{"id":4435,"date":"2024-05-24T11:01:00","date_gmt":"2024-05-24T14:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4435"},"modified":"2024-05-26T11:12:18","modified_gmt":"2024-05-26T14:12:18","slug":"artigo-liberdade-e-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-liberdade-e-pop\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Liberdade \u00e9 pop"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4436\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-2048x1363.jpg 2048w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-400x266.jpg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/APE_posse_Viveiros_95-901x600.jpg 901w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Ricardo Viveiros<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou f\u00e3 de m\u00fasica pop. Acompanho os movimentos e respeito seu sucesso. Compositores, int\u00e9rpretes e admiradores, s\u00e3o quase sempre rotulados de \u201cvazios\u201d, sem engajamento sociopol\u00edtico. Um g\u00eanero alienado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode desconsiderar esse movimento que envolve, al\u00e9m da m\u00fasica, outras manifesta\u00e7\u00f5es. A Cultura Pop teve in\u00edcio nos anos 1950 em provoca\u00e7\u00f5es nas artes pl\u00e1sticas, depois na m\u00fasica com o pop rock. Marcou presen\u00e7a, conquistou espa\u00e7o e se mostrou capaz de instigar o debate de ideias. Determinou o soft power.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de muitos pr\u00f3s e contras quanto ao show de Madonna no Rio de Janeiro em 4 de maio, reunindo em Copacabana cerca de um 1,6 milh\u00e3o de pessoas, eis alguns pontos que, com distanciamento, merecem um olhar mais amplo. Sobre o pop, a Madonna e os aspectos sociopol\u00edticos de interesse geral.<br><br>O espet\u00e1culo no Brasil n\u00e3o foi, como dito, o \u00faltimo da The Celebration Tour. A octog\u00e9sima apresenta\u00e7\u00e3o da lend\u00e1ria turn\u00ea aconteceu no M\u00e9xico (em 26 de abril). Madonna se posicionou fora da imagem do pop. Enalteceu a revolucion\u00e1ria Frida Kahlo, tendo no palco a atriz Salma Hayek, protagonista do filme Frida (2002), de Julie Taymor.<br><br>Madonna nunca se enquadrou no estere\u00f3tipo que persegue o pop. H\u00e1 37 anos (1987), na It\u00e1lia, j\u00e1 se apresentava com um tema pol\u00eamico: Papa Don\u2019t Preach (\u201cPapai, n\u00e3o me d\u00ea serm\u00e3o\u201d, tradu\u00e7\u00e3o livre). Letra que discutia a decis\u00e3o quanto \u00e0 gravidez: ter ou n\u00e3o ter o beb\u00ea. Na m\u00fasica, a op\u00e7\u00e3o foi deixar a crian\u00e7a nascer. Madonna, excomungada tr\u00eas vezes, \u00e9 cat\u00f3lica apost\u00f3lica romana.<br><br>M\u00fasica e ideologia sempre andaram juntas, desde o aparecimento dos primeiros instrumentos, flauta de osso, por volta de 60000 a.C., no antigo Egito. A m\u00fasica foi, ao longo da Hist\u00f3ria, forma de express\u00e3o cultural e ferramenta de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de combate, resist\u00eancia e mudan\u00e7as. Ela age de maneira cognitiva no emocional. Samba, folk, rock, hip hop, reggae, punk e rap s\u00e3o provas disso.<br><br>O show de Madonna deixou algumas mensagens. A est\u00e9tica visual \u00e9 determinante na composi\u00e7\u00e3o do discurso sociopol\u00edtico.<br><br>As cores verde e amarelo, sequestradas pela seita bolsonarista, estiveram presentes na cantora Pablo Vittar e na pr\u00f3pria Madonna. Quem sabe, doravante, os preconceituosos n\u00e3o tenham coragem de usar as cores temendo ser entendidos como apoiadores das prefer\u00eancias dessas artistas. O show resgatou o verde e amarelo de todos n\u00f3s.<br><br>Madonna, por meio de grandes fotos no fundo do palco, lembrou importantes brasileiros que, por suas corajosas posi\u00e7\u00f5es, sofrem ataques de radicais: Paulo Freire e Abdias Nascimento, al\u00e9m de nomes atuais como Marina Silva, \u00c9rika Hilton, Gilberto Gil e Ren\u00ea Silva. Foi emocionante a lembran\u00e7a das v\u00edtimas brasileiras da aids, doen\u00e7a n\u00e3o extinta que merece alerta: Sandra Br\u00e9a, Betinho, Cazuza, Renato Russo, Caio Fernando de Abreu e Wagner Bello.<br><br>Por fim, al\u00e9m da prova de que tecnologia e arte podem andar juntas, Madonna deu um show de energia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 pela extenuante turn\u00ea internacional \u2013, mas pelo pr\u00f3prio espet\u00e1culo nas areias da emblem\u00e1tica praia carioca. Sob calor m\u00e9dio de 30 graus e em torno de duas horas, desmistificou a onda de etarismo. A artista mostrou muita vitalidade aos 65 anos de idade e 40 de carreira.<br><br>Madonna veio, cantou e venceu preconceitos, encorajou liberdade e provocou reflex\u00f5es. Fortaleceu identidade e mem\u00f3ria coletiva.<br>_____________________________________________  <br><strong>Ricardo Viveiros<\/strong> \u00e9 membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Jornalista, professor e escritor, \u00e9 doutor em Educa\u00e7\u00e3o, Arte e Hist\u00f3ria da Cultura; autor, entre outros, de A vila que Descobriu o Brasil (Gera\u00e7\u00e3o, 2014), Justi\u00e7a seja feita (Sesi-SP, 2017) e Mem\u00f3rias de um tempo obscuro (Contexto, 2023).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Ricardo Viveiros N\u00e3o sou f\u00e3 de m\u00fasica pop. Acompanho os movimentos e respeito seu sucesso. Compositores, int\u00e9rpretes e admiradores, s\u00e3o quase sempre rotulados de \u201cvazios\u201d, sem engajamento sociopol\u00edtico. Um g\u00eanero alienado. N\u00e3o se pode desconsiderar esse movimento que envolve, al\u00e9m da m\u00fasica, outras manifesta\u00e7\u00f5es. A Cultura Pop teve in\u00edcio nos anos 1950 em provoca\u00e7\u00f5es nas artes pl\u00e1sticas, depois na m\u00fasica com o pop rock. Marcou presen\u00e7a, conquistou espa\u00e7o e se mostrou capaz de instigar o debate de ideias. Determinou o soft power. 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