{"id":4250,"date":"2024-04-12T17:15:43","date_gmt":"2024-04-12T20:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4250"},"modified":"2024-04-13T15:21:45","modified_gmt":"2024-04-13T18:21:45","slug":"artigo-nao-foi-acidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-nao-foi-acidente\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; N\u00e3o foi acidente"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"848\" height=\"477\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ape-viveiros-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3346\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ape-viveiros-2.jpg 848w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ape-viveiros-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ape-viveiros-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/ape-viveiros-2-400x225.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Ricardo Viveiros<\/p>\n\n\n\n<p>Antes ocorria apenas ap\u00f3s os \u201cferiad\u00f5es\u201d, mas agora \u00e9 a mesma coisa em qualquer \u00e9poca: as estat\u00edsticas fortalecem o notici\u00e1rio da m\u00eddia que informa graves acidentes de tr\u00e2nsito, e muitos com motoristas alcoolizados. A falta de educa\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ada pela imprud\u00eancia e sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, rouba muitas vidas e deixa um rastro de sangue nas estradas, cicatrizes nos cora\u00e7\u00f5es e mentes dos que sobrevivem \u00e0 perda de parentes e amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dura realidade continua cada vez pior. Dados oficiais divulgados regularmente indicam que as mortes de jovens em acidentes de tr\u00e2nsito, nos \u00faltimos 10 anos, cresceram mais de 30%. O progressivo agravamento da viol\u00eancia no tr\u00e1fego das vias p\u00fablicas levou a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) a proclamar 2011\/2020 a D\u00e9cada de A\u00e7\u00e3o pela Seguran\u00e7a no Tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 28 anos perdi um filho e uma neta em desastre de carro na cidade de S\u00e3o Paulo. Ele com 26 anos, e ela com 7 meses. Ricardo, ilustrador e cartunista, era casado e tinha tr\u00eas filhos. Mariana, que morreu com ele, era a ca\u00e7ula.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela madrugada de 1996, um lac\u00f4nico telefonema anunciou: morreu Ricardo Filho, morreu Mariana. O irrespons\u00e1vel que avan\u00e7ou o sem\u00e1foro vermelho e os matou fugiu, desapareceu. Enterrei filho e neta juntos, um ato contra a lei da natureza. Longos 15 anos depois, ap\u00f3s uma luta sem tr\u00e9gua marcada apenas pela busca de justi\u00e7a, jamais de vingan\u00e7a ou repara\u00e7\u00e3o financeira, o criminoso foi encontrado e julgado. Respondeu em liberdade \u00e0 condena\u00e7\u00e3o de apenas um ano e nove meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Jamais aceitei a condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima. Sofri tudo o que era poss\u00edvel, cheguei ao fundo do po\u00e7o e voltei, sobrevivente, para seguir meu destino. Contudo, cabe mudar a realidade que vivemos neste pa\u00eds: o investimento em educa\u00e7\u00e3o precisa ser, no m\u00ednimo, 10% do PIB, as leis de tr\u00e2nsito precisam ser mais rigorosas, as penas maiores e realmente cumpridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o n\u00famero oficial de mortos no Brasil, v\u00edtimas de acidentes de tr\u00e2nsito, foi de 33.813; por\u00e9m, sabe-se que s\u00e3o contabilizados apenas aqueles que morrem no local do acidente. Muitos acreditam que esse n\u00famero passe dos 50 mil mortos anuais. A irresponsabilidade dos motoristas n\u00e3o deve\/pode ser tratada pela lei como simples acidente, quando na verdade \u00e9 crime. <\/p>\n\n\n\n<p>Muitos me perguntam o porqu\u00ea de relembrar a trag\u00e9dia que vitimou a nossa fam\u00edlia. A resposta \u00e9 simples: na semana passada, por exemplo, um jovem provavelmente alcoolizado segundo apura\u00e7\u00f5es policiais, com um potente ve\u00edculo esportivo, colidiu em alta velocidade na traseira de um modesto carro de aplicativo. Matou o motorista, que estava trabalhando para sustentar sua fam\u00edlia. Lembrar o passado significa um alerta para que o mesmo n\u00e3o aconte\u00e7a de novo com outras pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p>Cabe \u00e0 sociedade, em sua leg\u00edtima defesa, lutar por mais educa\u00e7\u00e3o e pelo cumprimento de procedimentos que garantam os meios de provar a culpa dos motoristas alcoolizados, dos que dirigem de maneira insana. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso, insisto, que as leis de tr\u00e2nsito sejam mais duras, as penas mais rigorosas e de fato cumpridas. Por voc\u00ea, por n\u00f3s, pelo futuro do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>_____________________________________  <\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Viveiros \u00e9 membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, jornalista, professor e escritor.  Doutor em Educa\u00e7\u00e3o, Arte e Hist\u00f3ria da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, autor de v\u00e1rios livros, dentre os quais: \u201cMem\u00f3rias de um tempo obscuro\u201d (2023). Apresenta o programa \u201cBrasil, mostra a tua cara!\u201d, sextas-feiras \u00e0s 23 horas, na TV Cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Ricardo Viveiros Antes ocorria apenas ap\u00f3s os \u201cferiad\u00f5es\u201d, mas agora \u00e9 a mesma coisa em qualquer \u00e9poca: as estat\u00edsticas fortalecem o notici\u00e1rio da m\u00eddia que informa graves acidentes de tr\u00e2nsito, e muitos com motoristas alcoolizados. 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