{"id":6077,"date":"2026-02-26T00:01:00","date_gmt":"2026-02-26T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6077"},"modified":"2026-02-27T00:28:41","modified_gmt":"2026-02-27T03:28:41","slug":"pilulas-maldosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/pilulas-maldosas\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; P\u00edlulas maldosas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"516\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5867\" style=\"width:425px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-1.png 800w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-1-300x194.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-1-768x495.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-1-400x258.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Jos\u00e9 Renato Nalini<\/p>\n\n\n\n<p>A maldade \u00e9 um v\u00edrus que habita a mente humana. Fruto do pecado original? N\u00e3o h\u00e1 ambiente em que ela n\u00e3o medre. Est\u00e1 ali, \u00e0s vezes escancarada, outras vezes sutilmente disfar\u00e7ada. Mas pronta para entrar em a\u00e7\u00e3o, assim que surja uma oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pense que em ambientes qualificados pela erudi\u00e7\u00e3o, ela desapare\u00e7a. Pode ser at\u00e9 mais sofisticada. Aquela d\u00fabia afirma\u00e7\u00e3o que tanto pode ser encarada como enc\u00f4mio, ou tamb\u00e9m como cr\u00edtica. As frases geradoras de mal-entendidos. O esporte favorito dos maldosos que praticam esse exerc\u00edcio evidenciando sua erudi\u00e7\u00e3o. Como se aquela cultura exibicionista pudesse compensar o fel que espargem com generosidade, para ferir uma legi\u00e3o. Ser\u00e1 que \u00e9 um campeonato para constatar quantas pessoas podem ser atingidas com a dureza de uma palavra cruel?<\/p>\n\n\n\n<p>Coelho Neto era um intelectual festejado e n\u00e3o poupava seus desafetos. Um deles \u00e9 Viriato Correia. Sobre ele, comentava: &#8211; \u201cSabe a coisa mais ordin\u00e1ria que o Maranh\u00e3o j\u00e1 produziu? Foi esse moleque, esse Viriato&#8230;Ignorante e pretensioso! Sabe que disse ele de mim, em casa de uma fam\u00edlia amiga? Disse que a minha gl\u00f3ria assentava num monte de baga\u00e7o!<\/p>\n\n\n\n<p>E o interlocutor protestou: a frase n\u00e3o podia ser de Viriato Correia. \u201cEra p\u00e9rfida, injusta, mas imaginosa. Estava acima da capacidade e do esp\u00edrito de Viriato. Isso, em primeiro lugar. Em segundo: quando foi que Viriato j\u00e1 entrou numa casa de fam\u00edlia?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram f\u00f3rmulas elegantes de se atacar algu\u00e9m que \u201cca\u00edsse em desgra\u00e7a\u201d perante alguns acad\u00eamicos. At\u00e9 quando elogiavam, deixavam algo de amargo sem destinat\u00e1rio identificado, mas em dire\u00e7\u00e3o a uma categoria. Como quando Humberto de Campos elogia o etn\u00f3logo Roquete Pinto, o \u00fanico candidato \u00e0 Academia cuja elei\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o, despertara seu interesse. E justificava: \u201cA Academia n\u00e3o pode ficar nas m\u00e3os dos poetas que para ela est\u00e3o entrando, simples trovadores sem cultura, sem o risco de transformar-se, dentro de pouco tempo, em simples gr\u00eamio liter\u00e1rio como h\u00e1 dezenas de outros pelo interior do Brasil. \u00c9 minha opini\u00e3o, ali\u00e1s, que os poetas que n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o poetas, e se ressentem da falta de cultura, s\u00f3 devem entrar para a Academia por direito de antiguidade. A cultura, na vida de letras, vale por tempo de campanha\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00edlulas maldosas, profusamente espalhadas desde 1897 at\u00e9 nossos dias. N\u00e3o h\u00e1 como evit\u00e1-las. \u00c9 a velha hist\u00f3ria: \u00e9 melhor perder o amigo do que a piada cruel. E nem sempre engra\u00e7ada&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________  <\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Renato Nalini \u00e9 membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o, Reitor da UNIREGISTRAL, docente da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UNINOVE e Secret\u00e1rio-Executivo das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Renato Nalini A maldade \u00e9 um v\u00edrus que habita a mente humana. Fruto do pecado original? N\u00e3o h\u00e1 ambiente em que ela n\u00e3o medre. Est\u00e1 ali, \u00e0s vezes escancarada, outras vezes sutilmente disfar\u00e7ada. Mas pronta para entrar em a\u00e7\u00e3o, assim que surja uma oportunidade. N\u00e3o se pense que em ambientes qualificados pela erudi\u00e7\u00e3o, ela desapare\u00e7a. Pode ser at\u00e9 mais sofisticada. Aquela d\u00fabia afirma\u00e7\u00e3o que tanto pode ser encarada como enc\u00f4mio, ou tamb\u00e9m como cr\u00edtica. As frases geradoras de mal-entendidos. O esporte favorito dos maldosos que praticam esse exerc\u00edcio evidenciando sua erudi\u00e7\u00e3o. Como se aquela cultura exibicionista pudesse compensar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[],"class_list":["post-6077","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6077"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6080,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6077\/revisions\/6080"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}