{"id":5947,"date":"2026-01-06T12:44:09","date_gmt":"2026-01-06T15:44:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5947"},"modified":"2026-01-25T12:49:41","modified_gmt":"2026-01-25T15:49:41","slug":"artigo-quero-morar-na-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-quero-morar-na-escola\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Quero morar na escola"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"217\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5948\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6.png 350w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6-300x186.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por <em>Francisco Carbonari<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo que estive como Secret\u00e1rio Municipal da Educa\u00e7\u00e3o em Jundia\u00ed, cultivei o h\u00e1bito de visitar as escolas da rede,&nbsp; para conversar com a equipe pedag\u00f3gica e sobretudo com as crian\u00e7as. Foi uma das melhores experi\u00eancias naquele per\u00edodo. Ali, nos corredores e p\u00e1tios, longe dos gabinetes, aprendi muito sobre educa\u00e7\u00e3o. No interior da&nbsp; escola \u00e9, de fato, onde a educa\u00e7\u00e3o acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Em uma destas visitas, vivi uma experi\u00eancia que jamais esqueci.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto caminhava pelo p\u00e1tio, um menino se aproximou e perguntou:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8211; Quem \u00e9 voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sou o Francisco, o Secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O que voc\u00ea faz?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Assim como sua diretora cuida desta escola, eu sou o respons\u00e1vel pelas escolas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Nossa!&nbsp; Eu sou o Maicon \u2013 disse ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quantos anos voc\u00ea tem, Maicon?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Oito. Estou no 2\u00ba ano. &#8211; Posso pedir uma coisa?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Claro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Eu quero morar na escola, voc\u00ea deixa?<\/p>\n\n\n\n<p>A surpresa me fez repetir:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Morar na escola? Mas por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Ah! Venha ver o banheiro. Olha, tem \u00e1gua quente no chuveiro, tem at\u00e9 toalha, e \u00e9 grande para a gente se enxugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela fala simples, foi profundamente reveladora, pois reafirmou minha convic\u00e7\u00e3o na fun\u00e7\u00e3o social da escola p\u00fablica. Se, para algumas fam\u00edlias, a escola pode ter deixado de ser o principal espa\u00e7o de aprendizagem, para outras contina sendo o \u00fanico lugar onde \u00e9 poss\u00edvel se pensar uma vida diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a escola precisa oferecer mais que conte\u00fados: deve ser um ambiente de acolhimento e dignidade. Um espa\u00e7o que revela para a crian\u00e7a a possibilidade de pensar&nbsp; uma exist\u00eancia diferente e uma vida mais feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido do Maicon n\u00e3o p\u00f4de ser atendido. Ele n\u00e3o pode morar na escola. Minha esperan\u00e7a foi que a escola passasse a morar dentro dele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Francisco Carbonari No per\u00edodo que estive como Secret\u00e1rio Municipal da Educa\u00e7\u00e3o em Jundia\u00ed, cultivei o h\u00e1bito de visitar as escolas da rede,&nbsp; para conversar com a equipe pedag\u00f3gica e sobretudo com as crian\u00e7as. Foi uma das melhores experi\u00eancias naquele per\u00edodo. Ali, nos corredores e p\u00e1tios, longe dos gabinetes, aprendi muito sobre educa\u00e7\u00e3o. No interior da&nbsp; escola \u00e9, de fato, onde a educa\u00e7\u00e3o acontece. &nbsp;Em uma destas visitas, vivi uma experi\u00eancia que jamais esqueci. 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