{"id":3744,"date":"2024-01-11T17:58:31","date_gmt":"2024-01-11T20:58:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3744"},"modified":"2024-01-20T12:38:01","modified_gmt":"2024-01-20T15:38:01","slug":"%ef%bb%bffim-da-lua-de-mel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/%ef%bb%bffim-da-lua-de-mel\/","title":{"rendered":"\ufeffArtigo &#8211; Fim da lua de mel"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/hubert-na-alesp.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3745\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/hubert-na-alesp.jpg 960w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/hubert-na-alesp-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/hubert-na-alesp-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/hubert-na-alesp-400x267.jpg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/hubert-na-alesp-900x600.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Acad\u00eamico Hubert Alqu\u00e9res, presidente da APE, faz um balan\u00e7o do 1o ano da gest\u00e3o de Camilo Santana no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Leia a \u00edntegra:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Camilo Santana assumiu o comando do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em meio a enormes expectativas, quando chegavam ao fim os quatro anos de prioridades distorcidas pela vis\u00e3o ideol\u00f3gica do bolsonarismo. Neste per\u00edodo, tamb\u00e9m ocorreu uma alta rotatividade em cargos estrat\u00e9gicos da pasta, com pol\u00edticas p\u00fablicas err\u00e1ticas. E vieram \u00e0 tona den\u00fancias de verbas sendo desviadas para pastores evang\u00e9licos.<\/p>\n\n\n\n<p>Some-se a\neste quadro a pandemia de Covid-19, que trouxe enormes preju\u00edzos para o aprendizado\ndos estudantes sem que o Minist\u00e9rio tomasse provid\u00eancias para que o problema\nfosse minimizado. <\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro\nde 2023, finalmente assumia a pasta uma equipe com clareza dos desafios e\nalinhada com prioridades para retirar o ensino p\u00fablico da estagna\u00e7\u00e3o e elevar\nsua qualidade ao patamar dos pa\u00edses desenvolvidos. Iniciou-se uma lua de mel\nentre a nova gest\u00e3o do MEC, educadores e gestores. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era\npouco saber que o debate sobre a educa\u00e7\u00e3o deixaria de se pautar pela\nirracionalidade. O pa\u00eds n\u00e3o perderia mais tempo com solu\u00e7\u00f5es pontuais, como o <em>homeschooling<\/em>\n(ensino domiciliar) e nem vazias, como a Escola Sem Partido. Tamb\u00e9m n\u00e3o se\nveria a implementa\u00e7\u00e3o enviesada de projetos como a escola c\u00edvico-militar e a ca\u00e7a\n\u00e0s bruxas nas escolas e universidades. A educa\u00e7\u00e3o voltaria ao seu eixo normal,\ndeixando de ser palco de uma guerra cultural anacr\u00f4nica e sem sentido, que se\nestabeleceu no governo de Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>A posse de Camilo e Izolda Cela  arejou o ambiente, despertando otimismo. Havia consenso quanto \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o do Ministro e da sua Secretaria Executiva para liderar um novo pacto educacional. Eles nunca foram estranhos no ninho, ao contr\u00e1rio, t\u00eam experi\u00eancia como ex-governadores do Cear\u00e1 onde trabalharam para melhorar a educa\u00e7\u00e3o, com resultados. <\/p>\n\n\n\n<p>Izolda ganhou\ndimens\u00e3o nacional por conduzir o vitorioso processo de reformas do ensino no\nmunic\u00edpio de Sobral, at\u00e9 hoje uma refer\u00eancia a ser estudada. E Camilo por ter\ngeneralizado para todo o Cear\u00e1 o projeto da Alfabetiza\u00e7\u00e3o na Idade Certa,\nbaseado na coordena\u00e7\u00e3o descentralizada, foco nos resultados por meio de\nest\u00edmulos, coopera\u00e7\u00e3o e monitoramento da alfabetiza\u00e7\u00e3o nas escolas e\nmunic\u00edpios. <\/p>\n\n\n\n<p>A receita\npara as prioridades do MEC estava dada e era praticamente consensual entre os\nentes federativos e educadores: avan\u00e7o do ensino integral, alfabetiza\u00e7\u00e3o na\nidade certa, aperfei\u00e7oamento do novo ensino m\u00e9dio, forma\u00e7\u00e3o inicial e\ncontinuada dos professores, enfrentamento da evas\u00e3o escolar e empenho de\nesfor\u00e7os em pol\u00edticas educacionais para a recomposi\u00e7\u00e3o das aprendizagens comprometidas\nnos tempos da pandemia. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas a\npercep\u00e7\u00e3o otimista mudou no apagar das luzes de 2023. Nestes 12 meses, n\u00e3o se\nviu o in\u00edcio da transforma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e esperada. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ficha caiu\ncom a realidade exposta nos resultados do PISA realizado em 2022. Os dados\nrevelaram uma educa\u00e7\u00e3o estagnada no mesmo patamar de doze anos atr\u00e1s e bem\nabaixo da m\u00e9dia do que a OCDE define como aceit\u00e1vel. Em matem\u00e1tica, 73% dos\nnossos alunos de 15 anos obtiveram um desempenho abaixo do aceit\u00e1vel e n\u00e3o\nsabem realizar opera\u00e7\u00f5es simples para a idade. O Brasil continua no \u00faltimo\npelot\u00e3o dos pa\u00edses avaliados. Nada a comemorar em rela\u00e7\u00e3o ao desempenho do pa\u00eds\nnesta avalia\u00e7\u00e3o internacional. E temos um grav\u00edssimo problema na forma\u00e7\u00e3o dos\nnossos professores. N\u00e3o apenas nos egressos do ensino a dist\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m\nde cursos presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Camilo e Izolda\nn\u00e3o s\u00e3o diretamente respons\u00e1veis por esse quadro dantesco. At\u00e9 porque o PISA\nfoi realizado antes de terem assumido o comando do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Mas\nos dados, diante das dificuldades e da lentid\u00e3o do governo Lula para avan\u00e7ar em\nagendas emergenciais, deixaram evidente que \u00e9 preciso romper o marasmo e\nassumir um sentido de urg\u00eancia na implementa\u00e7\u00e3o de prioridades sobejamente\nconhecidas que deveriam dar sentido \u00e0 nova gest\u00e3o do MEC. <\/p>\n\n\n\n<p>Desperdi\u00e7ou-se\na janela de oportunidades que o in\u00edcio de governo representa: o ensino integral\nse expande a passo de tartaruga e, at\u00e9 agora, o enfrentamento do gargalo da\nforma\u00e7\u00e3o inicial e continuada dos professores n\u00e3o saiu do plano das inten\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>O exemplo mais\nemblem\u00e1tico da letargia no enfrentamento das quest\u00f5es que podem realmente fazer\na diferen\u00e7a \u00e9 o da Reforma do Ensino M\u00e9dio. <\/p>\n\n\n\n<p>O Novo\nEnsino M\u00e9dio teve problemas na sua implementa\u00e7\u00e3o, mas seu eixo era\nessencialmente correto. Seguiu par\u00e2metros da educa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses desenvolvidos\n\u2013onde as disciplinas seriam ministradas num conte\u00fado de forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica,\nmas tamb\u00e9m seriam trabalhadas de forma transversal nos chamados itiner\u00e1rios\nformativos, escolhidos pelos pr\u00f3prios estudantes segundo suas voca\u00e7\u00f5es e\ninteresses. A Reforma tamb\u00e9m incentivou o ensino t\u00e9cnico\/profissionalizante e\nincorporou as principais ideias do projeto de lei de autoria do deputado\nReginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>A cr\u00edtica ao\nNovo Ensino M\u00e9dio n\u00e3o se deveu apenas aos seus problemas de implementa\u00e7\u00e3o. Havia\num componente ideol\u00f3gico. Para a esquerda, o modelo tinha um pecado original: a\nReforma foi obra do governo Temer. Isso ficou muito claro j\u00e1 na equipe de\ntransi\u00e7\u00e3o do governo Lula, quando o grupo de trabalho da Educa\u00e7\u00e3o dividiu-se\nentre os que preconizavam o aperfei\u00e7oamento e os que simplesmente defendiam o\nfim do Novo Ensino M\u00e9dio e a volta ao antigo modelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por press\u00e3o\nde Lula, Camilo Santana optou por um meio termo. Fez concess\u00e3o ao bra\u00e7o\nesquerdo do governo, e tentou suspender temporariamente a implementa\u00e7\u00e3o do Novo\nEnsino M\u00e9dio. Ao mesmo tempo, deflagrou uma longa e exaustiva consulta p\u00fablica\nsobre seu formato. Todo o ano letivo foi consumido nessa consulta com o ensino\nm\u00e9dio navegando em um mar de indefini\u00e7\u00f5es. Entidades corporativas tentaram\ninfluenciar e a CNTE (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o) foi\naguerrida na defesa do velho modelo, reconhecidamente tido como anacr\u00f4nico e\ndescolado da realidade dos alunos. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando\nfinalmente o MEC encaminhou seu projeto para o Congresso, faltou habilidade\npol\u00edtica para negociar com o relator, o deputado Mendon\u00e7a Filho, ex-ministro da\nEduca\u00e7\u00e3o, a aprova\u00e7\u00e3o da proposta do governo. Ao sentir que seria derrotado na\nC\u00e2mara, cuja tend\u00eancia era de aprovar o substitutivo de Mendon\u00e7a Filho, o\ngoverno simplesmente retirou o requerimento de urg\u00eancia, jogando a vota\u00e7\u00e3o na\nC\u00e2mara para mar\u00e7o. <\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o ano\nletivo se iniciar\u00e1 sem haver uma defini\u00e7\u00e3o sobre qual ser\u00e1 o formato do Ensino\nM\u00e9dio e \u00e9 bem prov\u00e1vel que sua implementa\u00e7\u00e3o v\u00e1 para as calendas gregas,\nprovavelmente para 2025. Mais grave: todas as mazelas do velho modelo, de baixa\nqualidade e estimulador da evas\u00e3o escolar, continuar\u00e3o a pairar sobre a\neduca\u00e7\u00e3o de nossos jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, se o\npr\u00f3prio MEC define a reforma do ensino m\u00e9dio como uma prioridade para a\nrevers\u00e3o do quadro calamitoso da educa\u00e7\u00e3o que faz o Brasil comer poeira nos\nexames do sistema internacional de avalia\u00e7\u00e3o, nada justifica a procrastina\u00e7\u00e3o\nde sua implementa\u00e7\u00e3o.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>Camilo e Izolda ser\u00e3o cobrados pelo atraso e, daqui em diante, ter\u00e3o de apresentar&nbsp;&nbsp; resultados concretos. Novos resultados negativos do desempenho de nossos alunos ser\u00e3o de sua responsabilidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>_______________ <\/p>\n\n\n\n<p>Hubert Alqu\u00e9res \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Foi Secret\u00e1rio Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Acad\u00eamico Hubert Alqu\u00e9res, presidente da APE, faz um balan\u00e7o do 1o ano da gest\u00e3o de Camilo Santana no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Leia a \u00edntegra: &#8220;Camilo Santana assumiu o comando do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em meio a enormes expectativas, quando chegavam ao fim os quatro anos de prioridades distorcidas pela vis\u00e3o ideol\u00f3gica do bolsonarismo. Neste per\u00edodo, tamb\u00e9m ocorreu uma alta rotatividade em cargos estrat\u00e9gicos da pasta, com pol\u00edticas p\u00fablicas err\u00e1ticas. E vieram \u00e0 tona den\u00fancias de verbas sendo desviadas para pastores evang\u00e9licos. 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