{"id":3653,"date":"2023-12-09T00:57:02","date_gmt":"2023-12-09T03:57:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3653"},"modified":"2024-01-20T12:40:12","modified_gmt":"2024-01-20T15:40:12","slug":"artigo-ouvir-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-ouvir-alunos\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Ouvir Alunos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"757\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nacim-Walter-Chieco-01-1024x757.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3228\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nacim-Walter-Chieco-01-1024x757.jpeg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nacim-Walter-Chieco-01-300x222.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nacim-Walter-Chieco-01-768x568.jpeg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nacim-Walter-Chieco-01-400x296.jpeg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nacim-Walter-Chieco-01-811x600.jpeg 811w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nacim-Walter-Chieco-01.jpeg 1278w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Nacim Walter Chieco \u00e9&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>Membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e ex-Presidente dos Conselhos Estadual e Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\">\u201cDireis agora: \u2018Tresloucado amigo!<br> Que conversas com elas? Que sentido<br> Tem o que dizem, quando est\u00e3o contigo?\u2019\u201d<br> (Olavo Bilac, in Via-L\u00e1ctea \u2013 XIII)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O novo ensino m\u00e9dio em implanta\u00e7\u00e3o no Brasil desde 2021 vem apresentando  graves problemas. H\u00e1 in\u00fameros depoimentos e relatos de precariedade das  condi\u00e7\u00f5es operacionais e, mais grave, de profunda insatisfa\u00e7\u00e3o dos principais  afetados pelas mudan\u00e7as que s\u00e3o os alunos. Em recente medida, o MEC determinou uma parada geral para tamb\u00e9m ouvir os alunos e produzir um relat\u00f3rio conclusivo sobre a continuidade, eventuais ajustes ou alguma solu\u00e7\u00e3o mais radical sobre o novo ensino m\u00e9dio.<br> Diante disso e de algo que j\u00e1 me preocupava, fa\u00e7o algumas considera\u00e7\u00f5es<br> sobre a pr\u00e1tica de ouvir alunos.<br> Ouvir alunos, obviamente n\u00e3o \u00e9 o mesmo que \u201couvir estrelas\u201d, do conhecido poema parnasiano-rom\u00e2ntico de Olavo Bilac. \u00c9 fato muito real e p\u00e9 no ch\u00e3o, condizente com uma educa\u00e7\u00e3o verdadeiramente democr\u00e1tica.<br> Podemos identificar, pelo menos, cinco situa\u00e7\u00f5es em que a pr\u00e1tica de ouvir<br> alunos \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria. Abordo-as brevemente, apenas com o<br> intuito de provocar reflex\u00e3o e debate. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es distintas e interligadas,<br> n\u00e3o necessariamente sequenciais.<br> Ao pisar na escola, por ocasi\u00e3o da matr\u00edcula inicial, o novo aluno precisa ser ouvido sobre a bagagem que traz, o chamado curr\u00edculo oculto, e sobre o que espera dessa nova jornada. N\u00e3o se trata de procedimento meramente<br> protocolar e relegado ao arquivo. \u00c9 valiosa informa\u00e7\u00e3o que, juntamente com o estudo da comunidade e com a base comum curricular, deve subsidiar, na funda\u00e7\u00e3o, a proposta pedag\u00f3gica da escola e, periodicamente, o planejamento do ensino.<br> Uma situa\u00e7\u00e3o comum \u00e9 justamente a que est\u00e1 ocorrendo agora. Mudan\u00e7as de variadas naturezas s\u00e3o introduzidas nas escolas com reflexos diretos na vida dos alunos. Mudan\u00e7as t\u00e9cnicas no curr\u00edculo, como o novo ensino m\u00e9dio, com ou sem altera\u00e7\u00e3o de cargas hor\u00e1rias. Mudan\u00e7as na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, como um novo m\u00e9todo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Mudan\u00e7as no apoio did\u00e1tico, como a escolha de novos livros ou m\u00eddias diversificadas. Mudan\u00e7as de regime de funcionamento, hor\u00e1rio, transporte, alimenta\u00e7\u00e3o. Mudan\u00e7as de regras disciplinares. E muitas outras inerentes \u00e0 cultura escolar. <\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, tais mudan\u00e7as uma vez decididas e implantadas precisam vir acompanhadas, desde o in\u00edcio e em momentos cr\u00edticos, da rotina de ouvir os alunos. Somente eles podem dizer onde a calo aperta. N\u00e3o adianta tentar supor e adivinhar os efeitos da mudan\u00e7a na vida escolar. Por mais articulado e convincente que seja um discurso constru\u00eddo por especialista sobre determinada mudan\u00e7a, ser\u00e1 fr\u00e1gil e vazio sem o depoimento dos alunos. Infelizmente, essa pr\u00e1tica n\u00e3o tem sido adequadamente planejada e adotada, principalmente nas redes p\u00fablicas de ensino. A mencionada medida do MEC, com certo atraso e tomada sob press\u00e3o, vem preencher essa grave lacuna de ouvir os alunos. <\/p>\n\n\n\n<p>O desafio \u00e9 ouvir dos alunos at\u00e9 que ponto seus desejos e escolhas est\u00e3o sendo efetivamente atendidos.<br> Uma terceira situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de ouvir alunos durante o processo educativo. \u00c9 uma indispens\u00e1vel forma de envolver e motivar os alunos. De estimular a troca de experi\u00eancias. De desenvolver a comunica\u00e7\u00e3o e express\u00e3o. De trazer para o cotidiano pedag\u00f3gico a viv\u00eancia e a realidade circundantes ao ambiente escolar. De abrir a via permanente de influ\u00eancias m\u00fatuas entre a sala de aula e o mundo real.<br> Outra situa\u00e7\u00e3o corriqueira, esta sim normalmente praticada, \u00e9 a de ouvir os alunos com refer\u00eancia ao n\u00edvel de aprendizagem alcan\u00e7ado. As avalia\u00e7\u00f5es, internas e externas, constituem relevante fonte de informa\u00e7\u00f5es, possibilitando o fortalecimento, o ajuste estrat\u00e9gico e, at\u00e9 mesmo, a mudan\u00e7a radical de rumo.<br> Obviamente, nessas ocasi\u00f5es surgem as quest\u00f5es fundamentais de conte\u00fado e de m\u00e9todo. Ou seja, o que, de fato, estaria provocando estragos inesperados e indesej\u00e1veis no desempenho dos alunos: a mat\u00e9ria ensinada ou a forma do ensino. Ou ambas. Tais d\u00favidas, por\u00e9m, precisam ser enfrentadas e superadas por meio de debate franco e aberto da equipe pedag\u00f3gica. De qualquer forma, o ponto de partida dever\u00e1 ser sempre o que se ouve dos alunos.<br> Nas quatro situa\u00e7\u00f5es anteriormente mencionadas, n\u00e3o deve haver qualquer direcionamento quanto aos alunos a serem ouvidos. Ou todos os alunos s\u00e3o ouvidos, ou deve ser definida uma consistente amostra estat\u00edstica.<br> H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o mais complicada de audi\u00e7\u00e3o de alunos. Consiste na fase de concep\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de um projeto de mudan\u00e7a.<br> Diferentemente das anteriores, aqui a participa\u00e7\u00e3o dos alunos, quando ocorre, efetiva-se por meio de representa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 receita de como envolver, de forma adequada e respeitosa, os alunos nessa fase. \u00c9 preciso considerar a poss\u00edvel contribui\u00e7\u00e3o dos alunos, segundo o seu grau de maturidade e experi\u00eancia. \u00c9 de se prever a ocorr\u00eancia de dois extremos, igualmente indesej\u00e1veis. H\u00e1 representantes com pr\u00e1tica pol\u00edtica, que n\u00e3o \u00e9 um mal, excessivamente contaminados com mensagens e palavras de ordem corporativas, cujas manifesta\u00e7\u00f5es precisam ser relativizadas. H\u00e1 casos de representantes ca\u00e7ados ao acaso; j\u00e1 presenciei situa\u00e7\u00e3o em que o aluno entrou mudo e saiu calado. Ponderadas e avaliadas todas as dificuldades, n\u00e3o h\u00e1 que descartar a presen\u00e7a pontual dos alunos nessa fase. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ocorrer uma solu\u00e7\u00e3o simples, baseada na vida real do aluno, at\u00e9 ent\u00e3o despercebida pelos especialistas formuladores do projeto de mudan\u00e7a.<br> H\u00e1, ainda, uma sexta modalidade, muito importante e quase nada praticada, que \u00e9 a de ouvir ex-alunos. Informa\u00e7\u00f5es relevantes da vida e do trabalho podem ser obtidas para a constante melhoria dos curr\u00edculos e do ensino. Do que foi ensinado, o que, de fato, tem sido \u00fatil ou in\u00fatil? O que o mundo exige e que a escola n\u00e3o ensinou? S\u00e3o quest\u00f5es absolutamente cruciais para uma proposta educacional realmente comprometida com as necessidades dos alunos e da sociedade.<br> S\u00e3o algumas hip\u00f3teses em que ouvir alunos constitui estrat\u00e9gia essencial para o bom funcionamento da pr\u00e1tica educativa e dos sistemas de ensino.<br> Reafirmo a advert\u00eancia inicial de que ouvir alunos n\u00e3o \u00e9 coisa trivial, irrelevante  e rom\u00e2ntica. A resposta po\u00e9tica \u00e0queles decass\u00edlabos da ep\u00edgrafe, por\u00e9m,  pode ser parafraseada, trocando \u201cestrelas\u201d por \u201calunos\u201d, de forma a dar mais  sentido \u00e0 pr\u00e1tica de ouvir alunos:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\">E eu vos direi: \u201cAmai para entend\u00ea-los!<br>\nPois s\u00f3 quem ama pode ter ouvido<br>\nCapaz de ouvir e de entender alunos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nacim Walter Chieco \u00e9&nbsp;Membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e ex-Presidente dos Conselhos Estadual e Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo \u201cDireis agora: \u2018Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando est\u00e3o contigo?\u2019\u201d (Olavo Bilac, in Via-L\u00e1ctea \u2013 XIII) &#8220;O novo ensino m\u00e9dio em implanta\u00e7\u00e3o no Brasil desde 2021 vem apresentando graves problemas. 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