{"id":6111,"date":"2026-03-19T09:10:00","date_gmt":"2026-03-19T12:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6111"},"modified":"2026-04-03T13:03:30","modified_gmt":"2026-04-03T16:03:30","slug":"o-pais-que-alimenta-o-mundo-mas-nao-aparece-nos-livros-escolares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/o-pais-que-alimenta-o-mundo-mas-nao-aparece-nos-livros-escolares\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; O pa\u00eds que alimenta o mundo mas n\u00e3o aparece nos livros escolares"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"983\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-6-983x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6112\" style=\"width:341px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-6-983x1024.png 983w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-6-288x300.png 288w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-6-768x800.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-6-400x417.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-6-576x600.png 576w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-6.png 1229w\" sizes=\"auto, (max-width: 983px) 100vw, 983px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Hubert Alqu\u00e9res e Guiomar Namo de Mello<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 uma pot\u00eancia agroambiental. Poucos pa\u00edses conseguem combinar escala produtiva, tecnologia tropical e capacidade de alimentar centenas de milh\u00f5es de pessoas dentro e fora de suas fronteiras. Ainda assim, persiste um paradoxo curioso: enquanto o agroneg\u00f3cio sustenta parcela relevante do PIB, das exporta\u00e7\u00f5es e do equil\u00edbrio da balan\u00e7a comercial brasileira, sua imagem nas escolas frequentemente permanece associada a estere\u00f3tipos do passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Um breve olhar para os n\u00fameros ajuda a dimensionar essa realidade. O agroneg\u00f3cio responde por cerca de um quarto do PIB brasileiro, por quase metade das exporta\u00e7\u00f5es nacionais e por milh\u00f5es de empregos diretos e indiretos ao longo de cadeias produtivas altamente sofisticadas. O Brasil \u00e9 hoje o maior exportador mundial de soja, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, suco de laranja e carnes, al\u00e9m de um dos principais produtores globais de milho, algod\u00e3o e prote\u00ednas animais. Estima-se que a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria brasileira contribua para alimentar mais de um bilh\u00e3o de pessoas no mundo, desempenhando papel estrat\u00e9gico na seguran\u00e7a alimentar internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que isso: proje\u00e7\u00f5es da FAO e da OCDE indicam que o Brasil dever\u00e1 ser respons\u00e1vel por algo entre um ter\u00e7o e quase metade de todo o aumento da oferta global de alimentos nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Em diversas cadeias, como soja, milho e prote\u00ednas animais, a participa\u00e7\u00e3o brasileira no crescimento da produ\u00e7\u00e3o mundial pode ultrapassar 50%. Em termos pr\u00e1ticos, significa que uma parcela decisiva do acr\u00e9scimo de consumo alimentar do planeta depender\u00e1 diretamente da capacidade produtiva brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se afirma que o Brasil ajuda a alimentar o mundo, n\u00e3o se trata de ret\u00f3rica nacionalista, mas de um dado estrutural da economia global: poucos pa\u00edses possuem simultaneamente terra, tecnologia tropical, escala produtiva e capacidade cient\u00edfica para responder ao desafio central do s\u00e9culo XXI: garantir seguran\u00e7a alimentar a uma popula\u00e7\u00e3o mundial em expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, portanto, n\u00e3o apenas de um setor econ\u00f4mico relevante, mas de um ativo geopol\u00edtico cuja compreens\u00e3o \u00e9 parte importante da forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica dos estudantes. \u00c9 nesse ponto que surge a atua\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil De Olho no Material Escolar, iniciativa criada com um objetivo direto: aproximar educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e realidade produtiva, revisitando a forma como o agroneg\u00f3cio brasileiro \u00e9 apresentado nos conte\u00fados did\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o parte de uma constata\u00e7\u00e3o simples. Durante a pandemia, quando fam\u00edlias passaram a acompanhar mais de perto as atividades escolares, tornou-se evidente para muitos pais e profissionais do setor que parte do material did\u00e1tico tratava o campo brasileiro com informa\u00e7\u00f5es desatualizadas ou desconectadas da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ocorrida nas \u00faltimas d\u00e9cadas. A resposta foi organizar uma entidade voltada \u00e0 an\u00e1lise desses conte\u00fados e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho da ONG n\u00e3o se limita \u00e0 cr\u00edtica. Sua principal contribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de pontes entre escola e setor produtivo. Programas como o Vivenciando a Pr\u00e1tica levam estudantes a conhecer diretamente sistemas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, centros de pesquisa e cadeias agroindustriais, permitindo que o aprendizado deixe o plano abstrato e se conecte \u00e0 economia real do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9 a Agroteca, biblioteca digital que re\u00fane estudos, publica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e materiais cient\u00edficos sobre agropecu\u00e1ria, sustentabilidade e inova\u00e7\u00e3o no campo. A proposta \u00e9 oferecer a professores e alunos acesso a fontes atualizadas, ampliando repert\u00f3rio e qualificando o debate educacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil urbano ainda conhece pouco o pa\u00eds que produz sua pr\u00f3pria prosperidade. O ponto n\u00e3o \u00e9 substituir uma narrativa por outra, mas aproximar escola e realidade produtiva. A agricultura contempor\u00e2nea envolve biotecnologia, agricultura de precis\u00e3o, pesquisa gen\u00e9tica, manejo ambiental e cadeias log\u00edsticas sofisticadas, elementos raramente percebidos por quem vive em grandes centros.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o, portanto, \u00e9 educacional antes de ser ideol\u00f3gica. Nenhum pa\u00eds forma cidad\u00e3os preparados para o futuro ignorando seus pr\u00f3prios setores estrat\u00e9gicos. Conhecer o agroneg\u00f3cio n\u00e3o significa abandonar o pensamento cr\u00edtico; significa permitir que ele se apoie em dados, ci\u00eancia e experi\u00eancia concreta.<\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, iniciativas dessa natureza tamb\u00e9m despertam controv\u00e9rsias. H\u00e1 quem veja nelas tentativa de influ\u00eancia sobre conte\u00fados escolares ou disputa narrativa dentro da educa\u00e7\u00e3o. Esse debate \u00e9 leg\u00edtimo, e, em uma sociedade democr\u00e1tica, inevit\u00e1vel. O que n\u00e3o parece razo\u00e1vel \u00e9 negar que a educa\u00e7\u00e3o brasileira precise dialogar mais intensamente com a realidade econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O verdadeiro desafio educacional do s\u00e9culo XXI talvez seja justamente este: formar jovens capazes de compreender simultaneamente produ\u00e7\u00e3o, sustentabilidade, inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Aproximar educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e capacidade produtiva nacional \u00e9 passo essencial para transformar conhecimento em riqueza e desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreender como o pa\u00eds produz riqueza n\u00e3o \u00e9 apenas conhecimento econ\u00f4mico, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para formar cidad\u00e3os capazes de construir o futuro do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________________________________ <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guiomar Namo de Mello<\/strong> realizou estudos de p\u00f3s-doutorado em Educa\u00e7\u00e3o na Universidade de Londres. Foi Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, Deputada Estadual Constituinte e atuou como especialista em Educa\u00e7\u00e3o no Banco Mundial e no Banco Interamericano em Washington.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hubert Alqu\u00e9res<\/strong> \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e vice-presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro. Foi Secret\u00e1rio Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo e professor no Col\u00e9gio Bandeirantes e na Escola Polit\u00e9cnica da USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Hubert Alqu\u00e9res e Guiomar Namo de Mello O Brasil \u00e9 uma pot\u00eancia agroambiental. Poucos pa\u00edses conseguem combinar escala produtiva, tecnologia tropical e capacidade de alimentar centenas de milh\u00f5es de pessoas dentro e fora de suas fronteiras. 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