{"id":4951,"date":"2024-11-13T20:02:52","date_gmt":"2024-11-13T23:02:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4951"},"modified":"2024-11-14T23:38:09","modified_gmt":"2024-11-15T02:38:09","slug":"artigo-sistema-dual-de-aprendizagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-sistema-dual-de-aprendizagem\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Sistema dual de aprendizagem"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"757\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-1024x757.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4584\" style=\"width:434px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-1024x757.jpeg 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-300x222.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-768x568.jpeg 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-400x296.jpeg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01-811x600.jpeg 811w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Nacim-Walter-Chieco-01.jpeg 1278w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Por <a href=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/cadeira-no-8\/\" data-type=\"post\" data-id=\"96\">Nacim Walter Chieco<\/a><\/em><\/strong>,\u00a0<strong><em>Membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Releio o artigo do ciclista Michael Fran\u00e7a \u201c<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/michael-franca\/2024\/11\/o-brasil-pode-aprender-com-a-educacao-suica.shtml\">O Brasil pode aprender com a educa\u00e7\u00e3o sui\u00e7a?<\/a>\u201d, publicado na Folha de S. Paulo, de 12 de novembro de 2024, p. A19. Menciono \u201cciclista\u201d, pois esse \u00e9 o in\u00edcio da qualifica\u00e7\u00e3o do autor, talvez para ressaltar uma rara ocorr\u00eancia de esportista intelectual. Enfatizo, tamb\u00e9m, que leio-o sempre, pois aprecio o seu estilo e abordagens.<\/p>\n\n\n\n<p>No citado artigo, por\u00e9m, resultante de visita \u00e0 Sui\u00e7a patrocinada pela Funda\u00e7\u00e3o Lemann, pisou na bola (usando uma conhecida figura de linguagem futebol\u00edstica). Observou e enalteceu o sistema dual de forma\u00e7\u00e3o profissional naquele pa\u00eds. Desconsidera que o Brasil conhece e pratica tal sistema h\u00e1 cerca de oito d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A interroga\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo do artigo ameniza o prov\u00e1vel desconhecimento do autor dos meandros da educa\u00e7\u00e3o profissional no Brasil, particularmente da aprendizagem profissional. Fa\u00e7o aqui uma brev\u00edssima nota sobre essa importante estrat\u00e9gia formativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado foram criadas e oficializadas as Escolas de Aprendizes e Art\u00edfices em nosso pa\u00eds. Por exemplo, o Liceu de Artes e Of\u00edcios de S\u00e3o Paulo, o conhecido LAO, tem presen\u00e7a marcante na forma\u00e7\u00e3o de renomados artes\u00e3os e na produ\u00e7\u00e3o de relevantes obras arquitet\u00f4nicas e pl\u00e1sticas nesta Capital.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"609\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4952\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-1.png 800w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-1-300x228.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-1-768x585.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-1-400x305.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-1-788x600.png 788w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Liceu de Artes e Of\u00edcios de S\u00e3o Paulo foi criado em 1873<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 40, ainda sob o Estado Novo, foram criados os Servi\u00e7os Nacionais de Aprendizagem, o Senai da ind\u00fastria e o Senac do com\u00e9rcio, destinados a formar trabalhadores para os setores produtivos. No caso da ind\u00fastria, as empresas eram obrigadas a matricular e manter cotas de aprendizes no Senai. Era uma forma de induzir o atendimento \u00e0 demanda de m\u00e3o de obra qualificada para a ind\u00fastria em expans\u00e3o, em conson\u00e2ncia com a pol\u00edtica de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es por ocasi\u00e3o da Segunda Grande Guerra. Nessa \u00e9poca ficaram seriamente prejudicadas a importa\u00e7\u00e3o de produtos industrializados e a migra\u00e7\u00e3o de profissionais capacitados, principalmente europeus. Os referidos Servi\u00e7os cresceram, evolu\u00edram e se consolidaram como relevantes provedores de qualifica\u00e7\u00e3o profissional de trabalhadores no Brasil. S\u00e3o internacionalmente respeitados e reconhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Senai de S\u00e3o Paulo foi estruturado e organizado, n\u00e3o por acaso, pelo engenheiro e professor su\u00ed\u00e7o Roberto Mange. Ele trouxe para o Brasil a experi\u00eancia e tradi\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7as de aprendizagem, sob o pressuposto do \u201caprender fazendo\u201d. Teoria e pr\u00e1tica indissol\u00faveis. E houve, desde o in\u00edcio e at\u00e9 hoje, parcerias de aprendizagem dual, principalmente com empresas su\u00ed\u00e7as e alem\u00e3s, com diferentes combina\u00e7\u00f5es de dias da semana de aprendizagem na escola e outros dias na empresa. Caracteriza-se, assim, o sistema dual como a aprendizagem desenvolvida na escola durante um per\u00edodo semanal e a pr\u00e1tica profissional curricular em outro per\u00edodo em ambiente real de trabalho na empresa. Tal estrat\u00e9gia n\u00e3o se disseminou por raz\u00f5es de pol\u00edticas de recursos humanos e de custos das empresas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"702\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-1024x702.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4953\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-1024x702.png 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-300x206.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-768x526.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-320x218.png 320w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-160x110.png 160w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-400x274.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2-876x600.png 876w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-2.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Senai de S\u00e3o Paulo foi estruturado e organizado pelo engenheiro e professor su\u00ed\u00e7o Roberto Mange<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No ano de 2000, a obrigatoriedade de cota de aprendizes, de 5 a 15% do quadro de trabalhadores qualificados de cada estabelecimento, foi legalmente estendida aos demais setores produtivos. Outras entidades e organiza\u00e7\u00f5es similares passaram a oferecer aprendizagem. Essa modalidade formativa \u00e9 um um instituto jur\u00eddico que associa estruturalmente forma\u00e7\u00e3o e emprego de jovens de 14 a 24 anos. Atualmente, h\u00e1 projeto de Estatuto do Aprendiz tramitando no Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 certa, nossa tradi\u00e7\u00e3o cultural ainda \u00e9 fortemente bacharelesca, como muitos estudiosos j\u00e1 demonstraram. Diferente do esp\u00edrito de valoriza\u00e7\u00e3o das profiss\u00f5es n\u00e3o universit\u00e1rias nos pa\u00edses europeus. Nisso o mencionado artigo clama e acerta. Temos de mudar radicalmente a forma de encarar as profiss\u00f5es que n\u00e3o requerem o ensino superior. Passo essencial para superarmos a condi\u00e7\u00e3o de pais predominantemente produtor e fornecedor de <em>comodities <\/em>prim\u00e1rias sem valor agregado. N\u00e3o significa que, nesse campo, est\u00e3o errados o agroneg\u00f3cio e a minera\u00e7\u00e3o. Devem continuar e expandir a produ\u00e7\u00e3o e oferta de produtos mundialmente demandados. A ind\u00fastria precisa avan\u00e7ar vigorosamente em diversifica\u00e7\u00e3o, em produtividade e em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e organizacional. Nessa linha, a educa\u00e7\u00e3o profissional, inclu\u00edda a aprendizagem, constitui suporte indispens\u00e1vel das pol\u00edticas p\u00fablicas de desenvolvimento econ\u00f4mico e social da na\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nacim Walter Chieco,\u00a0Membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Releio o artigo do ciclista Michael Fran\u00e7a \u201cO Brasil pode aprender com a educa\u00e7\u00e3o sui\u00e7a?\u201d, publicado na Folha de S. Paulo, de 12 de novembro de 2024, p. A19. Menciono \u201cciclista\u201d, pois esse \u00e9 o in\u00edcio da qualifica\u00e7\u00e3o do autor, talvez para ressaltar uma rara ocorr\u00eancia de esportista intelectual. Enfatizo, tamb\u00e9m, que leio-o sempre, pois aprecio o seu estilo e abordagens. No citado artigo, por\u00e9m, resultante de visita \u00e0 Sui\u00e7a patrocinada pela Funda\u00e7\u00e3o Lemann, pisou na bola (usando uma conhecida figura de linguagem futebol\u00edstica). 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