{"id":3828,"date":"2024-01-02T12:07:37","date_gmt":"2024-01-02T15:07:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=3828"},"modified":"2024-02-13T12:51:45","modified_gmt":"2024-02-13T15:51:45","slug":"%ef%bb%bfartigo-o-brasil-sai-atras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/%ef%bb%bfartigo-o-brasil-sai-atras\/","title":{"rendered":"\ufeffArtigo &#8211; O Brasil sai atr\u00e1s"},"content":{"rendered":"\n<p><br><em>O pa\u00eds n\u00e3o pode se dar ao luxo de\nperder as oportunidades abertas com a reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias globais<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"970\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/hubert-escola-internacional.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3366\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/hubert-escola-internacional.jpeg 970w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/hubert-escola-internacional-300x186.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/hubert-escola-internacional-768x475.jpeg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/hubert-escola-internacional-400x247.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 970px) 100vw, 970px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Hubert\nAlqu\u00e9res <\/p>\n\n\n\n<p>As duas\npalavras do momento na economia mundial s\u00e3o <em>nearshoring<\/em>\ne <em>friendshoring<\/em>. Elas ganharam\nvisibilidade em 2023 e dizem respeito \u00e0 remodelagem das cadeias produtivas, em\ndecorr\u00eancia de fatores geopol\u00edticos, principalmente do conflito entre Estados\nUnidos e a China. <\/p>\n\n\n\n<p>Empresas\namericanas, e em escala menor europeias, est\u00e3o saindo da China para se instalar\nem pa\u00edses vizinhos (<em>nearshoring<\/em>) ou\npara na\u00e7\u00f5es consideradas amigas pelos americanos, o <em>friendshoring<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno\nj\u00e1 provocou uma grande altera\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es comerciais do mundo. Em 2023 o\nM\u00e9xico desbancou a China como principal pa\u00eds exportador para os Estados Unidos.\n<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>nearshoring<\/em> refere-se \u00e0 transfer\u00eancia de\natividades de neg\u00f3cios para pa\u00edses pr\u00f3ximos geograficamente, geralmente dentro\nda mesma regi\u00e3o ou continente. A ideia por tr\u00e1s do <em>nearshoring<\/em> \u00e9 aproveitar os benef\u00edcios de custo e proximidade\ncultural, reduzindo os desafios associados \u00e0 dist\u00e2ncia f\u00edsica e \u00e0 diferen\u00e7a de\nfusos hor\u00e1rios. Essa abordagem pode ajudar a reduzir custos log\u00edsticos,\nmelhorar o tempo de resposta e facilitar a colabora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>O<em> friendshoring<\/em> \u00e9 fundamental porque se\nprocura operar em pa\u00edses com os quais os Estados Unidos tenham rela\u00e7\u00f5es\nest\u00e1veis e de amizade. A \u00cdndia, por exemplo, se beneficia de ter estreitado os\nla\u00e7os com os americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas\nestrat\u00e9gias de realoca\u00e7\u00e3o t\u00eam tamb\u00e9m por objetivo diminuir vulnerabilidades que\nse manifestaram tanto na pandemia como na guerra na Ucr\u00e2nia. A depend\u00eancia\nexcessiva de insumos estrat\u00e9gicos na \u00e1rea da sa\u00fade, de fertilizantes e de\nsemicondutores, entre outros, se transformou em uma quest\u00e3o de soberania\nnacional. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1,\nportanto, uma combina\u00e7\u00e3o entre fatores econ\u00f4micos, como ganhos de redu\u00e7\u00e3o de\ncustos, com fatores geopol\u00edticos a impulsionar a reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias\nprodutivas globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa\ncorrida, h\u00e1 na\u00e7\u00f5es que sa\u00edram no pelot\u00e3o de frente e pa\u00edses que est\u00e3o comendo\npoeira. O M\u00e9xico se beneficiou de sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica privilegiada de ser\nvizinho aos Estados Unidos. Mas n\u00e3o apenas por isso. Favoreceu-se de acordos de\nlivre com\u00e9rcio e de ter constru\u00eddo toda uma estrutura produtiva e log\u00edstica\nvoltada para o mercado americano. Nesse sentido, torna-se dif\u00edcil competir em\ncondi\u00e7\u00f5es de igualdade com os mexicanos, sem d\u00favida o principal benefici\u00e1rio da\nreorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o\nquer dizer que n\u00e3o haja espa\u00e7o para outros pa\u00edses. Mesmo na\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00e3o\npr\u00f3ximas dos Estados Unidos t\u00eam conseguido ganhos com a nova onda. A \u00cdndia, o\nVietn\u00e3, a Indon\u00e9sia e o Jap\u00e3o est\u00e3o tirando partido dessa nova tend\u00eancia, como\nvem acontecendo na \u201cguerra dos semicondutores\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Empresas\namericanas e europeias est\u00e3o se instalando nos tr\u00eas pa\u00edses dado serem pr\u00f3ximos\ndo mercado da segunda pot\u00eancia econ\u00f4mica do mundo, a China.&nbsp; Os chineses, por sua vez, procuram instalar\nind\u00fastrias em pa\u00edses pr\u00f3ximos dos Estados Unidos. Isso \u00e9 vis\u00edvel na cadeia\nprodutiva de carros el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>O M\u00e9xico n\u00e3o\n\u00e9 o \u00fanico benefici\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina. Em escala menor, a Col\u00f4mbia e Costa\nRica est\u00e3o tirando partido do <em>nearshoring<\/em>.\nO Brasil poderia tamb\u00e9m se beneficiar das mudan\u00e7as da nova ordem econ\u00f4mica\nmundial, mas queimou a largada. Em rela\u00e7\u00e3o ao mercado americano, as exporta\u00e7\u00f5es\nbrasileiras sofreram decr\u00e9scimo e fomos ultrapassados por Cingapura na\nparticipa\u00e7\u00e3o no mercado dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Corremos\nriscos de perder, mais uma vez, o bonde da hist\u00f3ria, apesar de algumas\nvantagens comparativas, como a possibilidade de consolidar posi\u00e7\u00e3o decisiva\npara o desenvolvimento sustent\u00e1vel, a seguran\u00e7a alimentar e a transi\u00e7\u00e3o\nenerg\u00e9tica globais. <\/p>\n\n\n\n<p>O <em>greenshoring<\/em> \u00e9 parte dessa nova\nmodelagem. Teoricamente, temos todas as condi\u00e7\u00f5es de participar da cadeia\nverde, com potencial para ser um relevante produtor mundial de energia\nrenov\u00e1vel e limpa, gerada a custos baixos. Al\u00e9m disso, somos produtores de\nmateriais estrat\u00e9gicos, como o l\u00edtio, t\u00e3o necess\u00e1rio para as baterias.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos\nainda nos beneficiar de nossa posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica estrat\u00e9gica, relativamente\npr\u00f3xima dos Estados Unidos. Em especial essa pode ser a sa\u00edda para a Amaz\u00f4nia,\nna qual j\u00e1 existe um arranjo institucional e um parque instalado na Zona Franca\nde Manaus.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>A transi\u00e7\u00e3o\nenerg\u00e9tica abre uma gama de possibilidades para o Brasil ser um player\nimportante na nova ordem econ\u00f4mica mundial e atrair empresas americanas e mesmo\nchinesas que teriam vantagens comparativas ao se instalarem por aqui.\nPoder\u00edamos ser a porta de entrada para o acesso de empresas chinesas ao\ncobi\u00e7ado mercado americano. De certa maneira, a ind\u00fastria de carros h\u00edbridos e\nel\u00e9tricos que os chineses est\u00e3o implantando no Brasil tem esse objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Conspiram\ncontra nossas potencialidades os tradicionais gargalos da economia brasileira,\ncomo a baixa produtividade da nossa m\u00e3o de obra, decorrente dos problemas\nsobejamente conhecidos do sistema educacional. Temos ainda uma economia\nfechada, de poucos acordos de livre-com\u00e9rcio. O ambiente de neg\u00f3cios no Brasil\n\u00e9 complexo e fator impeditivo para atra\u00e7\u00e3o de novos investimentos externos,\nassim como o custo log\u00edstico restringe a concretiza\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito\nde na\u00e7\u00e3o amiga \u00e9 fundamental para tirarmos proveito dessa remodelagem das\ncadeias produtivas globais. Somos um pa\u00eds identificado com os valores do mundo\nocidental. A pol\u00edtica externa, para o bem ou para o mal, ter\u00e1 peso decisivo no\npapel que o Brasil ir\u00e1 jogar. N\u00e3o tomar partido na guerra fria entre a China e\nos Estados Unidos \u00e9 fundamental para o sucesso de uma pol\u00edtica externa\npragm\u00e1tica e respons\u00e1vel, capaz de contribuir para sermos um player dessa nova\nordem.<\/p>\n\n\n\n<p>O inverso\ntamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro. Uma pol\u00edtica externa ditada por vi\u00e9s ideol\u00f3gico,\ncontaminada de um antiamericanismo pueril \u00e9 o caminho mais r\u00e1pido para\ndesperdi\u00e7armos, mais uma vez, uma oportunidade que a hist\u00f3ria nos oferece.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________\n<\/p>\n\n\n\n<p>Hubert Alqu\u00e9res \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e vice-presidente da C\u00e2mara Brasileira do livro. Foi presidente do Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o e Secret\u00e1rio Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds n\u00e3o pode se dar ao luxo de perder as oportunidades abertas com a reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias globais Por Hubert Alqu\u00e9res As duas palavras do momento na economia mundial s\u00e3o nearshoring e friendshoring. Elas ganharam visibilidade em 2023 e dizem respeito \u00e0 remodelagem das cadeias produtivas, em decorr\u00eancia de fatores geopol\u00edticos, principalmente do conflito entre Estados Unidos e a China. Empresas americanas, e em escala menor europeias, est\u00e3o saindo da China para se instalar em pa\u00edses vizinhos (nearshoring) ou para na\u00e7\u00f5es consideradas amigas pelos americanos, o friendshoring. O fen\u00f4meno j\u00e1 provocou uma grande altera\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es comerciais do mundo. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3366,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-3828","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3828"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3829,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828\/revisions\/3829"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}