{"id":6132,"date":"2026-03-27T12:01:03","date_gmt":"2026-03-27T15:01:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6132"},"modified":"2026-04-03T13:02:10","modified_gmt":"2026-04-03T16:02:10","slug":"emanoel-araujo-o-artista-como-farol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/emanoel-araujo-o-artista-como-farol\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Emanoel Ara\u00fajo, o artista como farol"},"content":{"rendered":"\n<p>por Hubert Alqu\u00e9res<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7-1024x512.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6133\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7-1024x512.png 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7-300x150.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7-768x384.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7-400x200.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-7.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Emanoel Araujo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, o Farol Santander abriga uma exposi\u00e7\u00e3o que ilumina uma das figuras mais decisivas da cultura brasileira:&nbsp;<em>Emanoel Ara\u00fajo \u2013 Embates Construtivos<\/em>. S\u00e3o esculturas, gravuras, pinturas e documentos que percorrem seis d\u00e9cadas de cria\u00e7\u00e3o e revelam o vigor intelectual de um artista que foi tamb\u00e9m um arquiteto da mem\u00f3ria nacional. Coincidentemente, ou simbolicamente, Emanoel nasceu em 15 de novembro, data da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Era, ele mesmo, um grande farol.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos artistas brasileiros souberam articular com tanta nitidez a dimens\u00e3o est\u00e9tica e a dimens\u00e3o p\u00fablica da arte. Emanoel Ara\u00fajo construiu uma obra ancorada no rigor geom\u00e9trico, nas cores densas e na ancestralidade africana, mas seu projeto ultrapassou o campo da forma: era uma vis\u00e3o de pa\u00eds. A exposi\u00e7\u00e3o no Farol revela a for\u00e7a dessa linguagem; a geometria que dialoga com o construtivismo e o barroco, a cor que evoca a energia da \u00c1frica, o volume que fala do corpo e do trabalho. Sua arte \u00e9 a s\u00edntese de um Brasil mesti\u00e7o, racional e m\u00edstico, formal e afetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo da mostra,&nbsp;<em>Embates Construtivos<\/em>, poderia definir toda a vida de Emanoel. Seu percurso foi o de um homem que transformou cada embate em constru\u00e7\u00e3o. No ateli\u00ea, no museu, nas institui\u00e7\u00f5es que dirigiu, como o Museu de Arte da Bahia, a Pinacoteca de S\u00e3o Paulo e, sobretudo, o Museu Afro Brasil, ele operava com a mesma energia de escultor: moldava ideias, polia estruturas, erguia espa\u00e7os de pertencimento. A forma geom\u00e9trica, para ele, era mais que disciplina est\u00e9tica; era \u00e9tica. Num pa\u00eds acostumado ao improviso, Emanoel acreditava na ordem como ato de f\u00e9 no coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a racionalidade nunca o afastou do simb\u00f3lico. Em sua arte convivem o c\u00e1lculo e o mito, a heran\u00e7a africana e a tradi\u00e7\u00e3o moderna. Muitas de suas esculturas, totemicas, verticais e quase lit\u00fargicas, parecem encarnar uma espiritualidade que n\u00e3o separa o humano do divino, o gesto do pensamento. S\u00e3o formas que cont\u00eam sil\u00eancio e ritmo, raz\u00e3o e encantamento. O pr\u00f3prio artista dizia que \u201ca geometria \u00e9 uma religi\u00e3o que se pratica com o corpo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus \u201cembates construtivos\u201d n\u00e3o se limitavam \u00e0 arte. Foram tamb\u00e9m embates culturais e pol\u00edticos. Ao criar o Museu Afro Brasil, em 2004, deu forma a uma vis\u00e3o que combinava mem\u00f3ria, educa\u00e7\u00e3o e cidadania. O museu nasceu de uma ideia de pa\u00eds que reconhece a heran\u00e7a africana n\u00e3o como ferida, mas como funda\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o queria um espa\u00e7o excludente, mas universalista, que mostrasse o negro como sujeito da hist\u00f3ria e como criador de beleza. \u201cO Museu \u00e9 Afro Brasil. Tem que ter de tudo\u201d, respondeu, certa vez, a um interlocutor. Nessa frase, est\u00e1 condensada sua no\u00e7\u00e3o de mesti\u00e7agem como valor b\u00e1sico.<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o do Farol Santander devolve ao p\u00fablico um Emanoel mais amplo que o curador, mais \u00edntimo que o s\u00edmbolo: o artista em seu esplendor formal. Ali est\u00e3o suas s\u00e9ries de relevos e esculturas em ferro, madeira e bronze; materiais que ele tratava como corpos dotados de mem\u00f3ria. Cada pe\u00e7a \u00e9 um di\u00e1logo entre o peso e a leveza, o corte e a harmonia, a ancestralidade e o futuro. Em tempos em que a arte \u00e9 frequentemente reduzida a discurso, Emanoel nos lembra que a forma tamb\u00e9m pensa, e que a beleza \u00e9 uma forma de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas anos ap\u00f3s sua morte, o legado de Emanoel Ara\u00fajo continua a irradiar. N\u00e3o apenas nas institui\u00e7\u00f5es que criou ou nas obras que deixou, mas no modo como concebeu o papel do artista na sociedade: o de quem ilumina, orienta e permanece. Como um farol, Emanoel n\u00e3o se moveu para guiar, permaneceu firme para que outros encontrassem o caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao celebrar sua obra, compreendemos que ele n\u00e3o foi apenas um protagonista da arte afro-brasileira, mas um pensador do Brasil. Sua geometria \u00e9 uma \u00e9tica. Sua cor, um idioma de liberdade. E sua vida, uma li\u00e7\u00e3o de clareza e generosidade num pa\u00eds que tantas vezes se perde na escurid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6135\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-1024x768.png 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-300x225.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-768x576.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-1536x1152.png 1536w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-2048x1536.png 2048w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-400x300.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-8-800x600.png 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>____________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hubert Alqu\u00e9res<\/strong>&nbsp;\u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e vice-presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6137\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-1024x768.png 1024w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-300x225.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-768x576.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-1536x1152.png 1536w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-2048x1536.png 2048w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-400x300.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-9-800x600.png 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Emanoel Ara\u00fajo \u2013 Embates Construtivos<br>Local: Farol Santander \u2013 Rua Jo\u00e3o Br\u00edcola, 24, Centro, S\u00e3o Paulo<br>Per\u00edodo: de 7 de novembro de 2025 a 29 de mar\u00e7o de 2026<br>Curadoria: F\u00e1bio Magalh\u00e3es<br>Visita\u00e7\u00e3o: ter\u00e7a a s\u00e1bado, das 9h \u00e0s 20h; domingos e feriados, das 9h \u00e0s 19h<br>Ingressos: no site www.farolsantander.com.br<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-768x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6138\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-768x1024.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-225x300.png 225w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-1152x1536.png 1152w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-1536x2048.png 1536w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-400x533.png 400w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-450x600.png 450w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/image-10-scaled.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Hubert Alqu\u00e9res No cora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, o Farol Santander abriga uma exposi\u00e7\u00e3o que ilumina uma das figuras mais decisivas da cultura brasileira:&nbsp;Emanoel Ara\u00fajo \u2013 Embates Construtivos. 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