{"id":5778,"date":"2025-11-15T10:02:00","date_gmt":"2025-11-15T13:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5778"},"modified":"2025-11-14T14:06:16","modified_gmt":"2025-11-14T17:06:16","slug":"artigo-a-politica-esta-nos-reels-e-no-tiktok","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-a-politica-esta-nos-reels-e-no-tiktok\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A pol\u00edtica est\u00e1 nos Reels e no TikTok"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5528\" style=\"width:315px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-300x200.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-768x512.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-2048x1365.png 2048w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-400x267.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-5-900x600.png 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Como os v\u00eddeos curtos est\u00e3o redesenhando a rela\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticos e eleitores.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Hubert Alqu\u00e9res<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica contempor\u00e2nea j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 encenada apenas nos palanques, nos plen\u00e1rios ou nos telejornais. A prolifera\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos curtos, em formato vertical, sinaliza uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural na media\u00e7\u00e3o entre representantes e representados. \u00c9 uma linguagem concebida para o celular \u2014 para ocupar a palma da m\u00e3o e infiltrar-se na intimidade da nossa rotina. Assistimos ao pol\u00edtico no \u00f4nibus, na fila do banco, durante as refei\u00e7\u00f5es \u2014 e, muitas vezes, no exato instante em que ele publica sua mensagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A portabilidade e o imediatismo das plataformas instauraram uma nova era da presen\u00e7a p\u00fablica: o pol\u00edtico n\u00e3o apenas aparece, mas se insinua como presen\u00e7a constante.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco a pouco, esses v\u00eddeos v\u00eam substituindo discursos, notas oficiais e entrevistas como formas privilegiadas de persuas\u00e3o. O que antes era um recurso auxiliar de campanha tornou-se o principal ve\u00edculo de disputa e constru\u00e7\u00e3o narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Plataformas como TikTok, Reels e aplicativos dedicados \u00e0 fic\u00e7\u00e3o curta, como ReelShort, inauguraram um novo modo de narrar. Nele, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para longas explica\u00e7\u00f5es nem argumenta\u00e7\u00f5es refinadas: o que conta \u00e9 o impacto imediato, a narrativa clara, o personagem forte. N\u00e3o se trata apenas de comunica\u00e7\u00e3o, mas de performance com estrutura dramat\u00fargica. E quem compreende isso, leva vantagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pol\u00edticos de sucesso da nova gera\u00e7\u00e3o j\u00e1 assimilaram essa l\u00f3gica. O deputado federal Nikolas Ferreira, por exemplo, constr\u00f3i sua persona digital como a de um protagonista em luta: jovem, crist\u00e3o, perseguido por um sistema supostamente hostil. Cada v\u00eddeo seu \u00e9 um epis\u00f3dio fechado \u2014 com in\u00edcio, meio e fim \u2014 que o posiciona como her\u00f3i moral diante de qualquer antagonista e, a seu modo, encena convic\u00e7\u00e3o, dramatiza a mensagem, descreve uma trajet\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 esquerda, figuras como Tabata Amaral e \u00c9rika Hilton tamb\u00e9m ocupam esse espa\u00e7o. Tabata aposta numa linguagem racional, jovem e propositiva. Erika adota o enfrentamento simb\u00f3lico como centro de sua atua\u00e7\u00e3o, com v\u00eddeos que denunciam, provocam e mobilizam. Mas o uso da dramaturgia ainda \u00e9 mais t\u00e1tico do que estrutural: o v\u00eddeo serve \u00e0 causa, mas n\u00e3o necessariamente constr\u00f3i uma s\u00e9rie narrativa com continuidade simb\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p>O que diferencia os mais eficazes n\u00e3o \u00e9 apenas o dom\u00ednio da t\u00e9cnica, mas a compreens\u00e3o de que o v\u00eddeo curto funciona como narrativa em s\u00e9rie, com personagem, conflito, tens\u00e3o e desfecho. Essa estrutura, herdada do melodrama e das fic\u00e7\u00f5es populares, foi transposta com for\u00e7a para o discurso pol\u00edtico \u2014 e poucos perceberam sua pot\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Campos tem explorado com efic\u00e1cia as possibilidades do v\u00eddeo curto, combinando leveza, bastidores calculados e uma est\u00e9tica que humaniza o gestor. Seus v\u00eddeos constroem uma narrativa de juventude e proximidade afetiva, com uma figura pol\u00edtica afinada aos tempos digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s das cenas que aparentam casualidade ou autenticidade, h\u00e1 um trabalho sofisticado de roteiriza\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e curadoria realizado por assessorias de comunica\u00e7\u00e3o, ag\u00eancias especializadas e estrategistas digitais. \u00c9 onde se alia expertise t\u00e9cnica a uma compreens\u00e3o aguda das linguagens emocionais que mobilizam o p\u00fablico. Trata-se de uma profissionaliza\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica da proximidade, onde o pol\u00edtico se apresenta como algu\u00e9m comum \u2014 mas por meio de mecanismos altamente calibrados de constru\u00e7\u00e3o narrativa. Essa media\u00e7\u00e3o profissional da espontaneidade transforma o pol\u00edtico em personagem serializado, atualiz\u00e1vel em tempo real conforme o engajamento do p\u00fablico e a din\u00e2mica das redes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os presidenci\u00e1veis Tarc\u00edsio de Freitas, Ratinho Jr. e Eduardo Leite tamb\u00e9m j\u00e1 entraram nessa nova era com estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o articuladas com as novas ferramentas de transmitir suas mensagens de forma r\u00e1pida, curta e eficaz. \u00c9 previs\u00edvel portanto que elas venham a ter papel relevante \u2013 para n\u00e3o dizer preponderante \u2013 como meio dos candidatos se comunicarem com larga faixa do eleitorado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem toda dramaturgia \u00e9 virtuosa \u2014 e nem toda performance \u00e9 inofensiva. Esse novo ecossistema n\u00e3o est\u00e1 isento de riscos. A tenta\u00e7\u00e3o de transformar a pol\u00edtica em puro espet\u00e1culo \u2014 com protagonistas fabricados, vil\u00f5es caricatos e cl\u00edmax artificiais \u2014 \u00e9 grande. A linguagem emocional e fragmentada do v\u00eddeo curto favorece simplifica\u00e7\u00f5es, manique\u00edsmos e vers\u00f5es distorcidas da realidade. A fronteira entre engajamento leg\u00edtimo e manipula\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00eanue \u2014 e a sedu\u00e7\u00e3o do populismo teatral, real.<\/p>\n\n\n\n<p>Em diversos contextos, a est\u00e9tica do v\u00eddeo curto j\u00e1 foi instrumentalizada para difundir desinforma\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ar polariza\u00e7\u00f5es ou mascarar decis\u00f5es impopulares. Exemplo disso s\u00e3o casos como o de Nayib Bukele, em El Salvador, que combina v\u00eddeos com est\u00e9tica jovem e linguagem de influenciador para sustentar medidas autorit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e9tica pol\u00edtica, nesse contexto, n\u00e3o se mede apenas pelo conte\u00fado, mas pelo uso respons\u00e1vel da linguagem. Enganar, omitir ou explorar fatos em busca de likes \u00e9 mais f\u00e1cil do que nunca \u2014 e mais perigoso tamb\u00e9m. A arte de comunicar, quando perverte o conte\u00fado em fun\u00e7\u00e3o da forma, pode converter a pol\u00edtica em mercadoria \u2014 vendida ao pre\u00e7o da verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa rejeitar a linguagem do tempo mas disput\u00e1-la com intelig\u00eancia, prop\u00f3sito e integridade. \u00c9 poss\u00edvel narrar com emo\u00e7\u00e3o, sem mentir. \u00c9 poss\u00edvel construir personagens pol\u00edticos com profundidade sem recorrer \u00e0 caricatura. O desafio \u00e9 formar lideran\u00e7as que compreendam a linguagem do agora sem trair os princ\u00edpios que sustentam a pol\u00edtica como pr\u00e1tica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00eddeo curto \u00e9, hoje, uma das formas mais poderosas de media\u00e7\u00e3o. Ele pode ser usado para empobrecer o debate p\u00fablico \u2014 ou para traduzi-lo com for\u00e7a. Pode capturar cora\u00e7\u00f5es com verdades simples \u2014 ou iludir consci\u00eancias com slogans falsos.<\/p>\n\n\n\n<p>A est\u00e9tica do v\u00eddeo curto n\u00e3o \u00e9 apenas um novo formato. \u00c9 uma forma de poder. E como toda linguagem de massa, pode ser instrumento de liberta\u00e7\u00e3o ou de manipula\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a estar\u00e1, sempre, na inten\u00e7\u00e3o, na consci\u00eancia \u00e9tica e na responsabilidade pol\u00edtica de quem a produz \u2014 e na vigil\u00e2ncia cr\u00edtica de quem a consome.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hubert Alqu\u00e9res \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e vice-presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como os v\u00eddeos curtos est\u00e3o redesenhando a rela\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticos e eleitores. Por Hubert Alqu\u00e9res A pol\u00edtica contempor\u00e2nea j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 encenada apenas nos palanques, nos plen\u00e1rios ou nos telejornais. 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