{"id":4792,"date":"2024-09-24T15:14:20","date_gmt":"2024-09-24T18:14:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4792"},"modified":"2024-09-24T15:15:02","modified_gmt":"2024-09-24T18:15:02","slug":"artigo-pro-dia-nascer-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-pro-dia-nascer-feliz\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Pro Dia Nascer Feliz"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"918\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/APE-Cazuza-01-1024x918.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4793\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/APE-Cazuza-01-1024x918.jpeg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/APE-Cazuza-01-300x269.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/APE-Cazuza-01-768x689.jpeg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/APE-Cazuza-01-400x359.jpeg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/APE-Cazuza-01-669x600.jpeg 669w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/APE-Cazuza-01.jpeg 1192w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cazuza em 15 de janeiro de 1985 no Rock in Rio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Hubert Alqu\u00e9res, em seu artigo, reflete sobre a efervesc\u00eancia cultural e pol\u00edtica no Brasil dos anos 80, destacando o primeiro Rock in Rio como s\u00edmbolo do renascimento democr\u00e1tico do pa\u00eds. O festival representou a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a de uma juventude em busca de liberdade ap\u00f3s 20 anos de ditadura. Alqu\u00e9res relaciona o esp\u00edrito daquele tempo com os desafios atuais de coes\u00e3o e identidade nacional&#8221;, Jo\u00e3o Rego na revista Ser\u00e1?.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Hubert Alqu\u00e9res<\/p>\n\n\n\n<p>O regime militar dava seus \u00faltimos suspiros em janeiro de 1985 quando se realizou o primeiro festival Rock in Rio. Um ano antes, as cores verde e amarela tomaram conta das ruas nas grandes manifesta\u00e7\u00f5es da Campanha das Diretas J\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Viv\u00edamos tempos de efervesc\u00eancia social. Havia uma enorme sede de liberdade. Eram tempos de explos\u00e3o cultural e pol\u00edtica. Ap\u00f3s 20 anos de censura, de interdi\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e de cerceamento das liberdades, a juventude brasileira apresentava suas armas: a irrever\u00eancia, a rebeldia, a confian\u00e7a no futuro e um imenso amor ao Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>As Diretas n\u00e3o passaram no Congresso Nacional, mas a esperan\u00e7a continuou viva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de janeiro de 1985 houve uma feliz coincid\u00eancia. Naquele dia o Col\u00e9gio Eleitoral Indireto elegeu Tancredo Neves presidente da Rep\u00fablica, anunciando que, pela via do entendimento e da concilia\u00e7\u00e3o, o regime militar ficaria para tr\u00e1s. \u00c0 noite, a banda Bar\u00e3o Vermelho se apresentou na primeira edi\u00e7\u00e3o do Rock in Rio. Uma multid\u00e3o de 85 mil pessoas, a esmagadora maioria jovens, com a bandeira brasileira nas m\u00e3os e vestida com nossas cores, veio ao del\u00edrio quando Cazuza pegou o microfone e soltou a voz cantando Pro dia nascer feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil acordava ap\u00f3s um pesadelo que durou duas d\u00e9cadas. O timbre da mudan\u00e7a vinha da multid\u00e3o, com seus gritos \u201cViva a democracia!\u201d, \u201cViva Tancredo!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O ator Kadu Moliterno, apresentador das bandas nacionais no evento, decretou que aquele 15 de janeiro era o primeiro dia da democracia. Kid Abelha foi na mesma linha e anunciou sua apresenta\u00e7\u00e3o como o primeiro show da democracia. Aquela multid\u00e3o respirava, e transpirava, brasilidade. Esse sentimento de coes\u00e3o nacional, de confian\u00e7a no futuro, veio das palavras de Cazuza: \u201cAcredito no Brasil novo, com uma rapaziada esperta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem a chuva torrencial foi capaz de afogar o sentimento e os anseios de uma juventude que n\u00e3o queria \u201cs\u00f3 comida\u201d, mas tamb\u00e9m \u201cdivers\u00e3o e arte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 80 o Brasil estava mergulhado numa profunda crise econ\u00f4mica. Viv\u00edamos a chamada d\u00e9cada perdida, mas isso n\u00e3o impediu o sucesso do festival, que viria a se afirmar como um dos maiores eventos de m\u00fasica do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rock in Rio, inspirado no festival de Woodstock, foi palco em sua primeira edi\u00e7\u00e3o de gigantes da m\u00fasica internacional como Queens, Iron Maiden, AC\/DC, Scorpions, entre tantos outros. Sem falar na fina flor do rock brasileiro: Tit\u00e3s, Paralamas do Sucesso, Legi\u00e3o Urbana, Bar\u00e3o Vermelho, Rita Lee.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 250 mil pessoas assistiram ao show do Queen. Fred Mercury, diria anos depois que aquele foi o maior show de sua carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>O Rock in Rio captou, no seu nascimento, o esp\u00edrito de um tempo no qual o Brasil se reencontrava. O reencontro desaguou, na primeira metade dos anos oitenta, numa explos\u00e3o cultural. Na m\u00fasica com a irrever\u00eancia e a consci\u00eancia cr\u00edtica do rock brasileiro, com m\u00fasicas da qualidade de \u201cFaroeste caboclo\u201d, \u201cQue pa\u00eds \u00e9 esse?\u201d, \u201cComida\u201d, \u201cTempo perdido\u201d, \u201cSelvagem\u201d e tantas outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele pa\u00eds retomava sua identidade narrada na obra \u201cViva o Povo Brasileiro\u201d, saga sobre a forma\u00e7\u00e3o do Brasil de autoria do grande escritor Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro e publicada em 1984. Ali aparecia o brasileiro real, com suas virtudes e defeitos. E um pa\u00eds bem diferente do ufanismo dos anos 70, do \u201cPra frente Brasil\u201d e do \u201cBrasil, ame-o ou deixe-o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No cinema, o pa\u00eds livre da censura, produziu obras de grande valor cultural como \u201cO beijo da mulher aranha\u201d, de Hector Babenco, \u201cMem\u00f3rias do C\u00e1rcere\u201d, de Nelson Pereira dos Santos, \u201cPixote, a Lei dos mais fracos\u201d, tamb\u00e9m de Babenco. A hist\u00f3ria recente do Brasil era passada a limpo nos document\u00e1rios \u201cOs anos JK\u201d e \u201cJango\u201d, de S\u00edlvio Tendler.<\/p>\n\n\n\n<p>As p\u00e1ginas obscuras dos anos de chumbo apareciam na tela dos cinemas, mas tamb\u00e9m na literatura, com a volta dos exilados e por meio de livros de ex-presos pol\u00edticos, como \u201cO que \u00e9 isso, companheiro?\u201d, de Fernando Gabeira e \u201cOs Carbon\u00e1rios\u201d, de Alfredo Sirkis.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela juventude presente ao primeiro Rock in Rio e vestida com as cores do nosso pa\u00eds mostrava seu amor ao Brasil e o fazia com o sentido de uni\u00e3o, deixando para tr\u00e1s os tempos partidos para ingressar em tempos de coes\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A juventude sempre foi, \u00e9 e ser\u00e1, irreverente, rebelde e transgressora do status quo. O rock brasileiro dos anos 80 traduzia esses tra\u00e7os. H\u00e1 quase quarenta anos o seu inconformismo aparecia com toda intensidade na m\u00fasica \u201cSelvagem\u201d, cantada pelo Paralamas do Sucesso: \u201cA cidade apresenta suas armas\/Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos\/ E o espanto est\u00e1 nos olhos de quem v\u00ea\/O grande monstro a se criar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio de hoje \u00e9 dar um prop\u00f3sito positivo a tais caracter\u00edsticas, como aconteceu naqueles anos, quando nossos jovens come\u00e7aram a se identificar com uma agenda para al\u00e9m da pol\u00edtica propriamente dita, como meio ambiente, qualidade de vida, busca da felicidade, igualdade de g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio de hoje \u00e9 dar um prop\u00f3sito a uma juventude refugiada nas redes sociais e muitas vezes prisioneira da polariza\u00e7\u00e3o que abala a nossa identidade e nossa conforma\u00e7\u00e3o como um s\u00f3 povo e uma mesma comunh\u00e3o de destino.<\/p>\n\n\n\n<p>A mensagem traduzida nos versos cantados por Cazuza naquele memor\u00e1vel 15 de janeiro de 1985 continua atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Se abrirmos m\u00e3o desse sonho, continuaremos sem saber o calibre do perigo e de onde vem o tiro, como cantou o Paralamas do Sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 passou da hora de nos reencontrarmos.<\/p>\n\n\n\n<p>_____________________________________________  <\/p>\n\n\n\n<p>Hubert Alqu\u00e9res \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Hubert Alqu\u00e9res, em seu artigo, reflete sobre a efervesc\u00eancia cultural e pol\u00edtica no Brasil dos anos 80, destacando o primeiro Rock in Rio como s\u00edmbolo do renascimento democr\u00e1tico do pa\u00eds. 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