{"id":4216,"date":"2024-04-06T10:46:25","date_gmt":"2024-04-06T13:46:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4216"},"modified":"2024-04-06T10:48:42","modified_gmt":"2024-04-06T13:48:42","slug":"artigo-teto-de-vidro-na-universidade-publica-por-que-somos-tao-poucas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-teto-de-vidro-na-universidade-publica-por-que-somos-tao-poucas\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Teto de vidro na universidade p\u00fablica: por que somos t\u00e3o poucas?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ape-nina-02-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3416\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ape-nina-02-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ape-nina-02-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ape-nina-02-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ape-nina-02-400x267.jpg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ape-nina-02-900x600.jpg 900w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ape-nina-02.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Meninas e mulheres na ci\u00eancia s\u00e3o cruciais para a melhoria da vida em sociedade e para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. E isso n\u00e3o tem nada que ver com paternalismo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\ufeff<\/em>por Nina Ranieri<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dados e um relato pessoal: segundo dados da Unesco, as mulheres representam 33,3% de todos os pesquisadores no mundo e apenas 12% delas s\u00e3o membros de academias cient\u00edficas nacionais. Entre bolsistas da Capes, 58% s\u00e3o mulheres, mas elas somam apenas 7% no comit\u00ea de sele\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), a mais alta inst\u00e2ncia entre os acad\u00eamicos. Em 2022, Helena Nader se elegeu presidente da ABC: a primeira mulher a ocupar o cargo em 105 anos de exist\u00eancia da entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o relato pessoal: na Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), onde leciono h\u00e1 mais de 20 anos, somos apenas 24 dos 148 docentes. No recorte de professores titulares, o topo da carreira, s\u00e3o apenas duas \u2013 com tend\u00eancia de baixa em raz\u00e3o de aposentadorias.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundada em 1827, mais de cem anos depois (em 1940) a Faculdade de Direito da USP teve sua primeira professora. Hoje, est\u00e1 bem abaixo dos 28% da m\u00e9dia global para as \u00e1reas de ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica \u2013 historicamente o segmento em que as mulheres s\u00e3o absoluta minoria. A que se deve essa situa\u00e7\u00e3o? Seria a Faculdade de Direito da USP mais resistente \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o das mulheres em seus quadros? De forma alguma! As alunas s\u00e3o maioria nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, mas essa vantagem n\u00e3o se reflete nos concursos docentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A disparidade resiste, o que n\u00e3o ocorre por acaso, mas transmite uma mensagem de discrimina\u00e7\u00e3o e falta de diversidade, negativa e prejudicial para a presente e as futuras gera\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de ter consequ\u00eancias na forma como s\u00e3o preparadas as alunas para lidar com os conflitos sociais, objeto da profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra a corrente, nos \u00faltimos anos, n\u00f3s, professoras e professores do Largo S\u00e3o Francisco, temos feito muito para reverter essa situa\u00e7\u00e3o. Um breve resumo: houve modifica\u00e7\u00f5es na regulamenta\u00e7\u00e3o dos concursos docentes, passou-se a exigir a participa\u00e7\u00e3o de 25% de mulheres, pelo menos, em todos os eventos; foram criadas a ouvidoria de g\u00eanero e a comiss\u00e3o de esfor\u00e7o contra o preconceito, hoje integrada \u00e0 comiss\u00e3o de inclus\u00e3o e pertencimento. Temos disciplinas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e gradua\u00e7\u00e3o dedicadas \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre o Direito e a equidade de g\u00eanero, al\u00e9m de grupos de pesquisa e de extens\u00e3o voltados a essa tem\u00e1tica, com produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica publicadas pela Unesco. Al\u00e9m disso, estamos finalizando o projeto da galeria de fotos das professoras, para registro das cerca de 40 docentes que at\u00e9 hoje lecionaram nas Arcadas, e n\u00e3o figuram em seus corredores e salas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 apenas o in\u00edcio. Falta muito. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o que deve ser enfrentada sobretudo como um problema pol\u00edtico que merece an\u00e1lise. As pr\u00e1ticas que alimentam a discrimina\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de mulheres na academia e na ci\u00eancia est\u00e3o internalizadas, normalizadas e, portanto, s\u00e3o pouco vis\u00edveis. Meninas e mulheres na ci\u00eancia s\u00e3o cruciais para a melhoria da vida em sociedade e para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. E isso, vale ressaltar, n\u00e3o tem nada que ver com paternalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________ <\/p>\n\n\n\n<p>Titular da Cadeira 16 da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, professora associada da Faculdade de Direito da USP e coordenadora da C\u00e1tedra UNESCO de Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o. Artigo originalmente publicado pelo jornal O Estado de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meninas e mulheres na ci\u00eancia s\u00e3o cruciais para a melhoria da vida em sociedade e para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. E isso n\u00e3o tem nada que ver com paternalismo \ufeffpor Nina Ranieri Dois dados e um relato pessoal: segundo dados da Unesco, as mulheres representam 33,3% de todos os pesquisadores no mundo e apenas 12% delas s\u00e3o membros de academias cient\u00edficas nacionais. Entre bolsistas da Capes, 58% s\u00e3o mulheres, mas elas somam apenas 7% no comit\u00ea de sele\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), a mais alta inst\u00e2ncia entre os acad\u00eamicos. 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