{"id":5126,"date":"2025-03-03T13:51:20","date_gmt":"2025-03-03T16:51:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5126"},"modified":"2025-03-03T13:51:21","modified_gmt":"2025-03-03T16:51:21","slug":"lajolo-e-a-formacao-da-leitura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/lajolo-e-a-formacao-da-leitura-no-brasil\/","title":{"rendered":"Lajolo e a forma\u00e7\u00e3o da leitura no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"364\" height=\"522\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Formacao-da-Leitura-no-Brasil-de-Marisa-Lajolo-e-Regina-Zilberman_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5127\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Formacao-da-Leitura-no-Brasil-de-Marisa-Lajolo-e-Regina-Zilberman_.jpg 364w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Formacao-da-Leitura-no-Brasil-de-Marisa-Lajolo-e-Regina-Zilberman_-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 364px) 100vw, 364px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O livro &#8220;A Forma\u00e7\u00e3o da Leitura no Brasil&#8221;<\/strong>, de Marisa Lajolo e Regina Zilberman, oferece uma an\u00e1lise aprofundada sobre o desenvolvimento das pr\u00e1ticas de leitura no pa\u00eds. As autoras tra\u00e7am a trajet\u00f3ria desde o per\u00edodo colonial at\u00e9 meados do s\u00e9culo XIX, destacando fatores que influenciaram a consolida\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico leitor no Brasil. Marisa Lajolo procurou fazer &#8220;um tra\u00e7ado consistente do nascimento, da consolida\u00e7\u00e3o e das transforma\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas de leitura da sociedade brasileira, sem ignorar o fato de que cada \u00e9poca, cada obra e cada autor trazem consigo caracter\u00edsticas pr\u00f3prias&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os aspectos abordados, est\u00e1 a quest\u00e3o do pre\u00e7o do livro, uma preocupa\u00e7\u00e3o que remonta ao s\u00e9culo XIX e que permanece atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma cr\u00f4nica de 1840, Santiago Nunes Ribeiro j\u00e1 expressava inc\u00f4modo com o custo elevado dos livros. Hoje, essa percep\u00e7\u00e3o persiste entre leitores e estudantes, que frequentemente apontam o pre\u00e7o como uma barreira ao acesso \u00e0 leitura. No entanto, dados recentes oferecem uma perspectiva mais complexa sobre essa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa <strong>&#8220;Panorama do Consumo de Livros&#8221;<\/strong>, realizada pela C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) e pela Nielsen BookData, o pre\u00e7o m\u00e9dio do livro no pa\u00eds caiu <strong>36% em termos reais desde 2006<\/strong>. Al\u00e9m disso, o estudo revelou que uma parcela significativa dos consumidores <strong>n\u00e3o considera o livro nem barato nem caro<\/strong>. Especificamente, <strong>48% dos entrevistados<\/strong> classificaram os livros de entretenimento e lazer dessa forma, enquanto <strong>40% tiveram a mesma percep\u00e7\u00e3o<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o aos livros infantis e juvenis.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os livros escolares e os voltados para aprimoramento pessoal e profissional foram considerados caros pela maioria dos entrevistados, com <strong>55% e 41%<\/strong>, respectivamente, expressando essa opini\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados sugerem que a percep\u00e7\u00e3o sobre o pre\u00e7o dos livros varia conforme o segmento e o p\u00fablico-alvo. Enquanto alguns g\u00eaneros s\u00e3o vistos como acess\u00edveis, outros ainda enfrentam a barreira do custo elevado. Portanto, embora a impress\u00e3o de muitos seja de que os livros n\u00e3o s\u00e3o caros, \u00e9 importante reconhecer que essa percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 universal e que fatores como o tipo de livro e o perfil do leitor influenciam significativamente essa avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, outro aspecto relevante para a discuss\u00e3o do acesso \u00e0 leitura no Brasil \u00e9 a <strong>forma\u00e7\u00e3o de novos leitores<\/strong>. A pesquisa <strong>&#8220;Retratos da Leitura no Brasil&#8221;<\/strong>, conduzida pelo Instituto Pr\u00f3-Livro, apontou uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de leitores no pa\u00eds, indicando que <strong>53% dos brasileiros n\u00e3o leram nenhum livro nos tr\u00eas meses anteriores ao levantamento<\/strong>. Esse dado sugere que o pre\u00e7o, embora um fator relevante, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico obst\u00e1culo para o crescimento do h\u00e1bito da leitura. Quest\u00f5es como a falta de tempo, o incentivo \u00e0 leitura na inf\u00e2ncia e a presen\u00e7a do livro no cotidiano das pessoas tamb\u00e9m exercem influ\u00eancia direta sobre esse cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a amplia\u00e7\u00e3o do acesso ao livro e o fortalecimento da cultura leitora no Brasil demandam iniciativas que v\u00e3o al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Para Hubert Alqu\u00e9res, presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e vice-presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro, &#8220;s\u00e3o fundamentais pol\u00edticas p\u00fablicas, programas de incentivo e a valoriza\u00e7\u00e3o da leitura no ambiente escolar e familiar&#8221;. Para ele, &#8220;a disponibilidade de livros acess\u00edveis \u00e9 fundamental, mas tornar o Brasil um pa\u00eds de leitores exige um esfor\u00e7o coletivo que passe pela educa\u00e7\u00e3o, pela difus\u00e3o da leitura como pr\u00e1tica cultural e pelo reconhecimento do livro como um bem essencial.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro &#8220;A Forma\u00e7\u00e3o da Leitura no Brasil&#8221;, de Marisa Lajolo e Regina Zilberman, oferece uma an\u00e1lise aprofundada sobre o desenvolvimento das pr\u00e1ticas de leitura no pa\u00eds. As autoras tra\u00e7am a trajet\u00f3ria desde o per\u00edodo colonial at\u00e9 meados do s\u00e9culo XIX, destacando fatores que influenciaram a consolida\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico leitor no Brasil. 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