{"id":5764,"date":"2025-11-16T13:10:09","date_gmt":"2025-11-16T16:10:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5764"},"modified":"2025-11-17T11:29:08","modified_gmt":"2025-11-17T14:29:08","slug":"estrangeirismos-e-neologismos-pegam-se-o-povo-usar-com-naturalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/estrangeirismos-e-neologismos-pegam-se-o-povo-usar-com-naturalidade\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Estrangeirismos e neologismos pegam se o povo usar com naturalidade"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4491\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image.png 480w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-300x169.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/image-400x225.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Reinaldo Polito<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a sua dor? Se algu\u00e9m ouvir essa pergunta fora do contexto corporativo, imaginar\u00e1 que ela indaga sobre algum inc\u00f4modo f\u00edsico. Nos \u00faltimos tempos, entretanto, esse voc\u00e1bulo ganhou novo sentido e passou a designar problemas, necessidades e dificuldades de clientes e p\u00fablicos espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se veio para ficar ou n\u00e3o, s\u00f3 o tempo dir\u00e1. Vale observar como certas palavras e express\u00f5es surgem em nossa vida e como a l\u00edngua reage a elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado, o portugu\u00eas falado no Brasil conviveu com ondas de estrangeirismos. Nos primeiros tempos, quem ditava moda era o franc\u00eas. Era o idioma da cultura, da literatura, da eleg\u00e2ncia urbana. Nossos escritores se inspiravam em Balzac e Zola. As fam\u00edlias liam romances parisienses. A Academia Brasileira de Letras foi fundada sobre o modelo da Acad\u00e9mie Fran\u00e7aise.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cbnsantos.com.br\/noticias\/policia\/jovem-presa-por-matar-padrasto-e-absolvida-apos-justica-reconhecer-legitima-defesa-em-sao-vicente.html\"><\/a><strong>A chegada do futebol<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os paulistas tamb\u00e9m deram sua contribui\u00e7\u00e3o. Orgulhavam-se do Pal\u00e1cio dos Campos El\u00edseos, francesismo assumido. N\u00e3o surpreende que palavras como chofer, abajur, palet\u00f3, n\u00e9cessaire e gar\u00e7om tenham entrado com naturalidade. A l\u00edngua as recebeu como h\u00f3spedes frequentes, sem grandes estranhamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, convivendo com essa influ\u00eancia sofisticada, o Brasil recebeu outra, imponente, mas mais ao n\u00edvel da relva. O futebol, trazido por Charles Miller, chegou com um punhado de express\u00f5es inglesas. O goal, o corner, o goalkeeper, o hands e o center-half conviviam com o charme franc\u00eas que dominava a elite urbana. Eram mundos distintos. O franc\u00eas reinava nos sal\u00f5es. O ingl\u00eas mandava no gramado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns termos ficam, outros somem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, uns termos ficaram e outros desapareceram. O goal virou gol, o goalkeeper virou goleiro, o hands virou falta na m\u00e3o, o center-half perdeu f\u00f4lego e deu lugar ao centro m\u00e9dio. Algumas palavras, como suti\u00e3, derivada de soutien-gorge, n\u00e3o s\u00f3 se firmaram como deixaram de ser percebidas como estrangeiras. Foram abrasileiradas e hoje s\u00e3o t\u00e3o nossas quanto qualquer termo nativo. A l\u00edngua acolhe o que lhe cai bem e rejeita o que n\u00e3o lhe serve.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo mecanismo se repetiu em epis\u00f3dios mais recentes. Quando o Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo foi inaugurado, discutiu-se se dever\u00edamos cham\u00e1-lo de metro, sem acento, ou de metr\u00f4, seguindo o modelo franc\u00eas. A decis\u00e3o mais s\u00e1bia foi n\u00e3o decidir. Deixaram que o povo escolhesse. E o povo escolheu metr\u00f4, por ser mais agrad\u00e1vel ao ouvido. Hoje, se algu\u00e9m disser metro, parece errado. A l\u00edngua decidiu sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tentativa do pronome neutro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aconteceu algo semelhante quando surgiram tentativas de impor o pronome neutro em escolas e reparti\u00e7\u00f5es. Houve resist\u00eancia imediata. Muitos consideraram uma obriga\u00e7\u00e3o artificial, distante da estrutura do portugu\u00eas, al\u00e9m do problema gramatical lembrado pelos especialistas ao explicar como o antigo neutro latino foi incorporado pelo masculino. A disputa continua, mas perdeu for\u00e7a. Poucas pessoas insistem no uso cotidiano. Pelo visto, n\u00e3o pegou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso n\u00e3o precisamos de vigil\u00e2ncia rigorosa contra estrangeirismos e neologismos. O uso da l\u00edngua tem seu pr\u00f3prio filtro. As palavras que n\u00e3o se adaptam evaporam sem esfor\u00e7o. As que se encaixam passam a fazer parte do cotidiano sem que ningu\u00e9m perceba. Basta observar os termos da moda. Alguns surgem para resolver necessidades reais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A escolha \u00e9 sempre do falante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Printar n\u00e3o tinha equivalente perfeito. N\u00e3o \u00e9 copiar nem fotografar. \u00c9 capturar o que aparece na tela. Era natural que se firmasse. O mesmo vale para viralizar, spoiler, home office e h\u00edbrido. J\u00e1 outros, como cringe ou hater, t\u00eam mais cara de modismo. Assim como amor de praia n\u00e3o sobe a serra, esses entram para sinalizar atualiza\u00e7\u00e3o e podem desaparecer assim que o entusiasmo da temporada acabar.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, a l\u00edngua escolhe o que quer adotar. O que se ajusta ao ouvido, ao uso e \u00e0 conviv\u00eancia di\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de decretos nem de prote\u00e7\u00f5es. A l\u00edngua brasileira sempre fez sua sele\u00e7\u00e3o natural. Acolheu o franc\u00eas, absorveu o ingl\u00eas, abrasileirou o que lhe convinha, descartou o que era artificial demais. E continua fazendo isso todos os dias. A l\u00edngua muda, respira, cresce. E, como sempre, segue o caminho mais simples. O caminho do falante.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m apenas uma cautela. Enquanto determinada palavra novidadeira n\u00e3o se incorporar naturalmente ao nosso modo de falar, o melhor \u00e9 n\u00e3o usar. Correr\u00edamos o risco de despertar resist\u00eancia gratuita s\u00f3 para mostrar que estamos tentando surfar a onda da moda. <\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________ <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reinaldo Polito<\/strong> \u00e9 Mestre em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o e professor de orat\u00f3ria nos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Marketing Pol\u00edtico, Gest\u00e3o Corporativa e Gest\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing na ECA-USP. Presidente Em\u00e9rito da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Escreveu 34 livros com mais de 1,5 milh\u00e3o de exemplares vendidos em 39 pa\u00edses.<a href=\"https:\/\/www.cbnsantos.com.br\/autor\/reinaldo-polito\/\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.cbnsantos.com.br\/autor\/reinaldo-polito\/\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Reinaldo Polito Qual \u00e9 a sua dor? 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