{"id":4198,"date":"2024-03-26T11:55:35","date_gmt":"2024-03-26T14:55:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4198"},"modified":"2024-04-13T01:05:44","modified_gmt":"2024-04-13T04:05:44","slug":"artigo-sera-que-as-pessoas-podem-ler-os-nossos-pensamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-sera-que-as-pessoas-podem-ler-os-nossos-pensamentos\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Ser\u00e1 que as pessoas podem ler os nossos pensamentos?"},"content":{"rendered":"\n<p>O Acad\u00eamico Reinaldo Polito reflete a respeito de nossos pensamentos, \u00edntimos e n\u00e3o vis\u00edveis para outras pessoas. Mas afirma que \u00e9 poss\u00edvel saber o que pensamos pela linguagem do corpo.  O artigo foi publicado no <a href=\"https:\/\/vidasimples.co\/colunista\/sera-que-as-pessoas-podem-ler-os-nossos-pensamentos\/\">portal Vida Simples (leia aqui).<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"613\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3768\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01.jpg 613w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01-400x227.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Reinaldo Polito<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cH\u00e1 certo gosto em pensar sozinho. \u00c9 ato individual, como nascer e morrer\u201d.<br>Carlos Drummond de Andrade<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea assistiu ao filme \u201cDo que as mulheres gostam\u201d? Dirigido por Nancy Meyers e protagonizado por Mel Gibson e Helen Hunt, o longa foi sucesso de bilheteria em todo o mundo. A hist\u00f3ria \u00e9 interessante. Nick Marshal (Gibson), depois de sobreviver a um acidente, em uma condi\u00e7\u00e3o realmente extraordin\u00e1ria, desenvolve a capacidade de ouvir os pensamentos das mulheres. Com essa habilidade, passa a saber o que est\u00e1 na cabe\u00e7a delas e, principalmente, de tudo o que elas gostam. E tira proveito desse dom.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa obra de fic\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, uma interpreta\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno que h\u00e1 muito tempo preocupa \u00e0 humanidade \u2013 a possibilidade de que possam ler e interferir no pensamento das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, durante a \u00e9poca da Guerra Fria, havia uma paranoia: algumas pessoas achavam que seus pensamentos poderiam ser controlados por ondas de r\u00e1dio e tecnologias avan\u00e7adas. Essa opera\u00e7\u00e3o j\u00e1 estaria em curso a partir das a\u00e7\u00f5es de espi\u00f5es treinados por \u00f3rg\u00e3os governamentais ou entidades secretas.<\/p>\n\n\n\n<p>O ant\u00eddoto imaginado para a popula\u00e7\u00e3o se defender desse programa de espionagem seria o uso de um chap\u00e9u de alum\u00ednio. O objeto conseguiria impedir essas influ\u00eancias. Esse conceito atravessou as d\u00e9cadas at\u00e9 chegar aos nossos dias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"o-chapeu-de-aluminio-e-as-teorias-da-conspiracao\">O chap\u00e9u de alum\u00ednio e as teorias da conspira\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Na verdade, virou uma esp\u00e9cie de zombaria. \u00c9 s\u00f3 surgir not\u00edcia de teses ou progn\u00f3sticos conspirat\u00f3rios que estejam sendo arquitetados, que seus cr\u00edticos brincam, dizendo que ir\u00e3o se proteger com o chap\u00e9u de alum\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu nasci na d\u00e9cada de 1950, mas nunca ouvira falar nesse tal artefato. Mais recentemente, depois de ouvir a express\u00e3o em filmes e programas jornal\u00edsticos, \u00e9 que fui pesquisar para tentar entender o seu significado. Foi ent\u00e3o que me lembrei de uma hist\u00f3ria surpreendente \u2013 tive um amigo de inf\u00e2ncia que sofria muito porque imaginava que as pessoas pudessem ler seus pensamentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"revelou-o-segredo\">Revelou o segredo<\/h2>\n\n\n\n<p>Seu nome era Arist\u00f3teles. Se, durante uma conversa, ele fosse atacado por alguma ideia negativa ou comprometedora, lutava para mudar o pensamento, pois tinha certeza de que a pessoa com quem conversava \u201couvia\u201d claramente o que estava em sua cabe\u00e7a. Essa mania o atormentava. Vivia com receio de se aproximar do grupo de amigos. A situa\u00e7\u00e3o se tornou t\u00e3o s\u00e9ria que passou a viver isolado, longe de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por n\u00e3o aguentar mais a solid\u00e3o e se sentir pressionado com aquela paranoia, caiu na besteira de abrir o cora\u00e7\u00e3o para o Rasputin. N\u00e3o poderia ter escolhido pessoa pior para contar os seus segredos. Rasputin ouviu atentamente os desassossegos do amigo. Usou a voz mais meiga que p\u00f4de interpretar para prometer que essa confid\u00eancia iria para o t\u00famulo com ele. Arist\u00f3teles acreditou e se sentiu aliviado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"foi-traido-pelo-amigo\">Foi tra\u00eddo pelo amigo<\/h2>\n\n\n\n<p>Mal sabia o infeliz que no dia seguinte as torcidas em peso do Corinthians e do Flamengo j\u00e1 conheciam todos os pormenores da sua afli\u00e7\u00e3o. Sua vida que j\u00e1 estava complicada se transformou num verdadeiro pesadelo. Rasputin n\u00e3o deixou uma alma viva sem se inteirar das esquisitices daquele infeliz.<\/p>\n\n\n\n<p>O coitado sempre fora muito t\u00edmido. Bastava n\u00e3o se sentir \u00e0 vontade em qualquer circunst\u00e2ncia que ficava vermelho. Depois de a not\u00edcia se espalhar, a vergonha era tanta que come\u00e7ou a ficar roxo. Arist\u00f3teles n\u00e3o via sa\u00edda para o seu problema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"solucao-inesperada\">Solu\u00e7\u00e3o inesperada<\/h2>\n\n\n\n<p>Os amigos azucrinaram tanto a vida do pobre Arist\u00f3teles, que, de repente, sem nenhuma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, num estalo, ele caiu em si e se deu conta da tremenda asneira que havia criado para sua vida. Em vez de sofrer com as brincadeiras maldosas dos amigos, de uma hora para outra se juntou ao grupo para fazer autogoza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes que algu\u00e9m fizesse algum tipo de coment\u00e1rio, Ari se antecipava: meus pensamentos s\u00e3o um livro aberto. Comigo n\u00e3o h\u00e1 sigilo que resista. Diante dessa nova atitude, os amigos n\u00e3o viram mais gra\u00e7a em tripudiar. Nunca mais falaram no assunto. Estava na hora de encontrar uma nova v\u00edtima para servir de saco de pancada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"um-espiao-dentro-de-nos\">Um espi\u00e3o dentro de n\u00f3s<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a hist\u00f3ria de Arist\u00f3teles possa se situar nas fronteiras do folclore, e o filme nos fa\u00e7a pensar a respeito dessa possibilidade, cabe aqui uma reflex\u00e3o importante e para a qual nem sempre atentamos.&nbsp;<strong>\u00c9 evidente que nosso pensamento n\u00e3o tem voz, n\u00e3o fala independentemente da nossa vontade. Ningu\u00e9m vai precisar de um chap\u00e9u de alum\u00ednio para se proteger.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, carregamos em n\u00f3s mesmos um delator:&nbsp;<strong>o nosso corpo. Ele fala. E fala muito.<\/strong>&nbsp;Por mais que o indiv\u00edduo fique atento aos seus movimentos involunt\u00e1rios, diante de pessoas com habilidade para analisar a mensagem que o corpo transmite, independentemente das palavras, \u00e9 como se o pensamento falasse ou tivesse voz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"a-teoria-de-reich\">A teoria de Reich<\/h2>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o verbal \u2013 e, em especial, aquela apresentada oralmente \u2013 \u00e9 sempre acompanhada de outros aspectos que contribuem para fortalecer ou, em determinados momentos, contradizer o teor do discurso verbal.<\/p>\n\n\n\n<p>Wilhem Reich, na obra \u2018An\u00e1lise do car\u00e1ter\u2019 diz que \u201ca linguagem humana atua, interfere na linguagem da face e do corpo. Por isso, a express\u00e3o total de um organismo deve ser literalmente id\u00eantica \u00e0 impress\u00e3o total que o organismo provoca em n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, por esse motivo, independentemente das palavras, observar incoer\u00eancias na comunica\u00e7\u00e3o. Stewart L. Tubbs e Sylvia Moss, na obra \u201cHuman Communication\u201d, afirmam:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma interessante quest\u00e3o levantada por Ekman \u00e9 se as pistas dadas pelos movimentos do corpo s\u00e3o diferentes daquelas dadas pela cabe\u00e7a e pelos movimentos faciais. Suas descobertas indicam que a cabe\u00e7a e o rosto sugerem qual emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo experimentada enquanto o corpo d\u00e1 pistas a respeito da intensidade da emo\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os, contudo, podem nos dar as mesmas informa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s recebemos da cabe\u00e7a e do rosto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas e por outras, podemos concluir que o meu amigo Arist\u00f3teles n\u00e3o era t\u00e3o esquisito assim. Ainda que seus pensamentos n\u00e3o tivessem voz, seu corpo poderia contar a um interlocutor atento e experiente o que se passava em sua cabe\u00e7a. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Acad\u00eamico Reinaldo Polito reflete a respeito de nossos pensamentos, \u00edntimos e n\u00e3o vis\u00edveis para outras pessoas. Mas afirma que \u00e9 poss\u00edvel saber o que pensamos pela linguagem do corpo. O artigo foi publicado no portal Vida Simples (leia aqui). Por Reinaldo Polito \u201cH\u00e1 certo gosto em pensar sozinho. \u00c9 ato individual, como nascer e morrer\u201d.Carlos Drummond de Andrade Voc\u00ea assistiu ao filme \u201cDo que as mulheres gostam\u201d? 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