{"id":3291,"date":"2023-09-17T15:05:29","date_gmt":"2023-09-17T18:05:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3291"},"modified":"2024-01-20T12:47:04","modified_gmt":"2024-01-20T15:47:04","slug":"%ef%bb%bfensino-medio-reforma-da-reforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/%ef%bb%bfensino-medio-reforma-da-reforma\/","title":{"rendered":"\ufeffArtigo &#8211; Ensino M\u00e9dio: Reforma da Reforma"},"content":{"rendered":"\n<p>O Acad\u00eamicos Cord\u00e3o, Palma e Nacim e o professor Jos\u00e9 Carlos Mendes Manzano assinam artigo com reflex\u00f5es sobre o Ensino M\u00e9dio brasileiro e observa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0s finalidades e conte\u00fados desta etapa do ensino.<strong> <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>por Francisco Aparecido Cord\u00e3o, Jo\u00e3o Cardoso Palma Filho, Jos\u00e9 Carlos Mendes Manzano e Nacim Walter Chieco <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ensino m\u00e9dio\nbrasileiro encontra-se em situa\u00e7\u00e3o ins\u00f3lita e decisiva. A maioria das Unidades da\nFedera\u00e7\u00e3o implantou curr\u00edculos diferenciados de ensino m\u00e9dio, de acordo com a\nrealidade de cada sistema de ensino. A consulta p\u00fablica realizada pelo MEC\naponta para uma outra dire\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o curricular do ensino m\u00e9dio, com\nredu\u00e7\u00e3o da oferta dos itiner\u00e1rios formativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, por meio de Lei\nfederal, foram estabelecidas as regras do novo ensino m\u00e9dio (NEM). Entre as mudan\u00e7as\nintroduzidas, destacam-se a amplia\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de 2.400 para 3.000\nhoras e a cria\u00e7\u00e3o de cinco itiner\u00e1rios formativos. Da carga hor\u00e1ria total, 60%,\nou seja 1.800 horas, s\u00e3o destinadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o comum b\u00e1sica e 40%, 1.200 horas\nna fase final, completam a etapa com itiner\u00e1rio de livre escolha de cada aluno.\nA implanta\u00e7\u00e3o esbarrou em in\u00fameros obst\u00e1culos e dificuldades, com honrosas\nexce\u00e7\u00f5es. Falta de condi\u00e7\u00f5es materiais e tecnol\u00f3gicas, despreparo dos\nprofessores e demais profissionais do ensino, oferta parcial e fragmentada dos\nitiner\u00e1rios. Para culminar, muita insatisfa\u00e7\u00e3o dos alunos e fam\u00edlias com a\nredu\u00e7\u00e3o de aulas e de conhecimentos requeridos para o ingresso no ensino\nsuperior, aspira\u00e7\u00e3o de grande parte da sociedade quanto \u00e0 qualidade e equidade\nda educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse quadro,\no MEC determinou, no in\u00edcio deste ano, uma avalia\u00e7\u00e3o por meio de consulta aos\ndiretamente afetados: alunos, professores, gestores, fam\u00edlias e comunidades. Em\nfun\u00e7\u00e3o dos dados dessa consulta, o MEC anuncia a proposi\u00e7\u00e3o de projeto de lei\nem setembro de 2023. Duas relevantes mudan\u00e7as estariam sendo cogitadas: 80%, ou\nseja 2.400 horas, seriam reservadas para a forma\u00e7\u00e3o comum b\u00e1sica e 20%, 600\nhoras, ficariam para escolha dos alunos entre dois percursos de aprofundamento,\nlinguagem e suas tecnologias e ci\u00eancias humanas e sociais aplicadas (hist\u00f3ria, geografia,\nsociologia e filosofia) e ci\u00eancias da natureza e matem\u00e1tica (f\u00edsica, qu\u00edmica e\nbiologia) ou uma forma\u00e7\u00e3o profissional ou t\u00e9cnica. Simplifica\u00e7\u00e3o sensata e\ncondizente com as demandas e<\/p>\n\n\n\n<p>com as condi\u00e7\u00f5es\noperacionais das redes e escolas. Trata-se, pois, de reforma da reforma,\naproveitadas as boas pr\u00e1ticas e os bons resultados obtidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A raz\u00e3o primordial de\ntais reformas, segundo incontest\u00e1veis resultados de avalia\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais,\n\u00e9 a persistente m\u00e1 qualidade do nosso ensino m\u00e9dio. Em par\u00e1frase ao renomado escritor\nmodernista M\u00e1rio de Andrade, podemos dizer que:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Exclus\u00e3o,\ndesigualdade, precariedade, fracasso e evas\u00e3o, os males do ensino m\u00e9dio\nbrasileiro s\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como estamos em fase\nde discuss\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de um novo projeto, com base na nossa experi\u00eancia\nacumulada de planejamento, doc\u00eancia e gest\u00e3o de sistemas, escolas e redes\np\u00fablicas e privadas de ensino, apresentamos algumas sugest\u00f5es e ideias sob &nbsp;os pressupostos de simplifica\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia.\nS\u00e3o propostas preliminares para debate, organizadas em tr\u00eas eixos\ncomplementares e interligados, a saber:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>finalidades e curr\u00edculo\ndo ensino m\u00e9dio;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>forma\u00e7\u00e3o profissional\ne t\u00e9cnica no ensino m\u00e9dio;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>bolsa ensino m\u00e9dio.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Finalidades e curr\u00edculo\ndo ensino m\u00e9dio <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O atual ensino m\u00e9dio\nj\u00e1 foi denominado colegial, secund\u00e1rio e segundo grau. Grandes mestres\nabordaram a delicada quest\u00e3o da finalidade dessa etapa do ensino. Para Abgar\nRenault, o ensino secund\u00e1rio deveria ser autot\u00e9lico, ou seja, ter sentido nele\npr\u00f3prio, desvinculando-se de seu estigma de ser apenas preparat\u00f3rio para os\nprocessos seletivos de acesso aos cursos superiores. Nessa linha, Jos\u00e9 M\u00e1rio P.\nAzanha afirma que \u201co grande problema \u00e9 o atrelamento de todo o ensino m\u00e9dio aos\nexames vestibulares. Nessas condi\u00e7\u00f5es o seu objetivo pr\u00f3prio \u00e9 substitu\u00eddo pelo\n\u00eaxito no vestibular como meta \u00fanica\u201d (<strong>Educa\u00e7\u00e3o: temas pol\u00eamicos. <\/strong>S\u00e3o\nPaulo, Martins Fontes, 1995, p. 35).<\/p>\n\n\n\n<p>O legislador de 1996\nbusca superar esse dilema ao dispor no artigo 35 da Lei n\u00ba 9.394, de diretrizes\ne bases da educa\u00e7\u00e3o nacional:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 35. O ensino\nm\u00e9dio, etapa final da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, com dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de tr\u00eas anos, ter\u00e1\ncomo finalidades:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I &#8211; a consolida\u00e7\u00e3o e\no aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental,\npossibilitando o prosseguimento de estudos;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>II &#8211; a prepara\u00e7\u00e3o\nb\u00e1sica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de\nmodo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condi\u00e7\u00f5es de ocupa\u00e7\u00e3o\nou aperfei\u00e7oamento posteriores;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>III &#8211; o aprimoramento\ndo educando como pessoa humana, incluindo a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica e o desenvolvimento\nda autonomia intelectual e do pensamento cr\u00edtico;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>IV &#8211; a compreens\u00e3o\ndos fundamentos cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos dos processos produtivos, relacionando\na teoria com a pr\u00e1tica, no ensino de cada disciplina.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sob a \u00e9gide das\nfinalidades legalmente preceituadas, a organiza\u00e7\u00e3o curricular do ensino m\u00e9dio precisa\nlevar em conta, entre outros, os seguintes fatores:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>as demandas atuais e\nfuturas dos jovens, da sociedade e do mercado de trabalho;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>as condi\u00e7\u00f5es\noperacionais das redes e escolas;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>a forma\u00e7\u00e3o e\ndisponibilidade de professores e gestores;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>as pol\u00edticas de\ndesenvolvimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>as pol\u00edticas de\npreserva\u00e7\u00e3o ambiental;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>as pol\u00edticas de\ncombate \u00e0 desigualdade econ\u00f4mica e social.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Nesse contexto,\nparece ser muito adequada a inten\u00e7\u00e3o de substituir os cinco itiner\u00e1rios pelos\ndois percursos de aprofundamento e pela forma\u00e7\u00e3o profissional e t\u00e9cnica. Pertinente\ntamb\u00e9m as 3.000 horas de carga hor\u00e1ria m\u00ednima. <\/p>\n\n\n\n<p>Diante da possibilidade\nde aprofundamento, a distribui\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria poderia ser mais simples, tanto\npara a gest\u00e3o quanto para a vida escolar dos alunos. Assim, sugerimos que dois\nter\u00e7os, ou seja 2.000 horas, 66,66% da carga hor\u00e1ria m\u00ednima, sejam destinados \u00e0\nforma\u00e7\u00e3o comum b\u00e1sica, com forte predom\u00ednio de portugu\u00eas e matem\u00e1tica. Nessa\nfase, o curr\u00edculo poderia ser integralizado com outros dez componentes curriculares,\ndisciplinas, \u00e1reas de conhecimento ou outro nome que se queira adotar: l\u00edngua\nestrangeira moderna, hist\u00f3ria, geografia, f\u00edsica, qu\u00edmica, biologia, sociologia,\nfilosofia, artes e educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. <\/p>\n\n\n\n<p>A desejada e necess\u00e1ria\ninterdisciplinaridade seria promovida pelas escolas e professores, desde a\nintera\u00e7\u00e3o em projetos ocasionais at\u00e9 a integra\u00e7\u00e3o curricular de dois ou mais\ncomponentes no planejamento, na pr\u00e1tica docente e na avalia\u00e7\u00e3o. Devem ter\nabordagem interdisciplinar temas transversais, tais como: empreendedorismo; preserva\u00e7\u00e3o\nambiental; respeito \u00e0 democracia, aos direitos humanos, \u00e0s minorias e aos\ngrupos vulner\u00e1veis; seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito; combate \u00e0s drogas, \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0\ndiscrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 intoler\u00e2ncia; respeito \u00e0 escola e aos que nela trabalham;\nprote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e combate ao crime; constru\u00e7\u00e3o da paz dom\u00e9stica e universal;\nvaloriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, da tecnologia e da arte; respeito \u00e0 soberania nacional\ne \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e na\u00e7\u00f5es etc. Tudo desenvolvido em conson\u00e2ncia com\na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com a proposta pedag\u00f3gica de cada\nescola e com a iniciativa e criatividade dos docentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse formato, seriam\ncinco horas di\u00e1rias, 25 semanais em 40 semanas e 1.000 horas ao ano. Ainda n\u00e3o\nseria jornada integral, mas caminharia para tal. <\/p>\n\n\n\n<p>As 1.000 horas do\nterceiro ano teriam a seguinte distribui\u00e7\u00e3o: 20%, &nbsp;200 horas, de parte nuclear da forma\u00e7\u00e3o comum\nb\u00e1sica com: portugu\u00eas, matem\u00e1tica, l\u00edngua estrangeira moderna, artes e educa\u00e7\u00e3o\nf\u00edsica, mais fundamentos de inform\u00e1tica. As 800 horas restantes continuariam\ncom portugu\u00eas e matem\u00e1tica e foco, segundo a escolha de cada aluno, em um dos\ndois percursos de aprofundamento. <\/p>\n\n\n\n<p>Para viabilizar o ensino\nm\u00e9dio noturno, 20%, isto \u00e9 600 horas, correspondente a quatro horas di\u00e1rias e\n20 semanais, poderiam tamb\u00e9m ser oferecidas a dist\u00e2ncia, em conformidade com as\nDiretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cursos de ensino\nm\u00e9dio passariam, gradativamente, a ter carga hor\u00e1ria de 3.600 horas e 1.200 anuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os formandos das \u00e1reas\nde aprofundamento desse ensino m\u00e9dio, organizado e competentemente implementado,\nestar\u00e3o preparados para os estudos superiores, para a vida e para o trabalho, de\nacordo com o disposto no art. 205 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o profissional\ne t\u00e9cnica no ensino m\u00e9dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco de hist\u00f3ria.\nA reforma da Lei n\u00ba 4.024, de 1961, pela Lei n\u00ba 5.692, de 1971, que alterou as diretrizes\ne bases para o ensino de 1\u00b0 e 2\u00b0 graus, tornou compuls\u00f3ria a profissionaliza\u00e7\u00e3o\nno 2\u00b0 grau. Fracasso total. N\u00e3o havia essa demanda e tampouco condi\u00e7\u00f5es de\noferta. A compulsoriedade foi revertida em 1982, com a Lei n\u00ba 7.044. <\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 1997, grandes\ninstitui\u00e7\u00f5es e redes ofereciam os cursos de habilita\u00e7\u00e3o profissional plena, os\ndenominados HPs, em tempo integral, um turno de educa\u00e7\u00e3o geral, geralmente de\n2.400 horas, e outro turno de forma\u00e7\u00e3o especial t\u00e9cnica, tamb\u00e9m em torno de\n2.400 horas. Total aproximado: 4.800 horas. Era um exagero, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda\ndo mercado e aos recursos despendidos para a realiza\u00e7\u00e3o dos cursos. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 2007, o MEC deu\nin\u00edcio a um trabalho de reestrutura\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos, dos perfis profissionais,\ndos curr\u00edculos e das cargas hor\u00e1rias dos cursos t\u00e9cnicos. Como sempre acontece nos\nestudos e discuss\u00f5es de reformas educacionais, o ponto cr\u00edtico foi o da\ndefini\u00e7\u00e3o de cargas hor\u00e1rias. Com base em consultas a profissionais do mercado\ne na experi\u00eancia de especialistas em educa\u00e7\u00e3o profissional, chegou-se a um rol\nde 185 t\u00edtulos, dos quais 21 eram privativos das For\u00e7as Armadas, distribu\u00eddos\nem cargas hor\u00e1rias m\u00ednimas de 800, 1.000 e 1.200 horas. Com ajustes e\naprimoramentos, esse padr\u00e3o funciona at\u00e9 hoje. A quarta e \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do\nCat\u00e1logo Nacional de Cursos T\u00e9cnicos entrou em vigor em 2020, com 215 t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 9.394, de\n1996, de diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional \u2013 a segunda LDB \u2013 contempla a\neduca\u00e7\u00e3o profissional em cap\u00edtulo pr\u00f3prio, o Cap\u00edtulo III do T\u00edtulo V. Nas\ndiscuss\u00f5es e fundamenta\u00e7\u00e3o, ficou claro que essa modalidade \u00e9 complementar \u00e0\neduca\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Educa\u00e7\u00e3o profissional de boa qualidade, portanto, tem como\npressuposto educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica igualmente de boa qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de manuten\u00e7\u00e3o\nda forma\u00e7\u00e3o profissional e t\u00e9cnica na parte final do ensino m\u00e9dio \u00e9\ninteiramente adequada e deve ser fortemente expandida, a exemplo de pa\u00edses\ndesenvolvidos. Os cursos t\u00e9cnicos, definidos no Cat\u00e1logo do MEC, previamente escolhidos\npelos alunos, poderiam ser desenvolvidos desde o in\u00edcio do terceiro ano do\nensino m\u00e9dio. O ensino m\u00e9dio profissionalizante estaria integralizado com 2.800\nhoras, no caso de curso t\u00e9cnico de 800 horas, com 3.000 horas, no caso de curso\nt\u00e9cnico de 1.000 horas, e com 3.200 horas, no caso de curso t\u00e9cnico de 1.200\nhoras. Nesta \u00faltima hip\u00f3tese, a institui\u00e7\u00e3o de ensino deve buscar condi\u00e7\u00f5es\npara a realiza\u00e7\u00e3o das 200 horas adicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrat\u00e9gias de\noferta de curso t\u00e9cnico continuariam sendo as seguintes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>integrado, com\nmatr\u00edcula e certifica\u00e7\u00e3o \u00fanicas no mesmo estabelecimento; quando a oferta\nocorre em estabelecimentos parceiros e distintos, as matr\u00edculas tamb\u00e9m s\u00e3o\ndistintas e as certifica\u00e7\u00f5es \u00fanicas e conjuntas, assinadas pelas autoridades dos\ndois estabelecimentos;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>concomitante, com\nmatr\u00edculas e certifica\u00e7\u00f5es distintas, em estabelecimentos distintos;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>subsequente, ap\u00f3s a\nensino m\u00e9dio conclu\u00eddo, em estabelecimento especializado.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Ficaria mantida a\nconcep\u00e7\u00e3o presente na reforma de 2017 de que a profissionaliza\u00e7\u00e3o no ensino\nm\u00e9dio n\u00e3o se restringe aos cursos t\u00e9cnicos constantes do Cat\u00e1logo do MEC ou\nmesmo experimentais. Poderiam ser oferecidos e escolhidos cursos de forma\u00e7\u00e3o\ninicial ou qualifica\u00e7\u00e3o profissional, inclu\u00edda a aprendizagem profissional, com\ndura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 200 horas. Neste caso, as institui\u00e7\u00f5es de ensino deveriam completar\nas 3.000 horas com componentes curriculares da forma\u00e7\u00e3o comum b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bolsa ensino m\u00e9dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, basicamente, duas\ngrandes dificuldades para uma nova reforma do ensino m\u00e9dio no Brasil. Uma delas\n\u00e9 a condi\u00e7\u00e3o em que se encontram as escolas para a oferta do ensino m\u00e9dio com\nas duas \u00e1reas de aprofundamento e a forma\u00e7\u00e3o profissional e t\u00e9cnica. Para\nilustrar essa situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 casos de conv\u00edvio, no mesmo pr\u00e9dio em prec\u00e1rias\ncondi\u00e7\u00f5es, de ensino fundamental municipal do 1\u00b0 ao 5\u00b0 ano, ensino fundamental\nestadual do 6\u00b0 ao 9\u00b0 ano e ensino m\u00e9dio estadual. Essa situa\u00e7\u00e3o precisa ser superada\npor meio de vigorosa e permanente pol\u00edtica de reforma, aprimoramento e\namplia\u00e7\u00e3o das redes f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra dificuldade,\ncausadora do n\u00e3o ingresso e da evas\u00e3o no ensino m\u00e9dio, consiste na baixa condi\u00e7\u00e3o\nsocioecon\u00f4mica de vasto contigente de adolescentes na faixa de 15 a 17 anos de\nidade. Muitos jovens abandonam a escola ou nem mesmo nela ingressam por\ndificuldades financeiras, passando a trabalhar para ajudar no or\u00e7amento\nfamiliar. Os dois eixos anteriormente abordados \u2013 finalidades e curr\u00edculo do\nensino m\u00e9dio e forma\u00e7\u00e3o profissional e t\u00e9cnica \u2013 s\u00e3o extremamente importantes para\numa pol\u00edtica de universaliza\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio de boa qualidade. Entendemos,\npor\u00e9m, que o \u00eaxito de uma nova reforma requer a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es absolutamente\nnecess\u00e1rias para o ingresso, a perman\u00eancia e a conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio na\nidade certa. <\/p>\n\n\n\n<p>Propomos a cria\u00e7\u00e3o de\nbolsa ensino m\u00e9dio, para apoio aos jovens considerados economicamente\nvulner\u00e1veis, de forma a assegurar a frequ\u00eancia \u00e0 escola, preferencialmente no\nper\u00edodo diurno. Havendo disponibilidade, ap\u00f3s o hor\u00e1rio regular dos cursos, as\nescolas passariam a oferecer atividades extracurriculares para os pr\u00f3prios\nalunos e para a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A bolsa por si s\u00f3 n\u00e3o\nsoluciona todos os problemas do ensino m\u00e9dio. H\u00e1 outros relevantes fatores em\njogo, destacando-se a forma\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio e a amplia\u00e7\u00e3o e\nmelhoria da base f\u00edsica. Sem a bolsa, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade, em hip\u00f3tese\nalguma, de que tal solu\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>A bolsa, na linha de outras pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 desigualdade e de melhoria da qualidade da educa\u00e7\u00e3o com equidade, constitui requisito m\u00ednimo indispens\u00e1vel para a realiza\u00e7\u00e3o do almejado ensino m\u00e9dio de excel\u00eancia para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>_________________________________________ <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/APE-Cordao-Palma-e-Nacim-e-Manzano-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3297\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Francisco Aparecido Cord\u00e3o &#8211;<\/em><\/strong><strong><em>Membro da Academia\nPaulista de Educa\u00e7\u00e3o e ex-Presidente do Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo\ne da C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Cardoso Palma Filho &#8211;<\/em><\/strong><strong><em>Membro da Academia\nPaulista de Educa\u00e7\u00e3o e ex-Secret\u00e1rio Adjunto da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do\nEstado de S\u00e3o Paulo <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jos\u00e9 Carlos Mendes Manzano &#8211;<\/em><\/strong><strong><em>Membro do F\u00f3rum da\nEduca\u00e7\u00e3o Profissional do Estado de S\u00e3o Paulo e ex-Auditor Educacional do Senai\nde S\u00e3o Paulo <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Nacim Walter Chieco &#8211;<\/em><\/strong><strong><em>Membro da Academia\nPaulista de Educa\u00e7\u00e3o e ex-Presidente dos Conselhos Estadual e Municipal de\nEduca\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Setembro de 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Acad\u00eamicos Cord\u00e3o, Palma e Nacim e o professor Jos\u00e9 Carlos Mendes Manzano assinam artigo com reflex\u00f5es sobre o Ensino M\u00e9dio brasileiro e observa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0s finalidades e conte\u00fados desta etapa do ensino. por Francisco Aparecido Cord\u00e3o, Jo\u00e3o Cardoso Palma Filho, Jos\u00e9 Carlos Mendes Manzano e Nacim Walter Chieco Introdu\u00e7\u00e3o O ensino m\u00e9dio brasileiro encontra-se em situa\u00e7\u00e3o ins\u00f3lita e decisiva. A maioria das Unidades da Federa\u00e7\u00e3o implantou curr\u00edculos diferenciados de ensino m\u00e9dio, de acordo com a realidade de cada sistema de ensino. A consulta p\u00fablica realizada pelo MEC aponta para uma outra dire\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o curricular do ensino m\u00e9dio, com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3297,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[],"class_list":["post-3291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3291"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3776,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3291\/revisions\/3776"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}