{"id":4241,"date":"2024-04-09T21:55:02","date_gmt":"2024-04-10T00:55:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4241"},"modified":"2024-04-13T01:02:41","modified_gmt":"2024-04-13T04:02:41","slug":"artigo-nho-tonico-de-campinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-nho-tonico-de-campinas\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Nh\u00f4 Tonico de Campinas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"910\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Nalini-02-1024x910.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3711\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Nalini-02.jpeg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Nalini-02-300x267.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Nalini-02-768x683.jpeg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Nalini-02-400x355.jpeg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Nalini-02-675x600.jpeg 675w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Renato Nalini.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre Carlos Gomes, muito se tem escrito. \u00c9 recente a herc\u00falea obra de Jorge Alves de Lima, Presidente da Academia Campinense de Letras, esmiu\u00e7ando a instigante exist\u00eancia do not\u00e1vel m\u00fasico. Recorro a Rodrigo Oct\u00e1vio, em sua \u00faltima s\u00e9rie de \u201cMinhas Mem\u00f3rias dos Outros\u201d, para resgatar alguns dados sobre o autor de \u201cO Guarani\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi professor de m\u00fasica da m\u00e3e de Rodrigo Oct\u00e1vio, cujo av\u00f4 materno, Dr. Theodoro Langgaaard, cl\u00ednico em Campinas, foi uma alavanca propulsora da carreira art\u00edstica de Carlos Gomes. Ele era conhecido como \u201cNh\u00f4 Tonico\u201d e, em 1880, ofereceu \u00e0 aluna, m\u00e3e de Rodrigo Oct\u00e1vio, assinando-se com esse nome, as partituras de suas \u00f3peras at\u00e9 ent\u00e3o impressas \u2013 Guarani, Fosca, Salvatore Rosa e Maria Tudor. Afirmara o autor que o Guarani era obra do exuberante caipira de Campinas, estudante de m\u00fasica e que a Fosca era a obra do Maestro.<\/p>\n\n\n\n<p>Pertencia a uma fam\u00edlia de m\u00fasicos. O pai, Manuel Jos\u00e9 Gomes, organizara a primeira Banda de Campinas, de que era regente, sendo conhecido por \u201cManeco M\u00fasico\u201d. Seu irm\u00e3o, Jos\u00e9 Sant\u2019Ana Gomes, era ex\u00edmio rabequista e compositor. Autor da partitura para a parte em verso de uma com\u00e9dia, \u201cMaria\u201d, ou \u201cA Bela Paulista\u201d, escrita pelo Dr. Langgaard. Quando Carlos Gomes deixou Campinas, as aulas de m\u00fasica passaram a ser ministradas por sua irm\u00e3 Nh\u00e1 Quina.<\/p>\n\n\n\n<p>Maneco M\u00fasico era prol\u00edfico. Chegou a casar-se quatro vezes. Da primeira mulher n\u00e3o teve filhos. Da segunda vieram doze. Da terceira, oito. Entre eles Carlos Gomes. Da quarta, mais seis. Por isso, Carlos Gomes teve nada menos do que vinte e cinco irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Na biografia que Luiz Guimar\u00e3es elaborou em 1870 \u2013 \u201cA. Carlos Gomes \u2013 Perfil Biogr\u00e1fico\u201d \u2013 consta que, ao voltar a Campinas nesse ano, depois de seu triunfo na It\u00e1lia, encontrara uma irm\u00e3 de quatro anos, nascida depois de sua partida, e outra de cinquenta e um anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p> At\u00e9 1935, a completa biografia do glorioso autor estava por ser feita. S\u00f3 existiam escritos esparsos. Taunay, que fora seu amigo, escreveu alguns estudos sob t\u00edtulo \u201cJos\u00e9 Maur\u00edcio e Carlos Gomes\u201d, de 1930. Em 1935 surgiu o trabalho de Roberto Seidi e tamb\u00e9m o trabalho de Itala Gomes Vaz de Carvalho, em que a vida de seu pai \u00e9 narrada pormenorizadamente, com amor e talento. <\/p>\n\n\n\n<p>O Dr. Theodoro era apaixonado pela m\u00fasica e, ainda sem tocar instrumento algum, conhecia o que era bom. Detectou o g\u00eanio musical do caipira campineiro e o estimulou a ir ao Rio de Janeiro. O pai de Nh\u00f4 Tonico se opunha, obstinadamente, dizendo que o filho era bom para Campinas, mas n\u00e3o serviria para cidade maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o destino estava tra\u00e7ado. Em uma primeira viagem a S\u00e3o Paulo, feita em companhia do irm\u00e3o Jos\u00e9, o \u201cmaestrino\u201d alcan\u00e7ou grande sucesso e compusera, sobre letra de Bittencourt Sampaio, o magn\u00edfico hino acad\u00eamico, desde logo destinado a se tornar famoso: \u201cSois da P\u00e1tria esperan\u00e7a fagueira\/ Branca nuvem de nosso porvir\/ Do futuro levais a bandeira\/ Hasteada na frente a sorrir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o suficiente para que o Dr. Langgaard convencesse Carlos Gomes a tomar o rumo da Capital Imperial. A vacila\u00e7\u00e3o diante da irredut\u00edvel vontade paterna cedeu quando o benfeitor forneceu dinheiro para a viagem. Carlos Gomes encorajou-se. Voltou para S\u00e3o Paulo com o irm\u00e3o e, de l\u00e1, certa manh\u00e3, fugiu para o Rio. E fugiu \u00e9, efetivamente, o termo certo. Ningu\u00e9m soube que deixaria S\u00e3o Paulo, nem mesmo o seu irm\u00e3o e amigo. Isso aconteceu em 1859. Contava, ent\u00e3o, vinte e tr\u00eas anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Capital do Imp\u00e9rio, com a prote\u00e7\u00e3o de pessoas para as quais trouxera cartas de Campinas e S\u00e3o Paulo, conseguiu matricular-se no Conservat\u00f3rio de M\u00fasica, onde estudou contraponto e harmonia. Pouco tempo depois, era encarregado, pelo pr\u00f3prio Francisco Manuel, diretor do Conservat\u00f3rio, de escrever m\u00fasicas para atos e solenidades p\u00fablicas. A audi\u00e7\u00e3o dessas pe\u00e7as alcan\u00e7ou \u00eaxito e granjeou fama para seu autor.<\/p>\n\n\n\n<p>O restante \u00e9 Hist\u00f3ria. Hist\u00f3ria a ser conhecida por todos os campineiros, que devem zelar pela mem\u00f3ria de Carlos Gomes, inclusive cuidando de que seu monumento seja reverenciado e n\u00e3o vandalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Que falta a educa\u00e7\u00e3o de qualidade faz para o povo brasileiro em geral!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Renato Nalini. Sobre Carlos Gomes, muito se tem escrito. \u00c9 recente a herc\u00falea obra de Jorge Alves de Lima, Presidente da Academia Campinense de Letras, esmiu\u00e7ando a instigante exist\u00eancia do not\u00e1vel m\u00fasico. Recorro a Rodrigo Oct\u00e1vio, em sua \u00faltima s\u00e9rie de \u201cMinhas Mem\u00f3rias dos Outros\u201d, para resgatar alguns dados sobre o autor de \u201cO Guarani\u201d. Ele foi professor de m\u00fasica da m\u00e3e de Rodrigo Oct\u00e1vio, cujo av\u00f4 materno, Dr. Theodoro Langgaaard, cl\u00ednico em Campinas, foi uma alavanca propulsora da carreira art\u00edstica de Carlos Gomes. 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