{"id":4490,"date":"2024-06-01T11:54:05","date_gmt":"2024-06-01T14:54:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4490"},"modified":"2024-06-01T11:56:21","modified_gmt":"2024-06-01T14:56:21","slug":"artigo-so-a-ingenuidade-justifica-o-investimento-arriscado-que-fiz-nos-anos-1980","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-so-a-ingenuidade-justifica-o-investimento-arriscado-que-fiz-nos-anos-1980\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; S\u00f3 a ingenuidade justifica o investimento arriscado que fiz nos anos 1980"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Reinaldo Polito<\/p>\n\n\n\n<p><em>Gra\u00e7as a essa ingenuidade, entretanto, \u00e9 que hoje colho os frutos de uma empreitada na qual s\u00f3 eu acreditei<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"980\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4492\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1.png 980w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1-300x169.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1-768x432.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-1-400x225.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Vou contar uma hist\u00f3ria pessoal. Um relato que tem por objetivo incentivar aqueles que gostariam de empreender, de levar uma ideia \u00e0 frente, mas est\u00e3o com receio de dar o primeiro passo. Tomara que possa ajud\u00e1-los. Nos anos 1980 eu era mais ing\u00eanuo do que sou hoje. Sim, passam as d\u00e9cadas e continuamos a aprender todos os dias. Quantos de n\u00f3s, no aconchego do travesseiro, \u00e0s vezes, pensamos indignados: como pude agir assim?!<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Frutos de uma ingenuidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as a essa ingenuidade, entretanto, \u00e9 que hoje colho os frutos de uma empreitada na qual s\u00f3 eu acreditei. N\u00e3o houve uma pessoa sequer que me dissesse: voc\u00ea est\u00e1 certo, v\u00e1 em frente. Siga o seu caminho, pois ele dar\u00e1 bons resultados. N\u00e3o, nenhuma palavra de incentivo. Sabe por qu\u00ea? Porque eram pessoas sensatas. Sabia que para projetar bem o meu curso precisaria ser conhecido no mercado. De nada adiantaria desenvolver o melhor programa de orat\u00f3ria se ningu\u00e9m soubesse da sua exist\u00eancia. Por isso, tracei um plano estrat\u00e9gico muito question\u00e1vel. Investiria 90% da minha receita em propaganda.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00fameros impressionantes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Eu desenvolvia tr\u00eas cursos por ano. Cada curso era composto de cinco turmas. Para ser rent\u00e1vel, precisaria por volta de 150 a 200 alunos. Ou seja, s\u00f3 nos cursos regulares seriam anualmente 450 a 600 alunos. A receita era complementada com aulas particulares, cursos in company e palestras. Para que as pessoas conhecessem a qualidade do meu trabalho, ministrava dez aulas gratuitas no in\u00edcio de cada curso. Para ter o n\u00famero de alunos necess\u00e1rios, era preciso que cerca de 2 mil interessados se registrassem para essas aulas. Desses que marcavam para assistir \u00e0 aula, 600 compareciam. E desses 600, 150 a 200 se matriculavam.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O risco da greve<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Como conseguir esse n\u00famero de pessoas interessadas em assistir \u00e0s aulas de apresenta\u00e7\u00e3o gratuitas? S\u00f3 na base da propaganda agressiva. Envi\u00e1vamos mais de um milh\u00e3o de folhetos pela mala direta. Exigia muito dinheiro. Era preciso elaborar a arte, confeccionar os folhetos, comprar as etiquetas, pagar a etiquetagem e os Correios. Ah, e torcer para que os carteiros n\u00e3o entrassem em greve na \u00e9poca da divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O investimento maior, entretanto, eram os an\u00fancios nos jornais. Program\u00e1vamos de tr\u00eas a quatro an\u00fancios de p\u00e1gina inteira, em local nobre, que eram as p\u00e1ginas 7 ou 9, na Folha e no Estad\u00e3o. Fiz um levantamento r\u00e1pido para saber quanto custaria uma campanha dessa hoje.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00fameros atuais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quase ca\u00ed das pernas. Cada an\u00fancio, no Estad\u00e3o, de 460 a 600 mil; e na Folha, de 460 a 570 mil. Como era cliente regular, conseguia 50% de desconto. Mesmo assim, em conta r\u00e1pida daria hoje o montante aproximado de 1,8 milh\u00e3o. Mais uns 200 mil da mala direta, o investimento final chegaria a 2 milh\u00f5es. Depois de tantos anos, esses n\u00fameros poderiam agora ser hipot\u00e9ticos. Vou tentar p\u00f4r no papel em conta de caderneta. Cada aluno pagava por volta de US$ 2 mil. Em valores de hoje daria uns R$ 10 mil. \u00c9 s\u00f3 multiplicar 200 por 10 mil para ver que n\u00e3o sobrava nada. A conta n\u00e3o fechava.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, era preciso complementar a receita com cursos in company, palestras e alunos particulares. A propaganda ajudava muito nessa receita \u201cmarginal\u201d. As empresas resolviam fechar turmas por causa dos an\u00fancios. Noves fora nada, 90% do que receb\u00edamos iam para a publicidade. Tinha de trabalhar os tr\u00eas per\u00edodos do dia, das 8h30 at\u00e9 \u00e0s 23h. Al\u00e9m de s\u00e1bado de manh\u00e3 e \u00e0 tarde. Nunca cansava. Ficava feliz em ver as salas lotadas. Nada me dava mais prazer que ensinar o que sabia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Lembran\u00e7a de d\u00e9cadas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com o restante, pagava os funcion\u00e1rios, comprava novos equipamentos, fazia manuten\u00e7\u00e3o e um caixa para as emerg\u00eancias. Essa pr\u00e1tica durou mais de uma d\u00e9cada. Diziam, em tom de ironia, que concorr\u00edamos com as Casas Bahia na propaganda. Deu certo. Como consequ\u00eancia, constru\u00ed a mais renomada escola de orat\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina, e uma das maiores do mundo. Hoje, passados 40 anos, algumas pessoas comentam comigo: puxa, eu me lembro daqueles an\u00fancios de p\u00e1gina inteira nos jornais. Eram de impressionar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Zero de propaganda<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as a esse investimento na marca, atualmente n\u00e3o preciso mais gastar nenhum tost\u00e3o com propaganda. Mais de 90% dos nossos alunos v\u00eam ao curso por indica\u00e7\u00e3o de ex-alunos e por informa\u00e7\u00f5es de que o curso tem qualidade. Os outros nos procuram por causa das redes sociais, entrevistas, palestras e dos livros que publicamos. S\u00e3o 35 meus e 10 da minha filha Rachel.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um risco que s\u00f3 com a minha ingenuidade da \u00e9poca estaria disposto a correr. Poderia ter dado errado, mas foi uma iniciativa bem-sucedida. Por isso, quando algu\u00e9m me procura todo entusiasmado com um projeto, jamais tento demov\u00ea-lo da ideia. Pe\u00e7o apenas que me\u00e7a bem as consequ\u00eancias, mas que v\u00e1 em frente com o seu plano. Comento que o ingrediente principal ele j\u00e1 tem \u2013 a disposi\u00e7\u00e3o, a f\u00e9 e o envolvimento para empreender. E voc\u00ea, tem algum sonho?&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Polito Gra\u00e7as a essa ingenuidade, entretanto, \u00e9 que hoje colho os frutos de uma empreitada na qual s\u00f3 eu acreditei Vou contar uma hist\u00f3ria pessoal. Um relato que tem por objetivo incentivar aqueles que gostariam de empreender, de levar uma ideia \u00e0 frente, mas est\u00e3o com receio de dar o primeiro passo. Tomara que possa ajud\u00e1-los. Nos anos 1980 eu era mais ing\u00eanuo do que sou hoje. Sim, passam as d\u00e9cadas e continuamos a aprender todos os dias. Quantos de n\u00f3s, no aconchego do travesseiro, \u00e0s vezes, pensamos indignados: como pude agir assim?! Frutos de uma ingenuidade Gra\u00e7as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4492,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[],"class_list":["post-4490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4490"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4494,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4490\/revisions\/4494"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}