{"id":5986,"date":"2026-02-10T09:37:37","date_gmt":"2026-02-10T12:37:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=5986"},"modified":"2026-02-10T09:48:05","modified_gmt":"2026-02-10T12:48:05","slug":"entre-a-estante-e-o-esquecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/entre-a-estante-e-o-esquecimento\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Entre a estante e o esquecimento"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"217\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5948\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6.png 350w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6-300x186.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Francisco Carbonari<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/facebook.com\/sharer.php?u=https:\/\/sampi.net.br\/jundiai\/noticias\/2960317\/opinioes\/2026\/02\/entre-a-estante-e-o-esquecimento\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?text=https:\/\/sampi.net.br\/jundiai\/noticias\/2960317\/opinioes\/2026\/02\/entre-a-estante-e-o-esquecimento\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"http:\/\/twitter.com\/share?url=https:\/\/sampi.net.br\/jundiai\/noticias\/2960317\/opinioes\/2026\/02\/entre-a-estante-e-o-esquecimento\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a>Nesta semana, recebi e-mails de alguns amigos que estavam se desfazendo de suas bibliotecas pessoais. A pergunta era simples: para quem doar os livros? N\u00e3o soube responder. Fiquei constrangido de sugerir a reciclagem. Seria trair algo que sempre considerei sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto trouxe \u00e0 mem\u00f3ria o encerramento das atividades do Gabinete de Leitura Rui Barbosa, o ano passado. Naquele momento, a maior dificuldade foi decidir o destino do acervo. Constru\u00edda ao longo de d\u00e9cadas, a biblioteca reunia um volume expressivo de obras, com temas variados, moldados pelas demandas dos associados nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960, um tempo em que poucas casas possu\u00edam estantes de livros, e comprar um exemplar n\u00e3o estava ao alcance de todos. As bibliotecas pessoais tinham um papel importante.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretoria optou por leiloar a parte mais valiosa do acervo e colocar o restante \u00e0 venda por pre\u00e7os simb\u00f3licos\u2014 eu comprei alguns. Mas a maioria permaneceu nas prateleiras. Tentou-se do\u00e1-los \u00e0s bibliotecas da cidade, sem sucesso: o volume era grande e os temas, pouco compat\u00edveis com as demandas atuais. Sebos tamb\u00e9m recusaram, alegando excesso de doa\u00e7\u00f5es e falta de espa\u00e7o. At\u00e9 hoje n\u00e3o sei ao certo qual foi o destino do acervo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrei-me tamb\u00e9m do per\u00edodo em que estive como Secret\u00e1rio Municipal de Educa\u00e7\u00e3o. Era comum chegarem \u00e0 biblioteca da Secretaria ve\u00edculos carregados de livros a serem doados por fam\u00edlias que estavam \u201climpando a casa\u201d. Na maioria das vezes, n\u00e3o aceit\u00e1vamos as doa\u00e7\u00f5es, o que gerava indigna\u00e7\u00e3o dos doadores. Mas a verdade \u00e9 que muitas obras n\u00e3o se ajustavam mais \u00e0s necessidades das escolas e n\u00e3o havia espa\u00e7o f\u00edsico para receb\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>As gera\u00e7\u00f5es atuais j\u00e1 n\u00e3o cultivam o h\u00e1bito de manter bibliotecas pessoais. Seja pelo desinteresse, pela redu\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os nas resid\u00eancias ou pela sua substitui\u00e7\u00e3o pelos livros digitais, o livro f\u00edsico n\u00e3o ocupa mais o mesmo lugar de destaque de antes. N\u00e3o desapareceu \u2014 mas tornou-se um objeto sem lugar definido.<\/p>\n\n\n\n<p>No meu caso, a rela\u00e7\u00e3o com os livros \u00e9 afetiva. Embora tenha me desfeito de parte da minha biblioteca, ainda preservo a maioria dos livros. Cada exemplar guarda uma mem\u00f3ria: o momento em que foi comprado, o tempo em que foi lido, o significado que teve, quem eu era naquela fase da vida. Ao retirar um livro da estante, n\u00e3o revisito apenas um texto, mas um peda\u00e7o da minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Desfazer-me deles seria como deixar que uma parte de mim fosse embora junto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, meus &nbsp;livros seguem ocupando suas prateleiras. Um dia, caber\u00e1 aos meus filhos decidir o que fazer com eles. Talvez enfrentem a mesma pergunta: o que fazer com livros f\u00edsicos em um mundo que parece j\u00e1 n\u00e3o saber muito bem para que eles servem?<\/p>\n\n\n\n<p>_________________________________________  <\/p>\n\n\n\n<p>O Acad\u00eamico <em>Francisco Carbonari \u00e9 ex-secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o de Jundia\u00ed<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Francisco Carbonari Nesta semana, recebi e-mails de alguns amigos que estavam se desfazendo de suas bibliotecas pessoais. A pergunta era simples: para quem doar os livros? N\u00e3o soube responder. Fiquei constrangido de sugerir a reciclagem. Seria trair algo que sempre considerei sagrado. Isto trouxe \u00e0 mem\u00f3ria o encerramento das atividades do Gabinete de Leitura Rui Barbosa, o ano passado. Naquele momento, a maior dificuldade foi decidir o destino do acervo. 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