{"id":5863,"date":"2025-12-15T10:58:11","date_gmt":"2025-12-15T13:58:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5863"},"modified":"2025-12-22T15:39:49","modified_gmt":"2025-12-22T18:39:49","slug":"esperanca-e-verbo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/esperanca-e-verbo\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a \u00e9 verbo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"665\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ricardo_Viveiros_foto_Mathilde_Missioneiro_FolhaPress-1024x665.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5880\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ricardo_Viveiros_foto_Mathilde_Missioneiro_FolhaPress-1024x665.png 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ricardo_Viveiros_foto_Mathilde_Missioneiro_FolhaPress-300x195.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ricardo_Viveiros_foto_Mathilde_Missioneiro_FolhaPress-768x499.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ricardo_Viveiros_foto_Mathilde_Missioneiro_FolhaPress-400x260.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ricardo_Viveiros_foto_Mathilde_Missioneiro_FolhaPress-924x600.png 924w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Ricardo_Viveiros_foto_Mathilde_Missioneiro_FolhaPress.png 1290w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ricardo Viveiros (foto Mathilde Missioneiro da FolhaPress)<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o proponho otimismo bobo e sim coragem metodol\u00f3gica; entraremos em 2026 com problemas graves, mas com ferramentas para enfrent\u00e1-los<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Que a balan\u00e7a pese a favor do trabalho \u00e9tico, respons\u00e1vel e pelo coletivo, da verdade verific\u00e1vel e do respeito \u00e0s diferen\u00e7as<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>por Ricardo Viveiros<\/p>\n\n\n\n<p>Jornalista, professor e escritor, \u00e9 doutor em educa\u00e7\u00e3o, arte e hist\u00f3ria da cultura e membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o; autor, entre outros, de &#8221;Justi\u00e7a Seja Feita&#8217; (Sesi-SP) e &#8216;Mem\u00f3rias de um Tempo Obscuro&#8217; (Contexto)<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos ao fim de 2025 assustados, tristes e pessimistas. A maioria acredita que nunca na hist\u00f3ria do mundo houve, tudo junto e misturado, tantas trag\u00e9dias em \u00e1reas essenciais \u00e0 qualidade de vida. O invent\u00e1rio de problemas \u00e9 longo \u2014e real.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, uma verdade inc\u00f4moda precisa ser dita: nossa percep\u00e7\u00e3o cotidiana \u00e9 pior do que a realidade. N\u00e3o por ingenuidade, mas por instinto. O c\u00e9rebro reage com mais for\u00e7a ao que amea\u00e7a; a economia da aten\u00e7\u00e3o transforma esse reflexo em neg\u00f3cio; as redes elevam ru\u00eddo a espet\u00e1culo. Resultado: vivemos sob lentes que ampliam o feio e encolhem o que funciona.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre alarmes, esquecemos que civiliza\u00e7\u00f5es evoluem por ac\u00famulos, n\u00e3o por milagres. Houve retrocessos e dores recentes, mas tamb\u00e9m avan\u00e7os concretos em ci\u00eancia, sa\u00fade p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o, tecnologia limpa, prote\u00e7\u00e3o social, meio ambiente e respeito \u00e0 diversidade. A hist\u00f3ria mostra que grandes crises trazem solu\u00e7\u00f5es criativas, antes impens\u00e1veis. Cabe o equil\u00edbrio do entendimento: sem negar o que vai mal, reconhecer o que d\u00e1 certo para multiplic\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como fazer isso em 2026?<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, saneando a informa\u00e7\u00e3o. Opini\u00e3o \u00e9 livre; fato \u00e9 obrigat\u00f3rio. Escola, ci\u00eancia e imprensa devem recuperar centralidade, enquanto plataformas digitais assumem comprometimento na propor\u00e7\u00e3o do poder que exercem. Liberdade de express\u00e3o exige responsabilidade de express\u00e3o. Viralizar mentira custa barato; consertar seus estragos \u00e9 car\u00edssimo \u2014em dinheiro e at\u00e9 vidas. A pandemia de Covid-19 ensinou isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo, fortalecer institui\u00e7\u00f5es. Democracia \u00e9 regime de freios e contrapesos, n\u00e3o de torcidas radicais. A cr\u00edtica \u00e9 vital quando qualifica; \u00e9 veneno quando deslegitima. O caminho para melhorar servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o est\u00e1 em demolir regras, mas em faz\u00ea-las funcionar com transpar\u00eancia, avalia\u00e7\u00e3o e metas. Governar exige humildade intelectual: medir, ouvir, corrigir equ\u00edvocos. Por isso, a m\u00eddia fiscaliza, denuncia, cobra puni\u00e7\u00f5es. Ela existe para governados, n\u00e3o para governantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Terceiro, focar o essencial. Pa\u00edses que deram saltos sustent\u00e1veis escolheram prioridades \u00f3bvias e persistiram nelas: primeira inf\u00e2ncia; escola com tempo integral, bons livros e professor valorizado; aten\u00e7\u00e3o total \u00e0 sa\u00fade; seguran\u00e7a cidad\u00e3 baseada em dados; apoio \u00e0 cultura; preserva\u00e7\u00e3o ambiental como projeto de desenvolvimento, n\u00e3o ap\u00eandice. Nada disso, por ser obriga\u00e7\u00e3o do governante, rende manchete di\u00e1ria. Rende futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>E h\u00e1 o papel de cada um. Antes de compartilhar, checar. Antes de ofender, argumentar. Antes de desistir, cobrar. Votar \u00e9 ato; vigiar, dever cont\u00ednuo. Empresas podem lucrar fazendo a coisa certa. Universidades devem participar mais. A sociedade civil precisa ocupar o centro do tabuleiro. Sonho que n\u00e3o se organiza vira mera autoajuda.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o proponho otimismo bobo e sim coragem metodol\u00f3gica. O mundo n\u00e3o \u00e9 um para\u00edso nem um<\/p>\n\n\n\n<p>apocalipse, \u00e9 um canteiro de obras. Quem s\u00f3 v\u00ea escombros desiste; quem s\u00f3 v\u00ea vit\u00f3rias se engana. Que a balan\u00e7a pese a favor do trabalho \u00e9tico, respons\u00e1vel e pelo coletivo, da verdade verific\u00e1vel e do respeito \u00e0s diferen\u00e7as. Entraremos em 2026 com problemas graves, sim. Mas tamb\u00e9m com ferramentas para enfrent\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 esperar. \u00c9 decidir, todos os dias, que o pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 maior que o medo. Coragem j\u00e1!<\/p>\n\n\n\n<p>__________ <\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Viveiros, jornalista, professor e escritor, \u00e9 doutor em educa\u00e7\u00e3o, arte e hist\u00f3ria da cultura e membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o; autor, entre outros, de &#8221;Justi\u00e7a Seja Feita&#8217; (Sesi-SP) e &#8216;Mem\u00f3rias de um Tempo Obscuro&#8217; (Contexto). Este artigo foi publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Viveiros (foto Mathilde Missioneiro da FolhaPress) N\u00e3o proponho otimismo bobo e sim coragem metodol\u00f3gica; entraremos em 2026 com problemas graves, mas com ferramentas para enfrent\u00e1-los. Que a balan\u00e7a pese a favor do trabalho \u00e9tico, respons\u00e1vel e pelo coletivo, da verdade verific\u00e1vel e do respeito \u00e0s diferen\u00e7as. por Ricardo Viveiros Jornalista, professor e escritor, \u00e9 doutor em educa\u00e7\u00e3o, arte e hist\u00f3ria da cultura e membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o; autor, entre outros, de &#8221;Justi\u00e7a Seja Feita&#8217; (Sesi-SP) e &#8216;Mem\u00f3rias de um Tempo Obscuro&#8217; (Contexto) Chegamos ao fim de 2025 assustados, tristes e pessimistas. 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