{"id":4192,"date":"2024-03-29T11:22:58","date_gmt":"2024-03-29T14:22:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4192"},"modified":"2024-04-13T01:04:45","modified_gmt":"2024-04-13T04:04:45","slug":"artigo-como-nasceu-a-academia-brasileira-de-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-como-nasceu-a-academia-brasileira-de-letras\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Como nasceu a Academia Brasileira de Letras"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Renato Nalini<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"655\" height=\"468\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3458\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image.png 655w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-300x214.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/image-400x286.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><figcaption>Renato Nalini, membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A gloriosa ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS n\u00e3o nasceu grande. Mas nasceu sob as ben\u00e7\u00e3os de algu\u00e9m gigante: MACHADO DE ASSIS. Ele a presidiu desde o nascimento, corporificou-a, emprestou a ela a sua circunspec\u00e7\u00e3o e prest\u00edgio. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele entendia e reiterava que a Academia deveria ser uma casa de boa companhia. O crit\u00e9rio das boas maneiras, da absoluta respeitabilidade pessoal n\u00e3o podia ser abstra\u00eddo dos requisitos essenciais para que ali se pudesse entrar. Por isso \u00e9 que, diante da insist\u00eancia de alguns colegas para que nela tivesse acesso um poeta, de not\u00f3rio talento, mas de temperamento desabusado, Machado se fazia de desentendido. Diante da teimosia dos companheiros em patrocinar esse nome, o bruxo levou o grupo at\u00e9 uma cervejaria onde estava um quadro, meio-retrato, meia caricatura, do pretenso candidato a segurar uma caneca de cerveja. Foi assim que, durante o restante da vida de Machado, n\u00e3o mais se falou em candidatura de Emilio de Menezes.<\/p>\n\n\n\n<p>O prest\u00edgio e sucesso da Academia Brasileira de Letras eram a preocupa\u00e7\u00e3o do Mestre. Ele n\u00e3o era soci\u00e1vel. Ao contr\u00e1rio, de dif\u00edcil familiaridade. Polido, atencioso para com todos, tinha muito limitado c\u00edrculo de rela\u00e7\u00f5es de visita. E mesmo estas, confinadas ao seu bairro, dentro do pequeno raio da casa em que viveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1887, dez anos antes do surgimento da Academia, fundou-se no Rio o Gr\u00eamio de Letras e Artes. Machado foi eleito seu presidente. Declinou da honra, alegando, em carta de 28.3.1887, que pertencia \u00e0 Diretoria do Clube Beethoven, cujos Estatutos n\u00e3o permitiam que seus diretores fizessem parte da Diretoria de outras associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Clube Beethoven foi uma sociedade musical integrada por meia d\u00fazia de amadores executantes de m\u00fasica de c\u00e2mara. Reuniam-se para palestras e realiza\u00e7\u00e3o de concertos de m\u00fasica, para seu exclusivo regalo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o havia no Rio sociedades liter\u00e1rias. Aquela que se quis formar, chamada Gr\u00eamio, n\u00e3o contou com a participa\u00e7\u00e3o de Machado. Entretanto, era ele que congregava os escritores nas conversas informais de fim de tarde. Em 1897 funda-se a ABL. Veio com progn\u00f3sticos de estabilidade e perman\u00eancia. Contrariamente \u00e0 sua \u00edndole, Machado n\u00e3o recusou coisa alguma do que se lhe pediu para a nova agremia\u00e7\u00e3o. Tomou parte efetiva e eficiente nas reuni\u00f5es preparat\u00f3rias. Contribuiu para a elabora\u00e7\u00e3o dos Estatutos e do Regimento Interno. Aceitou com boa vontade a presid\u00eancia que se lhe destinou. Nessa primeira diretoria, coube a Joaquim Nabuco o posto de Secret\u00e1rio-Geral e de Rodrigo Oct\u00e1vio se fez o 1\u00ba Secret\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um in\u00edcio de mod\u00e9stia. N\u00e3o havia patrim\u00f4nio de esp\u00e9cie alguma. Carecedora de tudo, n\u00e3o tinha casa que desse abrigo a uma exist\u00eancia meramente espiritual. Machado de Assis n\u00e3o arrefeceu em sua confian\u00e7a. N\u00e3o desanimou. Acompanhou-a em sua pobreza franciscana e na peregrina\u00e7\u00e3o em busca de um pouco. Morreu sem ter a satisfa\u00e7\u00e3o de ver a Academia enriquecida pela generosa doa\u00e7\u00e3o do Livreiro Francisco Alves.<\/p>\n\n\n\n<p>Francisco Alves era homem de poucas palavras. Brusco, mas sincero, leal e profundamente honesto. Sem herdeiros necess\u00e1rios, preocupava-se com o destino de seus bens, que ali\u00e1s, n\u00e3o haviam tomado o vulto final.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1917, faleceu em virtude das consequ\u00eancias para um diab\u00e9tico de uma fat\u00eddica queda. Na descri\u00e7\u00e3o de Rodrigo Oct\u00e1vio, \u201co velho trabalhador paciente e incans\u00e1vel, modesto e s\u00f3brio, que vira correrem-lhe os dias todos da sua vida, sem exce\u00e7\u00e3o de um s\u00f3, na monotonia da mesma luz morti\u00e7a, sem rev\u00e9rberos e sem clar\u00f5es, debru\u00e7ado \u00e0 mesa simples de trabalho, no fundo abarrotado do seu armaz\u00e9m ou num despido quarto de hotel, que jamais se permitiria o desperd\u00edcio de uma festa ou o luxo de uma gravata de cor, afundava na morte num inimagin\u00e1vel esplendor de prodigalidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Herdeira de enorme acervo, bibliogr\u00e1fico e de recursos financeiros, a Academia pode dar prumo \u00e0 sua vida e, ainda por outro bafejo da sorte, viu avolumar-lhe o patrim\u00f4nio a doa\u00e7\u00e3o do Governo Franc\u00eas do verdadeiro pal\u00e1cio de sua sede, o \u201cPetit Trianon\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p> Antes disso, a Academia peregrinou pela pequena sala da Revista Brasileira, na rua Nova do Ouvidor, depois pelo \u201cPedagogium\u201d, velho casar\u00e3o da antiga Secretaria da Justi\u00e7a, em seguida esteve na Biblioteca Fluminense e o escrit\u00f3rio de advocacia de Rodrigo Oct\u00e1vio, \u00e0 rua da Quitanda, 47. Come\u00e7o bastante diverso do esplendor que hoje glamouriza a poderosa Academia Brasileira de Letras, cujo anjo tutelar continua sendo Jos\u00e9 Maria Machado de Assis. <\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________ <\/p>\n\n\n\n<p>Renato Nalini \u00e9 membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, foi Secret\u00e1rio Estadual de educa\u00e7\u00e3o em SP e atualmente ocupa o cargo de secret\u00e1rio executivo de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renato Nalini A gloriosa ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS n\u00e3o nasceu grande. Mas nasceu sob as ben\u00e7\u00e3os de algu\u00e9m gigante: MACHADO DE ASSIS. Ele a presidiu desde o nascimento, corporificou-a, emprestou a ela a sua circunspec\u00e7\u00e3o e prest\u00edgio. Ele entendia e reiterava que a Academia deveria ser uma casa de boa companhia. 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