{"id":4210,"date":"2024-04-01T11:34:02","date_gmt":"2024-04-01T14:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4210"},"modified":"2024-04-02T23:25:01","modified_gmt":"2024-04-03T02:25:01","slug":"uma-reflexao-sobre-mentiras-e-verdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/uma-reflexao-sobre-mentiras-e-verdades\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Uma reflex\u00e3o sobre mentiras e verdades&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"566\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/APE-Walter-vicioni.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3984\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/APE-Walter-vicioni.jpg 681w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/APE-Walter-vicioni-300x249.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/APE-Walter-vicioni-400x332.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Walter Vicioni Gon\u00e7alves<\/p>\n\n\n\n<p>Registra a hist\u00f3ria que a tradi\u00e7\u00e3o de contar mentiras no dia 1\u00ba de abril, no Brasil, come\u00e7ou com a divulga\u00e7\u00e3o, em 1848, da falsa not\u00edcia da morte de Dom Pedro. A manchete, mat\u00e9ria de capa do jornal \u201cA Mentira\u201d de Pernambuco, foi desmentida no dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>A\nbrincadeira desde ent\u00e3o se repete a cada ano. Pequenas mentiras que normalmente\nduram tempo determinado, como fantasias do carnaval, vestidos no s\u00e1bado \u2013 para\nexpressar alegria \u2013 e guardadas na quarta-feira de cinzas. Mentiras\ninconsequentes, contadas entre amigos, colegas de trabalho ou de escola e\ndentro das fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a cada\nano, o primeiro de abril perde mais a sua gra\u00e7a e seu espa\u00e7o. \u00c9 tanta inverdade\nno dia a dia, \u00e9 tanta falta de seriedade no tratamento dos assuntos de toda a\nnatureza, em todos os dias do calend\u00e1rio, que destacar um dia para brincar com\npequenas mentiras perde seu sentido e seu significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como a\nseriedade pode ser incorporada na vida dos brasileiros? N\u00e3o \u00e9 simplesmente\ntirando da popula\u00e7\u00e3o os momentos de alegria e descontra\u00e7\u00e3o. As manifesta\u00e7\u00f5es\nculturais, esportivas e, de modo geral, as tradi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds s\u00e3o importantes e\nindispens\u00e1veis para a sociedade brasileira, como tamb\u00e9m s\u00e3o para qualquer povo\nou na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho \u00e9\noutro. A seriedade deve ser decorrente da atitude e da a\u00e7\u00e3o de governantes e\ngovernados, ao tratar dos recursos p\u00fablicos e dos resultados que s\u00e3o com eles\nobtidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse\ncontexto, a popula\u00e7\u00e3o tem como par\u00e2metros para julgamento das a\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da\nsua realidade do dia a dia, um notici\u00e1rio impactante sobre viol\u00eancia, condi\u00e7\u00f5es\nhospitalares, descaminhos da educa\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o e tantos outros fatos do mesmo\ntipo. A grande maioria das not\u00edcias \u2013 por r\u00e1dio, TV, m\u00eddia impressa, internet \u2013\napenas aumentam a descren\u00e7a e a desesperan\u00e7a do povo brasileiro. O senso de\nimpot\u00eancia cresce e, com ele, a aceita\u00e7\u00e3o de se fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias\nm\u00e3os. Esse \u00e9 um caminho perigoso e que j\u00e1 se come\u00e7ou a trilhar. A rea\u00e7\u00e3o do\nsetor publico deve ocorrer a curto prazo, antes que a situa\u00e7\u00e3o saia do\ncontrole.<\/p>\n\n\n\n<p>A medida, a\nser tomada imediatamente, \u00e9 acabar com toda not\u00edcia alvissareira que seja\napenas meia verdade. Saber o que, o porqu\u00ea e as dificuldades para implementa\u00e7\u00e3o\nde uma pol\u00edtica demonstram respeito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea\neducacional, a quest\u00e3o da implanta\u00e7\u00e3o do Novo Ensino M\u00e9dio n\u00e3o pode se\nrestringir \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de que foi criado para modernizar, visando aumentar a\nqualidade desse n\u00edvel de ensino e preparar melhor os alunos para o mercado de\ntrabalho. Ou seja, estudantes preparados para serem bem-sucedido na escola, na\nvida e no trabalho. Cinco anos depois, a implementa\u00e7\u00e3o foi motivo de grande\ndiscuss\u00e3o entre educadores e administradores escolares por existir in\u00fameras\nquest\u00f5es envolvidas, desde a adequa\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados \u00e0s necessidades dos\nestudantes, ao planejamento de novas formas de avalia\u00e7\u00e3o e ensino, at\u00e9 a\nnecessidade de incremento de recursos, falta de qualifica\u00e7\u00e3o de professores e\ninfraestrutura adequada para a realiza\u00e7\u00e3o dessa tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9\nnecess\u00e1rio que se tenha em mente que a implanta\u00e7\u00e3o do Novo Ensino M\u00e9dio \u00e9 um\nprocesso que exigir\u00e1 tempo, planejamento e recursos adequados para ser\nbem-sucedida. Isso exige cronogramas fact\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o ao planejamento de\ntodas as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Fazer um cronograma sem esse planejamento e sem uma\nprevis\u00e3o realista sobre como ter dispon\u00edveis os recursos necess\u00e1rios \u2013 humanos,\nmateriais e financeiros \u2013 \u00e9 contribuir para aumentar a descren\u00e7a geral.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento\nda confian\u00e7a e da credibilidade exigem transpar\u00eancia, equidade, presta\u00e7\u00e3o de\ncontas e responsabilidade. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso assegurar o comprometimento de\ntodos com a lisura e com a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o de atos de corrup\u00e7\u00e3o, at\u00e9 os de m\u00ednima\nexpress\u00e3o. Quando se trata de interesse p\u00fablico, da coletividade, cada assunto\ndeve ser tratado com honestidade e transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim,\neleger prioridades e legitim\u00e1-las s\u00e3o atos de governan\u00e7a. Diante de tantos\nproblemas que devem ser enfrentados em um pa\u00eds com dimens\u00e3o continental, os\nrecursos dispon\u00edveis devem estar vinculados a um plano fact\u00edvel de a\u00e7\u00e3o, com diretrizes\nclaras de quais problemas ser\u00e3o atacados e em qual ordem. <\/p>\n\n\n\n<p>Mudan\u00e7as\ndesejadas, radicais como essas do Novo Ensino M\u00e9dio, n\u00e3o podem restringir a\natos de governo, mas precisam ser configuradas como a\u00e7\u00f5es de Estado,&nbsp;que\nexigem consenso, uni\u00e3o de todas as esferas governamentais e, especialmente, da\nsociedade brasileira, para que atinjam o efeito desejado, evitem o desperd\u00edcio\nde recursos e tragam, ao cidad\u00e3o, clareza dos objetivos propostos. <\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, cada vez mais \u00e9 claro o pedido da sociedade n\u00e3o s\u00f3 por diagn\u00f3sticos precisos dos problemas, mas sobretudo pela compet\u00eancia no trato das quest\u00f5es vitais para o nosso pa\u00eds. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave e n\u00e3o pode ser tratada por medidas paliativas e pontuais. \u00c9 tempo de todos, unidos, encontrarem solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis e fact\u00edveis na sua implementa\u00e7\u00e3o, recuperando assim a credibilidade junto \u00e0 sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Walter Vicioni Gon\u00e7alves \u00e9 Titular da Cadeira 36 da\nAcademia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Walter Vicioni Gon\u00e7alves Registra a hist\u00f3ria que a tradi\u00e7\u00e3o de contar mentiras no dia 1\u00ba de abril, no Brasil, come\u00e7ou com a divulga\u00e7\u00e3o, em 1848, da falsa not\u00edcia da morte de Dom Pedro. A manchete, mat\u00e9ria de capa do jornal \u201cA Mentira\u201d de Pernambuco, foi desmentida no dia seguinte. A brincadeira desde ent\u00e3o se repete a cada ano. Pequenas mentiras que normalmente duram tempo determinado, como fantasias do carnaval, vestidos no s\u00e1bado \u2013 para expressar alegria \u2013 e guardadas na quarta-feira de cinzas. Mentiras inconsequentes, contadas entre amigos, colegas de trabalho ou de escola e dentro das fam\u00edlias. Mas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3984,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[],"class_list":["post-4210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4210"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4214,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4210\/revisions\/4214"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}