo ap\u00f3s o\nn\u00edvel m\u00e9dio ou at\u00e9 mesmo prosseguir para a universidade posteriormente. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos\nmaiores entraves \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da reforma \u00e9 o atraso do alinhamento do Enem\nao Novo Ensino M\u00e9dio, que deveria ter sido feito pelo MEC at\u00e9 o in\u00edcio de 2022.\nA depender das propostas de aperfei\u00e7oamento, o exame dever\u00e1 ser revisto, e o\nInep poder\u00e1 propor um Enem de transi\u00e7\u00e3o, tendo em vista o direito dos alunos do\nensino m\u00e9dio que est\u00e3o cursando um novo curr\u00edculo desde 2022 e est\u00e3o ansiosos em\nsaber como ser\u00e1 o Enem de 2024. O documento produzido pela C\u00e1tedra sugere que\nno pr\u00f3ximo ano seja avaliada a forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica do Novo Ensino M\u00e9dio,\nfazendo ajustes de acordo com a Base Nacional Comum Curricular. Tamb\u00e9m sugere\ndefinir um n\u00facleo comum de avalia\u00e7\u00e3o dos itiner\u00e1rios para incentivar a\nflexibilidade dos curr\u00edculos e n\u00e3o interromper a implementa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>De acordo\ncom as discuss\u00f5es nos encontros, sugere-se tamb\u00e9m que o foco do Enem deve ser a\navalia\u00e7\u00e3o da base curricular do ensino m\u00e9dio, e n\u00e3o o acesso ao Ensino\nSuperior, como ocorre comumente. Em paralelo, alguns movimentos indicam uma\nposs\u00edvel revis\u00e3o do modelo de ingresso \u00e0 universidade pelo Enem ou vestibular,\ncomo o Prov\u00e3o Paulista, avalia\u00e7\u00e3o seriada que foi apresentada recentemente pelo\nGoverno de S\u00e3o Paulo e pretende aplicar uma prova em todos os anos do ensino\nm\u00e9dio, o que pode influenciar outras universidades pa\u00eds afora. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessas\npropostas, o documento de recomenda\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m prop\u00f5e um novo olhar para o\nensino m\u00e9dio, ligado \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o integral para a\ncidadania, para o mundo da vida e do trabalho. Tamb\u00e9m estabelece o papel\nfundamental do MEC de coordena\u00e7\u00e3o nacional e implementa\u00e7\u00e3o da reforma, al\u00e9m de\num olhar para a diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades. Com esses e outros ajustes,\npoderemos avan\u00e7ar. Afinal, o que esperar do futuro do pa\u00eds sem uma pol\u00edtica\np\u00fablica que realmente prepare nossos jovens para serem cidad\u00e3os efetivos e com\numa forma\u00e7\u00e3o integral que lhes garanta as compet\u00eancias, conhecimentos,\nhabilidades, atitudes e valores do nosso s\u00e9culo? <\/p>\n\n\n\n<p>________________________&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro <\/strong>tamb\u00e9m \u00e9 titular da c\u00e1tedra Instituto Ayrton Senna no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP-Ribeir\u00e3o Preto. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro Um dos temas de pol\u00edtica p\u00fablica educacional mais debatido nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 o ensino m\u00e9dio. 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