{"id":4537,"date":"2024-06-18T10:24:00","date_gmt":"2024-06-18T13:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4537"},"modified":"2024-06-15T10:31:55","modified_gmt":"2024-06-15T13:31:55","slug":"artigo-nao-somos-tao-importantes-como-pensamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-nao-somos-tao-importantes-como-pensamos\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; N\u00e3o somos t\u00e3o importantes como pensamos"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por\u00a0Reinaldo Polito<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Cada pessoa est\u00e1 preocupada em resolver seus pr\u00f3prios problemas, em dar andamento aos seus projetos, em seguir com seus planos; nem todos estar\u00e3o interessados no que aconteceu conosco<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"613\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3768\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01.jpg 613w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/APE-Reinaldo-Polito-01-400x227.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Eu sou importante, voc\u00ea \u00e9 importante, ele \u00e9 importante. Todos n\u00f3s somos importantes, mas n\u00e3o tanto quanto imaginamos. De maneira geral, andamos pelas ruas anonimamente. Quase ningu\u00e9m nota a nossa presen\u00e7a. Normal. Temos a impress\u00e3o de que as pessoas est\u00e3o nos observando e analisando todos os detalhes. N\u00e3o, ningu\u00e9m est\u00e1 nem a\u00ed conosco. Lembro-me de um<a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/tag\/curso\"><strong>\u00a0curso<\/strong><\/a>\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/tag\/oratoria\"><strong>orat\u00f3ria<\/strong>\u00a0<\/a>que ministr\u00e1vamos para uma grande organiza\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia. A gerente de um dos departamentos mais importantes travou na hora de fazer o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/tag\/discurso\">discurso<\/a>.<\/strong>\u00a0Fui conversar com ela para saber o que acontecera. A executiva me confidenciou que estava envergonhada por ter de se apresentar na frente dos colegas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ningu\u00e9m prestava a aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Olhei para o grupo. Naquele momento, estavam todos preocupados em preparar o exerc\u00edcio que fariam logo a seguir. Eu pedi que observasse a plateia. S\u00f3 um ou outro demonstrava interesse. A maioria estava concentrada em suas tarefas. Sua rea\u00e7\u00e3o foi de surpresa: realmente, cada um est\u00e1 na dele. Depois de respirar aliviada e sorrir muito, continuou sua apresenta\u00e7\u00e3o como se nada houvesse acontecido. No final, disse que aquela fora uma das li\u00e7\u00f5es mais significativas da sua vida: descobrir que n\u00e3o somos assim t\u00e3o importantes para as outras pessoas como supomos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o era aula<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da minha carreia, bem no comecinho mesmo, fui convidado pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/tag\/herodoto-barbeiro\"><strong>Her\u00f3doto Barbeiro<\/strong><\/a>&nbsp;para participar do seu programa \u201cMundo corporativo\u201d. Era ainda na R\u00e1dio Excelsior, que mais tarde viria a ser a atual R\u00e1dio CBN. A entrevista foi por telefone. A sua primeira pergunta foi sobre o medo de falar em p\u00fablico. Eu, muito ing\u00eanuo, em vez de dar uma resposta r\u00e1pida, para permitir que o entrevistador tivesse maior participa\u00e7\u00e3o, resolvi \u201cministrar uma aula\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resposta longa demais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Comentei sobre o mecanismo do medo, expliquei as causas do medo de<a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/tag\/falar-em-publico\"><strong>&nbsp;falar em p\u00fablico<\/strong><\/a>&nbsp;e os meios para combater esse desconforto de as pessoas se apresentarem diante das plateias. J\u00e1 no meio da minha explana\u00e7\u00e3o, ele come\u00e7ou a dizer \u201cok, professor\u201d. Sem perceber que estava me alongando demais, dizia que j\u00e1 estava concluindo. Em determinado momento, vendo que eu ainda iria demorar muito, me cortou dizendo que a explica\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava clara. E terminou a entrevista. Em seguida, voltou ao telefone e disse que precisou encerrar porque o r\u00e1dio \u00e9 um meio din\u00e2mico e tem audi\u00eancia rotativa. Por isso, as explica\u00e7\u00f5es precisam ser mais concisas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sempre envergonhado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Eu queria morrer de vergonha. Embora estivesse no princ\u00edpio da carreira, imaginei que aquela participa\u00e7\u00e3o poderia prejudicar a minha imagem profissional. A entrevista desastrosa n\u00e3o me sa\u00eda da cabe\u00e7a. Todas as vezes em que lembrava dela, tinha a esperan\u00e7a de um dia voltar a ser entrevistado novamente por ele para mostrar que eu era um bom profissional, e que aquela derrapada havia sido apenas um deslize moment\u00e2neo. Muitos anos depois surgiu a oportunidade para me redimir. Recebi um telefonema do pr\u00f3prio Her\u00f3doto me convidando para participar do mesmo programa. Aceitei na hora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Agora me recupero<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Pus na cabe\u00e7a que naquela segunda oportunidade \u201cmataria a pau\u201d. Daria uma boa entrevista. Caprichei. Dei respostas objetivas, de forma leve e descontra\u00edda. Fiquei t\u00e3o \u00e0 vontade que o tempo passou sem que perceb\u00eassemos. Havia dado a volta por cima. No final, mais uma vez ele voltou ao telefone, s\u00f3 que desta vez para me cumprimentar pelo desempenho. N\u00e3o apenas elogiou como pediu autoriza\u00e7\u00e3o para incluir a minha participa\u00e7\u00e3o no livro que estava publicando com as 50 melhores entrevistas do programa. Era a confirma\u00e7\u00e3o de que eu havia mesmo me sa\u00eddo muito bem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Nem se lembrava de mim<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Todo orgulhoso, respirei fundo e fiz o coment\u00e1rio que estava enroscado na garganta h\u00e1 tantos anos: \u201cPois \u00e9, Her\u00f3doto, esta foi bem melhor que a da vez anterior\u201d. Ele surpreso, exclamou: \u201cDa vez anterior?! Voc\u00ea j\u00e1 havia sido entrevistado nesse programa?\u201d Sim, aquela pulga ficara apenas atr\u00e1s da minha orelha. O entrevistador e, com certeza, os ouvintes nem se lembravam da minha exist\u00eancia. Foi mais um exemplo para eu confirmar o que j\u00e1 havia aprendido: n\u00e3o somos t\u00e3o importantes para as pessoas como imaginamos ser.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cada um com seu problema<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Por isso, se, por acaso, um dia n\u00e3o formos t\u00e3o bem ao proferir um discurso, ou ao apresentar um projeto na reuni\u00e3o da empresa, ou em uma entrevista para emissoras de r\u00e1dio ou televis\u00e3o, nada de desespero. Muito provavelmente o desconforto daquele fracasso ficar\u00e1 somente nos nossos pensamentos. Sim, cada pessoa estar\u00e1 preocupada em resolver seus pr\u00f3prios problemas, em dar andamento aos seus projetos, em seguir com seus planos. Nem todos estar\u00e3o interessados no que aconteceu conosco. Pensando assim, depois de cair, ser\u00e1 mais f\u00e1cil levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Reinaldo Polito Cada pessoa est\u00e1 preocupada em resolver seus pr\u00f3prios problemas, em dar andamento aos seus projetos, em seguir com seus planos; nem todos estar\u00e3o interessados no que aconteceu conosco Eu sou importante, voc\u00ea \u00e9 importante, ele \u00e9 importante. Todos n\u00f3s somos importantes, mas n\u00e3o tanto quanto imaginamos. De maneira geral, andamos pelas ruas anonimamente. Quase ningu\u00e9m nota a nossa presen\u00e7a. Normal. Temos a impress\u00e3o de que as pessoas est\u00e3o nos observando e analisando todos os detalhes. N\u00e3o, ningu\u00e9m est\u00e1 nem a\u00ed conosco. Lembro-me de um\u00a0curso\u00a0de\u00a0orat\u00f3ria\u00a0que ministr\u00e1vamos para uma grande organiza\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia. 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