{"id":4839,"date":"2024-10-13T14:06:00","date_gmt":"2024-10-13T17:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4839"},"modified":"2025-07-29T13:54:51","modified_gmt":"2025-07-29T16:54:51","slug":"dia-do-professor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/dia-do-professor-2\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Dia do Professor"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"566\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/APE-Walter-vicioni.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4840\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/APE-Walter-vicioni.jpg 681w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/APE-Walter-vicioni-300x249.jpg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/APE-Walter-vicioni-400x332.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Walter Vicioni Gon\u00e7alves *<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8220;Fotografar \u00e9 colocar na mesma linha, a cabe\u00e7a, o olho e o cora\u00e7\u00e3o.&#8221;, Henri Cartier-Bresson<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 2018, o Instituto Moreira Salles apresentou uma mostra de fotografias do malin\u00eas Seydou Keita (1921-2001). Col\u00f4nia francesa, o Mali fazia parte do Sud\u00e3o Franc\u00eas at\u00e9 obter sua independ\u00eancia em 1960. As 130 fotos exibidas na exposi\u00e7\u00e3o foram tiradas na capital Bamako, entre 1948 e 1962 e mostram, na fisionomia dos retratados, um sentimento de posse do pa\u00eds. Possivelmente da pr\u00f3pria hist\u00f3ria e identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Carpinteiro como o pai, Seydou sempre se mostrou habilidoso com as m\u00e3os. Foi, contudo, ao ganhar uma pequena m\u00e1quina fotogr\u00e1fica Kodak de um tio que ele descobriu sua voca\u00e7\u00e3o. A verdadeira. Diferentemente de hoje, com o fot\u00f3grafo Seydou eram apenas \u201cuma pose e um clique\u201d, que revelassem, em preto e branco, a mais bela imagem dos retratados, devido ao elevado custo dos materiais \u00e0 \u00e9poca. Saber fazer, com os recursos de que se disp\u00f5e, \u00e9 um saber essencial \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O est\u00fadio de Seydou ficava perto da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Bamako, e suas fotos revelam o vestu\u00e1rio e o gosto dos visitantes de passagem pela capital, desejosos de parecerem em sintonia com costumes europeus. Um \u00fanico clique revelava a gra\u00e7a e a eleg\u00e2ncia &nbsp;que nem eles acreditavam ou sabiam possuir.<\/p>\n\n\n\n<p>Na busca inconsciente talvez daquilo que Cartier-Bresson chamou de \u201cinstante decisivo\u201d, quando os elementos visuais e emocionais se encaixam harmoniosamente no eixo cabe\u00e7a, olho e &nbsp;cora\u00e7\u00e3o. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, o franc\u00eas tamb\u00e9m recebeu de presente quando menino uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica Box Brownie, brinquedo que marcaria sua vida para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida s\u00e3o os talentos descobertos, nas palavras do consultor de educa\u00e7\u00e3o Ken Robinson. De maneira an\u00e1loga, em suas \u201cLi\u00e7\u00f5es Finlandesas\u201d, Pasi Sahlberg escreve que \u201co prop\u00f3sito da escola deveria ser ajudar cada aluno a descobrir seu pr\u00f3prio talento\u201d. Nem todos t\u00eam ou tiveram um tio para lhes dar um brinquedo que revelasse tal paix\u00e3o, mas quantos de voc\u00eas, caros professores, n\u00e3o foram respons\u00e1veis por ajudar um aluno a encontrar, descobrir, identificar a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes n\u00e3o vivenciamos aquele momento \u00fanico para fazer a diferen\u00e7a na vida de um aluno e, de cabe\u00e7a, olho e cora\u00e7\u00e3o uma \u00fanica pose, um \u00fanico clique, n\u00f3s o ajudamos a \u201csair bem na foto\u201d? A encontrar uma raz\u00e3o para sua exist\u00eancia. Quantos de n\u00f3s, igualmente, n\u00e3o tivemos um professor que nos revelou o mundo? Que nos ajudou encontrar nosso tesouro escondido?<\/p>\n\n\n\n<p>Talentos, dons, tesouros escondidos, d\u00e1 na mesma. A escritora americana Elizabeth Gilbert tem uma frase magistral sobre o tema, em seu livro \u201cGrande Magia\u201d. \u201cAcredito que somos todos reposit\u00f3rios ambulantes de tesouros escondidos e uma das pe\u00e7as mais antigas e generosas que o universo vem pregando em n\u00f3s, seres humanos, \u00e9 que ele enterra estranhas joias bem no fundo de todos n\u00f3s, depois se afasta e fica observando, para ver se conseguimos encontra-las\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste dia do Professor, estimado mestres, eu desejo que voc\u00eas saibam reconhecer e aproveitar os momentos decisivos que a vida lhes oferece e, de cabe\u00e7a, olho e cora\u00e7\u00e3o, possam entender, numa pose ou num clique, o significado de sua exist\u00eancia. Que voc\u00eas encontrem os tesouros escondidos dentro de si e que possam, com igual sabedoria, ajudar seus alunos a descobrir os deles, a tomar posse da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, de seu destino, de sua identidade. Como nos ensinam as li\u00e7\u00f5es finlandesas e as fotos de Seydou Keita. Como nos ensina a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>(*) Walter Vicioni Gon\u00e7alves \u00e9 Titular da Cadeira 36 da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Walter Vicioni Gon\u00e7alves * &#8220;Fotografar \u00e9 colocar na mesma linha, a cabe\u00e7a, o olho e o cora\u00e7\u00e3o.&#8221;, Henri Cartier-Bresson No in\u00edcio de 2018, o Instituto Moreira Salles apresentou uma mostra de fotografias do malin\u00eas Seydou Keita (1921-2001). Col\u00f4nia francesa, o Mali fazia parte do Sud\u00e3o Franc\u00eas at\u00e9 obter sua independ\u00eancia em 1960. As 130 fotos exibidas na exposi\u00e7\u00e3o foram tiradas na capital Bamako, entre 1948 e 1962 e mostram, na fisionomia dos retratados, um sentimento de posse do pa\u00eds. Possivelmente da pr\u00f3pria hist\u00f3ria e identidade. Carpinteiro como o pai, Seydou sempre se mostrou habilidoso com as m\u00e3os. 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