{"id":4539,"date":"2024-06-15T10:45:23","date_gmt":"2024-06-15T13:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4539"},"modified":"2024-06-15T10:45:26","modified_gmt":"2024-06-15T13:45:26","slug":"artigo-a-historia-se-repete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-a-historia-se-repete\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A hist\u00f3ria se repete"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4540\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-2048x1363.jpg 2048w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-400x266.jpg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/2896_Sessao_Plenaria_Ordinaria_189-901x600.jpg 901w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Hubert Alqu\u00e9res<\/p>\n\n\n\n<p>Inescap\u00e1vel comparar os anos 1930 descritos na s\u00e9rie \u201dHitler: come\u00e7o, meio e fim\u201d, dispon\u00edvel no Netflix, com os dias atuais. Depois de quase cem anos da ascens\u00e3o de Hitler ao poder, o mundo vive uma nova recess\u00e3o democr\u00e1tica, impulsionada pelos mesmos elementos do passado: ultranacionalismo, xenofobia, racismo, intoler\u00e2ncia, \u00f3dio e lideran\u00e7as ultra populistas e salvacionistas. A Europa, ber\u00e7o do iluminismo, se v\u00ea sufocada pelo avan\u00e7o da extrema-direita, como aconteceu na elei\u00e7\u00e3o desse final de semana para o parlamento europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>E os Estados Unidos, cujos pais fundadores consignaram os valores da democracia liberal, podem ser os pr\u00f3ximos, se Donald Trump confirmar seu favoritismo para vencer a elei\u00e7\u00e3o presidencial daqui a cinco meses. Justamente o pa\u00eds que, liderado por Franklin Roosevelt, foi fundamental para deter o avan\u00e7o das for\u00e7as das trevas e para a costura de uma ampla alian\u00e7a que derrotaria o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Se aquela \u00e9poca os EUA foram parte importante da solu\u00e7\u00e3o, agora s\u00e3o parte do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se deve subestimar o avan\u00e7o da onda direitista no velho continente ainda que o parlamento europeu continue com uma maioria formada por conservadores, liberais, socialdemocratas e verdes. O fato mais relevante e preocupante do resultado eleitoral \u00e9 o crescimento da ultradireita, sobretudo no cora\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia: a Fran\u00e7a e a Alemanha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro, Macron foi atropelado pela vit\u00f3ria do partido Reuni\u00e3o Nacional, de Marine Le Pen, com o dobro dos votos da alian\u00e7a do atual presidente da Fran\u00e7a. A derrota, de fato, foi acachapante. A ponto de Macron dissolver o parlamento e convocar novas elei\u00e7\u00f5es legislativas. Corre o risco de repetir Jacques Chirac. Em 1997 o ent\u00e3o presidente franc\u00eas dissolveu o parlamento e convocou novas elei\u00e7\u00f5es, nas quais foi derrotado pela oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, os holofotes voltam-se agora para um novo fen\u00f4meno eleitoral, Jordan Bardella, de 28 anos, carism\u00e1tico e chamado de \u201cMonsieur Selfie\u201d. Ele \u00e9 a nova vitrine da extrema-direita francesa e seu candidato a primeiro-ministro, na hip\u00f3tese do Reagrupamento Nacional sair vitorioso na elei\u00e7\u00e3o convocada por Macron.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Alemanha a AfD \u2013 partido de extrema-direita com forte discurso de simpatia ao nazismo a ponto de considerar que nem todos os membros das SS de Hitler eram criminosos, ficou em segundo lugar na elei\u00e7\u00e3o europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na It\u00e1lia, o partido Fratelli d\u2019It\u00e1lia, da ultradireitista e primeira-ministra Giorgia Meloni, ficou em primeiro lugar, posi\u00e7\u00e3o que a extrema direita tamb\u00e9m conquistou na \u00c1ustria. Some-se a isso a vit\u00f3ria da ultradireita de Orban na Hungria e o segundo lugar conquistado na Holanda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se o esp\u00edrito dos anos 30 tivesse sido incorporado pelos tempos atuais. Naquele tempo se projetaram como l\u00edderes de uma direita autorit\u00e1ria Hitler, Mussolini, Salazar e Franco, todos eles inimigos da democracia liberal. Hoje, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, temos Trump, Orban, Giorgia Meloni, Marine Le Pen, Milei e Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os populistas autorit\u00e1rios de hoje n\u00e3o s\u00e3o os primeiros a chegar ao poder por mecanismos democr\u00e1ticos e depois desconstruir a democracia por dentro. Hitler se erigiu ao poder legalmente, e depois desfigurou e destruiu a democracia alem\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Revisitar aquele per\u00edodo assistindo a s\u00e9rie do Netflix nos leva a identificar pontos em comum entre dois momentos hist\u00f3ricos. Hitler explorava o sentimento nost\u00e1lgico de um passado idealizado pelos alem\u00e3es, elegendo inimigos imagin\u00e1rios, internos e externos. Sua mensagem de esperan\u00e7a era o resgate de um passado glorioso, algo que Donald Trump promete hoje, com seu slogan \u201cFazer a Am\u00e9rica ser grande novamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A idealiza\u00e7\u00e3o de um passado e de uma na\u00e7\u00e3o corrompida em seus valores pela a\u00e7\u00e3o de um inimigo que se infiltra em sua sociedade \u00e9 uma das ideias-for\u00e7a da ultradireita, desde sempre. Hitler via nos judeus e no comunismo os elementos que corro\u00edam o tecido e a alma alem\u00e3 e enfraqueciam o sangue da \u201cra\u00e7a ariana\u201d. Hoje a ultradireita cresce na Europa alimentando os sentimentos antiimigrantes e antiislamismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Muda o pa\u00eds, mudam os atores, mas a concep\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma. Nos Estados Unidos o trumpismo dissemina a vis\u00e3o segundo a qual o sangue americano est\u00e1 se enfraquecendo pela miscigena\u00e7\u00e3o com imigrantes. A ideia de uma \u201cra\u00e7a pura\u201d galvaniza levas de fan\u00e1ticos. Mexicanos e outros imigrantes latino-americanos s\u00e3o vistos como os inimigos internos que corrompem a alma americana e impedem os Estados Unidos de voltar a ser grande novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das primeiras consequ\u00eancias do crescimento da extrema-direita no parlamento europeu ser\u00e1 a press\u00e3o para o endurecimento das regras da imigra\u00e7\u00e3o, assim como Biden j\u00e1 endureceu nos Estados Unidos, cedendo \u00e0 press\u00e3o do trumpismo. Da mesma maneira, poder\u00e1 haver retrocessos no velho continente em medidas de combate \u00e0 crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o o grau de ader\u00eancia do discurso ultranacionalista e ultrapopulista na juventude, assim como no passado.&nbsp; A extrema-direita penetrou em nichos eleitorais historicamente redutos da esquerda. A classe oper\u00e1ria europeia, desde o Brexit, tem votado em candidatos com esse perfil. O mesmo aconteceu nos cinco estados que compunham a antiga Alemanha Oriental, onde a AfD foi a grande vitoriosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Compondo este quadro, a guerra da Ucr\u00e2nia escancarou uma bipolaridade com o mundo dividido entre o bloco ocidental, constitu\u00eddo pelos Estados Unidos e as democracias europeias, e o bloco eurasiano, constitu\u00eddo pelas ditaduras da China e da R\u00fassia. Vladimir Putin e Xi Jinping comandam estas na\u00e7\u00f5es que desempenharam um papel importante nos anos 30 e hoje s\u00e3o bem mais determinantes na geopol\u00edtica mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>No pref\u00e1cio dos 18 Brum\u00e1rios, Engels disse a famosa frase: \u201da hist\u00f3ria se repete primeiro como uma trag\u00e9dia e depois como uma farsa\u201d. Para ele, primeiro acontecia o fato hist\u00f3rico de consequ\u00eancias graves para a sociedade e a humanidade. Mas depois se repetia com resultados menos significativos ou at\u00e9 mesmo rid\u00edculos, quando n\u00e3o picarescos<\/p>\n\n\n\n<p>A frase n\u00e3o se aplica ao momento atual. A hist\u00f3ria est\u00e1 se repetindo e como trag\u00e9dia. A elei\u00e7\u00e3o americana dir\u00e1 o tamanho da trag\u00e9dia contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hubert Alqu\u00e9res \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Hubert Alqu\u00e9res Inescap\u00e1vel comparar os anos 1930 descritos na s\u00e9rie \u201dHitler: come\u00e7o, meio e fim\u201d, dispon\u00edvel no Netflix, com os dias atuais. Depois de quase cem anos da ascens\u00e3o de Hitler ao poder, o mundo vive uma nova recess\u00e3o democr\u00e1tica, impulsionada pelos mesmos elementos do passado: ultranacionalismo, xenofobia, racismo, intoler\u00e2ncia, \u00f3dio e lideran\u00e7as ultra populistas e salvacionistas. 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