{"id":5094,"date":"2023-10-31T23:21:00","date_gmt":"2023-11-01T02:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5094"},"modified":"2025-01-29T23:29:48","modified_gmt":"2025-01-30T02:29:48","slug":"artigo-a-paz-morreu-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-a-paz-morreu-2\/","title":{"rendered":"Artigo \u2013 A paz morreu?"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"601\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/APE-Hubert-02.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3451\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/APE-Hubert-02.jpeg 681w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/APE-Hubert-02-300x265.jpeg 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/APE-Hubert-02-400x353.jpeg 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/APE-Hubert-02-680x600.jpeg 680w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Acad\u00eamico Hubert Alqu\u00e9res, presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, escreve artigo sobre a guerra na Faixa de Gaza: \u201c\u00e9 imperioso reconectar-se com o esp\u00edrito dos Acordos de Oslo, quando pol\u00edticos do porte de Itzhaki Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat deram uma chance \u00e0 paz e por isso mereceram o Pr\u00eamio Nobel da Paz de 1994\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>por Hubert Alqu\u00e9res<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa noite de quatro de novembro de 1995, cem mil pessoas se aglomeravam na Pra\u00e7a dos Reis de Israel em Tel Aviv. Realizava-se um com\u00edcio pela paz entre israelenses e palestinos. A multid\u00e3o foi ao del\u00edrio quando o primeiro-ministro Ytzhak Rabin concluiu seu discurso hist\u00f3rico: \u201csempre acreditei que a maioria de n\u00f3s quer a paz e est\u00e1 disposta a morrer por ela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos minutos depois Rabin foi assassinado quando se dirigia ao seu carro. O assassino, Igal Amin, um jovem militante da extrema-direita israelense confessou: \u201dMeu objetivo era eliminar o chamado processo de paz com os palestinos e para alcan\u00e7\u00e1-lo achei que seria melhor eliminar Rabin\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas tiros disparados nas costas de Ytzhak Rabin dizimaram um sonho. Simbolicamente \u00e9 visto como a morte do processo de paz entre dois povos que sempre foram inimigos hist\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco antes disso aconteceram os acordos de Oslo de 1993 onde, por meio de negocia\u00e7\u00f5es secretas, o governo de Israel e a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina de Yasser Arafat se comprometeram a unir esfor\u00e7os pela paz. Passos importantes foram dados: Israel saiu de territ\u00f3rios ocupados e os palestinos passaram a contar com um embri\u00e3o de Estado, a Autoridade Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ataques terroristas do Hamas no \u00faltimo 7 de outubro parecem confirmar a morte definitiva da paz entre palestinos e Israel. O sonho de dois estados tamb\u00e9m pode ter sido soterrado. Com boa dose de raz\u00e3o, uma onda de pessimismo varre o mundo, dado o temor de uma escalada do conflito, generalizando-se para toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O risco existe, mas consider\u00e1-lo como irrevers\u00edvel pode levar \u00e0 paralisia e a ignorar que n\u00e3o h\u00e1, para israelenses e palestinos, uma alternativa segura sen\u00e3o a paz definitiva. Ela s\u00f3 acontecer\u00e1 se for assegurada a exist\u00eancia dos estados de Israel e da Palestina e se as for\u00e7as interessadas na radicaliza\u00e7\u00e3o exponencial do conflito armado forem isoladas e derrotadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso n\u00e3o confundir o Estado de Israel com o governo fundamentalista e de extrema-direita de Netanyahu. Desde 1996, quando chegou ao poder pela primeira vez, Netanyahu teve como estrat\u00e9gia avan\u00e7ar em territ\u00f3rios palestinos, particularmente na Cisjord\u00e2nia, por meio de novos assentamentos de judeus. Antes, quando foram sacramentados os acordos de Oslo, existiam 200 mil assentados em territ\u00f3rios palestinos. Hoje, trinta anos depois s\u00e3o 700 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu outro objetivo foi o enfraquecimento da Autoridade Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus planos naufragaram com o 7 de Outubro. Seu fracasso em garantir seguran\u00e7a para os israelenses o leva agora a tentar uma guerra final contra os palestinos. Seu objetivo \u00e9 promover a di\u00e1spora palestina, com o \u00eaxodo de seus habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Netanyahu tenta se apropriar do apoio do mundo democr\u00e1tico ao direito de Israel de se defender e de enfrentar militarmente o Hamas. A opini\u00e3o p\u00fablica mundial, n\u00e3o est\u00e1, contudo, avalizando a ocupa\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza ou a\u00e7\u00f5es que violem o direito internacional. Esse \u00e9 o sentido do alerta do presidente americano, Joe Biden, de que o \u201cHamas deve ser derrotado, mas Israel ocupar Gaza \u00e9 um erro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Biden reconheceu ainda o direito dos palestinos de ter o seu pr\u00f3prio Estado e na visita que procurou fazer \u00e0 regi\u00e3o quis abrir di\u00e1logo com o polo moderado do mundo \u00e1rabe, com vistas a fortalec\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Israel \u00e9 um estado democr\u00e1tico, com uma opini\u00e3o p\u00fablica din\u00e2mica e de valores ocidentais. Ela foi \u00e0s ruas quando Netanyahu tentou usurpar poderes do Judici\u00e1rio. Seu estado tem mecanismos democr\u00e1ticos para a altern\u00e2ncia do poder. Isso aconteceu em 1973, quando o governo de Golda Meyer foi surpreendido pela invas\u00e3o da S\u00edria e do Egito. No m\u00e9dio prazo, for\u00e7as moderadas israelenses podem se constituir em governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode confundir o Hamas com os palestinos. Pesquisas indicam que mesmo na Faixa de Gaza, 64% da popula\u00e7\u00e3o preferem o caminho da negocia\u00e7\u00e3o com Israel e apenas 12% confiam no Hamas.&nbsp; Os palestinos tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas do terror e s\u00e3o usados como escudo humano. Se dependesse da vontade dos palestinos, viveriam em uma sociedade laica e democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de Israel, n\u00e3o h\u00e1 no territ\u00f3rio dominado pelo Hamas mecanismos democr\u00e1ticos para a altern\u00e2ncia do poder. O grupo terrorista chegou ao poder em 2006, quando ganhou as elei\u00e7\u00f5es, mas um ano depois expulsou a Autoridade Palestina da Faixa de Gaza e estabeleceu uma ditadura fundamentalista.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 ser\u00e1 deslocado pela combina\u00e7\u00e3o do enfrentamento militar com sua derrota pol\u00edtica. Pelo seu isolamento e o fortalecimento da Autoridade Palestina, uma for\u00e7a moderada que firmou posi\u00e7\u00e3o clara ao declarar sua op\u00e7\u00e3o pela pol\u00edtica e pela resist\u00eancia pac\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>A alternativa \u00e0 paz \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o em escala infinitamente ampliada do enfrentamento dado ao Estado Isl\u00e2mico na S\u00edria. O ISIS foi exterminado, mas 20 mil pessoas foram mortas. Caso essa seja a op\u00e7\u00e3o, como defende o governo de Netanyahu, o derramamento de sangue ser\u00e1 superior, dada a densidade demogr\u00e1fica na faixa de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso fugir da armadilha da mata escura. De um lado, Netanyahu ver como solu\u00e7\u00e3o final a anexa\u00e7\u00e3o total da Cisjord\u00e2nia e da Faixa de Gaza, com a expuls\u00e3o dos palestinos. E, de outro, a solu\u00e7\u00e3o final do Hamas que \u00e9 eliminar o Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imperioso reconectar-se com o esp\u00edrito de Oslo, quando pol\u00edticos do porte de Itzhaki Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat deram uma chance \u00e0 paz e por isso mereceram o Pr\u00eamio Nobel da Paz de 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 \u00e9poca, Rabin percebeu que n\u00e3o havia mais condi\u00e7\u00e3o de manter os palestinos como subcidad\u00e3os em seu pr\u00f3prio solo. S\u00e3o extremamente atuais suas palavras, quando recebeu o Nobel: \u201cCemit\u00e9rios militares em todos os cantos do mundo s\u00e3o um testemunho silencioso do fracasso dos l\u00edderes nacionais em santificar a vida humana.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O ataque a um hospital da Faixa de Gaza, no qual centenas de civis palestinos foram mortos, a maioria crian\u00e7as e mulheres, e os gigantescos bombardeios que Israel tem assolado a Faixa de Gaza nos \u00faltimos dias, vitimando mais inocentes, imp\u00f5e aos l\u00edderes da comunidade internacional encontrar caminhos para estancar a insanidade da guerra no Oriente M\u00e9dio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________<\/p>\n\n\n\n<p>Hubert Alqu\u00e9res \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, diretor do Col\u00e9gio Bandeirantes e vice-presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Acad\u00eamico Hubert Alqu\u00e9res, presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, escreve artigo sobre a guerra na Faixa de Gaza: \u201c\u00e9 imperioso reconectar-se com o esp\u00edrito dos Acordos de Oslo, quando pol\u00edticos do porte de Itzhaki Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat deram uma chance \u00e0 paz e por isso mereceram o Pr\u00eamio Nobel da Paz de 1994\u201d. por Hubert Alqu\u00e9res \u201cNa noite de quatro de novembro de 1995, cem mil pessoas se aglomeravam na Pra\u00e7a dos Reis de Israel em Tel Aviv. 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