{"id":4542,"date":"2024-06-17T08:36:00","date_gmt":"2024-06-17T11:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4542"},"modified":"2024-06-16T12:45:38","modified_gmt":"2024-06-16T15:45:38","slug":"brasil-reprova-demais-e-isso-so-atrapalha-diz-educadora-maria-helena-guimaraes-de-castro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/brasil-reprova-demais-e-isso-so-atrapalha-diz-educadora-maria-helena-guimaraes-de-castro\/","title":{"rendered":"\u201cBrasil reprova demais e isso s\u00f3 atrapalha\u201d, diz Acad\u00eamica Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/istoe.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/12.jpg?x87644\" alt=\"\u201cBrasil reprova demais e isso s\u00f3 atrapalha\u201d, diz educadora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro\" title=\"\u201cBrasil reprova demais e isso s\u00f3 atrapalha\u201d, diz educadora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro 6\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Maria Helena: &#8220;A escola \u00e9 espa\u00e7o de prepara\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o da cidadania. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel formar um cidad\u00e3o pleno sem sociabilidade e intera\u00e7\u00e3o social&#8221; (Cr\u00e9dito: Ana Paula Paiva)<\/p>\n\n\n\n<p>EDITORA3i<strong><a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/author\/editora3\/\"><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A suprema maioria dos brasileiros acredita que as escolas fundamentais e m\u00e9dias do Pa\u00eds, sobretudo as p\u00fablicas, reprovam pouco. E que dar bomba \u00e9 positivo em qualquer circunst\u00e2ncia, para o aluno aprender tamb\u00e9m a viver. Nesta entrevista, a<strong>&nbsp;educadora, soci\u00f3loga e escritora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro<\/strong>&nbsp;prova que as teses est\u00e3o equivocadas. \u201cA reprova\u00e7\u00e3o em larga escala \u00e9 um problema antigo do Pa\u00eds. Quanto mais bomba, menos o aluno aprende. Reprovar demais s\u00f3 atrapalha\u201d. Mestre em Ci\u00eancias Sociais, professora aposentada da Unicamp, ex-presidente do&nbsp;<strong>Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep)<\/strong>,&nbsp;<strong>ex-secret\u00e1ria- executiva do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC)<\/strong>&nbsp;e uma das idealizadoras do<strong>&nbsp;Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem)<\/strong>, Maria Helena revela situa\u00e7\u00f5es em que as repeti\u00e7\u00f5es em excesso geram atraso educacional, prejudicam os alunos e retardam o desenvolvimento do Pa\u00eds. \u00c9 contr\u00e1ria ao homeschooling, a educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, como m\u00e9todo de massa, e \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o profissional impostas aos n\u00e3o aprovados em exames como o da<strong>&nbsp;Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)<\/strong>.&nbsp;<em>\u201cEssas avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o pertencem ao sistema educacional. A chancela cabe ao MEC. Se o curso de Direito ou outro qualquer for ruim, deve ser fechado\u201d<\/em>. E alerta:&nbsp;<em>\u201cN\u00e3o sou contra reprovar aluno vagabundo, que mata aula, n\u00e3o estuda nem faz tarefas e trabalhos. Esse merece bomba\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanto mais reprova\u00e7\u00e3o, menos aprendizado. \u00c9 verdade?<\/strong><br>Devo esclarecer que n\u00e3o sou contra reprovar aluno vagabundo \u2013 e, como bem sabemos, eles infelizmente existem. Quem deixa de aprender porque mata aula, n\u00e3o estuda nem faz tarefas e trabalhos merece reprova\u00e7\u00e3o. Feita a ressalva, sim, \u00e9 verdade. A quest\u00e3o levantada historicamente por v\u00e1rios especialistas, entre os quais me incluo, envolve crian\u00e7as, adolescentes e jovens que frequentam regularmente, durante o ano, as escolas p\u00fablicas, que abrigam 85% dos alunos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, se esfor\u00e7am, d\u00e3o o m\u00e1ximo nas provas, tarefas e trabalhos, mas ainda assim apresentam desempenho insuficiente. Por quest\u00f5es cognitivas, circunst\u00e2ncias sociais ou individuais, press\u00f5es externas ou tudo isso junto. O que adianta submeter esses alunos, no ano seguinte, aos mesmos m\u00e9todos, materiais did\u00e1ticos e professores sem treinamento para atend\u00ea-los?&nbsp;<strong>Se os problemas n\u00e3o foram mapeados no ano anterior, o que acontecer\u00e1? Claro: eles passar\u00e3o outro ano sem aprender.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isso vale para todo o sistema?<\/strong><br><strong>Os estudos que mostram os \u00edndices exagerados de reprova\u00e7\u00e3o envolvem majoritariamente as escolas p\u00fablicas<\/strong>. As particulares, com apenas 15%, est\u00e3o em universo diferente, por terem recursos na unidade para investir em programas de recupera\u00e7\u00e3o. Mas essas tamb\u00e9m necessitam acompanhar a trajet\u00f3ria dos alunos durante o ano letivo, para identificar desequil\u00edbrios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Brasil d\u00e1 mesmo muita bomba?<\/strong><br>Sim \u2014 e h\u00e1 muito tempo. Na d\u00e9cada de 1940, o educador, jurista e intelectual An\u00edsio Teixeira, que d\u00e1 nome ao Inep, identificou \u00edndices excessivos de reprova\u00e7\u00e3o, pr\u00f3ximos dos 60%, na primeira s\u00e9rie do ent\u00e3o ensino prim\u00e1rio, hoje fundamental. Costumava dizer que o problema n\u00e3o era a falta de vaga, e sim a alta repet\u00eancia. Esse percentual se manteve at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 1980. Depois, o problema passou a ser apontado como atraso educacional pelos pesquisadores S\u00e9rgio Costa Ribeiro, no IBGE, Ruben Klein, no CNPQ. Crian\u00e7as eram reprovadas cinco, seis, at\u00e9 sete vezes nos primeiros anos, algumas na alfabetiza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o ingressavam no fundamental. Darcy Ribeiro chamou aten\u00e7\u00e3o para a mesma coisa.<strong>&nbsp;O problema nem \u00e9 a repet\u00eancia em si, como conceito, mas o exagero, a decis\u00e3o indiscriminada e o fato desses alunos voltarem, no ano seguinte, para o mesmo professor sem treinamento para identificar seu problema, a mesma metodologia e o mesmo material did\u00e1tico que n\u00e3o funcionaram<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb) tamb\u00e9m detectou o problema, n\u00e3o?<\/strong><br>Exato. No primeiro, em 1995, alunos reprovados ao menos duas vezes tiveram desempenho pior em l\u00edngua portuguesa e matem\u00e1tica no quinto e nono anos do fundamental e no terceiro m\u00e9dio. Isso foi reproduzido nas edi\u00e7\u00f5es posteriores. O Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o dos Estudantes, o Pisa, realizado pelos pa\u00edses da OCDE com estudantes do fundamental, mostra a mesma realidade desde a primeira participa\u00e7\u00e3o do Brasil, em 2000: alunos reprovados t\u00eam desempenho pior em leitura, matem\u00e1tica e ci\u00eancias. Um relat\u00f3rio feito pelo Pisa em 2018 mostrou que 34% dos estudantes brasileiros de 15 anos haviam repetido ao menos uma vez.<strong>&nbsp;O Brasil ficou em quarto lugar em reprova\u00e7\u00e3o entre 80 pa\u00edses<\/strong>. S\u00f3 deu menos bomba do que Marrocos, L\u00edbano e Col\u00f4mbia. Tudo isso gera problemas sociais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\" id=\"attachment_18401\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/istoe.revistaseditora3.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/11.jpg\" alt=\"\u201cBrasil reprova demais e isso s\u00f3 atrapalha\u201d, diz educadora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro\" class=\"wp-image-18401\" title=\"\u201cBrasil reprova demais e isso s\u00f3 atrapalha\u201d, diz educadora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro 7\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cAo contr\u00e1rio do que pensam, o exagero nas reprova\u00e7\u00f5es ocorre h\u00e1 d\u00e9cadas. Nos anos 1940, estudo de An\u00edsio Teixeira (foto) identificou 60% no primeiro ano prim\u00e1rio, hoje fundamental\u201d (Cr\u00e9dito:Divulga\u00e7\u00e3o )<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Quais?<\/strong><br>De acordo com o censo de 2023, o Pa\u00eds tem 16% de \u00edndice de distor\u00e7\u00e3o entre idade e s\u00e9rie j\u00e1 no 6\u00ba ano fundamental. E 24%, praticamente um aluno a cada quatro, no primeiro ano do m\u00e9dio. S\u00e3o alunos reprovados ao menos duas vezes. \u00c9 muita coisa, mas era pior. Em 2006, o percentual era de 48%. Isso contribui decisivamente para o desemprego entre jovens de 18 a 29 anos e o aumento da legi\u00e3o nem-nem \u2014 nem estuda, nem trabalha.&nbsp;<strong>Na evas\u00e3o escolar, a maior parte come\u00e7a a abandonar a escola entre 13 e 14 anos, quase sempre com apoio dos pais, para trabalhar, fazer bico, cuidar da casa ou de irm\u00e3os mais novos, esses problemas sociais<\/strong>. O excesso de repet\u00eancia s\u00f3 estimula essa evas\u00e3o. A escola brasileira precisa ser boa e pouco hostil para reter essas crian\u00e7as, adolescentes e jovens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que fazer?<\/strong><br>\u00c9 preciso combinar recursos. Primeiro, identificar alunos com aprendizado insuficiente e implantar avalia\u00e7\u00f5es formativas, peri\u00f3dicas, durante o ano. Para eles e os professores. \u00c9 preciso capacitar os professores para implantarem metodologia adequada \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o dos alunos com d\u00e9ficit de aprendizado durante o mesmo ano letivo, materiais adequados a cada caso, para evitar as repeti\u00e7\u00f5es em massa. Algumas redes p\u00fablicas, entre elas as de Pernambuco, Cear\u00e1 e S\u00e3o Paulo, conseguem fazer isso em maior ou menor grau. A do Rio Grande do Sul tinha bons resultados antes da trag\u00e9dia. Veremos ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o. Algumas ONGs e institutos, como o Ayrton Senna, oferecem projetos eficazes de capacita\u00e7\u00e3o de professores, para ajud\u00e1-los a trabalhar com os desn\u00edveis dos alunos nas turmas. O Centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas e Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, o CAEd, tamb\u00e9m faz um bom trabalho na \u00e1rea. O problema \u00e9 que praticamente 80% da oferta escolar do primeiro ao quinto ano fundamental, hoje, \u00e9 feita em escolas p\u00fablicas de munic\u00edpios, muitas carentes de recursos e sem acesso a projetos de capacita\u00e7\u00e3o.&nbsp;<strong>Aluno mal alfabetizado n\u00e3o caminha. O Pa\u00eds precisa resolver o gargalo ou ter\u00e1 o futuro comprometido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A senhora defende o turno integral?<\/strong><br>Sim, mas isso depende de v\u00e1rios aspectos.<strong>&nbsp;H\u00e1 um longo caminho a percorrer. O termo turno integral \u00e9 inven\u00e7\u00e3o brasileira. Nos pa\u00edses bem posicionados, o aluno fica na escola de sete a oito horas por dia. N\u00e3o existe a divis\u00e3o \u2013 os turnos s\u00e3o integrais<\/strong>. Os das escolas da Europa, Chile, Uruguai, M\u00e9xico e Argentina s\u00e3o de, no m\u00ednimo, sete horas di\u00e1rias. O Brasil implantou as quatro horas nos anos 1970, no governo militar. S\u00f3 o prim\u00e1rio era obrigat\u00f3rio. Com a Lei 5692, que tornou obrigat\u00f3rios os oito anos do fundamental, as escolas passaram a ter dois e at\u00e9 tr\u00eas turnos de quatro horas, para dar conta da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A divis\u00e3o foi prejudicial?<\/strong><br>Em termos de resultados educacionais, sim. Pa\u00edses africanos passaram pelo mesmo problema. Depois, os estados do Paran\u00e1, Santa Catarina e Minas Gerais adotaram cinco horas no ensino m\u00e9dio. Em S\u00e3o Paulo, o ex-governador M\u00e1rio Covas optou pelo mesmo per\u00edodo em todos os n\u00edveis. O percentual de turno integral no ensino m\u00e9dio p\u00fablico \u00e9 de 25% no Pa\u00eds e 27% no Estado de S\u00e3o Paulo. A do fundamental \u00e9 menor, 14%, ou algo pr\u00f3ximo disso. O problema \u00e9 que grande parte das escolas ainda precisa dos dois turnos para atender \u00e0 demanda. Ser\u00e1 necess\u00e1rio expandir a estrutura. O Inep tem estudo e profissionais que poder\u00e3o ajudar a conduzir a amplia\u00e7\u00e3o, mas precisaremos ter decis\u00e3o pol\u00edtica e investimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A senhora \u00e9 a favor do homeschooling, a educa\u00e7\u00e3o domiciliar?<\/strong><br><strong>A n\u00e3o ser em casos pontuais, desaprovo<\/strong>. Manifestei-me contra, no Congresso, durante o governo Bolsonaro, em 2019, quando ocupava a presid\u00eancia do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, o CNE. Per\u00edodo complicado\u2026 (risos).<strong>&nbsp;A escola \u00e9 espa\u00e7o de prepara\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o da cidadania. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel formar um cidad\u00e3o pleno sem sociabilidade e intera\u00e7\u00e3o social<\/strong>. \u00c9 o local onde h\u00e1 conhecimento das diferen\u00e7as, pluralismo e distanciamento de preconceitos. Mesmo na Educa\u00e7\u00e3o Especial, que costuma ser usada por defensores do modelo para exalt\u00e1-lo, pesquisas mostram que o melhor caminho \u00e9 o do ambiente escolar. Obviamente h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es. Ambientes de guerra ou conflito, fam\u00edlias isoladas e menores em deslocamento constante s\u00e3o exemplos. Fora isso, escola para todos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\" id=\"attachment_18400\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/istoe.revistaseditora3.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/10.jpg\" alt=\"\u201cBrasil reprova demais e isso s\u00f3 atrapalha\u201d, diz educadora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro\" class=\"wp-image-18400\" title=\"\u201cBrasil reprova demais e isso s\u00f3 atrapalha\u201d, diz educadora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro 8\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cA n\u00e3o ser em casos especiais, pontuais, sou contra o homeschooling. A escola \u00e9 espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o da cidadania. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel formar um cidad\u00e3o pleno sem sociabilidade e intera\u00e7\u00e3o\u201d (Cr\u00e9dito: istockphotos)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A senhora ajudou a idealizar o Enem. Como est\u00e1 vendo a ferramenta?<\/strong><br>O projeto \u00e9 valorizado pelos brasileiros, mas precisa ser atualizado. At\u00e9 mesmo para se adaptar aos itiner\u00e1rios formativos flex\u00edveis ou t\u00e9cnico-profissionais da Nova Lei do Ensino M\u00e9dio. O modelo do Enem, com quest\u00f5es de m\u00faltipla escolha, est\u00e1 parado no tempo. Exames semelhantes no mundo, como o americano e o chin\u00eas, o maior do mundo, passaram por mudan\u00e7as recentes. Entre as mais importantes est\u00e1 a inclus\u00e3o de quest\u00f5es abertas. Aqui temos reda\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. Os alunos precisam exibir conhecimento tamb\u00e9m nas quest\u00f5es, para tornar a avalia\u00e7\u00e3o mais abrangente e precisa.&nbsp;<strong>O Enem ainda \u00e9 feito a l\u00e1pis, caneta e papel. Pa\u00edses bem posicionados nos rankings educacionais adotaram a prova digital<\/strong>. Assim evitaremos aquela parafern\u00e1lia das For\u00e7as Armadas transportando provas pelo Pa\u00eds e refor\u00e7aremos a seguran\u00e7a. O Enem deveria evoluir, em conceito, para algo semelhante ao Pisa. Adotar avalia\u00e7\u00e3o em plataforma digital, que indique compet\u00eancias do aluno. Mas tenho consci\u00eancia de que uma mudan\u00e7a desse porte vir\u00e1 aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas ordens profissionais condicionam a libera\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es para formandos \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o em provas aplicadas por elas. O caso mais conhecido \u00e9 o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que n\u00e3o d\u00e1 aos diplomados em Direito a autoriza\u00e7\u00e3o para advogar enquanto eles n\u00e3o forem aprovados em seu exame. Acha isso correto?<\/strong><br>N\u00e3o. Definitivamente. Exames como o da OAB s\u00e3o avalia\u00e7\u00f5es externas ao sistema educacional. A institui\u00e7\u00e3o oficial de fiscaliza\u00e7\u00e3o de cursos e faculdades e chancela de diplomas \u00e9 o MEC. O minist\u00e9rio possui mecanismos e o dever de fiscalizar os cursos de Direito e qualquer outro.<strong>&nbsp;Se h\u00e1 cursos e faculdades ruins de Direito, e de qualquer outra profiss\u00e3o, que se feche essas unidades com coragem<\/strong>. Avalia\u00e7\u00f5es paralelas n\u00e3o devem, nunca, ser a sa\u00edda. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 lutar por melhoria da qualidade do ensino, fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa e fechamento de institui\u00e7\u00f5es ineficientes. Isso vale para qualquer universidade, faculdade ou curso.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________  <\/p>\n\n\n\n<p>Entrevista concedida para a <strong>Revista Isto \u00c9<\/strong> e publicada em 07 de junho de 2024. Leia o <a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/brasil-reprova-demais-e-isso-so-atrapalha-diz-educadora-maria-helena-guimaraes-de-castro\/\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Helena: &#8220;A escola \u00e9 espa\u00e7o de prepara\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o da cidadania. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel formar um cidad\u00e3o pleno sem sociabilidade e intera\u00e7\u00e3o social&#8221; (Cr\u00e9dito: Ana Paula Paiva) EDITORA3i A suprema maioria dos brasileiros acredita que as escolas fundamentais e m\u00e9dias do Pa\u00eds, sobretudo as p\u00fablicas, reprovam pouco. E que dar bomba \u00e9 positivo em qualquer circunst\u00e2ncia, para o aluno aprender tamb\u00e9m a viver. Nesta entrevista, a&nbsp;educadora, soci\u00f3loga e escritora Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro&nbsp;prova que as teses est\u00e3o equivocadas. \u201cA reprova\u00e7\u00e3o em larga escala \u00e9 um problema antigo do Pa\u00eds. Quanto mais bomba, menos o aluno aprende. 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