{"id":4997,"date":"2024-12-09T17:27:55","date_gmt":"2024-12-09T20:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=4997"},"modified":"2024-12-10T17:36:51","modified_gmt":"2024-12-10T20:36:51","slug":"artigo-posso-melhorar-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-posso-melhorar-a-cidade\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Posso melhorar a cidade?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/v2\/D76MX6SVCRDO3KJOV2XHIBMWM4.jpg?quality=80&amp;auth=386e968443b5155ed7fca4ea99eee9001dcfae74e089b908b5b268ec12ab4d45&amp;width=320&amp;height=350&amp;smart=true\" alt=\"Foto do autor Jos\u00e9 Renato Nalini\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Werther Santana\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>por Jos\u00e9 Renato Nalini. <\/p>\n\n\n\n<p>Somos cidad\u00e3os, em v\u00e1rios sentidos. Vivemos na polis, na cidade. Precisamos participar da vida citadina. \u00c9 meu direito, mas, tamb\u00e9m, minha obriga\u00e7\u00e3o. O constituinte de 1988 acenou com uma Democracia Participativa, ante a evid\u00eancia de que a Democracia Representativa necessitava de uma reformata\u00e7\u00e3o. Uma das f\u00f3rmulas de participar da vida da cidade \u00e9 n\u00e3o apenas interessar-se por ela, aproximar-se da gest\u00e3o municipal, mas tamb\u00e9m contribuir com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, acompanhando-a, fiscalizando-a, monitorando-a.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as cidades do mundo est\u00e3o tomando provid\u00eancias para repensar seus bairros, de maneira a torna-los mais agrad\u00e1veis, saud\u00e1veis e compactos. V\u00e1rias op\u00e7\u00f5es t\u00eam sido adotadas, para inverter a l\u00f3gica irracional que durante muito tempo inspirou as gest\u00f5es locais: servir prioritariamente ao autom\u00f3vel do que aos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, \u00e9 preciso redesenhar as ruas e cal\u00e7adas, que s\u00e3o espa\u00e7os de passagem e devem ser edificadas para o cidad\u00e3o, para o pedestre, para o ciclista, n\u00e3o para o carro. Tornar os ambientes mais acess\u00edveis j\u00e1 melhora muito a qualidade de vida municipal. Existe uma padroniza\u00e7\u00e3o universal para que as cal\u00e7adas e passagens contem com aquele desenho generalizado, preparado para atender pessoas com mobilidade reduzida, de todas as idades e com cadeiras de rodas, hoje motorizadas, e carrinhos de beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Um segredo que deve ser compartilhado por toda a popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 o de que a melhor amiga da vida humana se chama \u00e1rvore. A arboriza\u00e7\u00e3o de cal\u00e7adas, quintais e \u00e1reas p\u00fablicas e particulares melhora em muito o microclima local. Ajuda a reduzir os efeitos das ilhas de calor e auxilia a drenagem urbana. Isso reduz os impactos das intensas precipita\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m contribui para maior aprazibilidade das cidades, a amplia\u00e7\u00e3o do mobili\u00e1rio urbano. Bancos, mesas, playground feitos com materiais sustent\u00e1veis, aparelhos para gin\u00e1stica, al\u00e9m de trazerem conforto, se transformam em espa\u00e7os de lazer para os moradores. Isso otimiza o uso do espa\u00e7o p\u00fablico e aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra excelente iniciativa \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de hortas e pomares urbanos. Hortas comunit\u00e1rias congregam a vizinhan\u00e7a, melhoram a sa\u00fade mental dos mun\u00edcipes, fornecem alimento para consumo local, atraem animais silvestres. O conv\u00edvio entre pessoas que se entret\u00eam no trato da terra e do cultivo \u00e9 um dos mais relevantes fatores de prolongamento da vida saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente a ado\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis, mediante instala\u00e7\u00e3o de sistema de energias como a solar e a fotovoltaica, em espa\u00e7os p\u00fablicos e privados. Isso reduz a depend\u00eancia de matrizes poluentes. O transporte tamb\u00e9m precisa merecer apenas combust\u00edvel limpo, com abandono gradual do venenoso petr\u00f3leo. Como diz Carlos Nobre, mais carros el\u00e9tricos na cidade sinalizam economia de mortes precoces. Muitas vidas ser\u00e3o salvas se os atuais ve\u00edculos movidos a combust\u00edvel f\u00f3ssil forem substitu\u00eddos por aqueles nutridos por etanol, biometano, biog\u00e1s, eletricidade e outras fontes verdes.<\/p>\n\n\n\n<p>Otimizar o aproveitamento de equipamentos p\u00fablicos em diferentes momentos do dia e da semana \u00e9 algo que confere um upgrade significativo \u00e0 cidade. Tamb\u00e9m permitir a utiliza\u00e7\u00e3o de escolas e demais edif\u00edcios p\u00fablicos para outras atividades, principalmente para propiciar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o um refrig\u00e9rio em dias de elevada temperatura, \u00e9 provid\u00eancia benfazeja.<\/p>\n\n\n\n<p>De igual forma, reduzir o espa\u00e7o reservado ao tr\u00e2nsito para convert\u00ea-lo em \u00e1rea de conv\u00edvio \u00e9 outra iniciativa exemplar. Os \u201cjardins de bolso\u201d ou \u201cpocket parks\u201d, com assentos, mesas e arboriza\u00e7\u00e3o adequada, constituem um o\u00e1sis de que as cidades t\u00eam crescente necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A prioridade, nas cidades, deve ser sempre o pedestre. Isso j\u00e1 \u00e9 v\u00e1lido em locais bem civilizados, como T\u00f3quio e Paris. Aqui, s\u00e3o abundantes as placas \u201cLa priorit\u00e9 est le pieton\u201d. Aqui no Brasil, ainda deixamos muito a desejar nesse \u00edndice civilizat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso ter coragem para deixar o centro para os pedestres, para dificultar o acesso de ve\u00edculos a determinadas partes da cidade, para adotar o \u201ctrafic calming\u201d, elevando-se o leito carro\u00e7\u00e1vel para o n\u00edvel do passeio e aumento da \u00e1rea destinada \u00e0 mobilidade ativa, seja com o andar a p\u00e9 ou de bicicleta. Tamb\u00e9m \u00e9 urgente a multiplica\u00e7\u00e3o de ciclovias e de faixas para o fluxo de pedestre, j\u00e1 que isso d\u00e1 mais seguran\u00e7a para o tr\u00e1fego de pessoas e ciclistas, al\u00e9m de desafogar o tr\u00e2nsito. Tamb\u00e9m os passeios merecem um olhar especial. Trocar o concreto por materiais que permitam melhor absor\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e instalar rampas para dar acesso universal, atendem \u00e0 necessidade de preparo da cidade para o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidadania tem o direito-dever de oferecer mais sugest\u00f5es. Afinal, \u00e9 na cidade que se desenvolvem nossas atividades e acontece a nossa vida. Cuidemos dela, melhoremos suas condi\u00e7\u00f5es, tornemo-las como as desejamos. A responsabilidade tamb\u00e9m \u00e9 nossa, n\u00e3o apenas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>__________________________________  <\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Renato Nalini \u00e9 membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, Reitor da Uniregistral, docente da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Uninove e secret\u00e1rio executivo das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n\n\n\n<p>Artigo originalmente publicado no Blog do Fausto Macedo no Estad\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Jos\u00e9 Renato Nalini. Somos cidad\u00e3os, em v\u00e1rios sentidos. Vivemos na polis, na cidade. Precisamos participar da vida citadina. \u00c9 meu direito, mas, tamb\u00e9m, minha obriga\u00e7\u00e3o. O constituinte de 1988 acenou com uma Democracia Participativa, ante a evid\u00eancia de que a Democracia Representativa necessitava de uma reformata\u00e7\u00e3o. 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