{"id":4583,"date":"2024-07-18T12:57:02","date_gmt":"2024-07-18T15:57:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4583"},"modified":"2024-07-26T10:54:58","modified_gmt":"2024-07-26T13:54:58","slug":"ensino-medio-revisitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/ensino-medio-revisitado\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Ensino m\u00e9dio revisitado"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"757\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-1024x757.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4584\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-1024x757.jpeg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-300x222.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-768x568.jpeg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-400x296.jpeg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-811x600.jpeg 811w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01.jpeg 1278w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por <em>Nacim W. Chieco<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Vejo com preocupa\u00e7\u00e3o e certa dose de estranheza as manifesta\u00e7\u00f5es de alvoro\u00e7o e entusiasmo com a recente lei do ensino m\u00e9dio, aprovada no Congresso Nacional e em vias de san\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito continua sendo o de motivar os jovens a ingressar, permanecer e concluir essa etapa da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, com um desenho curricular moderno, flex\u00edvel e atraente. Busca-se combater, assim, a acentuada evas\u00e3o e o n\u00e3o ingresso.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, h\u00e1 alguma coisa positiva nessa nov\u00edssima reforma. Tamb\u00e9m se fala em reforma da reforma. Prefiro ensino m\u00e9dio revisitado. Destaca-se, desde logo, o aumento da carga hor\u00e1ria de conhecimentos gerais, de 1.800 para 2.400 horas. Mas p\u00e1ra por a\u00ed. Os chamados itiner\u00e1rios formativos \u2013 linguagens, matem\u00e1tica, ci\u00eancias humanas, ci\u00eancias da natureza e ensino t\u00e9cnico e profissional \u2013 para completar o m\u00ednimo de 3.000 horas, continuam praticamente os mesmos. Estes com uma relevante e salutar ressalva de que devem ser regulados pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), prevenindo-se, dessa forma, o caos resultante da reforma de 2017. Trata-se, portanto, de ajuste e aprimoramento da norma anterior, ou seja, uma revisitada com mudan\u00e7as pouco profundas. Nem poderia ser diferente, tendo em vista a conjuntura pol\u00edtica e a relatoria na C\u00e2mara dos Deputados, cujo texto acabou prevalecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da Lei n\u00b0 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, do que passou a ser chamado novo ensino m\u00e9dio (NEM), manifestei-me em artigo publicado no s\u00edtio da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o (APE) sob o t\u00edtulo \u201cReforma do ensino m\u00e9dio: prevenindo o caos\u201d. Apontava, \u00e0 \u00e9poca, as dificuldades operacionais das bases humanas e f\u00edsicas, e, sobretudo, os previs\u00edveis desencontros entre as demandas dos alunos e as ofertas dos itiner\u00e1rios pelas escolas. Sugeria, para a ameniza\u00e7\u00e3o desses obst\u00e1culos, provid\u00eancias imediatas de amplia\u00e7\u00e3o e melhoria das redes f\u00edsicas de ensino e de valoriza\u00e7\u00e3o dos professores e demais profissionais escolares. Para concilia\u00e7\u00e3o entre demanda e oferta, recomendava o envolvimento estrat\u00e9gico de cada comunidade na defini\u00e7\u00e3o dos itiner\u00e1rios a oferecer. Na pr\u00e1tica, nada disso aconteceu. Mantenho as sugest\u00f5es que fiz \u00e0quela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 2023, expressei meu desencanto no texto \u201cNovo ensino m\u00e9dio: caos instalado\u201d, tamb\u00e9m publicado no citado s\u00edtio. Lamentavelmente, meu agouro se concretizava. Em S\u00e3o Paulo, para exemplificar, na fase dos itiner\u00e1rios a oferta se tornou uma fragment\u00e1ria e, em certos casos, banalizadora ciranda curricular. As insatisfa\u00e7\u00f5es de alunos e fam\u00edlias se avolumaram, principalmente pela sens\u00edvel queda de conhecimentos requeridos para ingresso no ensino superior.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo governo federal determina, em 2023, uma parada geral para consulta aos diretamente envolvidos: escolas, alunos e comunidades. A partir dos resultados e de press\u00f5es corporativas e pol\u00edticas, o executivo envia o projeto de mudan\u00e7a que, ap\u00f3s discuss\u00e3o e ajustes pontuais, encontra-se na mesa presidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Com pesar, digo que s\u00e3o equivocadas as &nbsp;alegres e tr\u00eafegas manifesta\u00e7\u00f5es sobre os pretendidos e louvados benef\u00edcios da nova Lei. Continuar\u00e3o presentes as mesmas dificuldades e obst\u00e1culos operacionais para a sua implanta\u00e7\u00e3o. Concordo que os curr\u00edculos precisam ser constantemente aprimorados e alinhados \u00e0s demandas sociais e aos avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos. Acontece que, al\u00e9m e mais crucial que o curr\u00edculo, o nosso problema atual se resume no trip\u00e9: escola-professor-aluno.<\/p>\n\n\n\n<p>A escola precisa de condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas adequadas para um ensino de boa qualidade e para a oferta dos itiner\u00e1rios. Salas de aula, laborat\u00f3rios, espa\u00e7os profissionalizantes ou parcerias com entidades especializadas e demais ambientes de ensino e de socializa\u00e7\u00e3o. Tais condi\u00e7\u00f5es, salvo honrosas exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existem nas redes p\u00fablicas em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de avan\u00e7os nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas, os professores brasileiros ainda est\u00e3o longe de uma valoriza\u00e7\u00e3o realmente condizente com a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o no desenvolvimento humano sustentado. Nessa mesma linha, encontra-se a figura central do funcionamento da escola que \u00e9 o diretor. E mais, a escola \u00e9 um corpo que requer um conjunto diversificado de profissionais qualificados para o bom atendimento aos usu\u00e1rios. Nesse aspecto, ao que se sabe, a situa\u00e7\u00e3o reinante chega ser sofr\u00edvel nas escolas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Alunos ou candidatos ao ensino m\u00e9dio s\u00e3o os jovens na faixa de 15 aos 17 anos de idade. \u00c9 nessa faixa, justamente, que esse jovem, na grande maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira, precisa trabalhar para ajudar e complementar o or\u00e7amento familiar. N\u00e3o est\u00e1 comprovado que o jovem abandona ou nem mesmo ingressa no ensino m\u00e9dio por culpa do curr\u00edculo. \u00c9 a necessidade econ\u00f4mica, prezado leitor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 curr\u00edculo que erradique as mazelas e mis\u00e9rias que assolam o nosso ensino m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, as otimistas an\u00e1lises e previs\u00f5es atuais n\u00e3o est\u00e3o mencionando um dado que pode contribuir fortemente para o ingresso e perman\u00eancia do jovem no ensino m\u00e9dio. \u00c9 o incentivo financeiro, na modalidade poupan\u00e7a, institu\u00eddo pelo governo federal, por meio da Lei n\u00b0 14.818, de 16 de janeiro de 2024. A esse respeito, no artigo \u201cSugest\u00f5es para a melhoria do ensino m\u00e9dio brasileiro\u201d, elaborado por equipe de educadores e publicado no jornal <strong>O Estado de S. Paulo, <\/strong>p. A4, 16\/10\/2023, concluiu-se que a bolsa ensino m\u00e9dio \u201cpor si s\u00f3, n\u00e3o soluciona todos os problemas. H\u00e1 outros fatores em jogo, destacando-se a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio e a amplia\u00e7\u00e3o e melhoria da base f\u00edsica. Sem a bolsa, por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de que tal solu\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, pois ela constitui requisito m\u00ednimo indispens\u00e1vel para a realiza\u00e7\u00e3o do almejado ensino m\u00e9dio de excel\u00eancia para todos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, pois, alguma luz no fim do t\u00fanel. N\u00e3o exatamente da suposta e propalada fonte.<\/p>\n\n\n\n<p>SP, 18 de julho de 2024<\/p>\n\n\n\n<p>______________________________________________ <\/p>\n\n\n\n<p>Nacim W. Chieco \u00e9 <em>membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Nacim W. 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