{"id":5522,"date":"2025-07-22T16:55:26","date_gmt":"2025-07-22T19:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5522"},"modified":"2025-07-22T16:55:27","modified_gmt":"2025-07-22T19:55:27","slug":"artigo-o-eterno-debate-da-reprovacao-escolar-o-retrocesso-volta-a-discussao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-o-eterno-debate-da-reprovacao-escolar-o-retrocesso-volta-a-discussao\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; O Eterno Debate da Reprova\u00e7\u00e3o Escolar: o retrocesso volta \u00e0 discuss\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"605\" height=\"361\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5523\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-3.png 605w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-3-300x179.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-3-400x239.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Francisco Carbonari<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em confer\u00eancia proferida em 1956, o professor Almeida J\u00fanior, rec\u00e9m-chegado de um encontro da UNESCO, comentava o enfrentamento da repet\u00eancia adotada por alguns pa\u00edses europeus. Referindo-se \u00e0 pr\u00e1tica inglesa de promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, afirmou:<em>\u201cRece\u00e1vamos que o precon\u00edcio puro e simples da promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, tal como a pratica a Inglaterra, produzisse no Brasil maior alarme do que o causado pela Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quase sete d\u00e9cadas depois,&nbsp;o coment\u00e1riopermanece atual. Recentemente, a Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados aprovou projeto de lei que pro\u00edbe a chamada &#8220;promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica&#8221; de alunos do ensino fundamental e m\u00e9dio. O texto&nbsp;determina que s\u00f3 poder\u00e1 passar de ano quem atingir nota m\u00ednima, al\u00e9m de vedar a organiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em ciclos de mais de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Retorna&nbsp;\u00e0 cena, a velha cren\u00e7a de que a m\u00e1 qualidade do ensino brasileiro est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 impossibilidade de reprovar alunos. A progress\u00e3o continuada&nbsp;volta a ocupar o lugar de vil\u00e3 dos baixos \u00edndices de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento&nbsp;simplista&nbsp;ignora&nbsp;a literatura produzida e a&nbsp;experi\u00eancia internacional acumulada&nbsp;sobe o tema&nbsp;. A ideia de que o aluno que n\u00e3o aprendeu deva repetir o ano para recuperar o conte\u00fado perdido n\u00e3o resiste aos dados. Repet\u00eancia, ao contr\u00e1rio do que se pensa, n\u00e3o corrige defasagens: ela as aprofunda. Alunos reprovados tendem a apresentar maior evas\u00e3o, desmotiva\u00e7\u00e3o e dificuldade de reinser\u00e7\u00e3o escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pa\u00edses que lideram o ranking do PISA \u2014 como Finl\u00e2ndia, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o \u2014 o conceito de &#8220;reprovar&#8221; praticamente n\u00e3o existe. O foco est\u00e1 no acompanhamento cont\u00ednuo, na identifica\u00e7\u00e3o precoce das dificuldades e em interven\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas individualizadas. Reprovar alunos como forma de corrigir falhas estruturais do sistema \u00e9, no m\u00ednimo, transferir a responsabilidade da escola para o estudante.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a progress\u00e3o continuada \u2014 uma pol\u00edtica educacional baseada na l\u00f3gica da aprendizagem ao longo do tempo, com apoio cont\u00ednuo \u2014 ainda \u00e9&nbsp;vista com desconfian\u00e7a, mesmo com d\u00e9cadas de evid\u00eancias a seu favor. Combater a evas\u00e3o, melhorar a qualidade do ensino e promover a equidade exige justamente o oposto do que prop\u00f5e&nbsp;o&nbsp;projeto&nbsp;de lei.&nbsp;N\u00e3o \u00e9 mais aprova\u00e7\u00e3o que prejudica a&nbsp;qualidade de ensino, mas a falta de condi\u00e7\u00f5es concretas para que se aprenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 mais do que na hora de superar o discurso&nbsp;reducionista&nbsp;que associa qualidade \u00e0 repet\u00eancia. A educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o fracassa porque aprova demais, mas porque ainda oferece menos pol\u00edtica p\u00fablica comprometida com a aprendizagem real.<\/p>\n\n\n\n<p>Assumir a progress\u00e3o continuada como parte de uma estrat\u00e9gia de qualidade e equidade n\u00e3o nos isola \u2014 ao contr\u00e1rio, nos coloca ao lado de sistemas educacionais bem-sucedidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Carbonari Em confer\u00eancia proferida em 1956, o professor Almeida J\u00fanior, rec\u00e9m-chegado de um encontro da UNESCO, comentava o enfrentamento da repet\u00eancia adotada por alguns pa\u00edses europeus. 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